{"id":396,"date":"2011-02-05T22:35:35","date_gmt":"2011-02-05T21:35:35","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/02\/05\/fora-mubarak-pelo-triunfo-da-revolucao-egipcia-e-arabe\/"},"modified":"2011-02-05T22:35:35","modified_gmt":"2011-02-05T21:35:35","slug":"fora-mubarak-pelo-triunfo-da-revolucao-egipcia-e-arabe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/02\/05\/fora-mubarak-pelo-triunfo-da-revolucao-egipcia-e-arabe\/","title":{"rendered":"Fora Mubarak! Pelo triunfo da revolu\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia e \u00e1rabe!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-395\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/captur1.png?w=300\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/captur1.png?w=640 640w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/captur1.png?resize=300%2C202 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/captur1.png?resize=480%2C323 480w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p> H\u00e1 um processo revolucion\u00e1rio que se expande em todos os pa\u00edses \u00e1rabes. A partir da Tun\u00edsia, onde a mobiliza\u00e7\u00e3o popular derrubou o ditador Ben Al\u00ed, depois de 23 anos no poder, foi-se estendendo como um rastilho de p\u00f3lvora, provocando mobiliza\u00e7\u00f5es contra governos ditatoriais em v\u00e1rios pa\u00edses \u00e1rabes, laicos ou religiosos, &#8220;republicanas&#8221; ou mon\u00e1rquicas, desde a Maurit\u00e2nia at\u00e9 o I\u00e9mene, passando pela Arg\u00e9lia e Jord\u00e2nia. <\/p>\n<p>  <!--more-->  O que tem impulsionado este processo tem sido o aprofundamento da mis\u00e9ria como consequ\u00eancia dos efeitos da crise econ\u00f3mica mundial, com crescimento da desocupa\u00e7\u00e3o e a alta dos pre\u00e7os dos alimentos devido \u00e0 profunda depend\u00eancia desses pa\u00edses ao Imperialismo.<\/p>\n<p>Este processo revolucion\u00e1rio caiu com uma for\u00e7a gigantesca no pa\u00eds mais importante da regi\u00e3o, o Egipto. H\u00e1 v\u00e1rios dias que explodiu um grande processo revolucion\u00e1rio, que come\u00e7ou com v\u00e1rios milhares de pessoas nas ruas do Cairo e outras cidades do pa\u00eds, e que se foi estendendo chegando a milh\u00f5es no dia 1 de Fevereiro, tendo como centro a exig\u00eancia da ren\u00fancia do ditador do pa\u00eds. Apesar da repress\u00e3o, que j\u00e1 provocou 140 mortes, segundo a vers\u00e3o oficial, a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deteve e radicalizou-se depois de cada an\u00fancio de supostas mudan\u00e7as por parte de Mubarak, que trata por todos os meios se manter no poder.<\/p>\n<p>Se Mubarak cai como resultado da ac\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas eg\u00edpcias, isso teria uma imensa repercuss\u00e3o e aprofundaria a revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe. Ao mesmo tempo, colocaria em crise todo o dispositivo imperialista de controlo da regi\u00e3o, do qual o regime Mubarak \u00e9 uma pe\u00e7a chave. Principalmente, colocaria em risco a exist\u00eancia do Estado de Israel. Por isso, o governo israelense de Benjamin Netanyahu tem expressado sua preocupa\u00e7\u00e3o e apoio a Mubarak.<\/p>\n<p>Esse processo revolucion\u00e1rio que tem seu eixo nas reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas pode afectar directamente tamb\u00e9m os regimes teocr\u00e1ticos como o do Ir\u00e3o (que reprimiu duramente h\u00e1 dois anos as mobiliza\u00e7\u00f5es que houve contra a fraude eleitoral e por liberdades democr\u00e1ticas). Assim como pode afectar as organiza\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas como o Hamas e Hezbolah. Por isso n\u00e3o \u00e9 de estranhar que, quando se realizaram manifesta\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia nos territ\u00f3rios ocupados, elas foram reprimidas pelo Hamas em Gaza. Hamas fez o mesmo que o agente do imperialismo na Cisjord\u00e2nia, a ANP (Autoridade Nacional Palestina).