{"id":372,"date":"2010-12-11T14:44:36","date_gmt":"2010-12-11T13:44:36","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/12\/11\/rebeliao-dos-estudantes-em-inglaterra-e-italia\/"},"modified":"2010-12-11T14:44:36","modified_gmt":"2010-12-11T13:44:36","slug":"rebeliao-dos-estudantes-em-inglaterra-e-italia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/12\/11\/rebeliao-dos-estudantes-em-inglaterra-e-italia\/","title":{"rendered":"Rebeli\u00e3o dos estudantes em Inglaterra e It\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-371\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/estudantesinglesesparasite.jpg?w=300\"  \/>A Inglaterra vive dias de f\u00faria. No dia 9 de Dezembro, em meio a grandes e radicais protestos estudantis (<em>ver galeria de fotos na sec\u00e7\u00e3o Imagens e o v\u00eddeo<\/em>), duramente reprimidos pela pol\u00edcia, o governo brit\u00e2nico conseguiu aprovar no Parlamento, por 323 votos contra 302, uma medida que permite aumentar as propinas cobradas pelas universidades do pa\u00eds. Actualmente, a propina \u00e9 de cerca de 3 mil libras, mas, com a medida, vai passar para at\u00e9 9 mil libras, isto \u00e9, triplicar o seu valor.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>  <!--more-->  As manifesta\u00e7\u00f5es dos estudantes contra a lei do governo conservador j\u00e1 haviam come\u00e7ado semanas antes, em diversos locais do pa\u00eds. No dia 9, por\u00e9m, milhares de manifestantes fizeram passeatas pelo centro de Londres e se concentraram em frente ao Parlamento (C\u00e2mara dos Comuns). Eles carregavam faixas e placas com a mensagem &#8220;a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 venda&#8221;. <\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo o pr\u00edncipe Charles e a sua esposa, Camilla, sentiram a f\u00faria dos jovens. O carro do casal real foi cercado no momento em que se dirigia ao London Palladium. Um vidro do ve\u00edculo foi quebrado pelos manifestantes e a realeza foi obrigada a ir ao teatro num carro da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>A Oxford Street, famosa rua londrina, tamb\u00e9m sentiu a f\u00faria. V\u00e1rias janelas e portas dos bancos foram quebradas. Manifestantes conseguiram incendiar os bancos da pra\u00e7a que fica diante do Parlamento e tamb\u00e9m arrebentaram a porta do Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as e lutaram com a pol\u00edcia no interior do pr\u00e9dio. Outros grupos escreveram em paredes e atiraram blocos de concreto e peda\u00e7os de ferro para quebrar janelas. V\u00e1rios analistas at\u00e9 comparam a radicalidade dos protestos \u00e0s jornadas de luta protagonizadas pela juventude francesa no m\u00eas de Outubro.<\/p>\n<p><strong>Crise pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Os protestos abriram uma crise pol\u00edtica no governo. A coliga\u00e7\u00e3o entre liberais-democratas (os lib-dem) e conservadores ficou diante de uma encruzilhada depois que 21 deputados lib-dem \u2013 do partido do vice-primeiro-ministro Nick Cleg \u2013 negaram-se a votar a favor da medida do governo. Oito parlamentares abstiveram-se. Eles argumentaram que tinham prometido durante as elei\u00e7\u00f5es que n\u00e3o elevariam o custo das propinas. Al\u00e9m disso, tr\u00eas ministros do governo renunciaram. Na \u00e9poca das elei\u00e7\u00f5es, o Partido Conservador do primeiro-ministro David Cameron conquistou o maior n\u00famero de cadeiras, mas n\u00e3o o suficiente para governar com maioria, o que o levou a formar o governo com os lib-dem.<\/p>\n<p>A medida do governo \u00e9 uma resposta ao imenso d\u00e9fice fiscal do estado brit\u00e2nico, registado depois que o anterior governo trabalhista, com o apoio dos conservadores e dos democratas liberais, despejou bili\u00f5es de euros no sistema financeiro para salvar os bancos da crise.<\/p>\n<p>O governo ingl\u00eas aprovou um pacote de quatro anos de cortes de gastos no valor aproximado de 81 mil milh\u00f5es de libras. Al\u00e9m de aumentar o valor das propinas para os estudantes universit\u00e1rios, o governo tamb\u00e9m anunciou que vai despedir meio milh\u00e3o de funcion\u00e1rios p\u00fablicos. A luta dos estudantes vai continuar e deve combinar-se com a luta dos trabalhadores contra os despedimentos, desafiando o governo conservador.<\/p>\n<p><strong>Site do PSTU\/Brasil<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong>Batalha nas ruas de Roma<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&#8220;Que nos devolvam o nosso futuro!&#8221;: este \u00e9 o grito de guerra lan\u00e7ado pelas massas de estudantes do secund\u00e1rio, universit\u00e1rios, pesquisadores e professores que, nesses \u00faltimos dias, est\u00e3o a invadir as ruas das cidades de toda a It\u00e1lia. De hora em hora, o protesto difunde-se com rapidez, enquanto na C\u00e2mara discute-se o projecto de lei Gelmini (de autoria de Mariastella Gelmini, ministra da Educa\u00e7\u00e3o do governo Berlusconi e do partido de ultra-direita For\u00e7a It\u00e1lia), sobre a reforma da Universidade. Um protesto que est\u00e1 a assumir cada vez mais o aspecto de um verdadeiro choque frontal, estalando de norte a sul e pondo a dura prova a resist\u00eancia de um sistema irremediavelmente destinado a cair.