{"id":508,"date":"2011-08-05T22:04:54","date_gmt":"2011-08-05T21:04:54","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/08\/05\/acordo-nos-eua-evita-calote-mas-deve-aprofundar-a-crise\/"},"modified":"2011-08-05T22:04:54","modified_gmt":"2011-08-05T21:04:54","slug":"acordo-nos-eua-evita-calote-mas-deve-aprofundar-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/08\/05\/acordo-nos-eua-evita-calote-mas-deve-aprofundar-a-crise\/","title":{"rendered":"Acordo nos EUA evita calote, mas deve aprofundar a crise"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p><strong>O mundo vai continuar a pagar o d\u00e9fice p\u00fablico norte-americano e a financiar os lucros dos bancos e das grandes empresas.<\/strong><\/p>\n<p>O acordo anunciado pelo governo Obama entre republicanos e democratas para dar fim ao impasse e elevar o tecto da d\u00edvida dos EUA, hoje em 14,3 bili\u00f5es de d\u00f3lares, est\u00e1 longe de p\u00f4r fim \u00e0 crise econ\u00f3mica e pol\u00edtica que toma conta do pa\u00eds. Ap\u00f3s semanas de duras negocia\u00e7\u00f5es sob um ambiente de acirrada polariza\u00e7\u00e3o, que incluiu negocia\u00e7\u00f5es ininterruptas por todo o fim-de-semana, o presidente Barack Obama finalmente anunciou um acordo no final da noite de domingo.<\/p>\n<p>O acordo, aprovado pela C\u00e2mara dos Representantes, de maioria republicana, na noite de segunda-feira, 1 de agosto, garante a eleva\u00e7\u00e3o do endividamento em 2,1 bili\u00f5es de d\u00f3lares. Em contrapartida, imp\u00f5e uma redu\u00e7\u00e3o de 1 bili\u00e3o nas despesas do governo para os pr\u00f3ximos 10 anos. Uma comiss\u00e3o composta por 12 parlamentares deve ficar respons\u00e1vel por definir, at\u00e9 Novembro, um corte adicional de 1,5 bili\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Vit\u00f3ria dos conservadores<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de Obama ter anunciado o acordo como um entendimento entre os dois partidos, ele representa uma clara vit\u00f3ria da ala republicana. Isso porque o impasse criado em torno do d\u00e9fice gira em torno do que fazer para o pa\u00eds continuar a conseguir pagar as suas d\u00edvidas. Enquanto o Partido Democrata defendia cortes no Or\u00e7amento e, a fim de contemplar parcela de seu eleitorado, aumentar os impostos dos mais ricos e reduzir subs\u00eddios, os republicanos exigiam que o ajuste se concentrasse exclusivamente na redu\u00e7\u00e3o de despesas. E \u00e9 isso o que est\u00e1 a ser aprovado.<\/p>\n<p>A l\u00edder dos democratas na C\u00e2mara, Nancy Pelosi, claramente constrangida, chegou a definir como \u201cdesconcertante\u201d o ajuste fiscal colocado a voto. O conjunto de medidas que est\u00e1 a ser aprovado desagrada at\u00e9 mesmo a ala mais \u00e0 direita dos republicanos e boa parte do Tea Party, que insistiam num corte de gastos mais agressivo. Nessa batalha entre o governo e as duas alas do congresso, todos sa\u00edram mal.<\/p>\n<p><strong>Desacelera\u00e7\u00e3o e crise<\/strong><\/p>\n<p>O t\u00e3o temido calote dos EUA n\u00e3o ocorreu, mas a crise est\u00e1 longe do fim. Enquanto parlamentares se enfrentavam para resolver o n\u00f3 do d\u00e9foce, os \u00edndices da economia norte-americana deste segundo semestre reafirmavam que a desacelera\u00e7\u00e3o e a quase estagna\u00e7\u00e3o da actividade do pa\u00eds \u00e9 mais longa do que o esperado. O crescimento do primeiro semestre deste ano \u00e9 o mais lento desde a primeira metade de 2009, quando oficialmente os EUA sa\u00edram da recess\u00e3o.