{"id":3471,"date":"2021-01-01T18:47:10","date_gmt":"2021-01-01T17:47:10","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2021\/01\/01\/capitalismo-incubador-de-pandemias\/"},"modified":"2021-01-01T18:47:10","modified_gmt":"2021-01-01T17:47:10","slug":"capitalismo-incubador-de-pandemias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2021\/01\/01\/capitalismo-incubador-de-pandemias\/","title":{"rendered":"Capitalismo incubador de pandemias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"clear: both;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Temperaturas extremas, furac\u00f5es intensos, ondas de calor, subida do n\u00edvel do mar, inc\u00eandios florestais, secas cr\u00f3nicas, escassez de \u00e1gua, crises alimentares e&#8230; pandemias. <\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">H\u00e1 pelo menos duas d\u00e9cadas, que cientistas e ativistas ambientais alertam governos para os efeitos devastadores da forma agressiva como o sistema capitalista explora o planeta, levando-o a um desequil\u00edbrio que coloca a nossa exist\u00eancia, enquanto esp\u00e9cie, em risco. Hoje, a pandemia da COVID-19 torna mais vis\u00edvel a fragilidade do sistema para lidar com uma crise epid\u00e9mica, dando tamb\u00e9m uma perce\u00e7\u00e3o mais real do que significa termos de enfrentar pandemias cada vez mais frequentes devido ao aumento da temperatura m\u00e9dia global e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de ecossistemas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Ao mesmo tempo, a atua\u00e7\u00e3o dos governos face \u00e0 crise da COVID-19 tem sido comparada, n\u00e3o por acaso, \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o perante a crise clim\u00e1tica, com uma recusa inicial em ouvir os alertas dos especialistas e agir preventivamente, seguida da coloca\u00e7\u00e3o em marcha de medidas de conting\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 tardias como insuficientes, deixando claro que, at\u00e9 nos cen\u00e1rios mais catastr\u00f3ficos, a prioridade do sistema capitalista continua a ser a preserva\u00e7\u00e3o do lucro, mesmo que o pre\u00e7o a pagar seja a vida de milhares de pessoas<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 16pt;\"><strong>Compreender as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas: de onde v\u00eam e para onde nos levam?<\/strong><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Todas as formas de vida que conhecemos n\u00e3o existiriam se n\u00e3o fosse pelo efeito de estufa, j\u00e1 que \u00e9 este processo que impede a Terra de ter \u2013 como Marte, por exemplo &#8211; amplitudes de temperatura extremas entre o dia e a noite. De forma simples, os gases de efeito de estufa (GEE) absorvem parte do calor e da energia que recebemos do espa\u00e7o, mantendo o planeta aquecido e em n\u00edveis est\u00e1veis, enquanto outra parte \u00e9 radiada de volta. Sem este mecanismo, o planeta seria cerca de 30\u00baC mais frio do que \u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">No entanto, desde o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o industrial, a concentra\u00e7\u00e3o de GEE presentes na atmosfera tem vindo a aumentar exponencialmente, devido sobretudo a emiss\u00f5es de CO2 provenientes da queima de carv\u00e3o, g\u00e1s e petr\u00f3leo, provocando um grande desequil\u00edbrio neste mecanismo natural. Mais GEE significam mais calor e energia a serem absorvidos na nossa atmosfera, motivo pelo qual nos confrontamos hoje com o aquecimento global do planeta.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">De facto, a temperatura m\u00e9dia na superf\u00edcie da Terra aumentou cerca de 1.1\u00baC, em pouco mais de um s\u00e9culo, o que significa uma mudan\u00e7a a uma velocidade sem precedentes, j\u00e1 que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que ocorreram no passado, todas elas anteriores \u00e0 nossa exist\u00eancia como esp\u00e9cie, foram processos lentos de milhares de anos. Concretamente, os \u00faltimos 5 anos foram os mais quentes de que h\u00e1 registo, com efeitos que j\u00e1 se fazem sentir em todo o globo, como, por exemplo, cat\u00e1strofes naturais mais intensas e frequentes, a subida do n\u00edvel do mar e a perda de biodiversidade.