<\/p>\n<p><strong>Egipto: pa\u00eds chave do mundo \u00e1rabe<\/strong><br \/>Egito \u00e9 o pa\u00eds \u00e1rabe mais populoso, com mais de 80 milh\u00f5es de habitantes: um de cada tr\u00eas \u00e1rabes \u00e9 eg\u00edpcio. A import\u00e2ncia desse peso populacional expressou-se tamb\u00e9m na vida e nos processos pol\u00edticos do mundo \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Em 1953, o ex\u00e9rcito fez golpe nacionalista, encabe\u00e7ado pelo ent\u00e3o coronel Gama Abdel Nasser que derrubou o rei Faruk I. Em 1956, o governo eg\u00edpcio nacionalizou o estrat\u00e9gico Canal de Suez, at\u00e9 ent\u00e3o nas m\u00e3os dos ingleses e norte-americanos. O nasserismo converteu-se na direc\u00e7\u00e3o da luta dos povos \u00e1rabes contra o Imperialismo e seu principal agente na regi\u00e3o, o Estado de Israel. No entanto, como corrente nacionalista burguesa n\u00e3o prop\u00f4s a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, mantendo a explora\u00e7\u00e3o capitalista e a mis\u00e9ria crescente do povo eg\u00edpcio.<\/p>\n<p>Poucos anos depois da morte de Nasser (1970), seu sucessor, Anwar Sadat, reverteu completamente esse eixo capitulando completamente ao Imperialismo. Em 1979, assinou com os EUA e Israel o acordo de Camp David no qual reconhecia esse Estado e abandonava a luta contra o mesmo. O acordo marcou o fim do papel relativamente progressivo que o nacionalismo \u00e1rabe laico havia cumprido no passado, enfrentando o Imperialismo.<\/p>\n<p>Sadat foi assassinado em 1981. O seu sucessor Hosni Mubarak, atrav\u00e9s de uma duradoura ditadura aprofundou essa reviravolta e transformou o Egipto numa pe\u00e7a chave da pol\u00edtica do Imperialismo americano para a regi\u00e3o, pelo apoio ao Estado de Israel e seus ataques ao povo palestiniano. O que se expressou, h\u00e1 poucos anos, no fecho e bloqueio da fronteira entre a Faixa de Gaza e a pen\u00ednsula do Sinai. Desta forma, o Egipto tem o triste m\u00e9rito de formar, junto com a Jord\u00e2nia, a &#8220;pin\u00e7a \u00e1rabe&#8221; que ajuda Israel na sua inten\u00e7\u00e3o de estrangular a luta do povo palestiniano. <\/p>\n<p>Em troca disso, o Egipto recebe US$ 2 bili\u00f5es anuais de &#8220;ajuda militar&#8221; dos EUA (a maior quantidade depois de Israel), o que lhe permite manter um ex\u00e9rcito bem armado e equipado.<\/p>\n<p><strong>As raz\u00f5es da luta<\/strong><\/p>\n<p>Um aspecto que se destaca da rebeli\u00e3o \u00e9 o papel central da juventude no pa\u00eds em que dois ter\u00e7os de seus habitantes t\u00eam menos de 30 anos, com uma alt\u00edssima percentagem de desocupa\u00e7\u00e3o. O pano de fundo para a revolta foi o constante deteriorar das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e do povo. O Egipto \u00e9 uma semi-col\u00f3nia saqueada pelo Imperialismo. O grosso da fatia de riqueza que fica vai para as m\u00e3os de uma oligarquia ligada ao regime e \u00e0 c\u00fapula do Ex\u00e9rcito. Por exemplo, estima-se que a fam\u00edlia de Mubarak acumulou uma fortuna de v\u00e1rios bili\u00f5es de d\u00f3lares. A situa\u00e7\u00e3o de empobrecimento popular agudizou-se com a crise econ\u00f3mica internacional que provocou um grande salto na desocupa\u00e7\u00e3o e um crescimneto permanente do custo de vida, especialmente nos alimentos. A luta contra essa situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 vinha de antes: o Egipto foi um dos pa\u00edses onde se produziu a &#8220;revolta da fome&#8221;, em Mar\u00e7o de 2008, encabe\u00e7ada pelos trabalhadores t\u00eaxteis de Mahalla, na regi\u00e3o do Alto Delta do Nilo.