{"id":3443,"date":"2020-11-08T19:08:58","date_gmt":"2020-11-08T18:08:58","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2020\/11\/08\/a-situacao-na-belarus\/"},"modified":"2020-11-08T19:08:58","modified_gmt":"2020-11-08T18:08:58","slug":"a-situacao-na-belarus","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2020\/11\/08\/a-situacao-na-belarus\/","title":{"rendered":"A situa\u00e7\u00e3o na Belarus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"font-size: 14pt; clear: both;\">A Belarus tem estado a ferro e fogo com protestos desde que se realizaram as elei\u00e7\u00f5es de 9 de Agosto onde Lukashenko foi declarado vencedor com 80%.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt; clear: both;\">Num processo eleitoral considerado fraudulento por grande parte da popula\u00e7\u00e3o, marcado por pris\u00f5es de candidatos opositores na v\u00e9spera do ato eleitoral, por regime n\u00e3o ter  permitido quaisquer observadores independentes ou internacionais, pela persegui\u00e7\u00e3o a ativistas durante a campanha, pela enorme presen\u00e7a da pol\u00edcia e ex\u00e9rcito nas ruas e pelo  o derrube da internet no pa\u00eds no dia das elei\u00e7\u00f5es.  Lukashenko j\u00e1 vinha a enfrentar o descontentamento popular pelas medidas que vinha a aplicar, agora com a fraude eleitoral e a repress\u00e3o dos protestos, que conta j\u00e1 com mais de 12.000 presos, centenas de pessoas torturadas e relatos de viola\u00e7\u00f5es \u00e0s mulheres nas pris\u00f5es, caiu a gota que fez transbordar o copo.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">A Belarus, com mais de 9,5 milh\u00f5es de habitantes foi parte da URSS at\u00e9 1991, ano em que declarou a sua independ\u00eancia. Desta forma, evitou ver aplicada a mesma receita neoliberal que foi aplicada na R\u00fassia e em outros ex-estados sovi\u00e9ticos, isso viria mais tarde pela m\u00e3o de Lukashenko. Esta \u00e9 a raz\u00e3o de fundo da Belarus n\u00e3o ter vivido o mesmo processo de venda ao desbarato das empresas estatais e perda de condi\u00e7\u00f5es de vida que os seus vizinhos assistiram nos anos seguintes \u00e0 queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Desta forma existem ainda grandes sectores econ\u00f3micos estatais, grande n\u00edvel de industrializa\u00e7\u00e3o e mantiveram-se algumas conquistas sociais de antes da restaura\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"font-size: 16pt;\"><strong>O regime de Lukashenko<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">Lukashenko est\u00e1 no poder desde 1994, e h\u00e1 26 anos que exerce o poder com m\u00e3o de ferro com um regime marcado por forte repress\u00e3o e aus\u00eancia de liberdades pol\u00edticas e sindicais. Este seria o seu 6\u00ba mandato \u00e0 frente do pa\u00eds. Ele e o seu regime n\u00e3o s\u00e3o nem a continuidade do \u201csistema sovi\u00e9tico\u201d nem defensores das suas conquistas. Lukashenko capitaneou um processo de privatiza\u00e7\u00e3o acelerado nos \u00faltimos anos, com um sistema de golden shares parecido com o que o Governo portugu\u00eas usou em tempos para poder continuar a narrativa de que mantem controlo estatal sobre as empresas, facilitou o investimento estrangeiro quer da EU quer da R\u00fassia, aumentou significativamente a d\u00edvida externa, aplicou uma brutal reforma de pens\u00f5es onde aumentou a idade da reforma, cortou apoios sociais, tem mantido um implac\u00e1vel ataque aos direitos laborais promovendo os contratos tempor\u00e1rios, facilitando despedimentos e generalizando a precariedade, provocando um aumento do desemprego e a perda de rendimentos das fam\u00edlias. O valor dos sal\u00e1rios na Belarus \u00e9 hoje cerca de metade do da Ucr\u00e2nia e um ter\u00e7o do da Polonia, estando o pa\u00eds \u00e9 cada vez mais dependente da R\u00fassia e da EU. Tamb\u00e9m a gest\u00e3o da pandemia no pa\u00eds foi desastrosa devido \u00e0 resposta negacionista de Lukashenko que aconselhou sauna e vodca para combater o v\u00edrus. Como podemos ver, as elei\u00e7\u00f5es foram o rastilho, mas o barril de p\u00f3lvora \u00e9 a crise econ\u00f3mica e social que se vive.