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Quanto mais a temperatura aumenta, maior o desequil\u00edbrio que enfrentamos e mais intensos os seus efeitos, sendo que, a partir de certo patamar (aquecimento de mais de 2\u00baC), come\u00e7aremos a alcan\u00e7ar pontos sem retorno que podem tornar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas irrevers\u00edveis, pois perderemos o controlo sobre um conjunto de mecanismos naturais que contribuir\u00e3o para o aquecimento global, num efeito de bola de neve. Por exemplo, se a Terra aquece, temos mais inc\u00eandios, que libertam mais CO2 para atmosfera e por sua vez aquecem mais o planeta e provocam ainda mais inc\u00eandios; o derretimento do gelo do \u00c1rtico leva a que haja mais superf\u00edcie de \u00e1gua, a qual absorve mais calor do que o gelo, pelo que os oceanos aquecem e mais gelo derrete; as reservas de <em>permafrost<\/em> (o gelo permanente) na Sib\u00e9ria derretem, libertando grandes quantidades de metano (um g\u00e1s com efeito de estufa cerca de 20 vezes mais potente que o CO2) para atmosfera, causando mais aquecimento e, portanto, mais derretimento.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Os estudos mais otimistas e conservadores apontam que nos devemos manter abaixo de 1,5\u00baC de aquecimento para impedirmos o colapso, mas mesmo esse limite exige uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica das emiss\u00f5es a n\u00edvel global, visto que, ao atual ritmo de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, demoraremos apenas 5 a 10 anos a atingir essa meta e at\u00e9 ao fim do s\u00e9culo alcan\u00e7aremos um aumento de 5\u00baC, cen\u00e1rio em que ter\u00edamos j\u00e1 vastas regi\u00f5es completamente inabit\u00e1veis devido a secas e cheias, bem como escassez de alimentos e de \u00e1gua pot\u00e1vel, gerando crises migrat\u00f3rias sem precedentes em busca da possibilidade de sobreviver. Atualmente, os governos de todo o mundo assumem, segundo o Acordo de Paris, a necessidade de reduzir emiss\u00f5es de maneira a manter o aquecimento abaixo de 2\u00baC, mas n\u00e3o s\u00f3 as metas estabelecidas s\u00e3o insuficientes para impedir que se ultrapasse esse aumento, como tamb\u00e9m as emiss\u00f5es de CO2 j\u00e1 aumentaram 4% desde a assinatura do acordo em 2015.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 16pt;\"><strong>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e o aumento das pandemias<\/strong><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O sistema capitalista, baseado na explora\u00e7\u00e3o desenfreada de recursos, cria mercadorias e servi\u00e7os sem uma orienta\u00e7\u00e3o para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades, tendo como finalidade a acumula\u00e7\u00e3o de mais e mais capital, o mais rapidamente poss\u00edvel, por parte daqueles que individualmente det\u00eam os meios de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 um sistema orientado para o crescimento infinito dos lucros de uma minoria, num planeta cujos recursos s\u00e3o finitos. Tal como explicou Engels, \u201c<em>como os capitalistas individuais est\u00e3o envolvidos na produ\u00e7\u00e3o e na troca em prol do lucro imediato, apenas os resultados imediatos mais pr\u00f3ximos s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o. Enquanto o fabricante ou comerciante individual vender uma mercadoria fabricada ou comprada com o habitual lucro cobi\u00e7ado, ficar\u00e1 satisfeito e n\u00e3o se preocupar\u00e1 com o que posteriormente se tornar\u00e1 da mercadoria e de seus compradores. O mesmo se aplica aos efeitos naturais das mesmas a\u00e7\u00f5es. O que importava os fazendeiros espanh\u00f3is em Cuba, que incendiaram florestas nas encostas das montanhas e obtiveram das cinzas fertilizante suficiente para uma gera\u00e7\u00e3o de cafeeiros altamente lucrativos &#8211; o que os preocupou que as fortes chuvas tropicais depois lavassem o estrato superior desprotegido do solo, deixando para tr\u00e1s apenas rocha nua! Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, quanto \u00e0 sociedade, o modo atual de produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 predominantemente preocupado apenas com o resultado imediato, o mais tang\u00edvel; e ent\u00e3o se surpreende que os efeitos mais remotos das a\u00e7\u00f5es direcionadas a esse fim acabam sendo bastante diferentes, s\u00e3o em grande parte completamente opostos em seu car\u00e1ter<\/em>\u201d (Dial\u00e9tica da Natureza, 1883).<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-3469\" height=\"349\" width=\"559\" style=\"margin-top: 10px; margin-bottom: 10px;\" alt=\"grafico_emissoes_co2\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/grafico_emissoes_co2.png?resize=559%2C349\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/grafico_emissoes_co2.png?w=559 559w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/grafico_emissoes_co2.png?resize=300%2C187 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/grafico_emissoes_co2.png?resize=480%2C300 480w\" sizes=\"(max-width: 559px) 100vw, 559px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Fonte: <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/cdiac.ornl.gov\/GCP\/\" rel=\"noopener\">Global Carbon Project<\/a> e <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.ncdc.noaa.gov\/\" rel=\"noopener\">NOAA<\/a><\/p>\n<p style=\"clear: both;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Esta forma devastadora de o ser humano interagir com o planeta, intr\u00ednseca ao sistema capitalista, tem dois resultados que, juntos, s\u00e3o a receita perfeita para que, a par de outros impactos extremamente negativos, tamb\u00e9m o aumento de pandemias se v\u00e1 tornando uma constante: por um lado, o aumento da temperatura devido \u00e0s emiss\u00f5es excessivas de CO2 provenientes da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e, por outro, a destrui\u00e7\u00e3o de habitats selvagens para explora\u00e7\u00e3o cada vez mais profunda de recursos em locais anteriormente inacess\u00edveis ao ser humano. Assim, podemos resumir em 3 pontos-chave os motivos pelos quais estes dois elementos da realidade fazem do capitalismo um verdadeiro incubador de epide\u00admias.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Em primeiro lugar, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/03\/29\/ciencia\/noticia\/perda-biodiversidade-impacto-surtos-doencas-infecciosas-1908732\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"text-decoration: underline;\">o aumento do contacto entre animais selvagens e humanos exp\u00f5e-nos a mais doen\u00e7as<\/span><\/a>. A destrui\u00e7\u00e3o de habitats, tanto direta \u2013 atrav\u00e9s da interven\u00e7\u00e3o humana em busca de novos locais de extra\u00e7\u00e3o de recursos\u2013 como indiretamente \u2013 atrav\u00e9s do colapso de ecossistemas devido \u00e0s cat\u00e1strofes naturais causadas pelo aquecimento global \u2013, leva for\u00e7osamente a uma maior proximidade na competi\u00e7\u00e3o por recursos entre a nossa esp\u00e9cie e outras esp\u00e9cies animais, o que aumenta o n\u00famero de doen\u00e7as zoon\u00f3ticas (doen\u00e7as infeciosas naturalmente transmiss\u00edveis entre animais e humanos) a que estamos expostos. O insuspeito John Scott, respons\u00e1vel de risco da seguradora Zurich Insurance Group, publicou um artigo no site do F\u00f3rum Econ\u00f3mico Mundial onde afirma que a \u201c<em>desfloresta\u00e7\u00e3o tem aumentado constantemente nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas e est\u00e1 ligada a 31% dos surtos, como o v\u00edrus do \u00e9bola, do Zika e de Nipah<\/em>\u201d, pois a \u201c<em>desfloresta\u00e7\u00e3o afasta os animais selvagens dos seus habitats naturais e a aproxima-os das popula\u00e7\u00f5es humanas, criando uma grande oportunidade para doen\u00e7as zoon\u00f3ticas<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">V\u00e1rios cientistas j\u00e1 alertaram para o facto de as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas poderem tornar os surtos de \u00e9bola \u2013 v\u00edrus que tem