{"id":504,"date":"2011-08-02T19:58:30","date_gmt":"2011-08-02T18:58:30","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/08\/02\/a-grecia-e-a-ponta-do-icebergue-da-crise-da-europa-imperialista\/"},"modified":"2011-08-02T19:58:30","modified_gmt":"2011-08-02T18:58:30","slug":"a-grecia-e-a-ponta-do-icebergue-da-crise-da-europa-imperialista","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/08\/02\/a-grecia-e-a-ponta-do-icebergue-da-crise-da-europa-imperialista\/","title":{"rendered":"A Gr\u00e9cia \u00e9 a ponta do icebergue da crise da Europa imperialista"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tH2 { margin-top: 0cm; margin-bottom: 0cm } \t\tH2.western { font-family: \"Times New Roman\", serif; font-size: 12pt } \t\tH2.cjk { font-size: 12pt; font-weight: bold } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Os recentes acontecimentos na Gr\u00e9cia s\u00e3o uma antecipa\u00e7\u00e3o e uma amea\u00e7a do que pode ocorrer em toda a Uni\u00e3o Europeia (UE), como consequ\u00eancia da crise econ\u00f3mica internacional que teve in\u00edcio em 2007. Ainda que o epicentro da crise tenha sido inicialmente os EUA, a UE foi, sem d\u00favida, o p\u00f3lo imperialista mais afectado, j\u00e1 que a crise p\u00f5e em carne viva todas as suas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\"><strong>Os objectivos da sua cria\u00e7\u00e3o&nbsp; <\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">A UE nasceu na d\u00e9cada de 1990 por meio de distintos tratados internacionais. Actualmente \u00e9 formada por 27 pa\u00edses, como continuidade e aprofundamento da Comunidade Econ\u00f3mica Europeia (CEE), fundada em 1957. Em 2000, foi criada em seu interior a chamada \u201ceurozona\u201d: 17 pa\u00edses que adoptaram o euro como moeda comum controlada pelo Banco Central Europeu (BCE).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Longe de ser uma \u201cuni\u00e3o igualit\u00e1ria de pa\u00edses\u201d que permitiria \u201co progresso e o bem-estar de seus povos\u201d, a UE nasceu com dois objectivos muito claros. O primeiro era defender um \u201cespa\u00e7o imperialista pr\u00f3prio\u201d em contraposi\u00e7\u00e3o aos EUA. Relacionado com este primeiro objectivo, o segundo era somar as for\u00e7as dessas burguesias imperialistas para atacar e come\u00e7ar a liquidar as conquistas do chamado Estado de Bem-estar, obtidas pelos trabalhadores europeus depois da 2\u00aa Guerra Mundial porque os capitalistas viram-se for\u00e7ados a fazer grandes concess\u00f5es devido ao risco de perder tudo diante da revolu\u00e7\u00e3o socialista que avan\u00e7ava do Leste.<\/p>\n<h2 class=\"western\" style=\"font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Uma uni\u00e3o de desiguais<\/strong><br \/><\/span><\/h2>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Na UE e na zona euro, juntaram-se pa\u00edses de desenvolvimento econ\u00f3mico e produtivo muito desigual (por exemplo, Alemanha e Gr\u00e9cia). Assim, os seus maiores benefici\u00e1rios foram as principais pot\u00eancias (Alemanha e Fran\u00e7a), especialmente as suas grandes empresas e bancos, que puderam expandir os seus neg\u00f3cios e investimentos sem muitas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Os pa\u00edses mais fracos, como Portugal, Irlanda, Gr\u00e9cia e, inclusive, Espanha, sofreram um forte processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o (com o desaparecimento ou a extrema redu\u00e7\u00e3o de ramos como a siderurgia ou a ind\u00fastria naval), de redu\u00e7\u00e3o dos sectores agr\u00edcolas \u201cn\u00e3o competitivos\u201d (que, na verdade, deviam competir com os enormes subs\u00eddios que os agricultores recebem na Alemanha e na Fran\u00e7a) e de penetra\u00e7\u00e3o e dom\u00ednio crescente de seus mercados banc\u00e1rios e financeiros.