{"id":432,"date":"2011-03-25T10:48:18","date_gmt":"2011-03-25T09:48:18","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/03\/25\/acidente-de-fukushima-impoe-o-fecho-das-centrais-nucleares\/"},"modified":"2011-03-25T10:48:18","modified_gmt":"2011-03-25T09:48:18","slug":"acidente-de-fukushima-impoe-o-fecho-das-centrais-nucleares","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/03\/25\/acidente-de-fukushima-impoe-o-fecho-das-centrais-nucleares\/","title":{"rendered":"Acidente de Fukushima imp\u00f5e o fecho das centrais nucleares!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-431\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/fukushima.jpg?w=300\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/fukushima.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/fukushima.jpg?resize=300%2C225 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>Depois da trag\u00e9dia provocada pelo terramoto e o tsunami, o povo japon\u00eas \u00e9 acossado por outro grande desastre, o acidente nuclear de Fukushima. Este acidente demonstra mais uma vez o perigo representado pela energia nuclear para a humanidade. Portugal, apesar de n\u00e3o ter centrais nucleares, n\u00e3o est\u00e1 imune aos seus efeitos. Basta lembrar que na Europa v\u00e1rios pa\u00edses, em especial o vizinho Estado Espanhol, adoptam esse tipo de energia. Qualquer acidente nuclear nesse pa\u00eds poderia nos afectar. Reproduzimos, a seguir, v\u00e1rios artigos sobre o acidente nuclear de Fukushima e o perigo do nuclear. O primeiro, escrito por Corriente Roja, a denunciar o programa nuclear espanhol; o segundo, do jornal <em>Opini\u00e3o Socialista<\/em>, do PSTU, Brasil, pa\u00eds onde existem duas centrais nucleares e est\u00e3o a construir outra; e o terceiro, do sindicato japon\u00eas de ferrovi\u00e1rios Doro-Chiva, a responsabilizar o governo do Jap\u00e3o e a exigir o fim das usinas nucleares.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>  <!--more-->  <span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>O acidente de Fukushima nos recorda: Nucleares n\u00e3o!<\/strong><\/span><br \/><em>O que aconteceu na central nuclear de Fukushima?<\/em> <\/p>\n<p>O terremoto e posterior tsunami que afectaram o Jap\u00e3o provocaram o segundo pior acidente nuclear da hist\u00f3ria na central de Fukushima. At\u00e9 agora, ocorreram 3 fus\u00f5es parciais do n\u00facleo, quatro explos\u00f5es, v\u00e1rios inc\u00eandios radiol\u00f3gicos e emiss\u00f5es de gases radioactivos; a Autoridade de Seguran\u00e7a Nuclear francesa classificou a gravidade do acidente em 6 num m\u00e1ximo de 7.<\/p>\n<p>Apesar de as autoridades japonesas e da TEPCO (a empresa que explorava a central) estarem a reter muita informa\u00e7\u00e3o para tentar minimizar o acidente, h\u00e1 factos comprovados que demonstram a sua gravidade: foram evacuadas 185 mil pessoas, pediu-se \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o saia de suas casas e sele portas e janelas, foram distribu\u00eddas 230 mil doses de iodo para evitar a contamina\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica, o director da Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nuclear japonesa admitiu que est\u00e1 a ser emitida radia\u00e7\u00e3o suficiente para que seja mortal, o Conselho de Seguran\u00e7a Nuclear espanhol admitiu que os n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito altos junto \u00e0 central de Fukushima (at\u00e9 1000 millisieverts \/hora quando o m\u00e1ximo legal permitido \u00e9 de 1 millisieverts \/ano), detectou-se um n\u00edvel de radioactividade acima do normal em T\u00f3quio (a 240 km de dist\u00e2ncia), h\u00e1 \u00e1gua e alimentos contaminados com radioactividade e, at\u00e9 agora, h\u00e1 cerca de 20 pessoas afectadas muito gravemente e uns 150 hospitalizados.