<\/p>\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es actuais iniciaram-se pela convocat\u00f3ria da organiza\u00e7\u00e3o &#8220;Movimento 6 de Abril&#8221; (organiza\u00e7\u00e3o cuja primeira ac\u00e7\u00e3o em 2008 foi apoiar os trabalhadores de El-Mahalla, tendo 6 de Abril sido o dia da greve desses trabalhadores da ind\u00fastria t\u00eaxtil), que dias depois tamb\u00e9m a chamada \u00e0 Greve Geral para derrubar Mubarak. A partir dessa convocat\u00f3ria, imensos contingentes da juventude, sectores de classe m\u00e9dia, trabalhadores, inclu\u00eddas algumas organiza\u00e7\u00f5es sindicais independentes e pequenas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda formaram parte desse movimento.<\/p>\n<p>O povo eg\u00edpcio saiu \u00e0s ruas para derrubar a ditadura que as oprime h\u00e1 d\u00e9cadas, exigindo liberdades democr\u00e1ticas. Por isso a exig\u00eancia central das mobiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 a ren\u00fancia de Mubarak, que concentra todos os problemas. As consignas mais cantadas nelas s\u00e3o &#8220;Fora Mubarak&#8221; e &#8220;Mubarak, o avi\u00e3o espera-te&#8221;. O povo eg\u00edpcio est\u00e1 farto de uma ditadura que os mata de fome e reprime o mais m\u00ednimo protesto, eliminou as liberdades democr\u00e1ticas e perseguiu, prendeu e mandou ao ex\u00edlio in\u00fameros dirigentes e activistas opositores. Mas, ante as manobras e &#8220;reformas&#8221; propostas pelo governo, o processo avan\u00e7a e o rep\u00fadio j\u00e1 n\u00e3o se limita ao presidente. &#8220;Queremos uma mudan\u00e7a de regime e n\u00e3o de rosto&#8221;, expressam os manifestantes.<\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o das massas, al\u00e9m disso, nutriu-se do rep\u00fadio \u00e0 pol\u00edtica pr\u00f3-imperialista de Mubarak, especialmente na sustenta\u00e7\u00e3o de Israel, apoiando desde sua fronteira o cerco ao territ\u00f3rio palestiniano de Gaza. Isso fez com que nas mobiliza\u00e7\u00f5es se manifestasse a consigna: &#8220;Hosni Mubarak, Omar Suleim\u00e1n, os dois s\u00e3o agentes dos americanos&#8221;. Suleim\u00e1n \u00e9 o chefe do servi\u00e7o secreto e foi nomeado como vice-presidente de Mubarak<\/p>\n<p><strong>A oposi\u00e7\u00e3o burguesa tenta encabe\u00e7ar uma transi\u00e7\u00e3o pactuada com o regime<\/strong><\/p>\n<p>As duas express\u00f5es pol\u00edticas opositoras mais conhecidas internacionalmente, a Irmandade Mu\u00e7ulmana (uma velha organiza\u00e7\u00e3o de ideologia fundamentalista isl\u00e2mica) e o diplomata Mohamed El Baradei (ex-presidente da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica) rec\u00e9m aderiram \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es, dias depois de terem iniciado. Agora participam e tratam de encabe\u00e7\u00e1-las, sendo parte das marchas para terem legitimidade pol\u00edtica. Tratam de canaliz\u00e1-las para uma negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com o regime e poder representar o movimento em futuras negocia\u00e7\u00f5es e composi\u00e7\u00f5es de governo.<\/p>\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es da imprensa, pouco antes de explodir a rebeli\u00e3o, a Irmandade Mu\u00e7ulmana realizava negocia\u00e7\u00f5es com o regime de Mubarak para apoiar a manobra de sucess\u00e3o pelo seu filho Gamal em troco da legaliza\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o. Recordemos que a Irmandade Mu\u00e7ulmana sempre defendeu o estabelecimento de um regime de ditadura teocr\u00e1tica ao estilo do Ir\u00e3o, ainda que agora reivindique a necessidade de respeitar as decis\u00f5es do povo eg\u00edpcio.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as perspectivas?<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds encontra-se num momento cr\u00edtico, nem Mubarak consegue governar nem as massas ainda o derrubaram: a rebeli\u00e3o popular tem enfraquecido o regime de Mubarak enquanto o Imperialismo e a oposi\u00e7\u00e3o burguesa buscam uma sa\u00edda que mantenham o Egipto no mesmo papel que cumpriu at\u00e9 hoje. Por sua parte, Mubarak, ao mesmo tempo em que prepara uma poss\u00edvel sa\u00edda do pa\u00eds (sua fam\u00edlia j\u00e1 se instalou em uma luxuosa casa de Londres), manobra para manter-se mais tempo no poder e, essencialmente, ter a chave de uma transi\u00e7\u00e3o parcial e controlada.