{"id":364,"date":"2010-11-28T22:16:13","date_gmt":"2010-11-28T21:16:13","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/11\/28\/a-violencia-contra-a-mulher-trabalhadora-nao-para\/"},"modified":"2010-11-28T22:16:13","modified_gmt":"2010-11-28T21:16:13","slug":"a-violencia-contra-a-mulher-trabalhadora-nao-para","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/11\/28\/a-violencia-contra-a-mulher-trabalhadora-nao-para\/","title":{"rendered":"A viol\u00eancia contra a mulher trabalhadora n\u00e3o p\u00e1ra"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-363\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/mulheresemcachemira.jpg?w=300\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/mulheresemcachemira.jpg?w=300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/mulheresemcachemira.jpg?resize=222%2C300 222w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Em 1981, celebrou-se em Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia, o Primeiro Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe. Neste, escolheu-se o 25 de Novembro como o Dia Internacional da N\u00e3o Viol\u00eancia contra as Mulheres, em homenagem \u00e0s tr\u00eas irm\u00e3s Mirabal, activistas pol\u00edticas da Rep\u00fablica Dominicana que foram brutalmente assassinadas em 1960, durante a ditadura de Rafael Le\u00f3nidas Trujillo. Em 1999, a ONU ratificou esta data para assinalar o Dia Internacional da Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra a Mulher. <\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, em vez de diminuir, a viol\u00eancia contra a mulher tem alcan\u00e7ado n\u00edveis de pandemia, conforme an\u00e1lise da pr\u00f3pria ONU. Segundo dados de Outubro de 2010, 59% das mulheres &#8220;sofrem diferentes tipos de viol\u00eancia f\u00edsica, sexual, psicol\u00f3gica e econ\u00f3mica dentro das suas casas&#8221;. No Brasil, a cada quatro minutos, uma mulher \u00e9 agredida e golpeada na sua pr\u00f3pria casa e, por dia, dez s\u00e3o assassinadas. Quase sempre, o cad\u00e1ver desaparece, sendo por vezes lan\u00e7ado a um rio, outras vezes escondido ou mesmo atirado aos c\u00e3es. Em todos os casos, as v\u00edtimas j\u00e1 tinham denunciado \u00e0 pol\u00edcia a viol\u00eancia de que estavam a ser v\u00edtimas e recorreram \u00e0 lei, mas n\u00e3o obtiveram salvaguardas.<\/p>\n<p \/>  <!--more-->  Em pa\u00edses como Col\u00f4mbia, Rep\u00fablica Dominicana, Jamaica ou Venezuela, a taxa de pobreza das casas em que as mulheres s\u00e3o chefes de fam\u00edlia \u00e9 5% maior do que naquelas chefiadas por homens, sendo tais \u00edndices ainda mais elevados em El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicar\u00e1gua e Peru. Acrescenta-se a isto o facto de que, a cada ano no mundo, um milh\u00e3o de menores e outro milh\u00e3o de mulheres transformam-se em escravos sexuais.<\/p>\n<p>No mundo, uma em cada quatro mulheres j\u00e1 foi violada em algum momento de sua vida e, aproximadamente, 120 milh\u00f5es sofreram mutila\u00e7\u00f5es genitais. Principalmente as mulheres e meninas t\u00eam sido, como em tempos passados, v\u00edtimas de guerra nos conflitos armados da \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e Europa. Na Col\u00f4mbia, conforme a revista Semana, dos ataques sexuais contra as mulheres, praticados entre 1993 e 2008, 58% foram cometidos por p\u00e1ra-militares, 23% por integrantes da For\u00e7a P\u00fablica e 8% por guerrilheiros.<\/p>\n<p>Apesar de existirem leis que protegem as mulheres nestes pa\u00edses, a impunidade vence, especialmente naqueles denominados &#8220;em desenvolvimento&#8221;. Tal se demonstra com os casos mencionados do Brasil, com os assassinatos sistem\u00e1ticos da cidade Ju\u00e1rez, no M\u00e9xico, com os recentes assassinatos e viola\u00e7\u00f5es a meninas perpetuados na Arauca, Col\u00f4mbia, por um membro das FFMM, ou, ainda, as viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de mulheres realizadas por agentes dos capacetes azuis da ONU, na Som\u00e1lia e no Haiti.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f3mica mundial tem levado cerca de 60 milh\u00f5es de trabalhadores ao desemprego e \u00e0 pobreza. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f3micos (OCDE), a falta de emprego afectar\u00e1 os grupos mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o mundial, isto \u00e9, jovens, imigrantes, trabalhadores tempor\u00e1rios e mulheres. Se tomarmos em conta que entre jovens, trabalhadores tempor\u00e1rios e imigrantes grande parte deles s\u00e3o mulheres, podemos perceber que estas est\u00e3o a suportar a pior fatia da crise.