{"id":417,"date":"2011-03-06T16:41:22","date_gmt":"2011-03-06T15:41:22","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/03\/06\/dia-internacional-da-mulher\/"},"modified":"2011-03-06T16:41:22","modified_gmt":"2011-03-06T15:41:22","slug":"dia-internacional-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/03\/06\/dia-internacional-da-mulher\/","title":{"rendered":"Dia Internacional da Mulher"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-415\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/20110224_109362681_w.jpg?w=300\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/20110224_109362681_w.jpg?w=441 441w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/20110224_109362681_w.jpg?resize=300%2C190 300w\" sizes=\"(max-width: 441px) 100vw, 441px\" \/><\/p>\n<p>Viva a Revolu\u00e7\u00e3o \u00c1rabe!<\/p>\n<p>Viva a luta de todas as trabalhadoras do mundo!<\/p>\n<p>Saudamos as lutas das mulheres trabalhadoras de todo o mundo, em especial as protagonistas da revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>  <!--more-->  Os meios de comunica\u00e7\u00e3o, quando se referem \u00e0s mulheres destas regi\u00f5es, falam \u2013 nos &nbsp;sempre dos terr\u00edveis abusos que sofrem: lapida\u00e7\u00e3o e mutila\u00e7\u00e3o genital. Mas nada nos dizem sobre a luta que estas mulheres v\u00eam desenvolvendo, h\u00e1 muito tempo, em defesa dos seus direitos. Hoje, no calor da revolu\u00e7\u00e3o, vemo-la em toda a sua magnitude, enfrentando a repress\u00e3o, n\u00e3o como uma entidade separada, mas como companheiras de luta dos homens que se rebelam contra os regimes totalit\u00e1rios de Ben Ali, Mubarak, Khadafi e muitos outros.<\/p>\n<p>Foi um grupo de mulheres que come\u00e7ou o protesto contra o regime de Ben Ali, na Tun\u00edsia. Estas mulheres, entre as quais se pode mencionar Radhia Nasrauoi, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Tunisina de Luta contra a Tortura, tiveram que pagar a sua ousadia com amea\u00e7as de morte, persegui\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia secreta e, inclusiva, acusa\u00e7\u00f5es de sodomia, a partir de fotomontagens e v\u00eddeos fabricados passados na Internet.<\/p>\n<p>E no Egipto as mulheres estiveram nas primeiras filas durante a queda de Mubarak. Amel Said, uma trabalhadora eg\u00edpcia, explicou ao jornal La Vanguardia de Barcelona que a sua fam\u00edlia, incluindo o seu marido, a estimulou a participar. E disse que a sua esperan\u00e7a \u00e9 que \u201cagora as mulheres tenham voz nos assuntos do Egipto\u201d. As mulheres eg\u00edpcias estiveram nas ruas desde o primeiro minuto do protesto. As mais velhas providenciavam \u00e1gua aos que sofriam os efeitos do g\u00e1s lacrimog\u00e9neo. As m\u00e3es, esposas e irm\u00e3s seguravam as faixas, levavam os filhos \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es ou preparavam alimentos. Lado a lado junto aos homens de sua fam\u00edlia ou companheiros de trabalho, conquistaram a Pra\u00e7a da Liberta\u00e7\u00e3o e ali dormiram, passearam com seus filhos aos ombros e gritaram a suas reivindica\u00e7\u00f5es por democracia e liberdade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 casual esta participa\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras e pobre. Elas, assim como as suas irm\u00e3s do Ocidente, sofrem as consequ\u00eancias das pol\u00edticas capitalistas. \u201cEu pago 600 libras (80 euros) por m\u00eas de renda e ganho 300\u201d, contava Umm Yasir, uma empregada do estado de 33 anos. E acrescentava que seu marido, tamb\u00e9m trabalhador do estado, ganhava o mesmo e com isso tinham que viver eles e os seus tr\u00eas filhos. Por isso, dizia outra activista, \u201cvemos muitas mulheres, mu\u00e7ulmanos ou n\u00e3o, com v\u00e9u ou seu v\u00e9u, unindo-se e colocando-se \u00e0 frente do que se passa nas ruas. Esta \u00e9 a verdadeira igualdade e nunca mais retrocederemos ao ponto de partida.