como reservat\u00f3rio mais prov\u00e1vel o morcego-da-fruta e que matou milhares de pessoas na \u00c1frica Ocidental, em 2014 &#8211; uma realidade constante e cada vez mais alargada nessa regi\u00e3o, uma vez que os morcegos preferem, em geral, habitats quentes e h\u00famidos, sendo expect\u00e1vel que, ao ritmo atual de emiss\u00f5es, a \u00e1rea total favor\u00e1vel \u00e0 sua acomoda\u00e7\u00e3o aumente pelo menos um quinto em rela\u00e7\u00e3o a hoje. Mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 COVID-19, a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel trabalhada pelos especialistas \u00e9 a de que o v\u00edrus tenha sido transmitido, de animais para pessoas, num mercado de Wuhan, na China, tendo como intermedi\u00e1rio de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a um pangolim, o qual estaria infetado pelo contacto com morcegos. Como referiu Jorge Palmeirim, presidente da Liga para a Prote\u00e7\u00e3o da Natureza, em entrevista ao Expresso, \u201c<em>muitas dessas esp\u00e9cies selvagens est\u00e3o imunes a esses v\u00edrus nos seus ecossistemas, mas quando s\u00e3o introduzidas no consumo humano abre-se a porta para pandemias como a que estamos a assistir<\/em>\u201d, as quais, num mundo globalizado, rapidamente se espalham por todo o globo.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f3nia e da selva africana ou a ca\u00e7a desenfreada de animais selvagens s\u00e3o exemplos de pr\u00e1ticas que levam os seres humanos a entrarem em contacto com esp\u00e9cies com as quais nada contact\u00e1vamos, esp\u00e9cies essas que transportam novas doen\u00e7as, v\u00edrus e bact\u00e9rias que as nossas defesas naturais n\u00e3o est\u00e3o preparadas para combater. Kate Jones, investigadora de Ecologia e Biodiversidade na University College de Londres, afirmou no in\u00edcio de abril que o surto de COVID-19 \u201c<em>\u00e9 em grande parte devido ao comportamento humano. Estamos a mudar a transmiss\u00e3o das din\u00e2micas entre a vida selvagem e as pessoas ao converter paisagens e deslocar esp\u00e9cies dom\u00e9sticas como nunca aconteceu antes, expondo-nos n\u00f3s pr\u00f3prios a novos agentes patog\u00e9nicos<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Ao mesmo tempo, o aquecimento global cria mais condi\u00e7\u00f5es habit\u00e1veis para doen\u00e7as tropicais, como a febre-amarela, a dengue e a mal\u00e1ria, j\u00e1 que, num planeta mais quente, aumenta o territ\u00f3rio em que certos patogenos (organismos que produzem doen\u00e7as infecciosas) se sentem confort\u00e1veis para se desenvolver. Se o ritmo atual de emiss\u00f5es se mantiver, teremos j\u00e1 em 2050 cerca de metade da popula\u00e7\u00e3o total do globo a viver em \u00e1reas onde o mosquito <em>Aedes aegypti<\/em> ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es \u00f3timas para o seu desenvolvimento, sendo este um vetor de transmiss\u00e3o de v\u00e1rias doen\u00e7as (como dengue e Zika) e uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade humana, devido \u00e0 resili\u00eancia que apresenta em ambientes urbanos e \u00e0 prefer\u00eancia que tem por locais de \u00e1gua parada em torno de casas. Moritz Kraemer, epidemologista no Hospital Pedi\u00e1trico de Boston, afirma <a href=\"https:\/\/www.citylab.com\/environment\/2019\/03\/mapping-global-spread-mosquitoes-climate-change-research\/584197\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"text-decoration: underline;\">no seu estudo<\/span><\/a> que \u201c<em>os mosquitos j\u00e1 est\u00e3o bem estabelecidos em muitos locais, mas embatem numa barreira que n\u00e3o conseguem ultrapassar porque o clima n\u00e3o \u00e9 o certo para eles. Assim que o clima se tornar favor\u00e1vel, os mosquitos poder\u00e3o avan\u00e7ar rapidamente para chegarem a esses novos s\u00edtios<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O mesmo se aplica ao mosquito tigre asi\u00e1tico, que tamb\u00e9m \u00e9 um transmissor de dengue e Zika e que ser\u00e1 capaz de se espalhar pela Europa e EUA. Ainda no mesmo estudo, Kraemer afirma que, devido ao aumento da temperatura m\u00e9dia que j\u00e1 alcan\u00e7\u00e1mos, at\u00e9 nos estudos de melhor-cen\u00e1rio estaremos a enfrentar \u201c<em>uma tend\u00eancia crescente, que \u00e9 alarmante no sentido em que esperamos a expans\u00e3o destes mosquitos independentemente de como adaptarmos as nossas emiss\u00f5es<\/em>\u201d. Nos estudos de pior-cen\u00e1rio, os especialistas apontam para que haja, ainda neste s\u00e9culo, um aumento de mil milh\u00f5es de pessoas infetadas pela primeira vez por estes v\u00edrus.