<\/p>\n<p><strong>O lobby nuclear tenta maquilhar o acidente<\/strong><\/p>\n<p>Como j\u00e1 dissemos, tentata-se minimizar a gravidade do acidente. Basta que o governo japon\u00eas descarte que algo possa acontecer para que ocorra. Como quando havia 4 reactores controladas&#8230; que de repente saltaram pelos ares. Inclusive os Conselhos de Seguran\u00e7a Nuclear franc\u00eas e norte-americano denunciaram que eram-lhes ocultadas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas esta manipula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem de agora nem s\u00f3 do Jap\u00e3o. Em 2002, as autoridades japonesas reconheceram haver alterado um informe de seguran\u00e7a de v\u00e1rias centrais&#8230; entre as quais a de Fukushima. Como exemplo espanhol, podemos recordar que em 2007 houve uma fuga de part\u00edculas radioactivas  da central de Asc\u00f3, em Tarragona, que teve que ser denunciada pelas organiza\u00e7\u00f5es ecologistas. Pudemos tamb\u00e9m observar o ministro Miguel Sebasti\u00e1n mentir deliberadamente ao qualificar as nucleares de renov\u00e1veis e capazes de romper a depend\u00eancia energ\u00e9tica espanhola, quando o ur\u00e2nio tamb\u00e9m \u00e9 importado.<\/p>\n<p><strong>As nucleares s\u00e3o m\u00e1quinas de fazer dinheiro para as empresas el\u00e9ctricas<\/strong><\/p>\n<p>As centrais nucleares s\u00e3o as campe\u00e3s da rentabilidade para as empresas de energia el\u00e9ctrica, principalmente quando s\u00e3o antigas e t\u00eam pouco investimento em seguran\u00e7a. A sua constru\u00e7\u00e3o e desmantelamento s\u00e3o assumidos pela administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, assim como o tratamento e recolha de res\u00edduos nucleares. Tamb\u00e9m costumam ter directamente subven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas (no Estado Espanhol tiveram subven\u00e7\u00f5es a partir da morat\u00f3ria nuclear de Felipe  Gonz\u00e1lez (PSOE).<\/p>\n<p>Calcula-se que uma central nuclear de 1.000 Mw produza em m\u00e9dia 1 milh\u00e3o de euros por dia de lucro. Isto \u00e9 o que permite a Ignacio S\u00e1nchez Gal\u00e1n, dono de v\u00e1rias centrais nucleares espanholas, ganhar 1.826 euros a cada hora. Conhecendo esses n\u00fameros torna-se evidente porque se esfor\u00e7am tanto na defesa das centrais nucleares.<\/p>\n<p><strong>No Estado Espanhol tamb\u00e9m existe risco nuclear<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de o governo espanhol afirmar que as usinas nucleares espanholas s\u00e3o seguras (assim como eram todas as centrais, como Chernobyl, Three Mile Island ou Fukushima, antes que ocorressem acidentes), os n\u00fameros falam por si. H\u00e1 um acidente nuclear muito grave a cada 20 anos, e h\u00e1 centenas de acidentes de gravidade m\u00e9dia ou pequena a cada ano (registam-se em m\u00e9dia 7 ocorr\u00eancias por reactor no Estado Espnhol e 10 em Fran\u00e7a).<\/p>\n<p>Zapatero est\u00e1 a brincar com o fogo quando amplia, descumprindo uma promessa eleitoral, a vida das centrais nucleares acima dos 40 anos. Este acidente volta a recordar que sempre existe a possibilidade de um acidente nuclear de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis. Arriscam nossas vidas para manter os seus lucros, j\u00e1 que por muito que o neguem a energia nuclear n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria. O caso paradigm\u00e1tico \u00e9 a central de Garo\u00f1a, de caracter\u00edsticas similares \u00e0 de Fukushima, uma central velha e insegura, cuja energia produzida \u00e9 excedente e s\u00f3 usada para ser vendida a pa\u00edses estrangeiros, mas que continua aberta por ordem expressa do governo espanhol.