{"id":4680,"date":"2023-02-23T23:52:57","date_gmt":"2023-02-23T22:52:57","guid":{"rendered":"http:\/\/mas.org.pt\/?p=4680"},"modified":"2023-02-24T00:24:51","modified_gmt":"2023-02-23T23:24:51","slug":"sobre-o-11-de-fevereiro-e-a-unidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2023\/02\/23\/sobre-o-11-de-fevereiro-e-a-unidade\/","title":{"rendered":"Sobre o 11 de fevereiro e a unidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo o pa\u00eds tem estado atento, e em grande parte solid\u00e1rio, com a luta dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o. Num debate na TSF, o pr\u00f3prio presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas P\u00fablicas, caracterizou como \u2018guerra total\u2019 o bra\u00e7o de ferro entre o governo do PS e a determina\u00e7\u00e3o dos professores e outros profissionais da educa\u00e7\u00e3o. E com raz\u00e3o para os que est\u00e3o na luta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 ningu\u00e9m aguenta o aumento dos pre\u00e7os de tudo, principalmente com os magros sal\u00e1rios atuais e, para agravar no caso dos professores, com o roubo de anos de trabalho efetuado \u2014&nbsp; que, de uma vez por todas, querem justamente ver devolvido. O governo nada faz a n\u00e3o ser proteger os interesses das grandes empresas petrol\u00edferas, de distribui\u00e7\u00e3o alimentar e tantas outras que, a cavalo do pretexto da guerra da Ucr\u00e2nia, est\u00e3o a ganhar milh\u00f5es \u00e0 custa de quem s\u00f3 tem o seu baixo sal\u00e1rio para sobreviver.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O governo n\u00e3o aceita aumentos de sal\u00e1rios, limitou-se a distribuir umas migalhas para fingir que se \u2018preocupa\u2019 com o povo, quando na ess\u00eancia tudo faz para proteger as indemniza\u00e7\u00f5es milion\u00e1rias de gestores, a manuten\u00e7\u00e3o do pagamento de reformas vital\u00edcias para pol\u00edticos, sal\u00e1rios milion\u00e1rios para administradores de empresas e todo o tipo de compadrios e injusti\u00e7as que se conhecem a todos os n\u00edveis da nossa sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mobiliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com essa raiva social e recorreu a formas de luta inusitadas, perante a passividade da larga maioria dos sindicatos, corretamente classificados \u2014 at\u00e9 pelos pr\u00f3prios \u2014 como sindicatos do sistema, mesmo aqueles conotados com a CGTP e, por tabela, utilizados pelo PCP como correias de transmiss\u00e3o da sua pol\u00edtica, sem a menor democracia interna. Talvez estes fatores expliquem a velocidade com que os professores tenham votado pelo recurso \u00e0 greve por tempo indeterminado, desde 09 de dezembro e, essencialmente, terem substitu\u00eddo a velha FENPROF pelo novo sindicalismo do STOP.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 depois de v\u00e1rias semanas de luta massiva dos professores \u00e9 que a FENPROF entrou em cena e convocou alguma forma de luta ou a\u00e7\u00e3o de rua. Para n\u00e3o perder o p\u00e9 face \u00e0 antiga base de apoio, a FENPROF, que dizia em outubro do ano passado que havia que \u2018esperar\u2019 por mar\u00e7o, l\u00e1 se apressou a convocar greves de 1 dia, rotativas por regi\u00f5es, claramente pequenas perante a greve permanente que decorria sob a lideran\u00e7a do novo sindicalismo. Entre dezembro e janeiro tiveram lugar 3 gigantescas manifesta\u00e7\u00f5es, duas das quais mobilizaram mais de 100.000 manifestantes e onde os sindicatos tradicionais, apesar de convidados e terem lugar assegurado para intervir, preferiram ficar \u00e0 margem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chegamos ao dia 11 de fevereiro, \u00e0 boleia da radicaliza\u00e7\u00e3o objetiva desenvolvida pelo STOP, alicer\u00e7ada na unidade entre professores, funcion\u00e1rios, psic\u00f3logos, terapeutas e outros profissionais da educa\u00e7\u00e3o. A manifesta\u00e7\u00e3o organizada pela