{"id":3490,"date":"2021-02-01T19:07:09","date_gmt":"2021-02-01T18:07:09","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2021\/02\/01\/as-mulheres-perdem-mais-na-pandemia-preciso-construir-greve-internacional-mulheres\/"},"modified":"2021-02-01T19:07:09","modified_gmt":"2021-02-01T18:07:09","slug":"as-mulheres-perdem-mais-na-pandemia-preciso-construir-greve-internacional-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2021\/02\/01\/as-mulheres-perdem-mais-na-pandemia-preciso-construir-greve-internacional-mulheres\/","title":{"rendered":"As mulheres perdem mais na pandemia: \u00e9 preciso construir a Greve Internacional de Mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p>Os alertas foram dados desde o in\u00edcio e hoje os dados est\u00e3o dispon\u00edveis: a pandemia veio agravar e muito as condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres em todo o mundo. Portugal n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>O pr\u00f3prio FMI alertou que a crise econ\u00f3mica precipitada pela pandemia pode vir a comprometer os avan\u00e7os no combate \u00e0 desigualdade de g\u00e9nero dos \u00faltimos 30 anos, apontando entre os principais fatores o facto de as mulheres serem a grande maioria da for\u00e7a de trabalho nos setores mais afetados pelo confinamento (como servi\u00e7os, retalho, restaura\u00e7\u00e3o, hotelaria e limpezas), empurrando-as mais facilmente para o desemprego e o layoff. A preponder\u00e2ncia das mulheres na rea\u00adliza\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado, com responsabilidades acrescidas nos cuidados a crian\u00e7as e idosos durante o confinamento, implica n\u00e3o s\u00f3 uma sobrecarga, mas tamb\u00e9m um maior risco de perder o emprego. Ao mesmo tempo, a ONU aponta que 7 em cada 8 pa\u00edses est\u00e3o a falhar na miti\u00adga\u00e7\u00e3o do impacto da pandemia na vida das mulheres, sobretudo ao n\u00edvel da seguran\u00e7a econ\u00f3mica, mas tamb\u00e9m quanto \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e \u00e0 sobrecarga dos cuidados n\u00e3o remunerados, estimando que a taxa de pobreza entre as mulheres aumente para 9,1%.<\/p>\n<p>Em Portugal, estas tend\u00eancias confirmam-se. De facto, existe uma maioria de mulheres em servi\u00e7os que n\u00e3o permitem o teletrabalho, tanto nos que foram encerrados ou fortemente limitados durante o confinamento, como cabeleireiros, esteticistas e limpezas (90%), balc\u00f5es de lojas e com\u00e9rcio (64%), como nos particularmente expostos ao v\u00edrus, como auxiliares de sa\u00fade (92%), enfermeiras (82%), m\u00e9dicas (55%), prestadoras de cuidados a idosos e dependentes (80%) e servi\u00e7os de subsist\u00eancia (supermercados), restaura\u00e7\u00e3o e hotelaria (65%).<\/p>\n<p>A par disso, 85% das fam\u00edlias monoparentais s\u00e3o sustentadas por mulheres. Em rela\u00e7\u00e3o ao emprego, segundo a Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, entre Fevereiro e Abril de 2020, foram extintos 49,9 mil postos de trabalho, 89,4% dos quais ocupados por mulheres. As mulheres representam j\u00e1 57% da popula\u00e7\u00e3o desempregada no pa\u00eds. Tamb\u00e9m segundo dados do INE, as mulheres representaram 62% dos 644 mil ausentes do trabalho no segundo trimestre do ano, por ocuparem postos em que n\u00e3o era poss\u00edvel nem o teletrabalho, nem a ida ao emprego, registando-se uma forte incid\u00eancia do layoff, mas tamb\u00e9m, segundo dados da Seguran\u00e7a Social at\u00e9 Junho, uma grande maioria de mulheres a ficar em casa para cuidar de menores (162,7 mil mulheres e 37,8 mil homens).<\/p>\n<p>Todos estes dados confirmam que a situa\u00ad\u00e7\u00e3o social e laboral das mulheres em Portugal se tornou ainda mais inst\u00e1vel e prec\u00e1ria. No entanto, os problemas n\u00e3o terminam a\u00ed: em Portugal as mulhe\u00adres ganham atualmente menos 14,4% do que os homens (148,9 euros em n\u00fameros absolutos). A lei criada em 2018 para proibir a discrimina\u00e7\u00e3o salarial dentro de cada empresa n\u00e3o resolve nem o facto de as mulheres estarem sujeitas a uma forte segrega\u00e7\u00e3o laboral, ocupando postos de trabalho maioritariamente prec\u00e1rios, onde se recebe o sal\u00e1rio m\u00ednimo sem possibilidade de progress\u00e3o na carreira, nem o problema da discrimina\u00e7\u00e3o que sofrem muitas mulhe\u00adres por serem m\u00e3es.<\/p>\n<p>Face a este cen\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 de admirar que tamb\u00e9m a n\u00edvel da sa\u00fade mental as mulhe\u00adres tenham sido mais afetadas do que os homens, sobretudo as mais pobres. Ao receio do v\u00edrus, soma-se a exclus\u00e3o social, a falta de condi\u00e7\u00f5es na habita\u00e7\u00e3o, o perigo de perder o emprego com o fecho de empresas, o medo dos cortes nos sal\u00e1rios, a inseguran\u00e7a dos contratos de trabalho, a sobrecarga dos cuidados familiares. \u00c9 urgente exigir melhores condi\u00e7\u00f5es para as mulheres trabalhadoras, combatendo as desigualdades de g\u00e9nero.<\/p>\n<p><strong>CONSTRUAMOS A GREVE DE MULHERES DE 8 DE MAR\u00c7O<br \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Por:<br \/>&#8211; aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo para 900\u20ac<br \/>&#8211; fim do trabalho prec\u00e1rio<br \/>&#8211; cria\u00e7\u00e3o de rede p\u00fablica e gratuita de creches e lavandarias<br \/>&#8211; refor\u00e7o dos apoios sociais a fam\u00edlias monoparentais e m\u00e3es desempregadas<br \/>&#8211; aumento da habita\u00e7\u00e3o social digna<br \/>&#8211; refor\u00e7o dos meios humanos e materiais do SNS<br \/>&#8211; fim dos ataques aos direitos de maternidade<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"index.php\/revista\/1947-revista-ruptura-dezembro-2020.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Originalmente publicado na revista Ruptura n\u00ba157<\/a><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os alertas foram dados desde o in\u00edcio e hoje os dados est\u00e3o dispon\u00edveis: a pandemia veio agravar e muito as condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres em todo o mundo. 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