{"id":4706,"date":"2023-04-20T00:20:51","date_gmt":"2023-04-19T23:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/mas.org.pt\/?p=4706"},"modified":"2023-04-20T00:20:55","modified_gmt":"2023-04-19T23:20:55","slug":"eleicoes-nos-bancarios-alternativa-sindical-sai-reforcada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2023\/04\/20\/eleicoes-nos-bancarios-alternativa-sindical-sai-reforcada\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es nos Banc\u00e1rios: <strong>Alternativa sindical sai refor\u00e7ada<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 28 e 29 de Mar\u00e7o, realizaram-se elei\u00e7\u00f5es no SBSI\/Mais Sindicato. Disputando a dire\u00e7\u00e3o e demais \u00f3rg\u00e3os do sindicato, voltou a apresentar-se lista de alternativa sindical. Desta vez, a oposi\u00e7\u00e3o sindical democr\u00e1tica e combativa apresentou-se sob a sigla Novo Rumo, unindo os ativistas do MUDAR a outros ativistas que se t\u00eam oposto \u00e0 desastrosa pol\u00edtica da coliga\u00e7\u00e3o PS\/PSD.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lista Novo Rumo (lista B) candidatou-se aos corpos gerentes (Mesa da Assembleia Geral e Dire\u00e7\u00e3o Sindical) e obteve 40% dos votos, o que significa 3682 votos (mais 900 votos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de 2019). Quanto \u00e0 lista dos TSS\/TSD, a \u2018coliga\u00e7\u00e3o do centr\u00e3o\u2019, obteve o escrut\u00ednio de 5687 votos (menos 400 do que em 2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Note-se que esta elei\u00e7\u00e3o, para um universo de 33.434 s\u00f3cios, \u00e9 realizada por \u2018vota\u00e7\u00e3o eletr\u00f3nica\u2019, durante um largo per\u00edodo de 42 horas seguidas (no Brasil 12 horas s\u00e3o suficientes para o voto de 180 milh\u00f5es de eleitores). Acresce que quem controla o processo de vota\u00e7\u00e3o \u00e9 a Mesa da Assembleia Geral (MAG) e n\u00e3o a Comiss\u00e3o Eleitoral. A MAG \u00e9 composta pelos candidatos da lista A (os que est\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o), e os membros da MAG t\u00eam acesso ao sistema inform\u00e1tico do processo eleitoral e foram eles que operaram na emiss\u00e3o dos pin\u2019s (c\u00f3digos para vota\u00e7\u00e3o), o que retira democraticidade e transpar\u00eancia ao processo eleitoral e permite a \u2018produ\u00e7\u00e3o\u2019 de votos, o que a lista B suspeita ter acontecido, pelo que apresentou recurso em rela\u00e7\u00e3o ao acto eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de diversos constrangimentos, as listas Novo Rumo \/ Mudar de Rumo apresentaram-se nas sec\u00e7\u00f5es sindicais das principais regi\u00f5es e bancos. No BCP, no BST, na Interempresas (agrupa v\u00e1rios bancos), na sec\u00e7\u00e3o dos Reformados, na regi\u00e3o de Set\u00fabal, Torres Vedras, Santar\u00e9m, Tomar, \u00c9vora e Beja. Estas candidaturas abrangeram localmente 25.500 s\u00f3cios dos 33.434 s\u00f3cios que integram a totalidade das sec\u00e7\u00f5es do sindicato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas maiores sec\u00e7\u00f5es, Reformados (12685 s\u00f3cios) e Set\u00fabal (4307 s\u00f3cios) a lista B venceu com maioria absoluta, o que se repetiu tamb\u00e9m noutras sec\u00e7\u00f5es como Tomar, Ponta Delgada e Horta (A\u00e7ores), e na Sec\u00e7\u00e3o Interempresas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crescimento eleitoral da lista alternativa e a expressiva vit\u00f3ria nas maiores sec\u00e7\u00f5es do sindicato, s\u00e3o um bom indicador das possibilidades futuras para melhorar a organiza\u00e7\u00e3o dos activistas para as novas lutas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os trabalhadores banc\u00e1rios perderam 22,7% do seu poder de compra s\u00f3 nos \u00faltimos sete anos. Tamb\u00e9m perdemos o contrato coletivo hist\u00f3rico quando todas as dire\u00e7\u00f5es sindicais aceitaram o \u2018contrato\u2019 proposto pelos banqueiros, concretizando uma das maiores trai\u00e7\u00f5es aos direitos dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2016, os banc\u00e1rios perderam as grandes conquistas ainda anteriores a 1974, conquistas conseguidas nas grandes lutas de 1970 a 1973. Conquistas como a carreira profissional, a estabilidade dos postos de trabalho e a defesa do emprego foram perdidos em 2016 e, com as \u2018m\u00e3os livres\u2019, os banqueiros despediram milhares de banc\u00e1rios nestes \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sindicatos n\u00e3o s\u00f3 nada fizeram para mobilizar os banc\u00e1rios como at\u00e9 se opuseram ativamente \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es que alguns ativistas sindicais e a Comiss\u00e3o de Trabalhadores do Santander Totta organizaram contra os despedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enfraquecimento da contrata\u00e7\u00e3o coletiva, as permanentes