{"id":404,"date":"2011-02-15T19:05:54","date_gmt":"2011-02-15T18:05:54","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/02\/15\/um-outro-davos-defende-unidade-dos-trabalhadores-contra-ofensiva-do-capital\/"},"modified":"2011-02-15T19:05:54","modified_gmt":"2011-02-15T18:05:54","slug":"um-outro-davos-defende-unidade-dos-trabalhadores-contra-ofensiva-do-capital","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/02\/15\/um-outro-davos-defende-unidade-dos-trabalhadores-contra-ofensiva-do-capital\/","title":{"rendered":"\u201cUm outro Davos\u201d defende unidade dos trabalhadores contra ofensiva do capital"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-403\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/protestosnagrecia.gif?w=300\"  \/>Entre 21 e 23 de Janeiro realizou-se, na cidade su\u00ed\u00e7a de Basileia, o X Encontro internacional &#8220;Um Outro Davos&#8221;. Estes encontros, que se assumem como anticapitalistas e agrupam activistas e trabalhadores de todo o mundo, t\u00eam sido organizados como contraponto \u00e0s cimeiras anuais dos governos e institui\u00e7\u00f5es internacionais do imperialismo que se realizam na est\u00e2ncia tur\u00edstica de Davos.<\/p>\n<p>  <!--more-->  No Outro Davos deste ano participaram cerca de 250 pessoas, vindas de v\u00e1rios pa\u00edses: Su\u00ed\u00e7a, Portugal, Espanha, Fran\u00e7a, Alemanha, Gr\u00e9cia, It\u00e1lia, Gr\u00e3-Bretanha, R\u00fassia, S\u00e9rvia, EUA, Brasil, Uruguai, Argentina, Venezuela, Egipto, Ir\u00e3o&#8230;Eram na maioria representantes de correntes sindicais e de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, mas tamb\u00e9m de organiza\u00e7\u00f5es de imigrantes, mulheres e estudantes.<\/p>\n<p><strong>Colabora\u00e7\u00e3o das direc\u00e7\u00f5es tradicionais com os governos &#8220;por formas nunca dantes experimentadas&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Muitas interven\u00e7\u00f5es ressaltaram que, \u00e0 medida que se aprofunda a crise mundial do capitalismo e se multiplicam os ataques aos trabalhadores, cresce a sua vontade de luta e determina\u00e7\u00e3o. Foram relatados casos concretos de combate e resist\u00eancia, por vezes muito prolongados. Mas em quase todos as lutas o maior obst\u00e1culo para o seu sucesso tem sido a trai\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das direc\u00e7\u00f5es sindicais. Ao ponto de colaborarem directamente com os governos n\u00e3o s\u00f3 por via de acordos de concilia\u00e7\u00e3o, como inclusive na repress\u00e3o das mobiliza\u00e7\u00f5es!&#8230;<\/p>\n<p>Um caso ilustrativo desta situa\u00e7\u00e3o foi dado pelo professor franc\u00eas Serge Goudard. Ele descreveu como, na sequ\u00eancia das lutas do Outono passado em Fran\u00e7a, que provocaram a uni\u00e3o do movimento da classe oper\u00e1ria com a juventude estudantil, as direc\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas pactuaram com o governo franc\u00eas &#8220;por formas nunca antes experimentadas&#8221;: aceitaram a ordem governamental de requisi\u00e7\u00e3o civil dos trabalhadores das refinarias (um dos sectores que mais radicalizaram a luta, juntamente com os trabalhadores portu\u00e1rios); fizeram um acordo salarial &#8220;muito discreto&#8221; com a administra\u00e7\u00e3o dos portos para p\u00f4r fim \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o dos portu\u00e1rios; e, last but not least, colaboraram com a pol\u00edcia na repress\u00e3o dos estudantes! &#8220;Os estudantes da minha cidade, Lyon, foram encerrados pela pol\u00edcia numa pra\u00e7a p\u00fablica, como numa pris\u00e3o a c\u00e9u aberto, e detidos a seguir \u2013 e tudo isto foi feito com a colabora\u00e7\u00e3o das direc\u00e7\u00f5es tradicionais do movimento sindical!&#8221;- afirmou.<\/p>\n<p><strong>Come\u00e7a a difundir-se o sindicalismo classista e internacionalista<\/strong><\/p>\n<p>Face \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o vergonhosa das burocracias sindicais est\u00e3o a surgir movimentos e grupos de trabalhadores que defendem e praticam um sindicalismo de tipo novo, combativo e independente dos patr\u00f5es e governos, tendo como base de funcionamento a democracia oper\u00e1ria. Estes grupos ainda s\u00e3o minorit\u00e1rios no movimento sindical da maioria dos pa\u00edses e t\u00eam, portanto, dificuldades em se constru\u00edrem como alternativa \u00e0s direc\u00e7\u00f5es tradicionais. Mas nalguns locais, como no Brasil, conseguiram j\u00e1 p\u00f4r construir uma nova central sindical, a Conlutas.