FENPROF, mais do que mais uma manifesta\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o em luta foi, em primeiro lugar, uma afirma\u00e7\u00e3o de que a luta \u00e9 de professores e n\u00e3o de profissionais da educa\u00e7\u00e3o. A t\u00f3nica de ser \u201cde professores\u201d foi enfatizada at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o pelos organizadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STOP esteve presente, ajudando de forma clara \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o e trazendo tamb\u00e9m a representa\u00e7\u00e3o dos outros profissionais da escola p\u00fablica, mas a FENPROF, em vez de juntar for\u00e7as contra o governo, negou a presen\u00e7a unit\u00e1ria de Andr\u00e9 Pestana e do STOP no topo da manifesta\u00e7\u00e3o, como leg\u00edtimos representantes da luta &#8211; que n\u00e3o se iniciou a 11 de fevereiro, mas a 09 de dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nada disto \u00e9 uma l\u00f3gica de unidade, mas sim de divis\u00e3o. Dividir professores e outros profissionais da educa\u00e7\u00e3o, desterrar o STOP para \u2018carro vassoura\u2019 da manifesta\u00e7\u00e3o e impedir, de forma evidente \u2014 mesmo contra v\u00e1rias pessoas das suas bases \u2014, que Andr\u00e9 Pestana se dirigisse aos manifestantes, quando, nas manifesta\u00e7\u00f5es do STOP, as outras estruturas sempre foram convidadas a participar com direito a intervir no palco. Foi, portanto, uma demonstra\u00e7\u00e3o do sectarismo dos velhos aparatos, que tornou consciente, pelo menos para parte dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o, quem \u00e9 que quer unidade e quem s\u00f3 agita a bandeira da unidade para acalmar os \u00e2nimos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00e1rio Nogueira e os sindicatos do sistema s\u00e3o duros contra o STOP e quem luta de forma consequente e radical, como a realidade provou que era e \u00e9 necess\u00e1rio, mas manso e colaborante, desde h\u00e1 muito tempo, com o governo ou os governos do PS, com os quais chegou a subscrever \u2018memorandos de entendimento\u2019 lesivos dos interesses dos professores. Neste momento, aparece com um discurso mais radicalizado e mostra-se mais exigente nas negocia\u00e7\u00f5es, pois tem a press\u00e3o do STOP; mas, por vezes, descai para aquilo que \u00e9 a sua posi\u00e7\u00e3o habitual, como quando disse que o que \u00e9 preciso para haver acordo \u00e9 agendar a discuss\u00e3o do tempo de servi\u00e7o, desmobilizando tudo por uma promessa de um governo em que n\u00e3o se pode confiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Est\u00e1-se perante um novo paradigma no mundo sindical, o novo veio para ficar, confronta os velhos aparatos e a sua imobilidade, organiza os trabalhadores para decidir democraticamente o caminho da sua luta em vez de debitar decis\u00f5es de c\u00fapula dos velhos dirigentes, quer unir sectores que t\u00eam as mesmas reivindica\u00e7\u00f5es, em vez de ir cada um na sua bicicleta, agita as \u00e1guas que estavam paradas h\u00e1 muito tempo, prefere lutar do que conciliar e cozinhar maus acordos para a classe. Os profissionais da educa\u00e7\u00e3o est\u00e3o fartos de lutas a fingir e para marcar o ponto, querem lutar para vencer e n\u00e3o perder tempo, sal\u00e1rio e energia com lutas inconsequentes ou entendimentos mal amanhados com o Governo, que n\u00e3o representam os seus interesses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O MAS est\u00e1, hoje e sempre, ao lado da justa luta por uma escola p\u00fablica e universal, digna e de qualidade, tanto para quem l\u00e1 estuda, como para quem l\u00e1 trabalha. Viva a luta unit\u00e1ria de todos os profissionais da educa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo o pa\u00eds tem estado atento, e em grande parte solid\u00e1rio, com a luta dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o. 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