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso lutar por uma pol\u00edtica energ\u00e9tica diferente<\/strong><\/p>\n<p>Tanto o Greenpeace como Ecologistas em Ac\u00e7\u00e3o apresentaram propostas para acabar com as usinas nucleares de forma progressiva nos pr\u00f3ximos anos. O motivo para n\u00e3o implement\u00e1-las n\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnico, mas sim pol\u00edtico. Mant\u00eam-se abertas as nucleares para continuar gerando obscenos lucros para os donos das empresas el\u00e9ctricas, ainda que com isso ponham em risco a vida e a sa\u00fade do povo trabalhador. \u00c9 necess\u00e1rio acabar com as centrais nucleares (come\u00e7ando por fechar imediatamente a de Garo\u00f1a), aplicando um plano de redu\u00e7\u00e3o, poupan\u00e7a e efici\u00eancia do consumo energ\u00e9tico como os propostos pelas associa\u00e7\u00f5es ecologistas. Para que isto seja poss\u00edvel, primeiro \u00e9 preciso nacionalizar as empresas el\u00e9ctricas. Corriente Roja apoia todas as lutas que caminhem nesse  sentido.<br \/><em><strong>Escrito por Corriente Roja (Estado Espanhol)<br \/>23 de Mar\u00e7o de 2011<\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>In\u00e9rcia do governo pode aumentar trag\u00e9dia no Jap\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>Depois do terremoto e das tsunamis, japoneses est\u00e3o amea\u00e7ados de sofrer um desastre nuclear<\/em><\/p>\n<p>Na \u00faltima sexta-feira, dia 11, o Jap\u00e3o foi atingido por um dos maiores terramotos j\u00e1 registados no mundo, chegando a uma magnitude de 9 pontos na escala Richter. Na sequ\u00eancia do terremoto, o pa\u00eds sofreu tamb\u00e9m com um tsunami que devastou algumas cidades da costa nordeste do pa\u00eds. As imagens do tsunami destruindo casas, carros, avi\u00f5es e da pilha de destro\u00e7os sendo arrastados pela for\u00e7a das ondas s\u00e3o impressionantes.<\/p>\n<p>Antes de tudo, queremos mandar nosso mais profundo sentimento de solidariedade a todos os japoneses e seus familiares. Pela intensidade do terremoto, o desastre poderia ser ainda maior, caso se abatesse em outro pa\u00eds e n\u00e3o no rico Jap\u00e3o. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o tremor que matou mais de 230 mil pessoas no Haiti, em Janeiro de 2010, foi 900 vezes menor do que o tremor japon\u00eas. Ou seja, se o mesmo terremoto, seguido por um tsunami, ocorresse em algum pa\u00eds pobre como Haiti ou a Indon\u00e9sia, o n\u00famero de v\u00edtima certamente estaria na casa de centenas de milhares. \u00c9 importante lembrar que Indon\u00e9sia e Sumatra sequer foram alertados do tsunami que devastou esses pa\u00edses em 2004.<\/p>\n<p><strong>Desastre nuclear<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, a trag\u00e9dia japonesa agora amea\u00e7a a se transformar numa grande cat\u00e1strofe nuclear. A usina nuclear Fukushima 1, cerca de 250 quil\u00f3metros a nordeste de T\u00f3quio, sofreu pelo menos cinco explos\u00f5es por conta do terremoto e h\u00e1 vazamento de radia\u00e7\u00e3o ao redor da usina. Outra usina que o governo decretou sob estado de urg\u00eancia foi a de Onagawa.<\/p>\n<p>A possibilidade de um desastre nuclear surpreende muita gente, pois o Jap\u00e3o sempre foi considerado um modelo de preven\u00e7\u00e3o a desastres naturais, com experi\u00eancia em sismos. Bili\u00f5es foram gastos em planeamento para o desenvolvimento de tecnologia para limitar os danos de tremores e tsunamis. A pergunta \u00e9: como o governo japon\u00eas deixou de fora deste planeamento as usinas nucleares? A resposta a essa quest\u00e3o evidencia uma grande neglig\u00eancia dos governantes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o tem 55 usinas deste tipo, fundamentais para alimentar uma das maiores economias capitalista do mundo. Entre elas a maior usina nuclear do mundo, a usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa. Por incr\u00edvel que possa parecer essa usina foi constru\u00edda sob uma falha geol\u00f3gica. Em julho de 2007, a usina de Kashiwazaki-Kariwa estava a 19 quil\u00f3metros do epicentro de um terremoto de 6,8 graus de magnitude na escala Richter, o que causou alguns danos \u00e0 planta. Hoje a usina se encontra em funcionamento, depois de sofrer obras de