<\/p>\n<p>A este respeito o respons\u00e1vel da Conlutas Dirceu Travesso disse que &#8220;se \u00e9 certo que a burocracia continua a dominar a consci\u00eancia da maioria da classe a n\u00edvel nacional, internacionalmente existe uma consci\u00eancia cada vez maior da unidade dos problemas&#8221;. Hoje os trabalhadores entendem com mais clareza que a ofensiva neoliberal \u00e9 a mesma nos EUA ou no Ir\u00e3o, na China ou no Uruguai. Por isso Dirceu dirigiu-se aos camaradas presentes apelando a que &#8220;exer\u00e7am activamente o internacionalismo&#8221;, tomando todas as iniciativas poss\u00edveis de solidariedade internacionalista (por exemplo com a revolta na Tun\u00edsia, as greves gerais convocadas noutros pa\u00edses, etc.).<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancias de auto-organiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Outro aspecto interessante da situa\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio hoje em dia s\u00e3o as experi\u00eancias de auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, e de como elas t\u00eam ajudado os trabalhadores a vencer lutas. Foram dados exemplos de auto-organiza\u00e7\u00e3o, inclusive com ocupa\u00e7\u00f5es de empresas e experi\u00eancias de auto-gest\u00e3o, em lutas importantes na S\u00e9rvia, Su\u00ed\u00e7a, Alemanha e Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>Da Su\u00ed\u00e7a italiana veio o relato da experi\u00eancia de uma empresa em Bellinzone, que em 2008 foi alvo de um processo de reestrutura\u00e7\u00e3o, que teria como consequ\u00eancia a perda de 450 postos de trabalho. O trabalhador Gianni Frizo contou como ele e os seus colegas realizaram uma greve de 33 dias, com ocupa\u00e7\u00e3o e auto-gest\u00e3o da empresa e assembleias gerais di\u00e1rias. Na condu\u00e7\u00e3o da luta a direc\u00e7\u00e3o sindical tradicional foi posta de lado e os trabalhadores elegeram um Comit\u00e9 de Greve. Sem fundo de greve, os trabalhadores da empresa apelaram \u00e0 solidariedade activa da popula\u00e7\u00e3o local e foi ela que os ajudou financeiramente.<\/p>\n<p>A luta s\u00f3 terminou com a vit\u00f3ria, isto \u00e9, quando os patr\u00f5es aceitaram retirar o plano de reestrutura\u00e7\u00e3o. Um exemplo de que afinal \u00e9 poss\u00edvel ganhar!<\/p>\n<p><strong>&#8220;N\u00e3o pagamos a vossa d\u00edvida! N\u00e3o pagamos a vossa crise!&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o do grego Sotiris Martalis foi das mais aplaudidas. Ele contou como a luta na Gr\u00e9cia continua bem viva (na foto, m\u00e9dicos concentrados em frente ao parlamento em Fevereiro de 2011 contra as medidas de austeridade que atingem a classe), apesar de os media terem deixado de dar aten\u00e7\u00e3o ao que ali se passa. Desde o Ver\u00e3o que est\u00e3o a funcionar Comit\u00e9s de Ac\u00e7\u00e3o contra as medidas de austeridade, que organizam as popula\u00e7\u00f5es e lutam activamente por objectivos concretos: contra o aumento das portagens e dos transportes, por exemplo. As pessoas re\u00fanem-se e decidem ocupar uma portagem e levantar as cancelas para que os carros passem sem pagar; ou colocam-se junto dos balc\u00f5es das transportadoras a\u00e9reas e prop\u00f5em aos passageiros que n\u00e3o paguem o aumento dos bilhetes de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Este boicote \u00e9 cont\u00ednuo e muito participado. &#8220;Quando come\u00e7\u00e1mos no Ver\u00e3o havia s\u00f3 um comit\u00e9 de ac\u00e7\u00e3o, hoje eles existem em todas as cidades. Estes comit\u00e9s s\u00e3o a maneira de unir toda a classe contra os planos de austeridade, independentemente das suas filia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.&#8221; Como parte deste movimento prepara-se nova greve geral (a 7\u00aa!) para 10 de Fevereiro. Sotiris Martalis explicou: &#8220;A nossa luta de fundo \u00e9 em torno de duas palavras de ordem: n\u00e3o pagamos a vossa d\u00edvida! N\u00e3o pagamos a vossa crise!&#8221;<\/p>\n<p><strong>Ana Paula Amaral<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 21 e 23 de Janeiro realizou-se, na cidade su\u00ed\u00e7a de Basileia, o X Encontro internacional &#8220;Um Outro Davos&#8221;. Estes encontros, que se assumem como anticapitalistas e agrupam activistas e trabalhadores de todo o mundo, t\u00eam sido organizados como contraponto \u00e0s cimeiras anuais dos governos e institui\u00e7\u00f5es internacionais do imperialismo que se realizam na est\u00e2ncia tur\u00edstica de Davos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":403,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-404","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/protestosnagrecia.gif?fit=400%2C278","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/404","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=404"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/404\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/403"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}