<\/p>\n<p>As massas que ouviram o discurso televisivo de Mubarak, em que ele simplesmente anunciou que n\u00e3o se apresentaria para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es de Setembro, em plena mobiliza\u00e7\u00e3o e desafiando o toque de recolher, j\u00e1 lhe responderam com indigna\u00e7\u00e3o que n\u00e3o aceitam sua perman\u00eancia por mais tempo. Ante a for\u00e7a da mobiliza\u00e7\u00e3o a oposi\u00e7\u00e3o burguesa mant\u00e9m que negociar\u00e1 com o governo s\u00f3 se Mubarak sair. Vai depender das massas que seja varrido todo o regime Mubarak e que possam avan\u00e7ar mudando todo o sistema em benef\u00edcio dos trabalhadores e do povo. S\u00f3 com a tomada do poder pelos trabalhadores e o povo se poder\u00e1 garantir que o Egipto tome realmente medidas contra a mis\u00e9ria e a desocupa\u00e7\u00e3o e rompa com o Imperialismo e seu enclave na regi\u00e3o: Israel.<\/p>\n<p><strong>O Imperialismo quer manter sua influ\u00eancia a todo custo<\/strong><\/p>\n<p>O Imperialismo americano e tamb\u00e9m europeu sustentaram plenamente o regime de Mubarak e suas tr\u00eas d\u00e9cadas de ditadura. O seu desejo neste momento seria manter o regime como est\u00e1, mas a rebeli\u00e3o popular faz com que isso s\u00f3 seja poss\u00edvel com um salto repressivo e milhares de mortos como pedem os sionistas. Uma alternativa que hoje parece de alto risco pela poss\u00edvel reac\u00e7\u00e3o popular e a possibilidade de divis\u00f5es do ex\u00e9rcito. Por\u00e9m, n\u00e3o podemos descartar que Mubarak ordene essa repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse marco, o governo de Obama est\u00e1 a trabalhar com v\u00e1rias alternativas. Segundo as informa\u00e7\u00f5es da imprensa, uma op\u00e7\u00e3o est\u00e1 centrada na nomea\u00e7\u00e3o de Omar Suleim\u00e1n (ex-chefe de espionagem e de grande prest\u00edgio no ex\u00e9rcito), como vice-presidente. Este plano incluiria a sa\u00edda acordada de Mubarak, a subida de Suleim\u00e1n como presidente, descomprimir a situa\u00e7\u00e3o tratando de salvar o essencial do regime. Quer dizer, manter intacto o ex\u00e9rcito. As declara\u00e7\u00f5es de Hillary Clinton, pedindo &#8220;mudan\u00e7as&#8221;, e as da c\u00fapula militar dizendo que as reivindica\u00e7\u00f5es populares s\u00e3o &#8220;leg\u00edtimas&#8221; parecem ir neste caminho.<\/p>\n<p>Mohamed El Baradei poderia passar a ser tamb\u00e9m uma alternativa, apoiada pelo Imperialismo, postulando-se como cabe\u00e7a ou parte de um novo governo e tratando de &#8220;minimizar as perdas&#8221; do imperialismo.<\/p>\n<p>A proposta da Irmandade Mu\u00e7ulmana colocando a sua confian\u00e7a no general Samir Enan (chefe do Estado Maior do Ex\u00e9rcito), que tem boas rela\u00e7\u00f5es com os EUA, mostra como essa organiza\u00e7\u00e3o estaria disposta a pactuar com um regime e ser parte da transi\u00e7\u00e3o. O Imperialismo mostra-se disposto a conviver com o fundamentalismo enquanto aceitem o status quo internacional. Aconteceu com o governo isl\u00e2mico na Turquia, que manteve o seu pa\u00eds na NATO e ao servi\u00e7o do imperialismo.