repara\u00e7\u00e3o que custaram US$1,6 bili\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O que as autoridades n\u00e3o falam<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o an\u00fancio do vazamento radioactivo na usina nuclear de Fukushima, o balan\u00e7o dos fatos j\u00e1 assusta. Mais de 210 mil moradores da regi\u00e3o onde fica a planta tiveram de ser evacuados e outros 160 est\u00e3o sendo mantidos em quarentena pelas autoridades, que receiam o risco de contamina\u00e7\u00e3o por radia\u00e7\u00e3o. Uma zona de exclus\u00e3o a\u00e9rea de 30 quil\u00f3metros de di\u00e2metro j\u00e1 foi criada na regi\u00e3o. Dentro dela, os moradores est\u00e3o proibidos de sa\u00edrem de suas casas. Apesar de tudo isso, o governo do pa\u00eds demorou em alertar sobre a gravidade da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Numa reportagem do jornal norte-americano New York Times, especialistas j\u00e1 haviam alertado que a usina n\u00e3o estava funcionando adequadamente logo depois do terremoto. Segundo o jornal, as quantidades de c\u00e9sio que foram detectadas indicavam claramente que o combust\u00edvel que alimenta a planta j\u00e1 estava danificado. Contudo, as autoridades japonesas se mantiveram inertes por horas at\u00e9 ordenarem a evacua\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Agora, fornecem informa\u00e7\u00f5es a conta-gotas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Segundo informa\u00e7\u00f5es do governo japon\u00eas, a usina n\u00e3o foi planeada para aguentar tremores superiores a 7,9 graus na escala Richter, bem abaixo da intensidade do terremoto que atingiu o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A situa\u00e7\u00e3o se tornou t\u00e3o cr\u00edtica que n\u00e3o tem mais, ao que parece, a capacidade de fazer ingressar \u00e1gua doce para resfriar o reactor e estabiliz\u00e1-lo, e agora, como recurso \u00faltimo e extremo, recorrem \u00e0 \u00e1gua do mar&#8221;, disse Robert Alvarez, especialista em desarmamento nuclear do Instituto de Estudos Pol\u00edticos de Washington. Mas enquanto o governo do Jap\u00e3o se apressa em acalmar a popula\u00e7\u00e3o, minimizando os impactos da trag\u00e9dia, explos\u00f5es continuam atingindo os reactores da usina. Tudo indica que o acidente nuclear pode ser mais grave do que dizem as autoridades japonesas.<\/p>\n<p>Segundo o jornal espanhol El Pa\u00eds, Andr\u00e9-Claude Lacoste, da Autoridade de Seguran\u00e7a Nuclear francesa, informou que o acidente na usina nuclear de Fukushima est\u00e1 &#8220;mais al\u00e9m de Three Miles Island, sem chegar [ao n\u00edvel de] Chernobyl&#8221;. A autoridade se refere aos dois mais importantes acidentes nucleares da hist\u00f3ria recente.<\/p>\n<p>Em 1979, o acidente de Three Miles Island, pr\u00f3ximo da cidade de Harrisburg, alcan\u00e7ou o n\u00edvel 5, isto \u00e9, um acidente com consequ\u00eancias de maior alcance. Pouco antes de divulgar sua avalia\u00e7\u00e3o sobre o acidente nuclear no Jap\u00e3o, o governo da Fran\u00e7a orientou seus cidad\u00e3os a se retirarem imediatamente do pa\u00eds. Para os franceses esse n\u00edvel j\u00e1 foi atingido pelo acidente de Fukushima I e caminha para o n\u00edvel 6. A declara\u00e7\u00e3o contradiz a vers\u00e3o oficial do governo japon\u00eas que at\u00e9 agora qualificou o acidente em n\u00edvel 4, com consequ\u00eancias e alcance locais.<\/p>\n<p>A escala dos n\u00edveis de gravidade com acidentes nucleares vai at\u00e9 7 (acidente grave), n\u00edvel que foi atingido apenas pela cat\u00e1strofe da usina nuclear de Chernobyl, na Ucr\u00e2nia, em 1986. Na \u00e9poca, o regime stalinista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ocultou de todo o mundo e da popula\u00e7\u00e3o ucraniana as reais consequ\u00eancias do desastre. At\u00e9 hoje, n\u00e3o se sabe exactamente quantas pessoas morreram.