{"id":400,"date":"2011-02-12T23:51:21","date_gmt":"2011-02-12T22:51:21","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/02\/12\/mubarak-caiu-grande-triunfo-da-revolucao-no-egipto-contra-a-transicao-impulsionada-pela-burguesia-e-o-imperialismo-continuar-as-mobilizacoes\/"},"modified":"2011-02-12T23:51:21","modified_gmt":"2011-02-12T22:51:21","slug":"mubarak-caiu-grande-triunfo-da-revolucao-no-egipto-contra-a-transicao-impulsionada-pela-burguesia-e-o-imperialismo-continuar-as-mobilizacoes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/02\/12\/mubarak-caiu-grande-triunfo-da-revolucao-no-egipto-contra-a-transicao-impulsionada-pela-burguesia-e-o-imperialismo-continuar-as-mobilizacoes\/","title":{"rendered":"Mubarak caiu! Grande triunfo da revolu\u00e7\u00e3o no Egipto!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-399\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/egito_vitoria_1.jpg?w=300\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\"  \/>Contra a transi\u00e7\u00e3o impulsionada pela burguesia e o imperialismo,  continuar as mobiliza\u00e7\u00f5es! Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos  Trabalhadores sobre a revolu\u00e7\u00e3o no Egipto que derrubou o ditador Hosni  Mubarak.&nbsp; <\/p>\n<p>A gloriosa revolu\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia deu um exemplo hist\u00f3rico a todos os povos do mundo e um novo e decisivo passo na expans\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Hosni Mubarak, o ditador odiado e o mais importante agente do imperialismo e de Israel na regi\u00e3o foi obrigado a sair pela ac\u00e7\u00e3o determinada das massas durante 18 dias consecutivos. O derrube desse ditador \u00e9, por isso, um enorme triunfo das massas eg\u00edpcias e \u00e1rabes.<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o colocou o regime contra a parede<\/strong><\/p>\n<p>O centro desse gigantesco processo esteve na Pra\u00e7a Tahrir (ou Liberta\u00e7\u00e3o) no centro da capital, Cairo, que se converteu no centro dos protestos que percorreram todo o pa\u00eds. Milh\u00f5es de eg\u00edpcios exigiram &#8220;Fora Mubarak&#8221; e o regime. A ocupa\u00e7\u00e3o da pra\u00e7a tornou-se a express\u00e3o do poder do povo mobilizado, por oposi\u00e7\u00e3o a um regime e suas institui\u00e7\u00f5es que deixaram de conseguir governar. O governo mandava acabar com a ocupa\u00e7\u00e3o da pra\u00e7a e ningu\u00e9m obedecia; decretou o&nbsp;recolher obrigat\u00f3rio, mas as massas n\u00e3o lhe davam ouvidos. O processo galvanizou o pa\u00eds inteiro, e pudemos ver as massivas manifesta\u00e7\u00f5es nas grandes cidades como Alexandria, Suez, Port Said e se estendendo a todos os cantos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com o pa\u00eds paralisado, o governo orquestrou uma tentativa contra-revolucion\u00e1ria de ataque violento contra os manifestantes, com o objectivo de derrot\u00e1-los e esvaziar a Pra\u00e7a Tahrir. Apesar da passividade do Ex\u00e9rcito e da covardia de um ataque de bandos armados contra manifestantes desarmados, os ocupantes da Pra\u00e7a Tahrir n\u00e3o se deixaram intimidar e expulsaram corajosamente os bandos do regime, compostos por pol\u00edcias e mercen\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que perpetrava este ataque contra o movimento revolucion\u00e1rio, o governo chamou ao di\u00e1logo as for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o toleradas e com a participa\u00e7\u00e3o dos seguidores de El Baradei e da Irmandade Mu\u00e7ulmana. Apesar destas for\u00e7as n\u00e3o terem chegado a acordo com o regime, a sua participa\u00e7\u00e3o significou de fato a legitima\u00e7\u00e3o de uma tentativa de transi\u00e7\u00e3o negociada. Como resultado foram apenas