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-3470\" height=\"264\" width=\"620\" style=\"margin-top: 10px; margin-bottom: 10px;\" alt=\"extracao_petroleo\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extracao_petroleo.png?resize=620%2C264\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extracao_petroleo.png?w=620 620w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extracao_petroleo.png?resize=300%2C128 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extracao_petroleo.png?resize=480%2C204 480w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p style=\"clear: both;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Em segundo lugar, os fen\u00f3menos de seca extrema e prolongada, a perda massiva de territ\u00f3rios habit\u00e1veis e prop\u00edcios \u00e0 agricultura, bem como a maior incid\u00eancia de cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas em v\u00e1rias partes do globo ir\u00e3o provocar migra\u00e7\u00f5es em massa, as quais tamb\u00e9m cont\u00eam um alto potencial para gerar surtos epid\u00e9micos, tanto nas desloca\u00e7\u00f5es internas para grandes \u00e1reas urbanas como nas desloca\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses. Em ambos os casos, a falta de recursos e a sobrepopula\u00e7\u00e3o implicar\u00e3o um aumento da vulnerabilidade \u00e0s doen\u00e7as. No seu relat\u00f3rio sobre o papel das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas nos conflitos e desloca\u00e7\u00f5es, a Funda\u00e7\u00e3o por Justi\u00e7a Ambiental refere como exemplo o caso da S\u00edria, salientando que a migra\u00e7\u00e3o provocada pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas contribuiu significativamente para o aumento de tens\u00f5es nos anos anteriores ao estalar do conflito, uma vez que, no seguimento de uma seca prolongada, mais de um milh\u00e3o de pessoas tiveram de abandonar os territ\u00f3rios onde viviam para se concentrarem em torno de centros urbanos como Homs e Damasco, pois a falta de \u00e1gua levou, entre 2006 e 2010, ao colapso de cerca de 75% das quintas s\u00edrias e, nalgumas regi\u00f5es, os agricultores perderam 80% das suas cria\u00e7\u00f5es de gado, acrescentando \u00e0s tens\u00f5es pol\u00edticas de regime, fatores como a escassez de \u00e1gua, a inseguran\u00e7a alimentar, sobrepopula\u00e7\u00e3o e falta de condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Se n\u00e3o houver uma redu\u00e7\u00e3o s\u00e9ria de emiss\u00f5es, a proje\u00e7\u00e3o do Banco Mundial \u00e9 de que as migra\u00e7\u00f5es devido a desastres naturais alcancem 143 milh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2050. Os exemplos hoje em dia j\u00e1 nos permitem ver como o sistema capitalista lida com estas situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, colocando milhares de pessoas em campos de refugiados sobrelotados, com acesso extremamente limitado a \u00e1gua e a comida e onde \u00e9 pouco afirmar que faltam condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, todos eles fatores que contribuem e contribuir\u00e3o cada vez mais para o aprofundar do aparecimento de surtos de doen\u00e7as que se propagar\u00e3o rapidamente, ao mesmo tempo que as pr\u00f3prias desloca\u00e7\u00f5es de migrantes contribuir\u00e3o para o cont\u00e1gio.