{"id":478,"date":"2011-06-20T00:15:02","date_gmt":"2011-06-19T23:15:02","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/06\/20\/protesto-em-espanha-pede-uma-nova-greve-geral\/"},"modified":"2011-06-20T00:15:02","modified_gmt":"2011-06-19T23:15:02","slug":"protesto-em-espanha-pede-uma-nova-greve-geral","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/06\/20\/protesto-em-espanha-pede-uma-nova-greve-geral\/","title":{"rendered":"Protesto em Espanha pede uma nova greve geral"},"content":{"rendered":"<p>Mais de 200 mil pessoas manifestam-se contra o Pacto do Euro, os cortes sociais e a corrup\u00e7\u00e3o nas principais cidades do pa\u00eds, com destaque para Madrid, Barcelona e Val\u00eancia. Em Portugal, o movimento Democracia Verdadeira J\u00e1 realiza marchas em Lisboa e Porto. <\/p>\n<p>&nbsp;O dia 19 de Junho mal amanhecera quando milhares de moradores de Madrid e cidades vizinhas tomaram as ruas em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Pra\u00e7a Neptuno, no centro da cidade, onde fica o Parlamento. Convocada pelo 15-M, movimento surgido nas gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es de 15 de Maio e cujo lema \u00e9 &#8220;Democracia Real Ya&#8221;, e apoiada por assembleias em bairros e cidades da Grande Madrid, a nova manifesta\u00e7\u00e3o de protesto reuniu dezenas de milhares de pessoas.<\/p>\n<p>Nas seis marchas que conflu\u00edram para a Pra\u00e7a Neptuno os manifestantes, de todas as idades, levavam pancartas, feitas por eles mesmos, contra o desemprego, a precariedade laboral, os pol\u00edticos e banqueiros. Uma delas dizia: &#8220;No hay nada m\u00e1s peligroso que un hombre sin nada que perde&#8221;. Entre as palavras de ordem gritadas ouvia-se: &#8220;Que no, que no, que no nos representan&#8221;, &#8220;Vuestra crisis, no la pagamos&#8221;, &#8220;Lo llaman democracia y no lo es&#8221;, &#8220;El pueblo unido, jam\u00e1s ser\u00e1 vencido&#8221;. O ambiente era festivo e organizado, contrastando com o grande dispositivo policial montado em torno da pra\u00e7a.<\/p>\n<p>Em Lisboa e no Porto, apesar do n\u00famero bem menor de manifestantes \u2013 cerca de 500 em Lisboa, segundo indica\u00e7\u00e3o da imprensa \u2013, as marchas foram bastante animadas. Em Lisboa, foram gritadas palavras de ordem contra a troika e o FMI, acompanhadas pelo rufar de tambores. Esta manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 a segunda organizada pelos jovens que acamparam no Rossio e tem uma import\u00e2ncia muito grande no sentido de alertar a popula\u00e7\u00e3o contra as medidas da troika, que o novo governo da direita pretende ainda piorar.<\/p>\n<p><strong>Pacto do Euro<\/strong><\/p>\n<p>Em Madrid e Barcelona, os manifestantes pediram a convoca\u00e7\u00e3o de uma greve geral e, na capital catal\u00e3, exigiram ainda a demiss\u00e3o do conselheiro do Interior Felip Puig. O conselheiro do Interior foi quem ordenou o desmantelamento do acampamento de manifestantes na Pra\u00e7a da Catalunha, em finais de Maio, causando 120 feridos. Os catal\u00e3es reivindicaram tamb\u00e9m o levantamento do processo movido contra v\u00e1rios manifestantes que se encontram presos desde 15 de Junho, acusados de, nesta data, terem agredido deputados que iriam discutir novos cortes or\u00e7amentais a \u00e1reas sociais.<\/p>\n<p>Um dos alvos dos manifestantes foi o Pacto do Euro, um acordo impulsionado por Alemanha e Fran\u00e7a, aprovado em Mar\u00e7o pelos governos europeus, que prev\u00ea cortes profundos nos direitos sociais. Os eixos do pacto s\u00e3o: aumento da idade da reforma, vincula\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios \u00e0 produtividade, flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, reforma do sistema de pens\u00f5es e de protec\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>&#8220;Sobram raz\u00f5es para sair \u00e0s ruas&#8221;, comenta Corriente Roja, partido de esquerda do estado espanhol.  &#8220;Os governos e poderes p\u00fablicos, longe de solucionarem o drama do desemprego massivo, dos sal\u00e1rios de mis\u00e9ria, dos despejos das casas, da falta de futuro para os jovens, continuam com os despedimentos em massa&#8221;. E tamb\u00e9m a piorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, a facilitar o rebaixamento dos sal\u00e1rios e a ampliar a desregula\u00e7\u00e3o e a flexibilidade laboral nas empresas, permitindo aos patr\u00f5es aumentar a jornada, os hor\u00e1rios e a mobilidade funcional.<\/p>\n<p><strong>Origem do 15-M<\/strong><\/p>\n<p>O 15-M teve origem numa jornada de protestos a 15 de Maio que levou dezenas de milhares de espanh\u00f3is \u00e0s ruas. A partir de uma convoca\u00e7\u00e3o difundida pelas redes sociais da Internet, um grupo de jovens acampou na pra\u00e7a Puerta del Sol, centro de Madrid, e, em poucos dias, foi seguido por outros milhares de jovens, assim como trabalhadores e desempregados.<\/p>\n<p>O n\u00famero de &#8220;indignados&#8221;, como s\u00e3o chamados pela imprensa, passou dos 50 no dia 15 para algo como 25 mil pessoas na noite de sexta-feira dia 20. A popula\u00e7\u00e3o apoiou de forma massiva as manifesta\u00e7\u00f5es e ajudou, entre outras coisas, na alimenta\u00e7\u00e3o dos acampados.<\/p>\n<p>Espanha \u00e9 o pa\u00eds europeu que mais sofre com o desemprego, que atinge mais de 20% da popula\u00e7\u00e3o e mais de 40% dos jovens. O 15-M, al\u00e9m de repudiar os ataques do governo espanhol aos direitos sociais, recha\u00e7a os partidos tradicionais do pa\u00eds, os sindicatos e as centrais atrelados ao Estado, como a CCOO e a UGT.<\/p>\n<p><strong>Uma nova greve geral<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da pol\u00edtica traidora das duas maiores centrais sindicais espanholas e dos partidos ditos de esquerda com representa\u00e7\u00e3o parlamentar, como o pr\u00f3prio PSOE e a Esquerda Unida, os trabalhadores e jovens n\u00e3o d\u00e3o tr\u00e9gua ao governo e aos patr\u00f5es. As manifesta\u00e7\u00f5es sucedem-se a 15 de Maio, 15 de Junho e 19 de Junho. E agora \u00e9 preparar a greve geral nos locais de trabalho e nos bairros, contra um governo completamente desgastado.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 15 de Maio, o PSOE perdeu mais de 1,5 milh\u00f5es de votos. \u00c0 direita, representada pelo Partido Popular (o PSD l\u00e1 do s\u00edtio), bastou, como em Portugal nas \u00faltimas legislativas, uma campanha que colocou a crise econ\u00f3mica no centro de sua den\u00fancia, mas se calou sobre a sua pr\u00f3pria pol\u00edtica de apoio \u00e0s medidas de austeridade, para capitalizar uma parte do descontentamento social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 200 mil pessoas manifestam-se contra o Pacto do Euro, os cortes sociais e a corrup\u00e7\u00e3o nas principais cidades do pa\u00eds, com destaque para Madrid, Barcelona e Val\u00eancia. Em Portugal, o movimento Democracia Verdadeira J\u00e1 realiza marchas em Lisboa e Porto. &nbsp;O dia 19 de Junho mal amanhecera quando milhares de moradores de Madrid e cidades vizinhas tomaram as ruas em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 Pra\u00e7a Neptuno, no centro da cidade, onde fica o Parlamento. Convocada pelo 15-M, movimento surgido nas gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es de 15 de Maio e cujo lema \u00e9 &#8220;Democracia Real Ya&#8221;, e apoiada por assembleias em bairros e<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":477,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-478","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estado-espanhol"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/praaneptuno.gif?fit=400%2C267","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/478","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/478\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/477"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}