ced\u00eancias e a subservi\u00eancia das dire\u00e7\u00f5es sindicais dos TSS e TSD perante os banqueiros, levou tamb\u00e9m a uma perda de capacidade de financiamento dos servi\u00e7os de sa\u00fade, o SAMS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste momento verificamos uma grave situa\u00e7\u00e3o na classe banc\u00e1ria, sem organiza\u00e7\u00f5es sindicais capazes de a\u00e7\u00e3o reivindicativa, com os trabalhadores entregues a si pr\u00f3prios, sem confian\u00e7a na luta sindical, mantendo-se filiados nos sindicatos pelos servi\u00e7os de sa\u00fade (o SAMS) e sujeitos a uma vida laboral infernal pelos ritmos de trabalho alucinantes, sujeitos a enorme ass\u00e9dio laboral e a permanentes amea\u00e7as de despedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao SAMS, no principal sindicato, agora batizado de MAIS Sindicato (antigo SBSI), verificamos uma situa\u00e7\u00e3o deficit\u00e1ria h\u00e1 v\u00e1rios anos consecutivos e que questiona a sua sobreviv\u00eancia futura como um servi\u00e7o que foi constru\u00eddo pelos banc\u00e1rios para os beneficiar em cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os burocratas carreiristas que se apoderaram dos corpos gerentes do MAIS Sindicato, privilegiam as suas mordomias (e mesmo neg\u00f3cios pr\u00f3prios) em detrimento da sustentabilidade do sindicato e do SAMS. Preocupam-se em agradar aos banqueiros e em dissuadir os banc\u00e1rios da possibilidade de lutarem. Na recente onda de destrui\u00e7\u00e3o de emprego nos grandes bancos, BCP e Santander Totta, era ver os \u2018dirigentes sindicais\u2019 a dizerem aos trabalhadores que o melhor era aceitarem as \u2018rescis\u00f5es\u2019 por que as indemniza\u00e7\u00f5es at\u00e9 eram \u2018superiores \u00e0 lei\u2019 (dos despedimentos&#8230;). Com este tipo de gente a gerir sindicatos, os banqueiros nem precisam de se esfor\u00e7ar muito a despedir banc\u00e1rios para os substituir por \u2018outsourcings\u2019 em sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">H\u00e1 alternativa para salvar o Sindicato e o SAMS<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As recentes lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es no setor da Educa\u00e7\u00e3o, refletem uma reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento sindical ap\u00f3s d\u00e9cadas de sindicalismo de capitula\u00e7\u00e3o aos poderes e de sucessivos retrocessos nas condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e dos seus direitos laborais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 d\u00e9cadas que perdemos direitos contratuais, que a precariedade aumenta, que o poder de compra dos sal\u00e1rios diminui de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. A habita\u00e7\u00e3o que uma gera\u00e7\u00e3o anterior conseguiu adquirir a partir dos seus sal\u00e1rios, hoje \u00e9 uma miragem para a gera\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios m\u00ednimos que s\u00f3 consegue habita\u00e7\u00e3o partilhada nos sub\u00farbios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi neste contexto que se ergueu uma alternativa eleitoral que reuniu o MUDAR com mais alguns setores locais e regionais de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 atual dire\u00e7\u00e3o da coliga\u00e7\u00e3o TSS\/TSD que nos banc\u00e1rios e na UGT continuam unidas na tentativa de impedir a necess\u00e1ria mudan\u00e7a que os banc\u00e1rios precisam para verem os seus direitos defendidos e para conseguirem fazer frente \u00e0 continuada ofensiva que os banqueiros e as suas Administra\u00e7\u00f5es t\u00eam feito para subjugar e explorar as dezenas de milhares de trabalhadores da banca (sejam eles os banc\u00e1rios abrangidos pelo ACT Banc\u00e1rio, sejam eles os milhares de outsourcings que garantem a atividade dos bancos e est\u00e3o desprovidos de direitos contratuais).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso mudar o movimento sindical banc\u00e1rio. Mudar para mobilizar os trabalhadores e repor uma contrata\u00e7\u00e3o coletiva com direitos para todos os que trabalham na banca. Mudar para defender a continuidade do SAMS ao servi\u00e7o dos trabalhadores banc\u00e1rios. Mudar para defender que a banca tem de estar ao servi\u00e7o do p\u00fablico (e dos trabalhadores que s\u00e3o a imensa maioria) e n\u00e3o dos interesses dos \u2018accionistas\u2019, muito deles de grupos capitalistas estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesta luta que os banc\u00e1rios do MAS e o movimento MUDAR est\u00e3o empenhados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 28 e 29 de Mar\u00e7o, realizaram-se elei\u00e7\u00f5es no SBSI\/Mais Sindicato. Disputando a dire\u00e7\u00e3o e demais \u00f3rg\u00e3os do sindicato, voltou a apresentar-se lista de alternativa sindical. 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