<\/p>\n<p><strong>Os estudantes atacam o Senado<\/strong><\/p>\n<p>O auge da audaciosa luta levada adiante pelos estudantes contra o projecto de lei Gelmini foi a tentativa de um numeroso grupo de estudantes de penetrar pela for\u00e7a no Palazzo Madama, sede do Senado da Rep\u00fablica. A ac\u00e7\u00e3o desenvolveu-se depois de uma marcha pelas ruas de Roma, na qual participaram muitos docentes, pesquisadores, universit\u00e1rios e trabalhadores de todo a educa\u00e7\u00e3o e das universidades p\u00fablicas. Durante o acto, que terminou em frente \u00e0 C\u00e2mara, foram lan\u00e7ados ovos e pedras contra a sede da Confer\u00eancia dos Reitores das universidades italianas e contra os pol\u00edcias anti-motim.<\/p>\n<p>Os estudantes encarregaram-se uma e outra vez de atravessar o cord\u00e3o policial, enfrentado os &#8220;fi\u00e9is servidores&#8221; da ordem burguesa pelas ruas do centro, entre a Rua do Curso e o Montecitorio (sede da C\u00e2mara de Deputados). Finalmente, um grupo de estudantes combativos, ao distanciar-se dos demais manifestantes, tentou ocupar o corredor do Senado, mas foi expulso com pontap\u00e9s. No fim, o balan\u00e7o foi de dezenas de estudantes feridos, depois de numerosas cargas policiais.<\/p>\n<p><strong>De Norte a Sul o protesto n\u00e3o p\u00e1ra<\/strong><\/p>\n<p>Os choques registados em Roma s\u00e3o apenas um dos momentos de um per\u00edodo de lutas que se abriu com inesperada radicaliza\u00e7\u00e3o (na realidade, n\u00f3s a esper\u00e1vamos h\u00e1 muito tempo). Nestes dias, em Turim, est\u00e1 em curso a ocupa\u00e7\u00e3o do Palazzo Nuovo, enquanto em Pisa numerosos estudantes universit\u00e1rios ocuparam as pontes do rio Arno, interrompendo o tr\u00e2nsito regular. Tamb\u00e9m houve ocupa\u00e7\u00f5es de coberturas por estudantes e professores em Perugia e Salerno, enquanto em Palermo foram ocupadas dezasseis escolas de ensino superior, juntamente com outras faculdades universit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Tudo isto apesar dos ataques de Gelmini, que finge ignorar os protestos, definindo-os como &#8220;velhos rituais&#8221;, e do ministro do interior Roberto Maroni, que assegurou, de hoje em diante, uma mais eficaz rede de seguran\u00e7a (isto \u00e9, mais equipes repressivas armadas de cassetetes). O presidente do Senado, claramente atemorizado pela subleva\u00e7\u00e3o estudantil, falou de &#8220;agress\u00e3o maldosa&#8221;, encobrindo as cont\u00ednuas viol\u00eancias das for\u00e7as de ordem.<\/p>\n<p>Apesar de o sistema medi\u00e1tico, instrumento de incr\u00edvel efic\u00e1cia nas m\u00e3os dos patr\u00f5es, dar inclusive pouca visibilidade a essas lutas cada vez mais fortes, estudantes e trabalhadores demonstraram claramente que querem continuar esse caminho, combatendo sem se renderem \u00e0s intimida\u00e7\u00f5es que continuam a ser feitas pelo governo e pelos poderes do Estado.<\/p>\n<p><strong>Organizar as lutas contra os cortes do capitalismo<\/strong><\/p>\n<p>O Partido de Alternativa Comunista (PdAC, sec\u00e7\u00e3o italiana da Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional) apoia e impulsiona os protestos dos estudantes e pesquisadores. Estas lutas, em vias de expans\u00e3o, s\u00e3o sem d\u00favida um dado estimulante. Mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso analisar objectivamente a situa\u00e7\u00e3o actual. Uma situa\u00e7\u00e3o que demonstra uma grande fragmenta\u00e7\u00e3o e uma falta de direc\u00e7\u00e3o que, com o tempo, se revelar\u00e3o nocivos para as pr\u00f3prias causas pelas quais os estudantes e os trabalhadores est\u00e3o a lutar.<\/p>\n<p>Com efeito, a hist\u00f3ria mostrou-nos que, sem uma direc\u00e7\u00e3o que organize e unifique as diferentes lutas realizadas neste per\u00edodo, cada revolta estar\u00e1 destinada a perder-se e a abrir espa\u00e7o para as contra-reformas do governo, em que empres\u00e1rios e banqueiros fazem com que a classe trabalhadora pague a sua crise.<\/p>\n<p>Esta direc\u00e7\u00e3o tem de ser um partido revolucion\u00e1rio, um partido que seja o impulsionador de uma oposi\u00e7\u00e3o frontal ao sistema capitalista em dissolu\u00e7\u00e3o. Um partido que temos de construir para unificar todos os protestos, toda a raiva que est\u00e1 a levantar oper\u00e1rios, estudantes, docentes, pesquisadores, imigrantes e prec\u00e1rios de cada sector laboral. Um partido para poder varrer definitivamente toda a podrid\u00e3o produzida pela crise do capitalismo: o partido da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p><strong>Adriano Lotito, da It\u00e1lia, membro dos colectivos de estudantes de ensino secund\u00e1rio na luta contra os cortes.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Inglaterra vive dias de f\u00faria. No dia 9 de Dezembro, em meio a grandes e radicais protestos estudantis (ver galeria de fotos na sec\u00e7\u00e3o Imagens e o v\u00eddeo), duramente reprimidos pela pol\u00edcia, o governo brit\u00e2nico conseguiu aprovar no Parlamento, por 323 votos contra 302, uma medida que permite aumentar as propinas cobradas pelas universidades do pa\u00eds. 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