{"id":366,"date":"2010-12-07T01:20:02","date_gmt":"2010-12-07T00:20:02","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/12\/07\/governo-espanhol-tenta-criminalizar-a-luta-contra-os-planos-de-austeridade\/"},"modified":"2010-12-07T01:20:02","modified_gmt":"2010-12-07T00:20:02","slug":"governo-espanhol-tenta-criminalizar-a-luta-contra-os-planos-de-austeridade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/12\/07\/governo-espanhol-tenta-criminalizar-a-luta-contra-os-planos-de-austeridade\/","title":{"rendered":"Governo espanhol tenta criminalizar a luta contra os planos de austeridade"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-365\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/controladoressite.jpg?w=300\"  \/>A greve dos controladores de voo espanh\u00f3is, nos dias 3 e 4 de Dezembro, contra medidas do governo Zapatero que atacam as suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho deve ter a solidariedade de todos os trabalhadores portugueses e europeus. O governo espanhol quer aumentar o hor\u00e1rio de trabalho desses profissionais, assim como cortar-lhes o pagamento de horas extraordin\u00e1rias e o abono de faltas em caso de morte de familiares, entre outras medidas. Esses ataques t\u00eam como pano de fundo a privatiza\u00e7\u00e3o da AENA, a empresa que gere os aeroportos do Estado Espanhol.<\/p>\n<p \/>  <!--more-->  A ofensiva do governo Zapatero contra os direitos dos controladores de voo integra-se no plano de austeridade que est\u00e1 a aplicar contra o conjunto da classe trabalhadora daquele pa\u00eds, com o aumento da idade da reforma para os 67 anos, o fim da negocia\u00e7\u00e3o colectiva, cortes nos servi\u00e7os p\u00fablicos e sal\u00e1rios da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e nas presta\u00e7\u00f5es sociais. Plano semelhante aos j\u00e1 aprovados em Portugal e em todos os pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p><strong>Repress\u00e3o \u00e0 greve<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 mais um ano que os controladores de voo lutam contra as medidas do governo, que acabaram por ser aprovadas pelo Conselho de Ministros e transformadas em decreto-lei. Indignados, os trabalhadores paralisaram o trabalho, alegando problemas de sa\u00fade, e provocaram o encerramento do espa\u00e7o a\u00e9reo espanhol. Imediatamente o governo come\u00e7ou a repress\u00e3o. Primeiro convocou os militares para assumir o comando das opera\u00e7\u00f5es de tr\u00e1fego a\u00e9reo, ao mesmo tempo em que amea\u00e7ava os controladores com a aplica\u00e7\u00e3o de puni\u00e7\u00f5es previstas no C\u00f3digo Penal, como multas e suspens\u00e3o do servi\u00e7o por at\u00e9 oito anos.<\/p>\n<p>A seguir, decretou o estado de alerta, pela primeira vez desde a restaura\u00e7\u00e3o da democracia no pa\u00eds, para enquadrar os controladores a\u00e9reos no c\u00f3digo penal militar, que prev\u00ea penas de pris\u00e3o de at\u00e9 oito anos caso n\u00e3o assumissem os seus postos. Em simult\u00e2neo com essas iniciativas dignas de uma ditadura, o governo do PSOE, com o apoio do l\u00edder da direita, Mariano Rajoy (PP), e da imprensa, inicia uma intensa campanha medi\u00e1tica para jogar a opini\u00e3o p\u00fablica contra os trabalhadores. Como se a responsabilidade pelas consequ\u00eancias provocadas pela greve fosse dos controladores e n\u00e3o do governo.<\/p>\n<p>As medidas repressivas do governo n\u00e3o visam s\u00f3 os controladores de voo, mas toda a classe trabalhadora espanhola. Com elas, o governo quer amedrontar os trabalhadores para desestimul\u00e1-los de lutar.<\/p>\n<p><strong>Trai\u00e7\u00e3o das centrais sindicais<\/strong><\/p>\n<p>O mais vergonhoso foi a atitude das centrais sindicais no epis\u00f3dio. O secret\u00e1rio-geral da Federa\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os P\u00fablico da CC.OO (Comiss\u00f5es Oper\u00e1rias), Enrique Fossoul, considerou a resposta dos controladores &#8220;uma barbaridade&#8221; e injustific\u00e1vel.<\/p>\n<p>O porta-voz da UGT na AENA, Ra\u00fal G\u00f3mez, tamb\u00e9m n\u00e3o apoiou os trabalhadores, limitando-se a dizer que a reac\u00e7\u00e3o dos controladores responde \u00e0 &#8220;postura desmedida&#8221; do governo. O porta-voz da Uni\u00e3o Sindical Obrera (USO), Jos\u00e9 Via, chegou a advertir os trabalhadores de que aquela &#8220;greve selvagem&#8221; &#8220;ir\u00e1 contra&#8221; os seus pr\u00f3prios interesses. &#8220;Estamos de acordo com os protestos, mas n\u00e3o com o procedimento&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso prosseguir a luta<\/strong><\/p>\n<p>Com a repress\u00e3o desencadeada pelo governo e com dirigentes sindicais como esses, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que os controladores de voo tenham voltado ao trabalho. Dirigentes sindicais que, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de uma forte greve geral, a 29 de Setembro \u00faltimo, recusam-se a propor um calend\u00e1rio de lutas e convocar uma nova greve geral que d\u00ea prosseguimento \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o contra o governo e o seus planos de austeridade.<\/p>\n<p>Como analisa Corriente Roja (www.corrienteroja.net) neste excerto do seu editorial de Dezembro:<\/p>\n<p>&#8220;O aparato dirigente de CC.OO e UGT vem mantendo um pesado compasso de espera desde o 29 de Setembro, com o objectivo de esfriar e desmoralizar os milh\u00f5es que sa\u00edram \u00e0 luta, e se limitou a convocar uma manifesta\u00e7\u00e3o ao fim de tr\u00eas meses, sem abrir perspectiva alguma, enquanto implora ao Governo alguma concess\u00e3o para reiniciar um di\u00e1logo social imposs\u00edvel e corre a negociar os dinheiros da Forma\u00e7\u00e3o Cont\u00ednua!<\/p>\n<p>Mas o esfor\u00e7o dos milh\u00f5es de trabalhadores que participaram na greve de 29 de Setembro n\u00e3o pode ser malogrado, nem as suas esperan\u00e7as frustradas. \u00c9 preciso unir todas as for\u00e7as para obrigar o governo a recuar, para p\u00f4r em marcha um plano de lutas que inclua a convocat\u00f3ria de uma nova greve geral e a manuten\u00e7\u00e3o do protesto massivo at\u00e9 a retirada dos planos de austeridade. Uma plano de lutas que exige a uni\u00e3o das for\u00e7as com os trabalhadores portugueses, franceses, gregos&#8230; numa greve geral europeia contra a Uni\u00e3o Europeia e os governo, em defesa de uma alternativa oper\u00e1ria \u00e0 crise.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A greve dos controladores de voo espanh\u00f3is, nos dias 3 e 4 de Dezembro, contra medidas do governo Zapatero que atacam as suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho deve ter a solidariedade de todos os trabalhadores portugueses e europeus. O governo espanhol quer aumentar o hor\u00e1rio de trabalho desses profissionais, assim como cortar-lhes o pagamento de horas extraordin\u00e1rias e o abono de faltas em caso de morte de familiares, entre outras medidas. 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