{"id":386,"date":"2011-01-15T12:20:14","date_gmt":"2011-01-15T11:20:14","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2011\/01\/15\/povo-na-rua-derruba-ditador-na-tunisia\/"},"modified":"2011-01-15T12:20:14","modified_gmt":"2011-01-15T11:20:14","slug":"povo-na-rua-derruba-ditador-na-tunisia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2011\/01\/15\/povo-na-rua-derruba-ditador-na-tunisia\/","title":{"rendered":"Povo na rua derruba ditador na Tun\u00edsia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-385\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/tunisia.gif?w=300\"  \/>Uma revolu\u00e7\u00e3o sacode o Magrebe e o mundo \u00e1rabe, com o centro na Tun\u00edsia, onde o povo conseguiu uma primeira grande vit\u00f3ria ao derrubar, no dia 14 de Janeiro, o presidente Ben Ali, o ditador que h\u00e1 23 anos se mantinha no poder. Durante mais de um m\u00eas, a popula\u00e7\u00e3o tunisina, em especial a juventude, v\u00edtima de um \u00edndice de desemprego de mais de 30%, mobilizou-se nas ruas de Tunes contra o aumento de pre\u00e7o dos alimentos, a corrup\u00e7\u00e3o e a falta de liberdade no pa\u00eds. As manifesta\u00e7\u00f5es, a exigir tamb\u00e9m a ren\u00fancia do presidente &#8211; &#8220;Ben Ali para a rua&#8221; ou &#8220;Ben Ali assassino&#8221;, eram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes -, foram reprimidas com extrema viol\u00eancia pelo ex\u00e9rcito e pela pol\u00edcia, provocando mais de 70 mortes.<\/p>\n<p>  <!--more-->  O desespero e a falta de perspectiva que tomavam conta do pa\u00eds ficaram evidentes quando um jovem  imolou-se na cidade de Sidi Bouzidi, em meados de Dezembro passado, um tr\u00e1gico exemplo seguido por outros. Fora a gota de \u00e1gua. A partir da\u00ed, a juventude resolveu ir para \u00e0s ruas e enfrentar a viol\u00eancia policial, no que foi acompanhada e apoiada pela maioria da popula\u00e7\u00e3o: n\u00e3o tinham nada a perder. O mesmo pensou o povo da vizinha Arg\u00e9lia, acossado por problemas id\u00eanticos &#8211; o desemprego cr\u00f3nico, o elevado pre\u00e7o dos alimentos e a falta de liberdade.<\/p>\n<p>\u00c0s manifesta\u00e7\u00f5es que rebentaram no pa\u00eds, o governo argelino respondeu com a tradicional for\u00e7a bruta, fazendo v\u00e1rios mortos e dezenas de feridos, mas ensaiou um recuo, baixando o pre\u00e7o de alguns produtos, a indiciar a sua preocupa\u00e7\u00e3o com a revolta popular. Mas esta n\u00e3o diminuiu: em Argel e muitas outras cidades, os populares saqueiam edif\u00edcios do governo e ag\u00eancias banc\u00e1rias e carros s\u00e3o queimados.<\/p>\n<p>Burguesia e militares tentam ganhar tempo<\/p>\n<p>Na Tun\u00edsia, o bando que controla o pa\u00eds est\u00e1 a tentar manobrar para manter-se no poder. Foi este o sentido do pronunciamento do primeiro-ministro  Mohammed Ghanouchi, que tentou assumir a Presid\u00eancia ap\u00f3s o afastamento de  Ben Ali (no que foi contrariado pelo Conselho Constitucional, que designou o presidente do Parlamento para esta fun\u00e7\u00e3o), prometendo elei\u00e7\u00f5es para dentro de 6 meses, ao mesmo tempo que mantinha o recolher obrigat\u00f3rio e o estado de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Por outro lado, o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros tunisino, Kamel Morjane, possivelmente com o aval do imperialismo franc\u00eas (a Fran\u00e7a \u00e9 o quarto maior investidor estrangeiro na Tun\u00edsia) e norte-americano (satisfeito com a coopera\u00e7\u00e3o do governo tunisino no combate ao &#8220;terrorismo&#8221;), que sempre apoiaram Ben Ali e s\u00f3 passaram a critic\u00e1-lo nas v\u00e9speras da sua queda, prop\u00f5e a forma\u00e7\u00e3o de um governo de unidade nacional.<\/p>\n<p>Acontece que  o primeiro-ministro Mohammed Ghanouchi, assim como todos os governantes e sectores beneficiados durante os 23 anos da ditadura de Ben Ali, n\u00e3o s\u00e3o neutros, pelo contr\u00e1rio, fizeram toda a sua carreira pol\u00edtica \u00e0 sombra do ditador e n\u00e3o querem renunciar ao poder e aos seus privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>A tentativa da burguesia e dos militares agora, com o apoio do imperialismo, \u00e9 ganhar tempo para derrotar a revolta popular e fazer com que tudo volte ao mesmo. Por um lado, apontando para long\u00ednquas elei\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo que, com a desculpa de impedir a ac\u00e7\u00e3o dos saqueadores, reprime e impede novas mobiliza\u00e7\u00f5es nas ruas.<\/p>\n<p>Mas \u2013 e isso \u00e9 o que mais teme a burguesia \u00e1rabe e o imperialismo \u2013 a revolu\u00e7\u00e3o tunisina pode ser o in\u00edcio de uma revolu\u00e7\u00e3o ainda maior: a revolu\u00e7\u00e3o do povo \u00e1rabe, farto de governantes corruptos, ditatoriais e fantoches do imperialismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o sacode o Magrebe e o mundo \u00e1rabe, com o centro na Tun\u00edsia, onde o povo conseguiu uma primeira grande vit\u00f3ria ao derrubar, no dia 14 de Janeiro, o presidente Ben Ali, o ditador que h\u00e1 23 anos se mantinha no poder. 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