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">O regime critica qualquer protesto usando a tese de que as manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o dirigidas pelo estrangeiro e s\u00e3o uma inger\u00eancia nos assuntos do pa\u00eds. \u00c9 uma ret\u00f3rica usada constantemente, normalmente sobre a UE ou os EUA mas \u00e0s vezes tamb\u00e9m sobre a R\u00fassia, quando h\u00e1 contesta\u00e7\u00e3o \u00e0s suas pol\u00edticas. Esta tese \u00e9 tamb\u00e9m repetida internacionalmente por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es, entre elas o PCP, que se colocam ao lado do regime acusando os protestos de serem organizados e financiados pelo imperialismo europeu e que Lukashenko \u00e9 o garante das conquistas do per\u00edodo sovi\u00e9tico. V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es referem ainda que os manifestantes andam com a bandeira que os colaboracionistas nazis usaram, esquecem-se de referir que foi tamb\u00e9m a bandeira da Rep\u00fablica Popular Bielorussa em 1918, bandeira do pa\u00eds de 1991 a 1995 e foi usada v\u00e1rias vezes como bandeira em manifesta\u00e7\u00f5es por liberdades democr\u00e1ticas pelo que hoje em dia \u00e9 mais entendida pelo povo como um s\u00edmbolo contra a repress\u00e3o do regime do que algum nacionalismo exacerbado, na verdade o nacionalismo de extrema direita n\u00e3o tem for\u00e7a na Belarus. \u00c9 verdade que o imperialismo europeu est\u00e1 na disputa pela dire\u00e7\u00e3o do processo, como sempre est\u00e1 nestes casos, mas n\u00e3o o dirige e a sua presen\u00e7a no terreno n\u00e3o faz com que as reivindica\u00e7\u00f5es e os protestos deixem de ser v\u00e1lidos e justos, pelo que devem ser apoiados buscando uma sa\u00edda independente para a classe trabalhadora com o seu pr\u00f3prio programa. Por outro lado, apoiar Lukashenko n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o \u00e9 um campo progressivo contra a inger\u00eancia imperialista, pelo contr\u00e1rio, tem sido o respons\u00e1vel de uma pol\u00edtica de depend\u00eancia econ\u00f3mica desastrosa, quer da R\u00fassia quer da EU, que est\u00e1 a ser paga com a perda de direitos e condi\u00e7\u00f5es de vida da sua popula\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o \u00e9 o guardi\u00e3o das conquistas sociais, \u00e9 quem as tem estado a destruir.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"font-size: 16pt;\"><strong>A depend\u00eancia do pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">A rela\u00e7\u00e3o da Belarus com a Federa\u00e7\u00e3o Russa est\u00e1 longe de ser uma saud\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o de apoio m\u00fatuo e coopera\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia sufocante e de saque. A infraestrutura de oleodutos da era sovi\u00e9tica permite \u00e0 oligarquia russa ter o monop\u00f3lio do fornecimento energ\u00e9tico do pais sendo totalmente dependentes deles para combust\u00edvel. Por outro lado, esse combust\u00edvel comprado a pre\u00e7os subsidiados \u00e9 em parte revendido ou transformado em produtos refinados para exporta\u00e7\u00e3o a pre\u00e7os de mercado, sendo uma das maiores rendas do pa\u00eds. Ao mesmo tempo a Federa\u00e7\u00e3o Russa \u00e9 o maior mercado da Belarus, Grande parte da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e da ind\u00fastria autom\u00f3vel v\u00e3o para a R\u00fassia, e controla o mercado da UEE, destino de grande parte do que sobra da produ\u00e7\u00e3o e como se n\u00e3o bastasse, a ind\u00fastria da Belarus tem grande depend\u00eancia de componentes russos para continuar a funcionar.  O d\u00e9ficit comercial entre os dois pa\u00edses \u00e9 de mais de 9 bili\u00f5es por ano, um saque permanente que se traduz em dar tudo em troca de combust\u00edvel. Estes s\u00e3o os elementos atrav\u00e9s dos quais a press\u00e3o de Putin \u00e9 exercida, como tantas vezes aconteceu atrav\u00e9s da amea\u00e7a de corte de g\u00e1s ou do fim dos subs\u00eddios russos \u00e0 energia, e permite \u00e0 oligarquia russa agir como se fossem donos do pa\u00eds, rebaixando a Belarus \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de uma mera possess\u00e3o comercial.  Esta depend\u00eancia da R\u00fassia n\u00e3o impediu aumentar tamb\u00e9m a depend\u00eancia do pa\u00eds do capital financeiro ocidental, usando empr\u00e9stimos comerciais concedidos pela banca europeia, permitindo o acesso e por vezes controle de grandes empresas do estado por parte de bancos e empresas da UE.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"font-size: 16pt;\"><strong>A oposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">Svetlana Tikhanovskaya, uma professora de ingl\u00eas sem experi\u00eancia pol\u00edtica, surge como candidata da oposi\u00e7\u00e3o ap\u00f3s seu marido Siarhei Tsikhanouski, um conhecido youtuber que pretendia concorrer, ter sido preso dois dias depois de ter anunciado a sua candidatura em maio. Apoiada pelo imperialismo europeu e por capitais ucranianos, esta candidata acabou por capitalizar o descontentamento por for\u00e7a de ser a \u00fanica alternativa eleitoral. Ap\u00f3s o in\u00edcio dos protestos e como estes n\u00e3o acalmavam, criou o conselho de coordena\u00e7\u00e3o para superar a crise pol\u00edtica sem mudar nada substancial, por isso o seu plano passa por negociar com o regime. No entanto este conselho de coordena\u00e7\u00e3o n\u00e3o eleito n\u00e3o tem ainda for\u00e7a social, apesar de Tikhanovskaya ter ganho algum prest\u00edgio nas mulheres que estiveram na vanguarda das mobiliza\u00e7\u00f5es devido aos ataques machistas de Lukashenko, que afirmou que \u201cuma mulher n\u00e3o \u00e9 capaz de gerir a Belarus\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">No plano econ\u00f3mico pouco tem dito. Prop\u00f5e privatiza\u00e7\u00f5es e dar sustentabilidade \u00e0 economia prometendo pacotes de investimento da EU, o que levar\u00e1 a um aumento da depend\u00eancia e controle do capital europeu sobre o pa\u00eds, e ao mesmo tempo a manuten\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es com a R\u00fassia. Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 grande diferen\u00e7a no plano econ\u00f3mico com o que Lukashenko tem vindo a fazer, continuar com as privatiza\u00e7\u00f5es e aprofundar a depend\u00eancia do capital estrangeiro.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"font-size: 16pt;\"><strong>Sobre os protestos<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">Os protestos e greves t\u00eam tido um caracter espont\u00e2neo e s\u00e3o essencialmente coordenadas nas redes sociais, a velha oposi\u00e7\u00e3o perdeu muito prest\u00edgio antes das elei\u00e7\u00f5es e o rec\u00e9m-criado e autonomeado conselho de coordena\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem capacidade para controlar o processo, por isso os protestos come\u00e7aram contra a vontade da l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o que era contra as greves. Temos assistido a manifesta\u00e7\u00f5es, greves, protestos, com a participa\u00e7\u00e3o de mulheres com as suas pautas, estudantes, classe trabalhadora organizada por f\u00e1brica, e nessas manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o se v\u00ea bandeiras da EU nem se ouvem slogans pr\u00f3-europeus, apesar de existir no pa\u00eds muita propaganda liberal e nacionalista.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">Apesar dos sucessivos pedidos da oposi\u00e7\u00e3o para n\u00e3o sair \u00e0 rua, n\u00e3o fazer greves, para negociar com Lukashenko, para n\u00e3o reagir \u00e0 viol\u00eancia da repress\u00e3o policial, os manifestantes no essencial t\u00eam ignorado estes apelos e avan\u00e7ado na sua organiza\u00e7\u00e3o e nas suas reivindica\u00e7\u00f5es. Inicialmente eram as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas que eram comuns aos manifestantes como fora Lukashenko, por democracia e liberdade de organiza\u00e7\u00e3o e pelo fim da repress\u00e3o, mas com o tempo, e com a forma\u00e7\u00e3o de comit\u00e9s de greve em muitas f\u00e1bricas, em alguns casos nasceram sindicatos das assembleias de greve, as reivindica\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a ficar mais avan\u00e7adas, come\u00e7ado a exigir o fim e revers\u00e3o das privatiza\u00e7\u00f5es, mais direitos laborais, mais apoios sociais e servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade. Os protestos contra a viol\u00eancia policial tornaram-se t\u00e3o massivos que a pol\u00edcia teve de abrandar com a repress\u00e3o ap\u00f3s greves em mais de 100 empresas e um aumento de resist\u00eancia nas ruas. Depois das greves come\u00e7aram a multar e prender quem participa nos protestos e a despedir quem dirige as greves, o que resultou em mais \u00f3dio pelo regime e at\u00e9 atos de sabotagem nas empresas que despedem. A repress\u00e3o n\u00e3o fica sem resposta.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">Tem tamb\u00e9m havido manifesta\u00e7\u00f5es de apoio a Lukashenko, mas o regime mobiliza poucas dezenas de milhares nas contagens mais generosas, contando com o apoio do partido comunista Bielorusso que est\u00e1 de pedra e cal no apoio ao regime, enquanto as manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas, mesmo com a oposi\u00e7\u00e3o a apelar \u00e0 desmobiliza\u00e7\u00e3o, t\u00eam centenas de milhares. A base de apoio de Lukashenko est\u00e1 principalmente na Burguesia do sector industrial, na enorme burocracia estatal e na c\u00fapula dos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o, tendo mais apoio na popula\u00e7\u00e3o mais velha e especialmente no mundo rural.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">Mais uma vez o grande obst\u00e1culo \u00e9 a crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Num pa\u00eds esmagado pela oligarquia R\u00fassia e pelo imperialismo europeu, onde ainda existem sindicatos estatais (pr\u00f3 Lukashenko) a disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores, a quest\u00e3o mais importante \u00e9 a quest\u00e3o do poder, quem pode disputar o poder a Lukashenko? existe algo que possa dar uma sa\u00edda para a classe trabalhadora da Belarus independente da burguesia? O elemento mais avan\u00e7ado da realidade \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de comit\u00e9s de greve, no entanto isto ainda \u00e9 algo muito confuso. Os organismos que est\u00e3o a ser criados s\u00e3o ainda muito inorg\u00e2nicos, mas s\u00e3o algo que n\u00e3o existia anteriormente, precisam ainda de se coordenar e centralizar mais para poder em aspirar a ser uma alternativa de poder, \u00e9 preciso tempo para haver a oportunidade de se criarem partidos e sindicatos independentes dos sindicatos estatais.