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Durante o \u00faltimo per\u00edodo de auge da economia mundial (2002-2007), este desenvolvimento cada vez mais desigual foi dissimulado pelas receitas que os pa\u00edses mais fracos obtinham com o turismo, o com\u00e9rcio e o transporte, e pelo desenvolvimento da constru\u00e7\u00e3o. O circuito de entradas-sa\u00eddas de euros acumulava contradi\u00e7\u00f5es, mas, no entanto, \u201ca conta fechava\u201d. Inclusive a economia do Estado Espanhol, auxiliada pelo rendimento de seus investimentos na Am\u00e9rica Latina, viveu um per\u00edodo de auge e grande crescimento. Mas a crise cortou esse circuito, em grande medida fict\u00edcio, e as contradi\u00e7\u00f5es sobrevieram com toda sua crueza.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Esta rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses imperialistas mais fracos pelos mais fortes n\u00e3o \u00e9 algo novo na hist\u00f3ria. Em seu conhecido livro sobre o Imperialismo, Lenine j\u00e1 apontava, por exemplo, que Portugal era, ao mesmo tempo, uma pot\u00eancia colonial e um pa\u00eds totalmente dependente da Inglaterra. A cria\u00e7\u00e3o da UE e da zona euro aprofundaram este tipo de rela\u00e7\u00f5es e, agora, a partir da crise, est\u00e3o levando-as a novos limites.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\"><strong>A crise e as d\u00edvidas p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">A crise econ\u00f3mica internacional afectou a economia europeia como um todo e diminuiu a entrada de euros dos pa\u00edses mais fracos. Os Estados come\u00e7aram a se sobre-endividar, seja para ajudar directamente os bancos, seja para enfrentar o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas, que aumentavam aceleradamente em cada refinanciamento devido ao custo de juros cada vez mais altos, na medida em que a qualifica\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas piorava (os b\u00f3nus gregos e irlandeses j\u00e1 s\u00e3o considerados \u201clixo\u201d, o ponto mais baixo da escala).<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Chegou-se, assim, \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de \u201cdefault\u201d, isto \u00e9, a impossibilidade dos Estados de pagar suas d\u00edvidas e, ent\u00e3o, \u00e0 necessidade de \u201cpacotes de ajuda\u201d por parte da UE e do FMI para cobrir esses \u201csaldos no vermelho\u201d e impedir a quebra. Em troca, vem a exig\u00eancia de dur\u00edssimos e cont\u00ednuos planos de ajuste que reduzem sal\u00e1rios e aposentadorias, aumentam os impostos para a popula\u00e7\u00e3o, atacam a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, ordenam privatiza\u00e7\u00f5es etc. Em resposta, come\u00e7a a luta dos povos contra essas medidas, acentuando ainda mais a \u201cinstabilidade\u201d para a burguesia.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\"><strong>&nbsp;A segunda crise do euro<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">A crise grega e sua evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um processo que afecta somente este pa\u00eds. Nem sequer \u00e9 uma crise que se limita aos PIGs (Portugal, Irlanda e Gr\u00e9cia). O jornal brit\u00e2nico The Economist, analisando a crise grega, define uma \u201csegunda onda de crise do euro\u201d, desde 2008, porque este pa\u00eds \u00e9 a parte mais vis\u00edvel de uma crise continental. Na Gr\u00e9cia, e dependendo de como se resolva a situa\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds, est\u00e1 sendo decidida a sorte de uma constru\u00e7\u00e3o (o sistema euro) que custou mais de 50 anos \u00e0 burguesia imperialista europeia.