{"id":3501,"date":"2021-02-21T18:24:40","date_gmt":"2021-02-21T17:24:40","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2021\/02\/21\/eleicoes-catalunha-a-luta-pela-autodeterminacao-nao-cessou\/"},"modified":"2021-02-21T18:24:40","modified_gmt":"2021-02-21T17:24:40","slug":"eleicoes-catalunha-a-luta-pela-autodeterminacao-nao-cessou","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2021\/02\/21\/eleicoes-catalunha-a-luta-pela-autodeterminacao-nao-cessou\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es Catalunha: a luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o n\u00e3o cessou"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"clear: both;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">No passado dia 14 de Fevereiro, tiveram lugar as elei\u00e7\u00f5es legislativas na Catalunha. <\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">No contexto de pandemia que atravessamos, tamb\u00e9m na Catalunha, a absten\u00e7\u00e3o cresceu substancialmente, dos 21%, em 2017, para os actuais 46%. Com uma base votante consideravelmente mais reduzida, iremos tomar os valores percentuais como a refer\u00eancia para as compara\u00e7\u00f5es com as elei\u00e7\u00f5es anteriores.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O vencedor das elei\u00e7\u00f5es foi o Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC) que subiu dos 13,87% e 17 deputados, em 2017, para os actuais 23,02% e 33 deputados, ficando em primeiro lugar. Este resultado evidencia uma boa noticia para o governo nacional em fun\u00e7\u00f5es, sobretudo, para o PSOE. O PSC parece conseguir conquistar uma parte importante dos catal\u00e3es moderados, classes m\u00e9dias e trabalhadores que ainda conservam uma certa estabilidade nas suas vidas e que n\u00e3o s\u00e3o favor\u00e1veis \u00e0 independ\u00eancia. Estes foram os sectores sociais que em 2017 votaram no Cidad\u00e3os (Cs), partido liberal de centro-direita, e que actualmente parecem ter-se transferido para o PSC. O Cs \u00e9 mesmo o grande derrotado deste acto eleitoral, passando dos 25,23% e 36 deputados, em 2017, para os actuais 5,57% e apenas 6 deputados.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Logo atr\u00e1s do PSC ficou o Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) com 21,31% e o Juntos pela Catalunha (JxC) com 20,06%, partidos independentistas, mas representando o centro-esquerda e o centro-direita catal\u00e3es, respectivamente. Estes mantiveram, sensivelmente, as mesmas percentagens de 2017, mas alteraram de posi\u00e7\u00e3o. Hoje, o ERC \u00e9 o partido independentista mais votado, assumindo o anterior lugar do JxC, e colocando-se \u00e0 cabe\u00e7a das negocia\u00e7\u00f5es de um poss\u00edvel governo composto exclusivamente por independentistas. Depois do fracasso e da repress\u00e3o sobre a proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia, levada a cabo pelo JxC, em Outubro de 2017, a ERC abandonou a \u201cvia unilateral\u201d, propondo agora a \u201cvia concertada\u201d com o governo espanhol. N\u00e3o nos podemos esquecer que a ERC \u00e9 parte do apoio fundamental \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do Governo nacional PSOE\/UP.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-3500\" height=\"178\" width=\"567\" style=\"margin-top: 5px; margin-bottom: 5px;\" alt=\"resul_cat2021_tabela\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/resul_cat2021_tabela.png?resize=567%2C178\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/resul_cat2021_tabela.png?w=567 567w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/resul_cat2021_tabela.png?resize=300%2C94 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/resul_cat2021_tabela.png?resize=480%2C151 480w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><br style=\"clear: both;\" \/><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O Catalunha em Comum \u2013 Podemos (CCPodemos), partido irm\u00e3o do Podemos, contr\u00e1rio \u00e0 repress\u00e3o do estado espanhol central mas sem defender abertamente uma posi\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia da Catalunha, passa dos 7,46%, em 2017, para os actuais 6,86%, mas mant\u00e9m os mesmos 8 deputados que j\u00e1 tinha. Daqui tamb\u00e9m se pode retirar a conclus\u00e3o de que nem a sua posi\u00e7\u00e3o sobre a autodetermina\u00e7\u00e3o da Catalunha satisfaz, nem a sua colabora\u00e7\u00e3o com o PSE no governo nacional est\u00e3o a representar grandes frutos eleitorais.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A Candidatura de Unidade Popular (CUP), esquerda anticapitalista e independentista, conquistam uma importante subida, dos 4,46% e 4 deputados, em 2017, para os actuais 6,68% e 9 deputados.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c0 direita, para al\u00e9m da dura derrota do Cs, o Partido Popular (PP) continua o seu processo de decl\u00ednio, canibalizado pela extrema-direita, alcan\u00e7ando apenas 3,85% dos votos e 3 deputados, menos 1 que em 2017. O VOX, partido de extrema-direita espanhol, abertamente saudosista da ditadura franquista, conquistou o quarto lugar, com 7,69% e 11 deputados, na primeira vez que concorre a elei\u00e7\u00f5es na Catalunha.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Como se pode verificar, as tr\u00eas for\u00e7as pol\u00edticas mais votadas na Catalunha (PSC, ERC e JxC) tiveram percentagens de voto muito semelhantes, em torno dos 20%. Estes resultados evidenciam a manuten\u00e7\u00e3o de uma Catalunha bastante fragmentada, sem que nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica consiga formar governo sozinha. O processo de autodetermina\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi completamente derrotado e o povo catal\u00e3o continua \u00e0 procura de uma solu\u00e7\u00e3o para os seus problemas. Por outro lado, tamb\u00e9m no Estado espanhol, a direita tradicional parece atravessar uma crise profunda, alimentando o crescimento da extrema-direita. O crescimento das CUP e o surgimento da extrema-direita no parlamento catal\u00e3o evidenciam ainda elementos de polariza\u00e7\u00e3o social.