{"id":3665,"date":"2022-05-15T12:11:00","date_gmt":"2022-05-15T11:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/?p=3665"},"modified":"2022-05-15T13:10:47","modified_gmt":"2022-05-15T12:10:47","slug":"nakba-74-anos-de-uma-catastrofe-que-nunca-foi-um-acidente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2022\/05\/15\/nakba-74-anos-de-uma-catastrofe-que-nunca-foi-um-acidente\/","title":{"rendered":"NAKBA &#8211; 74 anos de uma cat\u00e1strofe que nunca foi um acidente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, 15 de Maio, passam 74 anos desde a declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia que consagrou a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Em 1947, a Palestina hist\u00f3rica, sob ocupa\u00e7\u00e3o inglesa, contava com uma popula\u00e7\u00e3o que era em mais de dois ter\u00e7os \u00e1rabe palestiniana e a restante, predominantemente, judia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de sete d\u00e9cadas volvidas, os palestinianos s\u00e3o um quinto de quem habita o Estado de Israel, legalmente privados de direitos civis elementares, encontrando-se os restantes e seus descendentes cercados, guetizados e bombardeados na Cisjord\u00e2nia e Faixa de Gaza, ou dispersos pelo resto do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Como e porqu\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No s\u00e9culo XIX, uma corrente minorit\u00e1ria, entre a comunidade judia internacional, politicamente organizada, criou e fez crescer o sionismo moderno. Uma ideia segundo a qual, os judeus deveriam reclamar um direito hist\u00f3rico \u00e0 terra da Palestina, colonizando-a e afastando a popula\u00e7\u00e3o l\u00e1 residente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este movimento foi considerado bastante \u00fatil, pelas principais pot\u00eancias mundiais, umas d\u00e9cadas mais tarde, j\u00e1 em pleno s\u00e9culo XX. Estas veriam aqui uma oportunidade para estabelecer um regime aliado que pudesse cumprir um papel de posto avan\u00e7ado numa regi\u00e3o que, com o fim do imp\u00e9rio otomano, se fragmentava em diferentes unidades que reclamavam a sua auto-determina\u00e7\u00e3o e eram, por isso, hostis aos interesses dos imperialismos ingl\u00eas (Palestina, Jord\u00e2nia e Iraque) e franc\u00eas (L\u00edbano e S\u00edria).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, projectou-se retalhar aquela zona entre uma p\u00e1tria nacional judia e um estado \u00e1rabe, com Jerusal\u00e9m tendo um estatuto especial misto a ser administrado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que esta nova \u201cp\u00e1tria judia\u201d fosse, demograficamente, sustent\u00e1vel, ou seja, para que se garantisse que a maioria da popula\u00e7\u00e3o fosse efectivamente judia, nos meses anteriores \u00e0 da independ\u00eancia, em 1948, as mil\u00edcias e for\u00e7as militares sionistas iniciaram uma limpeza \u00e9tnica de grande parte das cidades e vilas palestinianas, conduzindo \u00e0 expuls\u00e3o de mais de 80% desta popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram ent\u00e3o implementadas leis que, por um lado, negaram aos palestinianos o direito a reentrarem no seu territ\u00f3rio e, por outro, expropriaram as terras e casas daqueles mesmos palestinianos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este sistema legal, de base racista, vigora at\u00e9 aos dias de hoje, podendo ser ilustrado com o seguinte exemplo de dois cidad\u00e3os portugueses, nascidos em Portugal. O cidad\u00e3o portugu\u00eas A, filho de palestinianos, expulsos da Palestina, em 1948, n\u00e3o pode, mesmo detendo nacionalidade e passaporte portugueses, visitar a terra dos pais. O cidad\u00e3o portugu\u00eas B, judeu, certificado por um rabi (autoridade religiosa), pode n\u00e3o s\u00f3 visitar, como obter cidadania israelita e viver no local de onde foi expulsa a fam\u00edlia do cidad\u00e3o A. Por outro lado, para os cerca de 20% de cidad\u00e3os israelitas, de ascend\u00eancia palestiniana (com origem nas fam\u00edlias que n\u00e3o foram expulsas), contam com v\u00e1rias dezenas de leis que os discriminam negativamente. Este mesmo ano de 2018, no contexto da deriva autorit\u00e1ria e de extrema-direita do actual Governo israelita, foi aprovada uma emenda \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o que reitera Israel como Estado-na\u00e7\u00e3o judeu e consagra a minoria palestiniana como cidad\u00e3os de segunda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como a natureza do Estado israelita n\u00e3o se satisfaz com as fronteiras que lhe foram inicialmente atribu\u00eddas, a sua expans\u00e3o, com a expuls\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o de palestinianos, tamb\u00e9m se mant\u00e9m at\u00e9 aos dias de hoje. V\u00e1rias d\u00e9cadas ap\u00f3s a descoloniza\u00e7\u00e3o oficial de \u00c1frica pelos Estados europeus, em pleno s\u00e9culo XXI, Israel promove a coloniza\u00e7\u00e3o de terras retiradas aos palestinianos por indiv\u00edduos de cidadania israelita. Este mesmo ano de 2018, foram demolidas 167 estruturas, propriedade de palestinianos, segundo dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nada desta din\u00e2mica seria poss\u00edvel sem os 6 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares de ajuda militar que, todos os anos, os Estados Unidos destinam a Israel. O mesmo se aplica \u00e0 cobertura pol\u00edtica e diplom\u00e1tica que \u00e9 dada a Israel pelos Estados com mais peso no cen\u00e1rio internacional, nomeadamente os europeus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o justa e democr\u00e1tica para este \u201cconflito\u201d, sem ter em conta o direito ao regresso dos palestinianos expulsos, assim como os seus descendentes, ou o fim do <em>apartheid<\/em> legal que vigora e vai sendo refor\u00e7ado, actualmente, no Estado de Israel e territ\u00f3rios por ele ocupados. N\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o justa e democr\u00e1tica que inclua um estado racista e colonialista que serve de posto avan\u00e7ado do imperialismo no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 partindo de um boicote, que os trabalhadores solid\u00e1rios de todos os pa\u00edses, podem lutar pelo fim deste apoio e por san\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am desmoronar o estado racista, para que se erga, no seu lugar, uma Palestina multi\u00e9tnica, laica, democr\u00e1tica e inclusiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E hoje, frente mais um massacre de Israel, \u00e9 necess\u00e1rio mobilizar-se nas ruas para impedir mais um genoc\u00eddio de palestinianos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, 15 de Maio, passam 74 anos desde a declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia que consagrou a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. 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