{"id":347,"date":"2010-11-09T23:26:59","date_gmt":"2010-11-09T22:26:59","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/11\/09\/um-novembro-quente-numa-europa-ao-rubro\/"},"modified":"2010-11-09T23:26:59","modified_gmt":"2010-11-09T22:26:59","slug":"um-novembro-quente-numa-europa-ao-rubro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/11\/09\/um-novembro-quente-numa-europa-ao-rubro\/","title":{"rendered":"Um Novembro quente, numa Europa ao rubro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fazer uma forte greve geral e prosseguir a luta at\u00e9 derrubar os planos de austeridade devem ser os objectivos dos trabalhadores e da esquerda. <\/strong><\/p>\n<p>Superada a &#8220;novela&#8221; do Or\u00e7amento, com a previs\u00edvel aceita\u00e7\u00e3o, por parte do PSD, em viabilizar o Or\u00e7amento de Estado para 2011, a aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e dos media centra-se no calend\u00e1rio de luta dos trabalhadores e da juventude: 6 de Novembro (manif da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica), 17 de Novembro (manif dos estudantes), 20 de Novembro (manif contra a NATO) e 24 de Novembro (greve geral).<br \/>\u00c9 um calend\u00e1rio de f\u00f4lego, n\u00e3o fosse a orienta\u00e7\u00e3o das direc\u00e7\u00f5es sindicais em circunscrev\u00ea-lo ao m\u00eas de Novembro e recusar-se a tra\u00e7ar um plano de luta que fosse num crescendo e colocasse o governo e o seu OE num impasse. A CGTP n\u00e3o convocou uma manifesta\u00e7\u00e3o para o dia da greve, o que reduzir\u00e1 o seu impacto pol\u00edtico. Questionado sobre a inten\u00e7\u00e3o de fazer cair o governo com a greve geral, o presidente da CGTP, Carvalho da Silva, disse na imprensa que &#8220;essa quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 colocada, nunca foi colocada&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Exemplos europeus<\/strong><br \/>A greve geral foi convocada em fun\u00e7\u00e3o da dureza das medidas inclu\u00eddas no PEC 3, que trar\u00e3o mais recess\u00e3o e desemprego, mais pobreza e desigualdade social. Os exemplos dados pelas lutas na Gr\u00e9cia, Espanha e Fran\u00e7a, seguidos com admira\u00e7\u00e3o pelos trabalhadores portugueses, tamb\u00e9m serviram como elemento de press\u00e3o sobre a CGTP e a UGT na convoca\u00e7\u00e3o da greve.<br \/>Mas, como demonstraram as lutas nesses pa\u00edses, para derrubar os planos de austeridades \u00e9 preciso que as direc\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais da classe trabalhadora tenham esse objectivo e n\u00e3o hesitem em derrubar tamb\u00e9m os governos que os querem aplicar. Na Gr\u00e9cia, uma sucess\u00e3o de greves e manifs gigantescas n\u00e3o convergiu para uma greve geral por tempo indeterminado, que colocasse o governo de Papandreou em xeque. Na Espanha, a greve geral de 29 de Setembro n\u00e3o foi seguida de novas mobiliza\u00e7\u00f5es.<br \/>E na Fran\u00e7a, greves combativas e com piquetes, como a das refinarias, e manifesta\u00e7\u00f5es com at\u00e9 3 milh\u00f5es de trabalhadores e jovens nas ruas ainda n\u00e3o conseguiram derrotar o plano de Sarkozy de aumentar a idade da reforma. Tudo porque as duas principais centrais sindicais recusam-se a convocar uma greve geral, por tempo indeterminado, isto \u00e9, at\u00e9 a derrota do plano de Sarkozy.<\/p>\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es antecipadas<\/strong><br \/>Ao contr\u00e1rio do que pensa Carvalho da Silva, para a direita a queda do governo S\u00f3crates\/PS est\u00e1 na ordem do dia. Depois de viabilizarem o OE, Pedro Passos Coelho e o PSD dever\u00e3o, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de Janeiro pr\u00f3ximo, inviabilizar o governo e for\u00e7ar a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es antecipadas. Nessas, contam derrotar o PS, como sinalizam as sondagens.<br \/>Enquanto o governo S\u00f3crates est\u00e1 a ser penalizado pelos planos de austeridade que est\u00e1 a aplicar, o mesmo n\u00e3o acontece com o seu parceiro de neg\u00f3cios. A massiva e mentirosa campanha feita pelo governo, a burguesia e os media de que a aprova\u00e7\u00e3o do OE era um mal necess\u00e1rio, sem o qual o pa\u00eds ficaria sem financiamento externo, os juros subiriam ainda mais, o FMI interviria, enfim, seria o caos, acabaram por favorecer o PSD. Habilmente, Passos Coelho e o PSD passaram a ideia de que foram obrigados a viabilizar o OE para n\u00e3o prejudicar o pa\u00eds, apesar de n\u00e3o concordarem com ele, e que tudo fizeram para minorar os seus efeitos.<\/p>\n<p><strong>Mentira tem perna curta<\/strong><br \/>Mas a manobra do PSD \u2013 que s\u00f3 discorda do OE porque gostaria que penalizasse ainda mais os trabalhadores da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica, retirasse mais benef\u00edcios sociais, acabasse de vez com o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade e com a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e fornecesse mais privil\u00e9gios aos grandes empres\u00e1rios e \u00e0 banca \u2013 n\u00e3o dever\u00e1 durar muito tempo.<br \/>Se a brutal campanha sobre a necessidade de aprova\u00e7\u00e3o do OE foi vitoriosa, isso n\u00e3o significa que a popula\u00e7\u00e3o concorde com ele. Os trabalhadores e a maioria da popula\u00e7\u00e3o est\u00e3o contra o OE e apoiam a greve geral contra as suas medidas. A sua disposi\u00e7\u00e3o, indicada pelas sondagens, em votar no PSD \u2013 portanto na direita \u2013 n\u00e3o significa um giro \u00e0 direita da sociedade, mas a forma \u2013 equivocada, com certeza \u2013 que encontram de castigar o governo. Revela a confus\u00e3o pol\u00edtica existente, que s\u00f3 a luta e a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de poder \u00e0 esquerda poder\u00e3o dissipar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazer uma forte greve geral e prosseguir a luta at\u00e9 derrubar os planos de austeridade devem ser os objectivos dos trabalhadores e da esquerda. 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