{"id":3448,"date":"2020-11-17T10:55:53","date_gmt":"2020-11-17T09:55:53","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2020\/11\/17\/qeurest-tenta-poupar-no-farelo-para-gastar-na-farinhaq\/"},"modified":"2020-11-17T10:55:53","modified_gmt":"2020-11-17T09:55:53","slug":"qeurest-tenta-poupar-no-farelo-para-gastar-na-farinhaq","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2020\/11\/17\/qeurest-tenta-poupar-no-farelo-para-gastar-na-farinhaq\/","title":{"rendered":"&#8220;Eurest tenta poupar no farelo para gastar na farinha.&#8221;"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><em>Interven\u00e7\u00e3o de um trabalhador e delegado sindical da EUREST no VI Congresso da FESAHT, sobre a inten\u00e7\u00e3o da empresa despedir 122 trabalhadores.<\/em><\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>{AF}<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Camaradas,<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">ainda n\u00e3o se conheciam not\u00edcias de portugueses mortos ou infetados por esta doen\u00e7a e j\u00e1 se adivinhava que se iria instalar uma crise econ\u00f3mica e social de iguais propor\u00e7\u00f5es \u00e0s crises que se vivem ciclicamente espa\u00e7adas por d\u00e9cadas.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Aos trabalhadores nestas alturas conv\u00eam analisar, n\u00e3o os fatores que as criaram mas acima disso perceber quem delas vai tirar proveito e quem ser\u00e3o as vitimas.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Quem estudou social e economicamente estas din\u00e2micas, concluiu e demonstrou que estas crises serviram sempre como forma de reajustar os rendimentos, depreciando sempre o valor do trabalho, preterindo sempre os rendimentos do capital.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A crise da Covid-19 est\u00e1 a instalar-se de uma forma cl\u00e1ssica, com o aumento da press\u00e3o sobre os sal\u00e1rios atrav\u00e9s do aumento do desemprego; com o aumento dos pre\u00e7os dos bens b\u00e1sicos e com a amea\u00e7a constante de que os remediados de hoje podem ser pobres amanha.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A \u00fanica novidade, pelo menos para mim, \u00e9 a crise vir a pretexto de crise sanit\u00e1ria que levou a que \u00e0 partida os trabalhadores se resignassem a bem da sa\u00fade de todos, aceitando o que lhe era imposto inclusive restri\u00e7\u00e3o da liberdade de reuni\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">Chegamos pois da crise COVID-19 ao caso Eurest<\/span><\/strong><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A Eurest, \u00e9 uma filial da multinacional inglesa COMPASS. A Eurest factura em Portugal cerca de 100 milh\u00f5es de euros por ano. Dedica-se \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o coletiva, social, e escolar, tendo actividade na explora\u00e7\u00e3o de refeit\u00f3rios de empresas, hospitais, estabelecimentos de restaura\u00e7\u00e3o em autoestradas e centros comerciais e escolas. Os resultados operacionais que apresenta em rela\u00e7\u00e3o ao volume de neg\u00f3cios \u00e9 perfeitamente an\u00e9mico, que demonstra que a sua contribui\u00e7\u00e3o social em mat\u00e9ria de imposto (IRC) \u00e9 insignificante. O que na verdade n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo que a Eurest n\u00e3o d\u00ea lucros avultados anualmente. A pegada laboral da Eurest, ou melhor aquilo que a Eurest contribui em termos de oferta emprego, \u00e9: muitos empregos, mas segundo \u00e9 poss\u00edvel apurar muitos prec\u00e1rios, inclusive de trabalho tempor\u00e1rio; alguns empregados que antes eram desempregados de longa dura\u00e7\u00e3o e que est\u00e3o isentos de contribui\u00e7\u00f5es da entidade patronal e no fim da benesse voltam ao desemprego. A m\u00e9dia de sal\u00e1rios n\u00e3o \u00e9 superior certamente a mais 100 euros que o sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Em Mar\u00e7o a Eurest sentiu alguma falta de procura em muitas das unidades. De imediato nessas unidades come\u00e7ou a press\u00e3o para as pessoas irem gastando as f\u00e9rias ou irem tapar buracos noutras unidades quase que no regime do trabalho \u00e0 jornada. Parece que se est\u00e1 a reviver \u201cAs vinhas da Ira\u201d do John Steinback.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A Eurest declarou o layoff a 1 de Abril, tendo efectivamente havido unidades que encerraram 3 semanas ou um m\u00eas. Na reabertura das unidades que conhe\u00e7o, foram chamados os trabalhadores menos onerosos, e sempre em r\u00e1cios insuficientes para as refei\u00e7\u00f5es servidas. Ainda para mais, com uma novidade, que foi o protocolo de higieniza\u00e7\u00e3o e desinfec\u00e7\u00e3o dos equipamentos e refeit\u00f3rios. Onde se cumpre a norma, os trabalhadores andam fren\u00e9ticos, a limpar linhas de self, cadeiras e mesas e separadores de acr\u00edlico. Num sector j\u00e1 por si de tarefas repetitivas, que n\u00e3o se tornam mon\u00f3tonas pela press\u00e3o da quantidade de trabalho para as equipas, instalou-se em definitivo o Taylorismo, nas \u00faltimas express\u00e3o do Fordismo com as consequ\u00eancias para a sa\u00fade inclusive mental dos visados.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Apesar da retoma progressiva das refei\u00e7\u00f5es a Eurest manteve o garrote sobre as equipas. Como o estado assegurou a quase totalidade do pagamento dos trabalhadores em layoff, e como a Eurest cobra aos concession\u00e1rios as novas tarefas sanit\u00e1rias, foi um per\u00edodo bom para eles. As quebras de factura\u00e7\u00e3o foram acautelas e compensadas.