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Ainda assim, os resultados eleitorais evidenciam uma maioria favor\u00e1vel \u00e0 independ\u00eancia da Catalunha. A ERC, JxC e CUP conseguem manter uma maioria e a press\u00e3o pela autodetermina\u00e7\u00e3o catal\u00e3.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Neste momento, parecem existir, ali\u00e1s, duas maiorias com capacidade de formar governo. Ou um governo formado pelo PSC e os partidos de esquerda (CCPodemos e ERC), \u00e0 semelhan\u00e7a do Governo PSOE\/UP e o apoio da ERC, que j\u00e1 existe a n\u00edvel nacional. Ou um governo entre independentistas, composto pelo ERC, JxC e CUP.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 de salientar que o ERC, JxC e CUP assinaram um acordo, antes das elei\u00e7\u00f5es, que impede a forma\u00e7\u00e3o de um governo que inclua o PSC, o que pode j\u00e1 indicar como mais prov\u00e1vel a possibilidade de um governo entre independentistas. O ERC e JxC apontam a via da negocia\u00e7\u00e3o com o governo central para a realiza\u00e7\u00e3o de um referendo de autodetermina\u00e7\u00e3o e o alcance de um acordo para a amnistia dos presos pol\u00edticos envolvidos na declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia da Catalunha, de Outubro de 2017.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A CUP assume o referendo de autodetermina\u00e7\u00e3o, a liberdade para os presos pol\u00edticos e as vagas propostas de defesa do ambiente e \u201cprogressismo\u201d como os pilares norteadores do seu apoio a um governo. A CUP, como esquerda anticapitalista, deve ponderar muito bem se a possibilidade de apoio a um governo independentista, com partidos que representam as elites catal\u00e3s, n\u00e3o significa a dilui\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora na luta pela independ\u00eancia, como tem ocorrido muitas vezes.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O independentismo no Estado espanhol sempre teve limita\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tendo sido capaz de apontar um projecto pol\u00edtico que seja do interesse do conjunto da classe trabalhadora da Catalunha e de todo o Estado espanhol, unificando solidariamente todos os trabalhadores numa luta comum contra a crise que atravessamos, em defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos, dos rendimentos, do emprego e dos direitos democr\u00e1ticos e laborais, rompendo o cerco nacionalista que existe em torno da luta pela independ\u00eancia catal\u00e3.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Para al\u00e9m do que se acaba de referir, \u00e9 determinante que as negocia\u00e7\u00f5es com o governo central sejam acompanhadas com a mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas. A CUP deve ter aqui um papel fundamental.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Entretanto, atravessamos mais um entre muitos casos de repress\u00e3o pol\u00edtica que t\u00eam lugar no Estado espanhol, atrav\u00e9s do julgamento e pris\u00e3o do <em>rapper<\/em> catal\u00e3o Pablo Has\u00e9l sob a acusa\u00e7\u00e3o de \u201cinj\u00farias \u00e0 monarquia e a institui\u00e7\u00f5es do Estado, em publica\u00e7\u00f5es na rede social Twitter e atrav\u00e9s de uma can\u00e7\u00e3o\u201d. Este \u00e9 apenas mais um caso da forma como o Estado espanhol trata os mais b\u00e1sicos direitos \u00e0 liberdade de opini\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 fundamental o fim da repress\u00e3o do governo centralista autorit\u00e1rio de Madrid, que se diz de esquerda, do PSOE\/UP, e a liberta\u00e7\u00e3o de todos os presos pol\u00edticos, respeitando o direto \u00e0 independ\u00eancia das nacionalidades que assim o desejem, no caminho de uma sociedade liberta da explora\u00e7\u00e3o capitalista, num estado espanhol republicano, livre da monarquia dos Bourbons e onde sejam tidas em conta as aspira\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas do povo catal\u00e3o e das outras nacionalidades do Estado espanhol.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Liberdade democr\u00e1tica para decidir frente \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o pela repress\u00e3o policial! <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Autodetermina\u00e7\u00e3o frente ao nacionalismo espanhol! <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Rep\u00fablica frente \u00e0 monarquia!<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No passado dia 14 de Fevereiro, tiveram lugar as elei\u00e7\u00f5es legislativas na Catalunha.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3499,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[23],"tags":[116,340,2003,2002,338,403,336,181,2004,339,115,117],"class_list":["post-3501","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estado-espanhol","tag-alternativa","tag-autodeterminacao","tag-barcelona","tag-catalao","tag-catalunha","tag-eleicoes","tag-espanha","tag-estado-espanhol","tag-generalitat","tag-independencia","tag-movimento","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/resul_cat2021_grafico.jpg?fit=620%2C400","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3501","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3501"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3501\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3499"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3501"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3501"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3501"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}