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-416\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/egyptwomenx-large.jpg?resize=490%2C387\" width=\"490\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/egyptwomenx-large.jpg?w=490 490w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/egyptwomenx-large.jpg?resize=300%2C237 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/egyptwomenx-large.jpg?resize=480%2C379 480w\" sizes=\"(max-width: 490px) 100vw, 490px\" \/><\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 me sinto segura quando estou em Tahrir (Pra\u00e7a da Liberta\u00e7\u00e3o)\u201d, diziam muitas mulheres; \u201cnestes dias de revolu\u00e7\u00e3o ningu\u00e9m nos tocou, nem perseguiu, sentimo-nos mais fortes\u201d. Este \u00e9 um resultado da revolu\u00e7\u00e3o muito importante de destacar, j\u00e1 que n\u00e3o tem nada a ver com a realidade quotidiana dessas mulheres. No Egipto, segundo um estudo do Centro Eg\u00edpcio para os Direitos das Mulheres, 83% das mulheres nativas e 98% das estrangeiras s\u00e3o assediadas sexualmente, e h\u00e1 um caso de abuso ou viola\u00e7\u00e3o a cada 30 minutos, totalizando 20 mil v\u00edtimas ao ano.<\/p>\n<p>Estas mulheres que v\u00eam suportando s\u00e9culos de opress\u00e3o est\u00e3o &#8211; nos a dar um grande exemplo. Mas n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas que est\u00e3o na luta. Mulheres trabalhadoras e jovens estudantes em Fran\u00e7a, Gr\u00e9cia, Espanha, It\u00e1lia, Portugal, Inglaterra, etc. participam activamente nas lutas de resist\u00eancia que sacodem o velho continente. Vemo-las lutando por emprego, sal\u00e1rio, condi\u00e7\u00f5es de trabalho e defesa dos direitos humanos nos pa\u00edses latino-americano, Cuba inclu\u00edda. E s\u00e3o protagonistas tamb\u00e9m do despertar do proletariado norte-americano, como se v\u00ea nas mobiliza\u00e7\u00f5es de Wisconsin.<\/p>\n<p><strong>A mulher e a crise capitalista<\/strong><\/p>\n<p>A crise que tem o seu epicentro na Europa e nos EUA, golpeia especialmente os sectores mais fr\u00e1geis do proletariado, as mulheres e os imigrantes.<\/p>\n<p>Os cortes na sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o fazem com que suba o desemprego das mulheres, que, al\u00e9m disso, sofrem com a destrui\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os destinados \u00e0 maternidade. Uma situa\u00e7\u00e3o parecida se d\u00e1 nos EUA, onde a mulher ocupa a maioria dos postos de trabalho na educa\u00e7\u00e3o e onde a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, em 2010, estimava que os cortes do or\u00e7amento punham em perigo cerca de 300 mil postos de trabalho nas escolas p\u00fablicos. A gravidade dessa medida fica clara quando sabemos que cerca de 1\/3 das mulheres trabalhadoras norte-americanas s\u00e3o chefes de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Esta realidade torna-se ainda mais aguda quando se trata da mulher imigrante. Ela \u00e9 discriminada como trabalhadora, como mulher e como imigrante. As leis de imigra\u00e7\u00e3o tornam a vida dos imigrantes, homens e mulheres, num verdadeiro inferno. A denominada \u201cDirectiva da Vergonha\u201d, aprovada pela Comiss\u00e3o Europeia em Junho de 2008, permite prender o imigrante sem pap\u00e9is durante 18 meses.&nbsp;<\/p>\n<p>Uma den\u00fancia dos M\u00e9dicos sem Fronteiras comprovou a viol\u00eancia sexual sofrida pelas mulheres subsarianas detida em Marrocos quando tentavam chegar \u00e0 Europa. Entre Maio e Janeiro de 2010, uma em cada tr\u00eas mulheres atendidas pelos M\u00e9dicos Sem Froneiras, em Rabat e Casablanca, disse ter sofrido um ou v\u00e1rios ataques sexuais, j\u00e1 fora de seu pa\u00eds de origem. O documento de den\u00fancia conclui dizendo que \u201co uso da viol\u00eancia sexual se converte, assim, numa das pr\u00e1ticas violentas mais comuns contra a mulher no marco do fen\u00f3meno migrat\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p><strong>O aumento da viol\u00eancia contra a mulher<\/strong><\/p>\n<p>A crise econ\u00f3mica, o desemprego e a falta de perspectivas aumentam a viol\u00eancia contra a mulher. O estudo \u201cA crise invis\u00edvel?