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Em terceiro lugar, o derretimento do <em>permafrost<\/em>, que cobre atualmente cerca de 25% da superf\u00edcie terrestre do hemisf\u00e9rio norte, n\u00e3o se limitar\u00e1 a libertar grandes quantidades de g\u00e1s metano para a atmosfera. O desaparecimento do gelo e a consequente exposi\u00e7\u00e3o dos solos que t\u00eam estado congelados h\u00e1 milhares de anos permitir\u00e3o tamb\u00e9m a liberta\u00e7\u00e3o de patogenos desconhecidos, trazendo de volta v\u00edrus e bact\u00e9rias de h\u00e1 seculos atr\u00e1s com os quais nunca contact\u00e1mos e, portanto, n\u00e3o s\u00f3 desconhecemos como n\u00e3o estamos imunes a eles. O <em>permafrost<\/em> \u00e9 o ambiente ideal para micr\u00f3bios, v\u00edrus e bact\u00e9rias permanecerem conservados e vivos por milhares de anos, uma vez que \u00e9 um ambiente frio, escuro e onde falta oxig\u00e9nio. Em 2016, <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/earth\/story\/20170504-there-are-diseases-hidden-in-ice-and-they-are-waking-up\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"text-decoration: underline;\">um rapaz de 12 anos foi contaminado por antrax<\/span><\/a>, na Sib\u00e9ria. Pelo que os dados apontam, o seu cont\u00e1gio aconteceu devido ao descongelamento de um cad\u00e1ver de rena afetado por esta doen\u00e7a d\u00e9cadas antes, o qual ter\u00e1 libertado a bact\u00e9ria para a \u00e1gua e o solo, infetando 2000 renas, o que levou \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o e hospitaliza\u00e7\u00e3o de pelo menos 20 pessoas, revelando que a bact\u00e9ria em nada tinha sido afetada pelo largo per\u00edodo de congelamento.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A par deste exemplo, cientistas descobriram j\u00e1 dois tipos de v\u00edrus conservados no permafrost, um deles com 30 mil anos de idade, e ambos os v\u00edrus rapidamente se tornaram infeciosos, ainda que estes em particular n\u00e3o afetem os humanos. Jean-Michel Claverie, da Universidade de Aix-Marseille em Fran\u00e7a, afirma que \u201c<em>v\u00edrus patog\u00e9nicos que podem infetar humanos ou animais podem estar preservados em camadas antigas de permafrost, incluindo alguns que causaram epidemias globais no passado<\/em>\u201d. No entanto, e apesar do perigo que o derretimento j\u00e1 representa por si s\u00f3, grandes empresas e governos consideram atualmente a hip\u00f3tese de aproveitarem o facto de a costa Norte da Sib\u00e9ria se tornar agora mais acess\u00edvel para iniciar projetos de explora\u00e7\u00e3o industrial que se est\u00e3o a tornar agora rent\u00e1veis, como a minera\u00e7\u00e3o de ouro ou perfura\u00e7\u00f5es para extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Claverie alerta que \u201c<em>neste momento, estas regi\u00f5es s\u00e3o desertas e as camadas mais profundas de permafrost s\u00e3o intocadas. No entanto, estas camadas antigas podem ser expostas por escava\u00e7\u00f5es envolvidas nas atividades de minera\u00e7\u00e3o e perfura\u00e7\u00e3o. Se ainda l\u00e1 estiverem part\u00edculas de v\u00edrus vi\u00e1veis, isto pode significar uma cat\u00e1strofe<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 16pt;\"><strong>O modelo de explora\u00e7\u00e3o capitalista empurra-nos para o caos<\/strong><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 urgente mudarmos a forma como interagimos com o planeta, mas o sistema capitalista n\u00e3o suporta a mudan\u00e7a radical de que precisamos. Tal como Marx descreveu, o capitalismo deu in\u00edcio a uma \u201crutura metab\u00f3lica\u201d entre as nossas sociedades e a Natureza no seu conjunto, pois os processos que servem de base ao modelo econ\u00f3mico e social capitalista, de car\u00e1ter r\u00e1pido e cada vez mais acelerado, n\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com os ciclos longos do sistema terrestre, o que torna a atividade humana capitalista insustent\u00e1vel. Ao mesmo tempo, a ind\u00fastria de combust\u00edveis f\u00f3sseis tem sido uma das pedras basilares de todo o sistema produtivo capitalista, primeiramente com o carv\u00e3o e depois com o petr\u00f3leo e o g\u00e1s. Mesmo ap\u00f3s o acordo de Paris, os 33 maiores bancos do mundo investiram 1,9 trili\u00f5es de d\u00f3lares para financiar os combust\u00edveis f\u00f3sseis, apesar de ser de conhecimento geral que os 20 principais emissores de GEE no mundo s\u00e3o petrol\u00edferas como a Chevron, a Exxon-Mobil, a BP e a