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o, o capitalismo ataca os sectores mais d\u00e9beis da sociedade. Os fatos demonstram que esta sociedade capitalista e patriarcal nunca proteger\u00e1 satisfatoriamente as mulheres, em especial, as trabalhadoras e as pobres que s\u00e3o as mais atingidas. Podemos conseguir leis, mas depois estas n\u00e3o s\u00e3o aplicadas. Mais uma raz\u00e3o para acabar com o capitalismo, pois n\u00e3o erradicamos definitivamente esta viol\u00eancia at\u00e9 que ele seja derrotado e substitu\u00eddo por uma sociedade socialista, sem explora\u00e7\u00e3o, nem opress\u00e3o, e onde a igualdade e a solidariedade reinem entre homens e mulheres.<\/p>\n<p><strong>A criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 outra forma de viol\u00eancia contra a mulher<\/strong><\/p>\n<p>A sociedade capitalista condena a mulher que realiza um aborto. Essa mesma sociedade que a condena tamb\u00e9m tem oprimido a sexualidade feminina no espa\u00e7o p\u00fablico e privado, prostitu\u00eddo a mulher e a utilizado como objecto sexual, ao mesmo tempo em que a censura quando exerce a sua sexualidade livremente. A grande maioria dos pa\u00edses n\u00e3o garante uma educa\u00e7\u00e3o sexual adequada nas escolas, muito menos assegura contraceptivos de forma gratuita.<\/p>\n<p>Deseja-se manter as mulheres submissas face \u00e0s falsas ideologias da classe dominante e dos sectores mais conservadores da sociedade; de modo consciente, nega-lhes o conhecimento e o dom\u00ednio do seu pr\u00f3prio corpo, de sua sexualidade e o controlo da reprodu\u00e7\u00e3o; n\u00e3o somente para preservar o machismo como mecanismo de opress\u00e3o, mas tamb\u00e9m para perpetuar a explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra feminina, mais barata que a masculina.<\/p>\n<p>As mulheres da classe trabalhadora e dos sectores mais pobres da sociedade, condenadas a ter filhos de gravidezes n\u00e3o desejadas, n\u00e3o podem proporcionar-lhes as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es materiais e emocionais para um desenvolvimento harm\u00f3nico. O sistema capitalista vitima estas crian\u00e7as, tornando-as presas f\u00e1ceis dos piores males da sociedade: a delinqu\u00eancia, a depend\u00eancia de drogas ou o desemprego.<\/p>\n<p>O n\u00famero de abortos clandestinos e de mortes de mulheres ligadas a tentativas mal-sucedidas de interrup\u00e7\u00e3o da gravidez confirmam que a criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto em nome da defesa da vida n\u00e3o passa de um argumento hip\u00f3crita. Vejamos os n\u00fameros: no mundo existem 75 milh\u00f5es de gravidezes n\u00e3o desejadas por ano e 50 milh\u00f5es de abortos induzidos, 20 milh\u00f5es de abortos feitos em condi\u00e7\u00f5es de risco e 600 mil mortes maternas.<\/p>\n<p>O papel da Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 especialmente nefasto. Institui\u00e7\u00e3o que acolhe abusadores de mulheres e crian\u00e7as, n\u00e3o apenas combate a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, como tamb\u00e9m o uso de preservativos, condenando os seus jovens adeptos a contrair SIDA.<\/p>\n<p>Por outro lado, nos trabalhos prec\u00e1rios, os \u00fanicos aos quais grande parte das trabalhadoras jovens t\u00eam acesso, a gravidez se torna causa imediata de despedimento, como ocorre frequentemente na Argentina. Tornando-se mais uma forma de viol\u00eancia contra a mulher que almeja ser m\u00e3e.<\/p>\n<p>As mulheres trabalhadoras e pobres, junto com os nossos companheiros, podemos aproveitar este 25 de Novembro para estimular a constru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de que a viol\u00eancia e os maltratos s\u00e3o mecanismos de opress\u00e3o para sustentar a explora\u00e7\u00e3o do sistema capitalista contra milhares de milh\u00f5es de trabalhadoras e pobres do mundo. Esta data deve ser convertida num dia de luta e mobiliza\u00e7\u00e3o pelo direito ao aborto seguro e gratuito quando a mulher n\u00e3o deseje a maternidade; contra o despedimento de trabalhadoras gr\u00e1vidas; pelo direito a um sal\u00e1rio igual entre homens e mulheres, digno para viver e educar os filhos em boas condi\u00e7\u00f5es. Pelas garantias para os filhos e educa\u00e7\u00e3o gratuita, incluindo o ensino superior tanto para homens, quanto para as mulheres. Por casas de abrigo para as mulheres agredidas. Puni\u00e7\u00f5es aos agressores, assassinos, violadores e traficantes de mulheres e crian\u00e7as, com ainda maior \u00eanfase quando estes s\u00e3o agentes do Estado.<\/p>\n<p><strong>Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI)<br \/>Secretaria de Mulheres<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1981, celebrou-se em Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia, o Primeiro Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe. 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