anunciadas &#8220;reformas constitucionais&#8221; at\u00e9 \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de Setembro e promessas de &#8220;concess\u00f5es&#8221; vazias. As massas n\u00e3o acreditaram nessas manobras e continuaram exigindo a imediata sa\u00edda de Mubarak, mantendo a ocupa\u00e7\u00e3o da Pra\u00e7a no Cairo e principais cidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos \u00faltimos dias, a classe oper\u00e1ria e os trabalhadores come\u00e7aram a intervir de forma decisiva com a&nbsp;sua arma mais poderosa: a greve. Express\u00e3o disso foi a entrada em cena dos trabalhadores do Canal de Suez, dos trabalhadores da sa\u00fade e do transporte no Cairo, bem como dos trabalhadores das telecomunica\u00e7\u00f5es. At\u00e9 mesmo os trabalhadores de \u00f3rg\u00e3os de imprensa como Al Ahram resolveram parar contra o regime. Esta onda de greves que juntava reivindica\u00e7\u00f5es por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida com a exig\u00eancia de sa\u00edda de Mubarak foi paralisando a economia eg\u00edpcia de forma cada vez mais comprometedora para os interesses da burguesia nacional e internacional. Os trabalhadores iam demonstrando assim que, enquanto Mubarak estivesse no poder, iriam at\u00e9 ao limite para conseguir o que queriam.<\/p>\n<p>Frente a tudo isto, o Ex\u00e9rcito foi incapaz de reprimir directamente as mobiliza\u00e7\u00f5es e manteve-se a assistir \u00e0s marchas massivas e&nbsp;\u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o da Pra\u00e7a. O contacto constante dos soldados e baixa oficialidade com os manifestantes aprofundou os elementos de crise no Ex\u00e9rcito, o que foi tornando cada vez mais perigosa uma poss\u00edvel ordem da c\u00fapula de repress\u00e3o em massa, que poderia ter como resultado imediato a divis\u00e3o do Ex\u00e9rcito frente \u00e0 for\u00e7a revolucionaria do povo eg\u00edpcio.<\/p>\n<p><strong>Mubarak \u00e9 obrigado a renunciar<\/strong><\/p>\n<p>Frente \u00e0 insustent\u00e1vel manuten\u00e7\u00e3o de Mubarak, o imperialismo come\u00e7ou a procurar articular uma &#8220;transi\u00e7\u00e3o segura&#8221;, que garantisse um &#8220;governo leal&#8221;, cuja tarefa fosse &#8220;estabilizar&#8221; o pa\u00eds, mantendo as institui\u00e7\u00f5es centrais do regime, com algumas concess\u00f5es democr\u00e1ticas. O imperialismo apostou na c\u00fapula do Ex\u00e9rcito para levar a cabo essa tarefa, tendo em conta a sua liga\u00e7\u00e3o org\u00e2nica ao imperialismo, a sua import\u00e2ncia como pilar fundamental do regime e for\u00e7a repressiva, e tamb\u00e9m pelo certo prest\u00edgio que ainda mantinha entre as massas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s v\u00e1rios an\u00fancios que apontavam no sentido da ren\u00fancia na noite de 10 de Fevereiro, Mubarak defraudou a expectativa da na\u00e7\u00e3o com um discurso que, em que em vez de anunciar a sua retirada, anunciava a sua manuten\u00e7\u00e3o no poder com a transmiss\u00e3o de alguns poderes para Suleiman.<\/p>\n<p>A reac\u00e7\u00e3o furiosa da popula\u00e7\u00e3o na Pra\u00e7a Tahrir e em todo o pa\u00eds apontava a uma radicaliza\u00e7\u00e3o dos protestos que se esperavam ainda maiores para o dia 11. Na mesma noite, os manifestantes cercaram espa\u00e7os centrais como o pal\u00e1cio presidencial e a esta\u00e7\u00e3o estatal de TV, que estavam protegidos pelo Ex\u00e9rcito. Esta situa\u00e7\u00e3o foi-se tornando cada vez mais alarmante, particularmente para a c\u00fapula das For\u00e7as Armadas, pois colocava a possibilidade real de enfrentamentos dos manifestantes com os organismos de seguran\u00e7a. Tendo em conta os importantes elementos de crise no Ex\u00e9rcito, n\u00e3o havia qualquer garantia que uma tentativa de tomada destes edif\u00edcios pela popula\u00e7\u00e3o pudesse ser travada pelos soldados.