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">\u00c9 uma \u201ccrise europeia\u201d por tr\u00eas raz\u00f5es. A primeira \u00e9 a rigidez do sistema monet\u00e1rio conjunto. A exist\u00eancia de uma moeda e uma autoridade internacional comum faz com que os pa\u00edses-membros da zona euro n\u00e3o possam ter uma pol\u00edtica monet\u00e1ria capitalista pr\u00f3pria (por exemplo, uma forte desvaloriza\u00e7\u00e3o de sua moeda nacional) sem romper com o euro. Todas as medidas \u201canticrise\u201d dessa autoridade monet\u00e1ria europeia representam, na verdade, uma \u201cinterven\u00e7\u00e3o\u201d e uma \u201cimposi\u00e7\u00e3o\u201d sobre os pa\u00edses afectados. Ao mesmo tempo, a crise dos pa\u00edses-membros, mesmo que sejam pequenos, transforma-se de fato em uma crise do euro como um todo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Em segundo lugar, os bancos gregos hoje s\u00e3o controlados maioritariamente por capitais estrangeiros, principalmente alem\u00e3es e, em segundo lugar, franceses e norte-americanos. Em outras palavras, uma quebra do Estado e do sistema financeiro grego (como o da Argentina em 2001) traria grav\u00edssimas consequ\u00eancias a todo o sistema financeiro europeu e mundial.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Em terceiro lugar, ainda que a cadeia imperialista ameace se romper pelo elo mais fraco (os PIGs), a crise fiscal e econ\u00f3mica tamb\u00e9m atingiu com muita for\u00e7a os pa\u00edses maiores, como a Espanha (considerado o limite de \u201ctamanho\u201d que a UE poderia \u201cajudar\u201d) e a It\u00e1lia, que acaba de sofrer um ataque especulativo, ao que o governo Berlusconi respondeu com o acordo e uma total unidade com a oposi\u00e7\u00e3o no parlamento votando a toque de caixa um dur\u00edssimo plano de ajuste. Inclusive pot\u00eancias muito mais fortes, como a Gr\u00e3-Bretanha e a Fran\u00e7a, v\u00eaem-se obrigadas a aplicar planos de \u201causteridade\u201d. Se a cadeia da UE e do euro se rompesse na Gr\u00e9cia, o \u201cefeito domin\u00f3\u201d nos demais \u201celos\u201d poderia ser muito r\u00e1pido. E, segundo as palavras de um ex-pr\u00e9mio Nobel de Economia, o norte-americano Paul Krugman, a queda do euro seria \u201cuma cat\u00e1strofe\u201d para a economia e as finan\u00e7as mundiais.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\"><strong>O Pacto do euro<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Mas as burguesias europeias, principalmente as da Alemanha e da Fran\u00e7a, est\u00e3o dispostas a defender o euro e o seu espa\u00e7o imperialista at\u00e9 o final, em benef\u00edcio pr\u00f3prio. Em 27 de Junho, foi ratificado em Bruxelas (seda da UE) o chamado \u201cPacto do Euro\u201d, um texto assinado pelos 17 chefes de governo da zona euro para \u201cresponder \u00e0 crise e aumentar a competitividade da Europa\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Mas, para fazer isso, ser\u00e3o obrigados a avan\u00e7ar com tudo em dois aspectos. Por um lado, na submiss\u00e3o dos pa\u00edses mais fracos, impondo-lhes, em troca da \u201cajuda\u201d financeira, medidas e condi\u00e7\u00f5es de controle similares \u00e0s dos pa\u00edses latino-americanos nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990. Por exemplo, o presidente do \u201cEurogrupo\u201d, Jean-Claude Juncker, disse explicitamente que a Gr\u00e9cia ter\u00e1 sua soberania \u201cmuito limitada\u201d devido ao plano de ajuste que aprovou para receber as ajudas da UE e do FMI.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Em segundo lugar, dever\u00e3o atacar cada vez mais frontalmente e sem meios-termos as conquistas, as condi\u00e7\u00f5es de vida e os direitos dos trabalhadores. Neste aspecto, a Gr\u00e9cia \u00e9 a ponta de lan\u00e7a dos planos de ajuste que est\u00e3o sendo aplicados em todo o continente. Hoje, o sistema capitalista imperialista j\u00e1 n\u00e3o pode garantir a manuten\u00e7\u00e3o de nenhuma destas conquistas (acordos salariais, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aposentadorias dignas, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas de qualidade, etc.) e precisa destru\u00ed-las para defender seus lucros e jogar o custo da crise nas costas dos trabalhadores e do povo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\"><strong>As contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Os bancos, duplamente respons\u00e1veis pela situa\u00e7\u00e3o actual, s\u00e3o os que mais exigem sacrif\u00edcios dos pa\u00edses fracos e dos povos europeus. Mas isto come\u00e7a a provocar divis\u00f5es nas burguesias imperialistas europeias.