Shell, <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2015\/dec\/02\/worlds-richest-10-produce-half-of-global-carbon-emissions-says-oxfam\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"text-decoration: underline;\">empresas que gastam 195 milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/span><\/a>, por ano, com o financiamento de estudos e propostas pol\u00edticas destinadas a atrasar ou bloquear medidas de combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A rela\u00e7\u00e3o do capitalismo com os combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 de tal forma umbilical, que a mudan\u00e7a dr\u00e1stica e imediata de que precisamos para resolver a crise clim\u00e1tica n\u00e3o est\u00e1 ao nosso alcance dentro deste sistema, que coloca e colocar\u00e1 sempre o lucro \u00e0 frente da vida das pessoas. Da mesma forma, s\u00f3 teremos a possibilidade de lidar com o aparecimento mais frequente de epidemias num sistema que seja capaz de suportar a exist\u00eancia universal de servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablicos, gratuitos e de qualidade, direcionados \u00e0s necessidades das popula\u00e7\u00f5es. O controlo de emiss\u00f5es exige, al\u00e9m da nacionaliza\u00e7\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos como a energia, os transportes e a sa\u00fade, que a prioridade de investimento seja a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. \u00c9 necess\u00e1rio reconverter f\u00e1bricas e edif\u00edcios e requalificar trabalhadores, requisitando \u00e0s grandes multinacionais os lucros que estas t\u00eam obtido \u00e0 custa de hipotecarem o nosso futuro. Tudo isto, a fim de que sejamos capazes de, no tempo que nos resta, substituirmos o capitalismo por um sistema que neutralize as emiss\u00f5es de forma socialmente justa, planificando a produ\u00e7\u00e3o, organizando a distribui\u00e7\u00e3o e criando emprego ambientalmente sustent\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Afinal, justi\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 justi\u00e7a social.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p> <em><span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span><\/em> <\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cSpecial Report: Global Warming of 1.5 \u00baC,\u201d Intergovernmental Panel on Climate Change,<\/span><\/em><\/p>\n<p> <em><span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span><\/em> <\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Glenn Scherer, \u201cClimate Science Predictions Prove Too Conservative\u201d, Scientific American, December 6, 2012,<\/span><\/em><\/p>\n<p> <em><span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span><\/em> <\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Ian Angus, Facing the Anthropocene: Fossil Capitalism and the Crisis of the Earth System (New York: Monthly Review Press, 2016), chap. 6.<\/span><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1888;revista-ruptura-maio-2020&amp;catid=185&amp;Itemid=651\">Publicado originalmente na Revista Ruptura 156, Maio 2020<\/a><br \/><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temperaturas extremas, furac\u00f5es intensos, ondas de calor, subida do n\u00edvel do mar, inc\u00eandios florestais, secas cr\u00f3nicas, escassez de \u00e1gua, crises alimentares e&#8230; pandemias.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3468,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[105],"tags":[116,214,1003,1494,1706,1814,1813,355,115,1823,1650,645,117,1977],"class_list":["post-3471","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiente","tag-alternativa","tag-ambiente","tag-capitalismo","tag-clima","tag-combustiveis-fosseis","tag-coronavirus","tag-covid19","tag-ecologia","tag-movimento","tag-pandemia","tag-planeta-b","tag-refugiados","tag-socialista","tag-tempestades"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/terra_seca.jpg?fit=620%2C461","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3471\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3468"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}