{"id":4030,"date":"2021-11-25T13:43:28","date_gmt":"2021-11-25T12:43:28","guid":{"rendered":"https:\/\/mas.org.pt\/?p=4030"},"modified":"2021-11-25T13:43:34","modified_gmt":"2021-11-25T12:43:34","slug":"25n-basta-de-violencia-machista","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2021\/11\/25\/25n-basta-de-violencia-machista\/","title":{"rendered":"25N: Basta de Viol\u00eancia Machista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><span class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Declara\u00e7\u00e3o da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-CI)<\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">25 de Novembro \u00e9 o dia mundial da luta contra a viol\u00eancia de g\u00e9nero. A data foi estabelecida em 1981 durante o Primeiro Encontro Feminista da Am\u00e9rica Latina e Cara\u00edbas, realizado em Bogot\u00e1 em homenagem \u00e0s irm\u00e3s Mirabal: Patria, Minerva e Maria Teresa. Foram raptadas, torturadas e assassinadas em 1960 pelo ditador Trujillo na Rep\u00fablica Dominicana. Em mem\u00f3ria das irm\u00e3s Mirabal e em homenagem a todas as v\u00edtimas da viol\u00eancia patriarcal, renovamos o nosso compromisso de lutar e dizer #NiUnaMenos, os governos s\u00e3o respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O governo dominicano \u00e9 hoje respons\u00e1vel pela viol\u00eancia estatal racista, sexista e xen\u00f3foba, atrav\u00e9s da deporta\u00e7\u00e3o de mulheres haitianas gr\u00e1vidas, chegando mesmo a det\u00ea-las nos pr\u00f3prios hospitais, impedindo-as de obter cuidados m\u00e9dicos e separando-as das suas fam\u00edlias. No M\u00e9xico, em plena pandemia, o n\u00famero de femic\u00eddios aumentou de 10 para 11 por dia, e estima-se que as viola\u00e7\u00f5es tenham aumentado at\u00e9 30%, enquanto 90% dos crimes sexuais contra mulheres n\u00e3o s\u00e3o denunciados. N\u00e3o h\u00e1 acesso \u00e0 justi\u00e7a, a revitimiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a constante. Tamb\u00e9m no Estado Espanhol a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave: em cidades como Barcelona h\u00e1 pelo menos 3 den\u00fancias de agress\u00f5es sexuais todos os dias, o que \u00e9 particularmente alarmante considerando que se estima que apenas entre 10% a 20% dos casos s\u00e3o denunciados devido \u00e0 impunidade institucionalizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, o governo abertamente machista de Bolsonaro refor\u00e7a o discurso que encoraja as pr\u00e1ticas violentas e mis\u00f3ginas no pa\u00eds. Os dados existentes s\u00e3o alarmantes. No meio do isolamento social, o pa\u00eds registou 1.350 casos de feminic\u00eddio, um a cada seis horas e meia. A falta de investimento e de pol\u00edticas p\u00fablicas agrava esta situa\u00e7\u00e3o. A Ministra Damares investiu apenas 44% do escasso or\u00e7amento que corresponde ao Minist\u00e9rio dos Assuntos da Mulher, enquanto que milhares de milh\u00f5es s\u00e3o pagos pela d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, no Chile, est\u00e1 na segunda volta, o candidato de ultra-direita Kast, que questiona o direito de voto das mulheres, quer voltar proibir o aborto excepto nas 3 causas (NT: risco para a vida da mulher, gravidez resultante de viola\u00e7\u00e3o ou incesto e malforma\u00e7\u00f5es do feto que impossibilitem a vida) e dar subs\u00eddios apenas \u00e0s fam\u00edlias casadas, entre outras atrocidades mis\u00f3ginas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Argentina, no m\u00eas passado, contabilizou-se um femic\u00eddio a cada 20 horas, e no entanto o or\u00e7amento atribu\u00eddo ao Minist\u00e9rio da Mulher, G\u00e9nero e Diversidade para combater a viol\u00eancia machista \u00e9 ainda insuficiente. Entretanto, o governo peronista de Alberto Fern\u00e1ndez atribui milh\u00f5es de pesos para o pagamento da d\u00edvida externa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por todas estas raz\u00f5es, e no calor da quarta onda feminista, a luta contra a viol\u00eancia machista continua a ser uma das exig\u00eancias fundamentais do movimento de mulheres em todo o mundo. Dizemos que os governos s\u00e3o respons\u00e1veis pela viol\u00eancia de g\u00e9nero, a qual tem vindo a crescer em plena pandemia, devido \u00e0 impunidade e cumplicidade das institui\u00e7\u00f5es. Exigimos a implementa\u00e7\u00e3o urgente de pol\u00edticas p\u00fablicas com or\u00e7amentos para prevenir e erradicar todas as formas de viol\u00eancia contra as mulheres, incluindo mulheres trabalhadoras, mulheres camponesas, mulheres migrantes, mulheres racializadas, mulheres trans e todas aquelas que sofrem a combina\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o racista e sexista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s mulheres somos as mais afectados pela actual crise econ\u00f3mica e social porque somos as chefes das fam\u00edlias mais pobres, as mais prec\u00e1rias e sobre n\u00f3s recaem as tarefas de cuidado e limpeza em resultado da divis\u00e3o sexual do trabalho. Situa\u00e7\u00e3o que se agravou e aprofundou com a emerg\u00eancia de sa\u00fade do COVID-19. De acordo com um estudo da CEPAL (2021), em apenas um ano da pandemia, n\u00f3s mulheres perdemos uma d\u00e9cada no nosso n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Face a esta situa\u00e7\u00e3o, as trabalhadoras e as mulheres dos sectores populares dizemos que a crise deve ser paga por aqueles que a provocaram: os patr\u00f5es e os capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este 25N, a Unidade Internacional das Mulheres Trabalhadoras &#8211; Quarta Internacional (Uit-Ci) far\u00e1 parte do dia internacional de luta, das mobiliza\u00e7\u00f5es unidas de mulheres contra a viol\u00eancia machista. Promovemos a #MareaVerde que percorre a Am\u00e9rica Latina pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito. Enfrentamos os governos de ajustamento, exigindo sal\u00e1rios dignos, pleno emprego e a reinstaura\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e trabalhadoras despedidas, a maioria das quais s\u00e3o mulheres. Enfrentamos tamb\u00e9m as igrejas reaccion\u00e1rias e todas as institui\u00e7\u00f5es que sustentam este sistema capitalista, racista e patriarcal que nos violenta. Fazemo-lo a partir da nossa perspectiva revolucion\u00e1ria, feminista, anti-racista e socialista, convencidos de que s\u00f3 com um governo de classe trabalhadora conseguiremos p\u00f4r fim \u00e0 opress\u00e3o e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o no caminho para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-CI) 25 de Novembro \u00e9 o dia mundial da luta contra a viol\u00eancia de g\u00e9nero. A data foi estabelecida em 1981 durante o Primeiro Encontro Feminista da Am\u00e9rica Latina e Cara\u00edbas, realizado em Bogot\u00e1 em homenagem \u00e0s irm\u00e3s Mirabal: Patria, Minerva e Maria Teresa. Foram raptadas, torturadas e assassinadas em 1960 pelo ditador Trujillo na Rep\u00fablica Dominicana. 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