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Depois de usufruir do apoio do estado, que continua a usufruir ainda por outras formas, que foi concedido no sentido de proteger o emprego a Eurest usa esse folego como capital para liquidar parte da sua for\u00e7a laboral. Queimados os 60 dias que n\u00e3o podia promover o despedimento colectivo declara o despedimento a 122 trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O despedimento dito colectivo afinal \u00e9 cir\u00fargico. Tenta libertar-se dos mais reivindicativos e mais bem pagos. Ficam assim os mais subservientes ou os prec\u00e1rios. Os trabalhadores visados receberam cartas a anunciar que os dispensavam do dever de assiduidade com efeitos imediatos. Demonstra assim que as pessoas s\u00e3o descart\u00e1veis. Ficando o espectro, n\u00e3o s\u00f3 para os visados, como para os restantes trabalhadores, que por vontade patronal, sem aviso pr\u00e9vio e raz\u00e3o que seja evidente, podem ser convidados a irem-se embora ficando sem rendimentos ou com rendimentos muito reduzidos, logo ap\u00f3s uma fase prolongada com os rendimentos reduzidos em virtude do layoff.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A informa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o tem coloca\u00e7\u00e3o noutras unidades para os trabalhadores que quer despedir \u00e9 falsa. Inclusive h\u00e1 trabalhadores que j\u00e1 estavam colocados noutras unidades, que n\u00e3o s\u00e3o agora afectadas. Na minha \u00e1rea que \u00e9 a do Porto, a Eurest ainda agora assumiu para as escolas centenas de trabalhadores a trabalho tempor\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A Eurest est\u00e1 em algumas unidades a despedir trabalhadores para al\u00e9m do contrato de concess\u00e3o. Ou seja se a Eurest n\u00e3o tem capacidade para manter as unidades solventes, basta que n\u00e3o concorra para que outros que queiram assumam essas unidades.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">No que me \u00e9 dado a conhecer esta Eurest tenta poupar no farelo para gastar na farinha. H\u00e1 coisas de grande monta mas desnecess\u00e1rias que afectam os custos operacionais das unidades. As unidades em que desempenhei fun\u00e7\u00f5es, tem equipamentos de grande monta, alugados ao m\u00eas que n\u00e3o eram precisos desde Abril. Provavelmente o que gastou desnecessariamente neste equipamentos cobria mais 2 funcion\u00e1rios por unidade, ou pagava o valor que o sal\u00e1rio quebrou, para todas as pessoas das respectivas unidades. Mas isto da rela\u00e7\u00e3o da Eurest com os trabalhadores, seja visceral ou ideol\u00f3gico, ser\u00e1 sempre de grande avareza.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">A Eurest tem tentado, que os participantes na fase negocial n\u00e3o o fa\u00e7am. J\u00e1 se regista um epis\u00f3dio do dirigente sindical impedido de aceder aos trabalhadores e a tentativa de n\u00e3o reconhecer um delegado sindical legitimamente eleito. A informa\u00e7\u00e3o que era devida aos delegados tamb\u00e9m tardou e s\u00f3 foi fornecida por imposi\u00e7\u00e3o do sindicato.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Por estas raz\u00f5es cabe aos trabalhadores, organizados pelos respectivos sindicatos, dizer n\u00e3o a este processo de despedimento colectivo.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 uma luta que ter\u00e1 que ser feita por todos os meios. Organizados: \u201cO proletariado tem como \u00fanica arma, na sua luta pelo poder, a organiza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Pessoalmente, como marxista, acredito que a justi\u00e7a e os tribunais s\u00e3o uma ferramenta de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de uma classe por outra. O tribunal dificilmente sentenciar\u00e1 algo que n\u00e3o favore\u00e7a os patr\u00f5es. A luta ter\u00e1 que ser travada \u00e0 porta das unidades onde os trabalhadores visados estavam, a sensibilizar e a procurar solidariedade. De igual forma tamb\u00e9m teremos que denunciar para os nossos eleitos e para a sociedade em geral. J\u00e1 o fizemos \u00e0 porta da sede da Eurest. Contudo esta j\u00e1 n\u00e3o tem vergonha. N\u00e3o se dignou a receber os nossos representantes.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Teremos de levar esta luta as \u00faltimas consequ\u00eancias. Porque temos muitos com os olhos em n\u00f3s. E porque a nossa vit\u00f3ria ser\u00e1 dissuasora para que outros despedimentos destes se fa\u00e7am e se perdermos sem resistir muitos outros trabalhadores passar\u00e3o pelo mesmo processo. Para o futuro a \u00fanica coisa que temos \u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o de lutar!<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Viva os Trabalhadores<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">{\/AF}<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00e3o de um trabalhador e delegado sindical da EUREST no VI Congresso da FESAHT, sobre a inten\u00e7\u00e3o da empresa despedir 122 trabalhadores.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3447,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[33],"tags":[116,775,841,795,1954,1955,176,115,1250,117],"class_list":["post-3448","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-trabalhadores","tag-alternativa","tag-congresso","tag-despedimento","tag-emprego","tag-eurest","tag-fesaht","tag-luta","tag-movimento","tag-sindicato","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/6_congresso_fesaht.jpg?fit=450%2C263","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3448"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3448\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3447"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}