<\/p>\n<p>O terremoto no Jap\u00e3o foi a maior trag\u00e9dia do pa\u00eds j\u00e1 registrada desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a trag\u00e9dia pode ser ainda pior devido \u00e0 falta de a\u00e7\u00e3o do governo. Investir em usinas nucleares sempre foi perigoso, mas constru\u00ed-las sobre falhas geol\u00f3gicas \u00e9 mais do que mera imprud\u00eancia: simboliza o desprezo dos governantes com milhares de vidas e mostra a fragilidade da opera\u00e7\u00e3o de usinas de energia nuclear no sistema capitalista.<\/p>\n<p><em><strong>15 de Mar\u00e7o de 2011<br \/>Escrito por Jeferson Choma &#8211; PSTU<\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Sindicato japon\u00eas responsabiliza governo e exige o fim das usinas nucleares<\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>Leia abaixo a mensagem divulgada pelo Doro-Chiva, sindicato japon\u00eas de ferrovi\u00e1rios que esteve presente no Congresso da Conlutas em 2010, sobre a trag\u00e9dia no pa\u00eds<\/em><\/p>\n<p>Organizemos actividades de al\u00edvio para as \u00e1reas afectadas pela unidade e solidariedade dos trabalhadores! Parem todas as plantas nucleares imediatamente! Nenhuma demiss\u00e3o sob o pretexto do terremoto! Vamos lutar para viver!<\/p>\n<p>O enorme terremoto em 11 de Mar\u00e7o trouxe um desastre de larga escala ao nordeste do Jap\u00e3o e o resto de toda a \u00e1rea do leste do Jap\u00e3o. Ainda n\u00e3o temos todo o quadro do que ocorreu e do que realmente est\u00e1 acontecendo: quantas vidas foram perdidas, quantas pessoas est\u00e3o procurando resgate, etc. Neste exacto momento, muitas vidas est\u00e3o sendo perdidas. Poucos abrigos foram providenciados com \u00e1gua, comida, electricidade ou tratamento m\u00e9dico. Mais ainda, as plantas nucleares de Fukushima est\u00e3o saindo do controle por conta da falha fatal dos sistemas de resfriamento e precipitando \u00e0 cat\u00e1strofe ap\u00f3s duas explos\u00f5es das instala\u00e7\u00f5es nucleares.<\/p>\n<p>O plano de resgate do governo faliu. Organizemos ac\u00e7\u00f5es de aux\u00edlio \u00e0s pessoas e \u00e1reas afectadas pela unidade e solidariedade dos trabalhadores<\/p>\n<p>Obviamente, o enorme terremoto no leste do Jap\u00e3o e o consequente tsunami estavam al\u00e9m de qualquer antecipa\u00e7\u00e3o. \u00c9 evidente, no entanto, que n\u00e3o foram tomadas medidas suficientes para enfrentar o terremoto mesmo j\u00e1 tendo sido advertido que um grande terremoto poderia ocorrer em 10 dias com 99% de certeza. A realidade \u00e9 que a agenda neoliberal fez prevalecer o princ\u00edpio da &#8220;competi\u00e7\u00e3o e auto-responsabilidade&#8221; sobre o sacrif\u00edcio das comunidades locais e as vidas dos trabalhadores. Governos locais estavam em dificuldades financeiras cr\u00edticas e em uma situa\u00e7\u00e3o longe de estarem preparados para o poss\u00edvel terremoto. A expans\u00e3o do desastre do terremoto \u00e9 um resultado inevit\u00e1vel disso.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 havendo agora em Fukushima \u00e9 um exemplo t\u00edpico de bancarrota das comunidades locais. Habitantes da \u00e1rea de um raio de 20 quil\u00f3metros da usina nuclear est\u00e3o sendo removidos para fora de suas casas, que j\u00e1 haviam escapado por pouco do terremoto, no frio e sob o c\u00e9u do inverno. Muitas pessoas est\u00e3o contaminadas pelas explos\u00f5es das instala\u00e7\u00f5es nucleares. Essas plantas foram constru\u00eddas nos &#8220;ninhos de terremoto&#8221; pelo governo e pelas corpora\u00e7\u00f5es de energia el\u00e9trica, que insistiam que as usinas eram absolutamente seguras e ofereciam energia limpa. Isso se provou uma mentira flagrante. A planta nuclear significava aos capitalistas um instrumento milagroso de trazer lucros enormes e para o governo uma ferramenta vital para o armamento nuclear. O desastre exp\u00f4s da pior forma poss\u00edvel o que essas pol\u00edticas realmente significavam.