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria, por sua vez, mostra sinais de arrefecimento. O desemprego, no&nbsp; hist\u00f3rico valor de 9%, n\u00e3o d\u00e1 sinais de recupera\u00e7\u00e3o. Todo este cen\u00e1rio de crise s\u00f3 vai piorar com os cortes anunciados pelo governo. Alguns analistas temem que o pa\u00eds refa\u00e7a a traject\u00f3ria dos anos 30 quando, logo ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o do crash de 1929, um ajuste fiscal atirou a economia para uma duradoura recess\u00e3o que s\u00f3 teve fim com a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Os trabalhadores e a maioria da popula\u00e7\u00e3o, sobretudo a mais pobre, devem ser mais uma vez os maiores atingidos pelo ajuste, j\u00e1 que as \u00e1reas sociais ser\u00e3o alvos preferenciais dos cortes bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>O Mundo vai continuar a pagar pelo d\u00e9fice americano<\/strong><\/p>\n<p>O gigantesco d\u00e9fice fiscal dos EUA foi gerado durante o governo W. Bush tendo sido usado para financiar os cortes nos impostos dos mais ricos, subsidiar empresas e pagar as guerras do Iraque e Afeganist\u00e3o. Com a crise econ\u00f3mica deflagrada em 2008, a d\u00edvida deu um salto brutal com os pacotes de ajuda ao sector financeiro. Os 14,3 mil milh\u00f5es do d\u00e9fice representam hoje nada menos que o equivalente a um quarto do PIB mundial (62 bili\u00f5es de d\u00f3lares).<\/p>\n<p>Essa conta \u00e9 paga por aqueles que det\u00eam os t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica norte-americana, em ordem decrescente: China, Jap\u00e3o, Reino Unido, um fundo conjunto de pa\u00edses petroleiros e, finalmente, o Brasil, que det\u00eam 200 mil milh\u00f5es em t\u00edtulos. Isso significa que o mundo sustenta o enorme d\u00e9fice norte-americano. E quem s\u00e3o os maiores benefici\u00e1rios? O jornal mexicano <em>La Jornada<\/em> d\u00e1 uma pista quando informa que os lucros das empresas no pa\u00eds aumentaram 264 mil milh\u00f5es nos \u00faltimos tr\u00eas anos, principalmente os do sector financeiro. Isto numa conjuntura de recess\u00e3o ou economia cambaleante.<\/p>\n<p>J\u00e1 o senador democrata Bernie Sanders, num artigo no Wall Street Journal, afirma que os impostos sobre os mais ricos nos EUA est\u00e3o nas taxas mais baixas da hist\u00f3ria moderna. Nunca os ricos pagaram t\u00e3o pouco impostos como agora. \u201cDe facto, enfermeiras, professores e bombeiros pagam mais impostos que alguns multimilion\u00e1rios\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O d\u00e9fice norte-americano, financiado pelo resto do mundo, paga os lucros dos bancos, das empresas, dos mais ricos e sustenta a presen\u00e7a militar dos EUA no M\u00e9dio Oriente. O problema para Obama \u00e9 que ela est\u00e1 a tornar-se insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>A medida que foi aprovada no Congresso, al\u00e9m de n\u00e3o resolver esse rombo, vai bloquear de vez a recupera\u00e7\u00e3o e pode atirar o pa\u00eds novamente para uma recess\u00e3o. O ano de 2008 mostrou o que acontece quando a maior economia do planeta amea\u00e7a ruir. A crise pol\u00edtica aberta nos \u00faltimos meses, por outro lado, \u00e9 outro importante fator de instabilidade que se soma \u00e0 economia no cora\u00e7\u00e3o do Imperialismo.<\/p>\n<p><em>Escrito por Diego Cruz &#8211; PSTU Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo vai continuar a pagar o d\u00e9fice p\u00fablico norte-americano e a financiar os lucros dos bancos e das grandes empresas. O acordo anunciado pelo governo Obama entre republicanos e democratas para dar fim ao impasse e elevar o tecto da d\u00edvida dos EUA, hoje em 14,3 bili\u00f5es de d\u00f3lares, est\u00e1 longe de p\u00f4r fim \u00e0 crise econ\u00f3mica e pol\u00edtica que toma conta do pa\u00eds. Ap\u00f3s semanas de duras negocia\u00e7\u00f5es sob um ambiente de acirrada polariza\u00e7\u00e3o, que incluiu negocia\u00e7\u00f5es ininterruptas por todo o fim-de-semana, o presidente Barack Obama finalmente anunciou um acordo no final da noite de domingo. 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