\u201d identifica o aumento do n\u00famero de v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica na Bulg\u00e1ria, Est\u00f3nia, Irlanda, Holanda, Esc\u00f3cia, Rom\u00e9nia e Eslov\u00e1quia; a intensifica\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de mulheres na Alemanha, Hungria e Reino Unido; e o aumento da prostitui\u00e7\u00e3o e de ataques a prostitutas na Alemanha e Reino Unido.<\/p>\n<p>Em Portugal, em 2010, morreram 43 mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Em Fran\u00e7a, uma mulher \u00e9 assassinada a cada tr\u00eas dias em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Em It\u00e1lia, estima-se que 6,7% das mulheres sofrem viol\u00eancia f\u00edsica e sexual ao longo de sua vida. Estes n\u00fameros s\u00e3o ainda maiores nos pa\u00edses latino-americanos. No Brasil, a cada 15 segundo uma mulher \u00e9 v\u00edtima de viol\u00eancia e existe uma taxa de 3,9 mulheres assassinadas por cada 100 mil habitantes. Em El Salvador, esta taxa sobre para 12,7%. Esta viol\u00eancia aumenta quando se trata de mulheres l\u00e9sbicas e mulheres ind\u00edgenas, que sofrem abusos e ataques sexuais por parte de militares, contrabandistas e traficantes.<\/p>\n<p>A maior viol\u00eancia, por\u00e9m, \u00e9 exercida pelos estados latino-americano, que, ao continuarem a negar-se a legalizar o aborto, condena \u00e0 morte ou \u00e0 mutila\u00e7\u00e3o uma grande quantidade de jovens mulheres trabalhadoras e pobres.<\/p>\n<p>Porque lutam as mulheres?<\/p>\n<p>Milh\u00f5es de mulheres morrem a cada dia v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica, de abortos clandestinos, de viola\u00e7\u00f5es, de fome e mis\u00e9ria. Milh\u00f5es de trabalhadoras sofrem discrimina\u00e7\u00e3o laboral, recebem sal\u00e1rios menores por igual trabalho, sofrem ass\u00e9dio sexual, s\u00e3o despedidas em piedade quando ficam gr\u00e1vidas. Milh\u00f5es de mulheres tornam-se p\u00e1rias porque n\u00e3o t\u00eam estudo, nem trabalho, muitas sequer t\u00eam documentos.<\/p>\n<p>\u00c9 contra essa realidade que lutam as mulheres. Por isso participam na revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, na resist\u00eancia europeia, nas diferentes lutas dos trabalhadores e pobres da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI) solidariza-se com as mulheres \u00e1rabes e todas as trabalhadoras que enfrentam as pol\u00edticas capitalistas e lutam pelos seus direitos democr\u00e1ticos, como a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto.&nbsp;<\/p>\n<p>Essas lutas s\u00e3o muito importantes e extremamente necess\u00e1rias. Mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Para conseguir a verdadeira liberta\u00e7\u00e3o da mulher \u00e9 necess\u00e1rio acabar com esta sociedade em que poucos vivem da explora\u00e7\u00e3o da grande maioria. Devemos substituir esta sociedade injusta por uma igualit\u00e1ria e solid\u00e1ria, a sociedade socialista, que s\u00f3 poderemos come\u00e7ar a construir a partir do momento em que os trabalhadores, homens e mulheres, tomem o poder pol\u00edtico em todos os pa\u00edses do mundo e derrotem definitivamente o imperialismo.<\/p>\n<p>A LIT-QI chama todas as trabalhadoras, as jovens estudantes, as mulheres pobres da cidade e do campo, a somarem-se \u00e0 luta por essa nova sociedade e pela tarefa de construir a direc\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria mundial que nos permita conseguir este objectivo.<\/p>\n<p>Secretaria Internacional da Mulher<\/p>\n<p>Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI)<\/p>\n<p>8 de Mar\u00e7o de 2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viva a Revolu\u00e7\u00e3o \u00c1rabe! Viva a luta de todas as trabalhadoras do mundo! 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