<\/p>\n<p>\u00c9 relatado que as tropas das For\u00e7as de Auto-Defesa ir\u00e3o p\u00f4r sob seu controle as principais rodovias que seguem rumo \u00e0s regi\u00f5es afectadas. O trabalho de resgate de um grande n\u00famero de pessoas ansiosas com a situa\u00e7\u00e3o dos habitantes afectados est\u00e1 bloqueado pelas FAD em nome de &#8220;proteger as rotas de resgate&#8221;. Mesmo a distribui\u00e7\u00e3o f\u00edsica m\u00ednima est\u00e1 parada: tr\u00eas dias ap\u00f3s o terremoto, alimentos desapareceram dos supermercados n\u00e3o somente nas regi\u00f5es afectadas, mas tamb\u00e9m na \u00e1rea metropolitana de Tokyo. Enquanto as FAD dominam tudo, o resgate, o transporte e a distribui\u00e7\u00e3o de bens de resgate encontram problemas. Surpreendentemente, o porta-avi\u00f5es nuclear americano Ronald Reagan chegou a um porto local, juntando-se \u00e0s \u00e1reas afectadas. Mesmo em face \u00e0 realidade, em que dezenas de milhares de pessoas seguem soterradas em destro\u00e7os ou esperando regaste ilhadas, a seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 a agenda priorit\u00e1ria para o governo e a classe dominante. H\u00e1 uma tentativa em curso de estabelecer um sistema de mobiliza\u00e7\u00e3o de guerra sob o slogan &#8220;unidade nacional para superar a crise nacional&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que toda informa\u00e7\u00e3o essencial, em particular sobre o acidente nuclear, \u00e9 manipulada e os fatos s\u00e3o cuidadosamente ocultados. Mesmo as violentas explos\u00f5es das unidades 1 e 3 da usina nuclear de Fukushima Daiichi s\u00e3o descritas como um problema n\u00e3o t\u00e3o s\u00e9rio e n\u00f3s n\u00e3o somos em nada informados de como realmente est\u00e1 evoluindo o problema no local do acidente, ao passo que um amplo volume de material radioactivo est\u00e1 vazando dos reatores e seu derretimento \u00e9 iminente.<\/p>\n<p>Neste momento cr\u00edtico, quando todos os esfor\u00e7os deveriam ser feitos para prevenir o derretimento do reactor, a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o do governo e da TEPCO (Companhia de Energia El\u00e9trica de Tokyo) \u00e9 como manter sua pol\u00edtica de promover a energia nuclear.<\/p>\n<p>Todas as for\u00e7as pol\u00edticas, o Partido Democrata da administra\u00e7\u00e3o Kan, o Partido Democr\u00e1tico Liberal, o Partido Komei, e outros, est\u00e3o se juntando em uma &#8220;pol\u00edtica de tr\u00e9gua&#8221; frente ao enorme terremoto e apresentando medidas de resgate, incluindo a &#8220;taxa de caminhada para a restaura\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;revis\u00e3o do or\u00e7amento pelo corte do subs\u00eddio de assist\u00eancia infantil&#8221;, &#8220;fundo para corpora\u00e7\u00f5es prejudicadas&#8221;, &#8220;fundo para apoio \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o&#8221;, etc. O objectivo \u00e9 recompor a presente crise social via a superexplora\u00e7\u00e3o e a pilhagem dos trabalhadores, tirando vantagem da horr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o das pessoas e regi\u00f5es atingidas.<\/p>\n<p>A necessidade urgente dos trabalhadores, agricultores, pescadores e pequenos negociantes, que perderam tudo com o terremoto e o tsunami, n\u00e3o \u00e9 ajuda financeira, mas lugar para morar, meios de sobreviv\u00eancia, tratamento m\u00e9dico incondicionalmente gratuito, etc. Deve-se abolir n\u00e3o a assist\u00eancia infantil, mas o or\u00e7amento de defesa.<\/p>\n<p>Em toda a \u00e1rea do leste do Jap\u00e3o, muitos trabalhadores j\u00e1 perderam seus empregos. Mesmo na prefeitura de Chiba, a 500 km do centro s\u00edsmico, a regi\u00e3o da ba\u00eda est\u00e1 afectada pela liquefa\u00e7\u00e3o: ruas e pr\u00e9dios est\u00e3o seriamente danificados. Inc\u00eandios de larga escala est\u00e3o acontecendo no complexo industrial. Quase metade do territ\u00f3rio japon\u00eas est\u00e1 sofrendo danos severos e a economia japonesa est\u00e1 atingida pela devasta\u00e7\u00e3o. O resultado \u00e9 uma ofensiva contra os trabalhadores; demiss\u00e3o massiva sob o pretexto do terremoto e o desemprego em alta escala. O enorme terremoto do leste do Jap\u00e3o ter\u00e1 o efeito de uma mudan\u00e7a completa da sociedade japonesa.