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">A oposi\u00e7\u00e3o subiu a parada lan\u00e7ando um ultimato com tr\u00eas exig\u00eancias: Demiss\u00e3o de Lukashenko, fim da viol\u00eancia e liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos. Caso n\u00e3o sejam cumpridas, amea\u00e7am com uma greve geral no pa\u00eds, cortes de estradas e um boicote \u00e0s lojas estatais. Terminou no passado dia 25, o prazo dado como limite pela oposi\u00e7\u00e3o para Lukashenko sair do poder ou enfrentar a greve Geral. O regime aconselhou a popula\u00e7\u00e3o a n\u00e3o participar nas manifesta\u00e7\u00f5es pois n\u00e3o foi dada autoriza\u00e7\u00e3o para nenhum protesto. Existiu outra vez uma forte presen\u00e7a das for\u00e7as de seguran\u00e7a nas ruas, a internet foi outra vez derrubada e 12 esta\u00e7\u00f5es de metro foram fechadas na capital. Mais de 100.000 pessoas sa\u00edram \u00e0 rua para protestar pacificamente em Minsk e foram recebidas com g\u00e1s lacrimog\u00e9neo, granadas de atordoamento, agress\u00f5es e pris\u00e3o em mais uma violenta resposta das autoridades. Apesar de a perda de legitimidade de Lukashenko frente a grande parte da popula\u00e7\u00e3o ser clara, ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita como se vai desenvolver o processo e se as greves e protestos v\u00e3o ter sucesso. O que \u00e9 certo \u00e9 que com o argumento da situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica, o regime fechou as fronteiras com a Let\u00f3nia, Litu\u00e2nia, Polonia e Ucr\u00e2nia, usando como desculpa a situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica nos pa\u00edses vizinhos, e alterou o ministro do interior numa tentativa de responder aos protestos que classifica de terroristas.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\">Lukashenko diz que s\u00f3 sair\u00e1 do pal\u00e1cio morto pois sabe que tem um forte aparato burocr\u00e1tico, militar e policial cujas c\u00fapulas o apoiam e goza ainda com o aux\u00edlio de Putin, que j\u00e1 garantiu 1,5 bili\u00f5es para ajudar Lukashenko a manter o poder, reprimir os protestos e manter a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia com a oligarquia russa, sendo que grande parte deste valor vai para pagar d\u00edvidas com a R\u00fassia e o restante para o aparato repressivo. Apesar de tudo isso, Lukashenko teme os protestos, teme acima de tudo as greves e a organiza\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea de comit\u00eas de greve nas empresas que fogem ao controlo da oposi\u00e7\u00e3o e dos sindicatos estatais leais ao regime. A solu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode estar no aprofundar das lutas pelo derrube de Lukashenko e na cria\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es independentes da classe trabalhadora com um programa anticapitalista para uma Belarus independente da oligarquia russa e do imperialismo europeu.<\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Fora Lukashenko e todos os respons\u00e1veis pela repress\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p> <strong> <\/strong> <\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Liberdade para todos os presos pol\u00edticos.<\/strong><\/p>\n<p> <strong> <\/strong> <\/p>\n<p style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Belarus independente da oligarquia russa e do imperialismo europeu.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Belarus tem estado a ferro e fogo com protestos desde que se realizaram as elei\u00e7\u00f5es de 9 de Agosto onde Lukashenko foi declarado vencedor com 80%.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3442,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[116,1948,1949,182,1952,1951,1950,115,1215,2,698,117],"class_list":["post-3443","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa","tag-alternativa","tag-belarus","tag-bielorussia","tag-greve","tag-kgb","tag-lukashenko","tag-minsk","tag-movimento","tag-repressao","tag-revolucao","tag-russia","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/belarus_trabalhadores_greve.jpg?fit=620%2C365","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3443","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3443"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3443\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3442"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}