<\/p>\n<p><strong>Muitos elementos de crise no ex\u00e9rcito<\/strong><\/p>\n<p>Em qualquer caso, \u00e9 central o curso que tome o ex\u00e9rcito, de facto, a institui\u00e7\u00e3o central do regime. A sua c\u00fapula defende e \u00e9 parte dos grandes grupos econ\u00f3micos. Mas, ao mesmo tempo, ao funcionar com o sistema de servi\u00e7o militar, a sua base tem profundas liga\u00e7\u00f5es com os trabalhadores e o povo. Isso gera imensas contradi\u00e7\u00f5es na hora de reprimir, o que se expressou na incipiente confraterniza\u00e7\u00e3o entre as tropas e os manifestantes. Mas ainda, os oficiais e suboficiais que comandam os blindados at\u00e9 agora foram tolerantes com as manifesta\u00e7\u00f5es, no marco que tampouco houve uma ordem para reprimir a todo custo. Essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o para os planos do Imperialismo e a burguesia eg\u00edpcia e, tamb\u00e9m um claro alerta de que uma ordem de repress\u00e3o sangrenta, com a perspectiva de milhares de mortos, poderia dividi-los.<\/p>\n<p>Hoje o ex\u00e9rcito mant\u00e9m bastante prest\u00edgio e mostra-se como chave para a sa\u00edda negociada \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o em curso. Mas se os trabalhadores e o povo eg\u00edpcio avan\u00e7am, v\u00e3o ter que enfrentar esse ex\u00e9rcito, pois como todo ex\u00e9rcito de um estado burgu\u00eas est\u00e1 a servi\u00e7o de manter as propriedades e o regime de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chamamos as massas eg\u00edpcias a n\u00e3o depositarem nenhuma confian\u00e7a no ex\u00e9rcito como institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 o mesmo ex\u00e9rcito que foi, por d\u00e9cadas, a base da ditadura de Mubarak e cuja c\u00fapula se enriqueceu \u00e0 custa da fome do povo. Pelo contr\u00e1rio, o caminho \u00e9 desenvolver a confraterniza\u00e7\u00e3o entre os manifestantes e as tropas para conseguir uma divis\u00e3o de classe dentro do ex\u00e9rcito, entre a base popular e a c\u00fapula burguesa e desenvolver seus pr\u00f3prios organismos de autodefesa que permitam enfrentar a repress\u00e3o. Por exemplo, frente aos ataques da pol\u00edcia contra os manifestantes da pra\u00e7a Tahrir, consentido pelo ex\u00e9rcito, \u00e9 necess\u00e1rio que os manifestantes se organizem para repelir e impedir a repress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quem vai governar e para qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio impulsionar a auto-organiza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores e da juventude (em grande parte desempregada e sem futuro). Desenvolver os comit\u00e9s de autodefesa dos bairros populares que t\u00eam surgido, ligando-os \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es sindicais independentes e as da juventude que est\u00e3o a apelar \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es para que sejam organismos de poder revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O poder no Egipto hoje est\u00e1 em disputa, o que tender\u00e1 a resolver-se em poucos dias. Ou o regime de Mubarak consegue derrotar a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas e manter-se no poder ou as massas conseguem derrub\u00e1-lo de forma revolucion\u00e1ria. Se ocorrer essa alternativa a oposi\u00e7\u00e3o burguesa vai tentar ocupar esse espa\u00e7o vazio. Deve-se impedir que roubem a vit\u00f3ria dos trabalhadores e do povo. A organiza\u00e7\u00e3o 6 de abril, junto a todas as organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, de jovens e popular, deve organizar um encontro urgente dos trabalhadores e do povo que discuta um programa a servi\u00e7o das massas e tome o poder em suas m\u00e3os para lev\u00e1-lo a cabo.<\/p>\n<p>Essa revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 contra o actual regime, afectando tamb\u00e9m directamente o imperialismo dominante e objectivamente \u00e9 uma luta contra o capitalismo que os tem levado \u00e0 mis\u00e9ria. Esses grav\u00edssimos problemas que sofrem o povo eg\u00edpcio s\u00f3 poder\u00e3o ser resolvidos, de fundo, com a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista.<\/p>\n<p><strong>Um programa socialista para a revolu\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia e \u00e1rabe<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Chamamos a manter a luta pelo Fora Mubarak e seu regime ditatorial j\u00e1! N\u00e3o \u00e0s manobras nem os pactos para uma transi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o rompa com o Imperialismo e Israel!<\/li>\n<li>Por plenas liberdades democr\u00e1ticas, de imprensa, de comunica\u00e7\u00e3o, de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, plenos direitos sindicais para os trabalhadores incluindo o direito de greve!<\/li>\n<li>Desmantelamento imediato do aparato repressivo da ditadura! Justi\u00e7a e castigo aos repressores! Imediata liberdade a todos os presos pol\u00edticos!<\/li>\n<li>Por elei\u00e7\u00f5es livres imediatas! Pela convocat\u00f3ria de uma Assembleia Constituinte soberana com plenos poderes!<\/li>\n<li>Por um imediato aumento de sal\u00e1rios que cubra o custo da alimenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica!<\/li>\n<li>Por um plano econ\u00f3mico de emerg\u00eancia destinado a garantir trabalho para todos com a expropria\u00e7\u00e3o do banco e das multinacionais e grandes empresas!<\/li>\n<li>Fora o Imperialismo e Israel! Pela imediata abertura da fronteira com a Faixa de Gaza!<\/li>\n<li>Por um governo oper\u00e1rio e popular que garanta essas medidas!<\/li>\n<li>A revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe estende-se por v\u00e1rios pa\u00edses, \u00e9 necess\u00e1rio, para barrar o imperialismo e Israel, unir todas as lutas para recuperar a unidade da na\u00e7\u00e3o \u00e1rabe na perspectiva da constru\u00e7\u00e3o de uma grande Federa\u00e7\u00e3o de Rep\u00fablicas Socialistas \u00c1rabes.\n<p><strong>Fa\u00e7amos uma grande campanha internacional<\/strong><\/li>\n<li>Apelamos ao desenvolvimento de uma grande campanha de solidariedade e apoio \u00e0 luta do povo eg\u00edpcio e de todo o mundo \u00e1rabe. \u00c9 muito importante o desenvolvimento de grandes mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o mundo, especialmente nos centros imperialistas, onde h\u00e1 um grande n\u00famero de trabalhadores imigrantes \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos, pelo triunfo da revolu\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia e de todo o povo \u00e1rabe. Uma vit\u00f3ria do povo \u00e1rabe ser\u00e1 um impulso \u00e0s lutas dos trabalhadores, que em todo o planeta sofrem os estragos da crise econ\u00f3mica, que as burguesias e o imperialismo est\u00e3o fazendo cair sobre as costas dos trabalhadores e do povo.\n<p><strong>LIT-QI, 2 de Fevereiro de 2011<\/strong> <\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um processo revolucion\u00e1rio que se expande em todos os pa\u00edses \u00e1rabes. A partir da Tun\u00edsia, onde a mobiliza\u00e7\u00e3o popular derrubou o ditador Ben Al\u00ed, depois de 23 anos no poder, foi-se estendendo como um rastilho de p\u00f3lvora, provocando mobiliza\u00e7\u00f5es contra governos ditatoriais em v\u00e1rios pa\u00edses \u00e1rabes, laicos ou religiosos, &#8220;republicanas&#8221; ou mon\u00e1rquicas, desde a Maurit\u00e2nia at\u00e9 o I\u00e9mene, passando pela Arg\u00e9lia e Jord\u00e2nia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":395,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-396","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-medio-oriente"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/captur1.png?fit=640%2C430","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/396","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=396"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/396\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/395"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=396"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=396"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=396"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}