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Enquanto a c\u00fapula da UE e do BCE defendem a postura dos bancos, a primeira-ministra alem\u00e3, Angela Merkel, apresentou a posi\u00e7\u00e3o de que os bancos se responsabilizem por parte do custo dos pacotes de \u201cajuda\u201d (em \u00faltima inst\u00e2ncia, destinados a \u201csalv\u00e1-los\u201d) e, assim, atenuem um pouco seu impacto popular. Merkel com certeza expressa a dupla press\u00e3o da burguesia industrial alem\u00e3, que quer evitar uma nova recess\u00e3o e garantir suas exporta\u00e7\u00f5es, e a do eleitorado alem\u00e3o, que se op\u00f5e ao aporte de seu Estado para estes pacotes de ajuda. Ao mesmo tempo, teme as reac\u00e7\u00f5es populares que esses pacotes \u201cselvagens\u201d podem provocar. Os governos da Fran\u00e7a e da Espanha se aliaram com as posi\u00e7\u00f5es mais duras do BCE e possivelmente reflectem o estreito compromisso de seus principais bancos com as d\u00edvidas dos PIGs. Em todo caso, essas divis\u00f5es causam mais instabilidade a uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 \u00e9 explosiva.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\"><strong>A crise se acelera<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">As burguesias dos pa\u00edses mais fracos, como a grega, mostram-se dispostas a aceitar esta submiss\u00e3o para defender a parte minorit\u00e1ria que recebem da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, mesmo que isso represente um claro retrocesso de seus pa\u00edses e a obriga\u00e7\u00e3o de desferir ataques brutais contra seus trabalhadores e povos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Nenhum pa\u00eds europeu est\u00e1 em boa condi\u00e7\u00e3o para \u201csocorrer\u201d outro. Depois do barril de p\u00f3lvora grego, esperam em fila Portugal, Irlanda, Espanha, It\u00e1lia, Inglaterra&#8230; J\u00e1 gastaram quase toda a muni\u00e7\u00e3o de apoio estatal em 2008-2009. At\u00e9 os Estados Unidos sofrem sua pr\u00f3pria crise econ\u00f3mica e pol\u00edtica e o seu risco de default. Algo inimagin\u00e1vel no passado.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Mas, se as burguesias aceitam a submiss\u00e3o, os trabalhadores e o povo n\u00e3o parecem dispostos a isso. No caso grego, a resist\u00eancia come\u00e7ou h\u00e1 mais de dois anos e toma um car\u00e1cter her\u00f3ico: mais de uma dezena de greves gerais e, agora, a ocupa\u00e7\u00e3o de pra\u00e7as, ao estilo eg\u00edpcio ou espanhol.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Os trabalhadores e o povo grego est\u00e3o na vanguarda, mas fica claro que a resist\u00eancia come\u00e7a a estender-se por todo o continente, como a luta dos trabalhadores e da juventude da Fran\u00e7a contra Sarkozy no ano passado; as mobiliza\u00e7\u00f5es da \u201cgera\u00e7\u00e3o \u00e0 rasca\u201d em Portugal; os \u201cindignados\u201d espanh\u00f3is; a poderosa greve geral de funcion\u00e1rios p\u00fablicos e professores na Inglaterra&#8230;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Essa luta gera desgaste e crise nos governos que aplicam os planos, sejam de direita ou de \u201cesquerda\u201d. E s\u00e3o os pr\u00f3prios regimes que come\u00e7am a entrar em crise na medida em que a luta se mant\u00e9m, ao se esgotarem as media\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que tentam desvi\u00e1-la e fre\u00e1-la. Na Gr\u00e9cia, o governo do social-democrata PASOK se desgasta aceleradamente, sem que a direita (Nova Democracia) se recupere de sua derrota eleitoral de 