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores havia acabado de chegar a um ponto cr\u00edtico quando veio o terramoto. Experimentamos no ano passado a tempestade violenta das demiss\u00f5es em massa: demiss\u00f5es pela privatiza\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia de Seguridade Social, demiss\u00f5es pela JAL, demiss\u00e3o de milhares de trabalhadores irregulares pela JP (Correios do Jap\u00e3o), etc. Um n\u00famero grande de trabalhadores foi levado \u00e0 informalidade e \u00e0 pobreza. Enquanto o sistema de seguridade social era considerado desmantelado, foi ficando mais e mais dif\u00edcil para a classe trabalhadora sobreviver. Justo nesse momento, o enorme terremoto irrompeu, dando um golpe fatal \u00e0quelas pessoas que j\u00e1 estavam no limite da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>As classes dominantes de todo o mundo est\u00e3o assustadas em testemunhar uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, em que o colapso da economia est\u00e1 se espalhando do Jap\u00e3o a outros pa\u00edses em meio \u00e0 crise econ\u00f3mica global e enquanto a explos\u00e3o de vozes raivosas da classe trabalhadora, inflamadas por esses fen\u00f3menos, est\u00e1 agitando o mundo inteiro.<\/p>\n<p>N\u00f3s j\u00e1 iniciamos a campanha nacional da luta dos ferrovi\u00e1rios para combater a ofensiva neoliberal. Esse movimento proclama um grande desafio pela revitaliza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio atrav\u00e9s da mobiliza\u00e7\u00e3o das vozes raivosas e da organiza\u00e7\u00e3o de poderosas ac\u00e7\u00f5es. Agora \u00e9 o preciso momento de promover este esfor\u00e7o com todo o vigor.<\/p>\n<p>Lutemos para viver<\/p>\n<p>Organizar com toda nossa for\u00e7a ac\u00e7\u00f5es de aux\u00edlio pela unidade e solidariedade com as \u00e1reas e pessoas atingidas!<\/p>\n<p>Exigimos suficiente e imediata oferta de moradia, alimentos e tratamento m\u00e9dico irrestrito para as pessoas atingidas!<\/p>\n<p>Parem imediatamente todas as plantas nucleares!<\/p>\n<p>Parem as demiss\u00f5es sob o pretexto do terramoto!<\/p>\n<p>Vamos dar um golpe decisivo e final no neoliberalismo!<br \/>Abaixo a administra\u00e7\u00e3o Kan!<\/p>\n<p>Sindicatos devem estar na linha de frente da luta!<\/p>\n<p><strong>14 de Mar\u00e7o de 2011<br \/>Doro-Chiba<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da trag\u00e9dia provocada pelo terramoto e o tsunami, o povo japon\u00eas \u00e9 acossado por outro grande desastre, o acidente nuclear de Fukushima. Este acidente demonstra mais uma vez o perigo representado pela energia nuclear para a humanidade. Portugal, apesar de n\u00e3o ter centrais nucleares, n\u00e3o est\u00e1 imune aos seus efeitos. Basta lembrar que na Europa v\u00e1rios pa\u00edses, em especial o vizinho Estado Espanhol, adoptam esse tipo de energia. Qualquer acidente nuclear nesse pa\u00eds poderia nos afectar. Reproduzimos, a seguir, v\u00e1rios artigos sobre o acidente nuclear de Fukushima e o perigo do nuclear. O primeiro, escrito por Corriente Roja, a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":431,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-432","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-asia"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/fukushima.jpg?fit=400%2C300","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/432","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=432"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/432\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/431"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}