<\/p>\n<p>Com a amplia\u00e7\u00e3o massiva dos protestos e a perda definitiva do controle por parte do regime, Suleiman foi obrigado a vir \u00e0 televis\u00e3o para anunciar telegraficamente a ren\u00fancia de Mubarak e a entrega da condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao Comando Central do Exercito. A sa\u00edda de Mubarak foi uma conquista enorme, imposta pelas mobiliza\u00e7\u00f5es das massas e por isso sentida com enorme alegria e emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O centro do acordo \u00e9 a estabiliza\u00e7\u00e3o burguesa atrav\u00e9s do Ex\u00e9rcito<\/strong><\/p>\n<p>Compartilhamos a enorme e justa alegria que perpassa as massas eg\u00edpcias e de todo o mundo por haver se livrado de um ditador assassino e corrupto. Mas queremos fazer um alerta: o Comando do Ex\u00e9rcito eg\u00edpcio que assumiu o poder, aparecendo como uma suposta mudan\u00e7a frente \u00e0 lideran\u00e7a de Mubarak, sempre foi a espinha dorsal da ditadura eg\u00edpcia.<\/p>\n<p>Na verdade, o alto comando do Ex\u00e9rcito \u00e9 propriet\u00e1rio de v\u00e1rias empresas em diferentes sectores da economia (controlando cerca de 30% a 40% da economia do pa\u00eds), tendo-se enriquecido \u00e0 sombra da ditadura, \u00e0 custa da fome e mis\u00e9ria do povo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Ex\u00e9rcito foi o pilar central do regime de Mubarak e cumpre um papel fundamental como aliado estrat\u00e9gico dos EUA e de Israel na regi\u00e3o, que se expressa directamente na ajuda militar de cerca de 2 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais dos EUA a esta institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>P\u00f4de-se ver esse papel das For\u00e7as Armadas quando deram cobertura \u00e0s hordas pr\u00f3-Mubarak, ao permitir que entrassem na pra\u00e7a para espancar manifestantes nos dias 2 e 3 de Fevereiro. Com a crise provocada pelo curso da revolu\u00e7\u00e3o, a c\u00fapula militar tenta agora assumir directamente o processo, livrando-se da figura inc\u00f3moda de Mubarak para manter os seus privil\u00e9gios e nenhuma mudan\u00e7a significativa no pa\u00eds. A maior express\u00e3o disso \u00e9 a indica\u00e7\u00e3o de Mohamed Hussein Tantawi, Ministro da Defesa dos \u00faltimos 20 anos de Mubarak, para encabe\u00e7ar o novo governo at\u00e9 \u00e0s pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica que o imperialismo em conjunto com o Ex\u00e9rcito quer impor \u00e0queles que se mobilizaram durante 18 dias para tirar Mubarak e acabar com a ditadura \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o uma abertura democr\u00e1tica controlada, em que os principais pilares do regime repressivo se mant\u00eam, e em&nbsp;que se garante o cumprimento dos acordos pol\u00edticos, econ\u00f3micos e militares com o imperialismo e particularmente com Israel.<\/p>\n<p>Nesse processo de abertura controlada, os sectores da oposi\u00e7\u00e3o burguesa preparam-se para cumprir um papel fundamental. Nesse sentido, o sector encabe\u00e7ado por El Baradei e pela Irmandade Mu\u00e7ulmana j\u00e1 deram declara\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para compor com os militares um governo de unidade nacional que permita uma transi\u00e7\u00e3o negociada at\u00e9 \u00e0s pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es e aceitam que se mantenham os acordos com o imperialismo e Israel.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 a mobiliza\u00e7\u00e3o independente das massas pode levar adiante a revolu\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia!<\/strong><\/p>\n<p>A grande vit\u00f3ria alcan\u00e7ada pela revolu\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia com a&nbsp;queda de Mubarak \u00e9 apenas o come\u00e7o e n\u00e3o o fim da luta contra a&nbsp;opress\u00e3o do povo daquele pa\u00eds. O imperialismo e a burguesia eg\u00edpcia est\u00e3o a tentar impedir que o povo alcance uma vit\u00f3ria maior do que aquela que j\u00e1 conseguiu, evitando que a ruptura com o anterior regime se estenda. A maior express\u00e3o disso \u00e9 que a proposta de novo governo seja encabe\u00e7ado por um homem estreitamente ligado a Mubarak e de plena confian\u00e7a do imperialismo americano.<\/p>\n<p>A c\u00fapula do ex\u00e9rcito, comprometida em todos esses anos de ditadura, n\u00e3o vai querer a puni\u00e7\u00e3o dos crimes, o julgamento e a pris\u00e3o dos repressores e torturadores, nem que se firam os interesses econ\u00f3micos dos grupos que floresceram \u00e0 sombra de Mubarak. N\u00e3o vai querer a liberdade para que se possa denunciar os crimes da ditadura nem para que os trabalhadores tenham liberdade sindical e direito de greve que amea\u00e7ariam os lucros fabulosos do grupos aos quais s\u00e3o vinculados. Um governo integrado pelos homens de Mubarak \u00e9 um obst\u00e1culo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>A ditadura matou e torturou milhares de opositores. Durante os 18 dias de mobiliza\u00e7\u00f5es, 300 mortos ca\u00edram para derrubar Mubarak. Para romper de vez com a era Mubarak \u00e9 preciso, por isso, dissolver os aparatos repressivos que mantiveram pelo terror 30 anos de ditadura e punir os respons\u00e1veis pelas pris\u00f5es, torturas e mortes daqueles que lutaram pelos seus direitos. Pela dissolu\u00e7\u00e3o de todos os aparelhos repressivos! Puni\u00e7\u00e3o a todos os respons\u00e1veis pelas torturas e mortes.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m continuar a mobiliza\u00e7\u00e3o para garantir imediatamente a liberta\u00e7\u00e3o de todos os presos pol\u00edticos e total liberdade de associa\u00e7\u00e3o sindical, organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e imprensa.<\/p>\n<p>Sabemos que h\u00e1 uma divis\u00e3o de classe nas fileiras do Ex\u00e9rcito. A confraterniza\u00e7\u00e3o e a incapacidade dos soldados e da oficialidade m\u00e9dia para reprimir as mobiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o express\u00e3o disso. \u00c9 necess\u00e1rio que os soldados e a oficialidade m\u00e9dia tenham as mais amplas liberdades democr\u00e1ticas para se organizarem de forma independente das suas c\u00fapulas, e se juntem \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es e aos anseios da classe trabalhadora eg\u00edpcia que n\u00e3o s\u00e3o os do imperialismo nem os dos generais de Mubarak.<\/p>\n<p>Pela dissolu\u00e7\u00e3o imediata do Parlamento fraudulento! Para acabar com o regime de Mubarak, n\u00e3o basta fazer reformas parciais na Constitui\u00e7\u00e3o, como est\u00e3o propondo o novo governo e a oposi\u00e7\u00e3o burguesa! Pela convocat\u00f3ria de uma Assembleia Constituinte soberana com plenos poderes, sem ningu\u00e9m que tenha sido parte dos organismos do regime de Mubarak! Assembleia constituinte para romper os acordos com o imperialismo, para expropriar os bens de Mubarak e do conjunto do antigo regime, e construir um Egipto socialista ao servi\u00e7o dos trabalhadores e do povo!<\/p>\n<p>A opress\u00e3o do povo eg\u00edpcio n\u00e3o se resume \u00e0 ditadura e est\u00e1 ancorada na explora\u00e7\u00e3o e no desemprego que condenam \u00e0 fome e \u00e0 mis\u00e9ria a maioria da popula\u00e7\u00e3o. A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o coloca em causa somente o actual regime, mas afecta directamente o imperialismo dominante, sendo objectivamente uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista.<\/p>\n<p>Para uma ruptura de fundo com o antigo regime \u00e9, por isso, fundamental romper os pactos militares e pol\u00edticos com o imperialismo e Israel. Fora o imperialismo do Egipto! Pela imediata e plena abertura da fronteira com a Faixa de Gaza!<\/p>\n<p>Por um aumento imediato e geral dos sal\u00e1rios que corresponda ao custo da cesta b\u00e1sica! Por um plano econ\u00f3mico de emerg\u00eancia e a redu\u00e7\u00e3o imediata da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio de forma a garantir trabalho para todos! Pela expropria\u00e7\u00e3o das grandes empresas nacionais e multinacionais e do sistema financeiro!<\/p>\n<p><strong>A \u00fanica forma de garantir os anseios da juventude \u00e9 a continuidade da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para cumprir os anseios das massas de construir um novo Egipto \u00e9 que as mobiliza\u00e7\u00f5es independentes continuem. Foram as mobiliza\u00e7\u00f5es das massas e n\u00e3o o Ex\u00e9rcito que derrubaram Mubarak. Chamamos por isso as massas eg\u00edpcias a n\u00e3o depositarem o destino da sua revolu\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os do Ex\u00e9rcito e a confiarem nas suas pr\u00f3prias for\u00e7as.<\/p>\n<p>A juventude, que cumpriu um papel extraordin\u00e1rio na vanguarda dessa mobiliza\u00e7\u00e3o e mostrou um hero\u00edsmo ao permanecer na pra\u00e7a todos esses dias apesar da repress\u00e3o, deve continuar organizada e exigir as conquistas! A classe trabalhadora, al\u00e9m de estar no centro do combate contra Mubarak, j\u00e1 mostrou que pode parar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A partir da vit\u00f3ria dos que ocuparam e mantiveram a Pra\u00e7a Tahrir, est\u00e1 colocada a necessidade de continuar e impulsionar a mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores e jovens, de chamar um encontro urgente dos trabalhadores e do povo que discuta um programa ao servi\u00e7o das massas, oposto ao da c\u00fapula militar e ao da oposi\u00e7\u00e3o burguesa, e tome o poder em suas m\u00e3os para lev\u00e1-lo a cabo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso desenvolver a revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe!<\/strong><\/p>\n<p>Depois da Tun\u00edsia, a revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe teve um grande triunfo com a derrube de Mubarak. Vamos estend\u00ea-la a toda a regi\u00e3o! Pelo derrube das demais ditaduras e monarquias reaccion\u00e1rias do mundo \u00e1rabe e do M\u00e9dio Oriente!<\/p>\n<p>Mubarak foi um esteio da ordem imposta pelo imperialismo na regi\u00e3o, cujo centro \u00e9 o Estado de Israel. A revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe n\u00e3o ser\u00e1 triunfante enquanto o Povo Palestiniano estiver sob o tac\u00e3o de Israel. Todo apoio ao Povo Palestiniano! Pela destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel!<\/p>\n<p>Esse processo revolucion\u00e1rio tem tamb\u00e9m como desafio enfrentar os regimes ditactoriais teocr\u00e1ticos, como o Ir\u00e3o, que reprimiu as mobiliza\u00e7\u00f5es contra a fraude de 2009 e que mant\u00e9m a explora\u00e7\u00e3o do seu povo, apesar de choques eventuais com o imperialismo.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe coloca na ordem do dia recuperar a unidade da na\u00e7\u00e3o \u00e1rabe na perspectiva de construir uma grande Federa\u00e7\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas \u00c1rabes!<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 11 de Fevereiro de 2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contra a transi\u00e7\u00e3o impulsionada pela burguesia e o imperialismo, continuar as mobiliza\u00e7\u00f5es! 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