2009. E os deputados de ambos os partidos tiveram que ser protegidos por v\u00e1rios cord\u00f5es policiais para votarem juntos as medidas do \u00faltimo pacote no Parlamento. Um desgaste dos regimes que come\u00e7a a se expressar tamb\u00e9m quando os jovens de Portugal e da Espanha reivindicam \u201cdemocracia real\u201d e denunciam a profunda liga\u00e7\u00e3o desses regimes pol\u00edticos e seus partidos com as suas burguesias imperialistas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">H\u00e1 desigualdades. A situa\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia n\u00e3o \u00e9 a mesma que na Alemanha, onde o proletariado mais poderoso da Europa ainda n\u00e3o entrou em cena com toda for\u00e7a, apesar de ter havido grandes mobiliza\u00e7\u00f5es contra as usinas nucleares e de o governo de Merkel tamb\u00e9m estar sofrendo as consequ\u00eancias da crise europeia com a queda de seu prest\u00edgio pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Em outras palavras, as burguesias europeias devem aplicar os piores planos de ajuste e realizar os mais duros ataques contra seus trabalhadores e povos em d\u00e9cadas. N\u00e3o em um contexto de tranquilidade, mas de forte resist\u00eancia e de crescente crise pol\u00edtica que as deixam num \u201catoleiro\u201d, mesmo que consigam votar esses pacotes nos parlamentos, realimentando a crise econ\u00f3mica continental e internacional.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\"><strong>Qual \u00e9 a sa\u00edda?<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Apesar de uma resist\u00eancia cada vez mais forte contra os planos de ajuste, principalmente na Gr\u00e9cia, os trabalhadores e os jovens europeus n\u00e3o vislumbram uma sa\u00edda para a crise. Isto porque as direc\u00e7\u00f5es sindicais burocr\u00e1ticas e pol\u00edticas dos trabalhadores, mesmo quando se v\u00eaem obrigadas a chamar greves gerais e mobiliza\u00e7\u00f5es, impedem a realiza\u00e7\u00e3o de verdadeiros planos de luta que n\u00e3o s\u00f3 enfrentem os planos de ajuste, mas que tamb\u00e9m possam derrotar os governos que os aplicam, com a perspectiva de impor governos oper\u00e1rios e populares que apliquem programas a servi\u00e7o dos trabalhadores e do povo, e n\u00e3o dos banqueiros e dos monop\u00f3lios. Ao mesmo tempo, ainda que seja dirigida contra um mesmo inimigo &#8211; a UE e suas pol\u00edticas -, essas direc\u00e7\u00f5es dividem a luta pa\u00eds por pa\u00eds, enfraquecendo-a.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Esta pol\u00edtica das direc\u00e7\u00f5es maiorit\u00e1rias dos trabalhadores tem um contexto de fundo: a defesa da UE e da zona do euro. Uma posi\u00e7\u00e3o que \u00e9 compartilhada por outras correntes pol\u00edticas localizadas mais \u00e0 esquerda, como o Bloco de Esquerda (BE) de Portugal, para o qual se trata de criar, dentro da UE, \u201calternativas para pol\u00edticas de cria\u00e7\u00e3o de emprego e de decis\u00e3o democr\u00e1tica contra a especula\u00e7\u00e3o financeira\u201d e elaborar um \u201cprograma vi\u00e1vel de luta\u201d por uma \u201cnova arquitectura da UE\u201d. Em outras palavras, trata-se de \u201creformar\u201d a UE para torn\u00e1-la mais \u201chumana\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Todas essas correntes fazem coro com as suas burguesias imperialistas porque dizem aos trabalhadores, aberta ou implicitamente, que, se os planos de ajuste e suas consequ\u00eancias s\u00e3o um \u201crem\u00e9dio amargo\u201d, seria muito pior sair da UE ou da zona do euro.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">A crise capitalista obrigou a UE a mostrar sua verdadeira face: uma constru\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o do imperialismo alem\u00e3o (e, ao seu lado, o franc\u00eas), em benef\u00edcio de seus bancos e multinacionais, submetendo ferreamente pa\u00edses como Gr\u00e9cia, Portugal, Irlanda ou Espanha \u00e0 vassalagem e atacando duramente todos os trabalhadores do continente. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 margens para a apar\u00eancia demag\u00f3gica do \u201cmodelo social europeu\u201d nem para \u201cjogos\u201d democr\u00e1ticos sobre quem e onde se decidem os planos de ajuste. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma possibilidade de \u201creformar\u201d a UE para torn\u00e1-la \u201cmais humana\u201d, assim como n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel faz\u00ea-lo com o capitalismo imperialista de conjunto.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Por isso, Gr\u00e9cia, Portugal e Irlanda somente poder\u00e3o salvar-se da cat\u00e1strofe se declararem o n\u00e3o reconhecimento de sua d\u00edvida p\u00fablica, romperem com a UE e adoptarem medidas dr\u00e1sticas, como a expropria\u00e7\u00e3o dos bancos, a nacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas estrat\u00e9gicas sob controle dos trabalhadores, a escala m\u00f3vel de horas de trabalho para que todos possam ter emprego e o estabelecimento do monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior. Um programa que, num futuro cada vez mais pr\u00f3ximo, tamb\u00e9m estar\u00e1 colocado para outros pa\u00edses, como Espanha e It\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">N\u00f3s, da LIT-QI, somos plenamente conscientes de que os problemas da Gr\u00e9cia, Portugal e Irlanda n\u00e3o ter\u00e3o solu\u00e7\u00e3o de modo isolado. Por isso, a nossa proposta n\u00e3o significa a volta ao velho isolamento \u201cnacional\u201d capitalista nem a suas moedas, como prop\u00f5em diversas correntes de direita no continente.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Nossa proposta contrap\u00f5e \u00e0 Europa do Capital, representada pela UE e pela zona  euro, a luta do conjunto dos trabalhadores do continente para conquistar a pr\u00f3pria unidade de uma sa\u00edda oper\u00e1ria e popular, na perspectiva da constru\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos Socialistas da Europa.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\">Esta \u00e9 uma tarefa imensa, mas imprescind\u00edvel, que deve ser acompanhada com urg\u00eancia, no processo vivo das lutas, pelo surgimento e pela constru\u00e7\u00e3o de novas direc\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas, baseadas na independ\u00eancia de classe do movimento oper\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o a todas as variantes da burguesia e de seus governos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: normal;\" lang=\"pt-PT\"><strong>&nbsp;Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os recentes acontecimentos na Gr\u00e9cia s\u00e3o uma antecipa\u00e7\u00e3o e uma amea\u00e7a do que pode ocorrer em toda a Uni\u00e3o Europeia (UE), como consequ\u00eancia da crise econ\u00f3mica internacional que teve in\u00edcio em 2007. Ainda que o epicentro da crise tenha sido inicialmente os EUA, a UE foi, sem d\u00favida, o p\u00f3lo imperialista mais afectado, j\u00e1 que a crise p\u00f5e em carne viva todas as suas contradi\u00e7\u00f5es. Os objectivos da sua cria\u00e7\u00e3o&nbsp; A UE nasceu na d\u00e9cada de 1990 por meio de distintos tratados internacionais. Actualmente \u00e9 formada por 27 pa\u00edses, como continuidade e aprofundamento da Comunidade Econ\u00f3mica Europeia (CEE), fundada em<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":503,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-504","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-correio-internacional"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/lutanagrecia.jpg?fit=565%2C424","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=504"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/504\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/503"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}