{"id":3355,"date":"2020-05-15T19:31:43","date_gmt":"2020-05-15T18:31:43","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2020\/05\/15\/israel-72-anos-de-uma-catastrofe-que-nunca-foi-um-acidente\/"},"modified":"2020-05-15T19:31:43","modified_gmt":"2020-05-15T18:31:43","slug":"israel-72-anos-de-uma-catastrofe-que-nunca-foi-um-acidente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2020\/05\/15\/israel-72-anos-de-uma-catastrofe-que-nunca-foi-um-acidente\/","title":{"rendered":"Israel \u2013 72 anos de uma cat\u00e1strofe que nunca foi um acidente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"clear: both;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"clear: both;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">A 15 de Maio, passam 72 anos desde a declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia que consagrou a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Em 1947, a Palestina hist\u00f3rica, sob ocupa\u00e7\u00e3o inglesa, contava com uma popula\u00e7\u00e3o que era em mais de dois ter\u00e7os \u00e1rabe palestiniana e a restante, predominantemente, judia.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Sete d\u00e9cadas volvidas, os palestinianos s\u00e3o um quinto de quem habita o Estado de Israel, legalmente privados de direitos civis elementares, encontrando-se os restantes e seus descendentes cercados, guetizados e bombardeados na Cisjord\u00e2nia e Faixa de Gaza, ou dispersos pelo resto do mundo.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Como e porqu\u00ea?<\/strong><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">No s\u00e9culo XIX, uma corrente minorit\u00e1ria, entre a comunidade judia internacional, politicamente organizada, criou e fez crescer o sionismo moderno. Uma ideia segundo a qual, os judeus deveriam reclamar um direito hist\u00f3rico \u00e0 terra da Palestina, colonizando-a e afastando a popula\u00e7\u00e3o l\u00e1 residente.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Este movimento foi considerado bastante \u00fatil, pelas principais pot\u00eancias mundiais, umas d\u00e9cadas mais tarde, j\u00e1 em pleno s\u00e9culo XX. Estas veriam aqui uma oportunidade para estabelecer um regime aliado que pudesse cumprir um papel de posto avan\u00e7ado numa regi\u00e3o que, com o fim do imp\u00e9rio otomano, se fragmentava em diferentes unidades que reclamavam a sua auto-determina\u00e7\u00e3o e eram, por isso, hostis aos interesses dos imperialismos ingl\u00eas (Palestina, Jord\u00e2nia e Iraque) e franc\u00eas (L\u00edbano e S\u00edria).<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Assim, projectou-se retalhar aquela zona entre uma p\u00e1tria nacional judia e um estado \u00e1rabe, com Jerusal\u00e9m tendo um estatuto especial misto a ser administrado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Para que esta nova \u201cp\u00e1tria judia\u201d fosse, demograficamente, sustent\u00e1vel, ou seja, para que se garantisse que a maioria da popula\u00e7\u00e3o fosse efectivamente judia, nos meses anteriores \u00e0 da independ\u00eancia, em 1948, as mil\u00edcias e for\u00e7as militares sionistas iniciaram uma limpeza \u00e9tnica de grande parte das cidades e vilas palestinianas, conduzindo \u00e0 expuls\u00e3o de mais de 80% desta popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Foram ent\u00e3o implementadas leis que, por um lado, negaram aos palestinianos o direito a reentrarem no seu territ\u00f3rio e, por outro, expropriaram as terras e casas daqueles mesmos palestinianos.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Este sistema legal, de base racista, vigora at\u00e9 aos dias de hoje, podendo ser ilustrado com o seguinte exemplo de dois cidad\u00e3os portugueses, nascidos em Portugal. O cidad\u00e3o portugu\u00eas A, filho de palestinianos, expulsos da Palestina, em 1948, n\u00e3o pode, mesmo detendo nacionalidade e passaporte portugueses, visitar a terra dos pais. O cidad\u00e3o portugu\u00eas B, judeu, certificado por um rabi (autoridade religiosa), pode n\u00e3o s\u00f3 visitar, como obter cidadania israelita e viver no local de onde foi expulsa a fam\u00edlia do cidad\u00e3o A. Por outro lado, para os cerca de 20% de cidad\u00e3os israelitas, de ascend\u00eancia palestiniana (com origem nas fam\u00edlias que n\u00e3o foram expulsas), contam com v\u00e1rias dezenas de leis que os discriminam negativamente. Este mesmo ano de 2018, no contexto da deriva autorit\u00e1ria e de extrema-direita do actual Governo israelita, foi aprovada uma emenda \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o que reitera Israel como Estado-na\u00e7\u00e3o judeu e consagra a minoria palestiniana como cidad\u00e3os de segunda.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Como a natureza do Estado israelita n\u00e3o se satisfaz com as fronteiras que lhe foram inicialmente atribu\u00eddas, a sua expans\u00e3o, com a expuls\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o de palestinianos, tamb\u00e9m se mant\u00e9m at\u00e9 aos dias de hoje. V\u00e1rias d\u00e9cadas ap\u00f3s a descoloniza\u00e7\u00e3o oficial de \u00c1frica pelos Estados europeus, em pleno s\u00e9culo XXI, Israel promove a coloniza\u00e7\u00e3o de terras retiradas aos palestinianos por indiv\u00edduos de cidadania israelita. Este mesmo ano de 2018, foram demolidas 167 estruturas, propriedade de palestinianos, segundo dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Nada desta din\u00e2mica seria poss\u00edvel sem os 6 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares de ajuda militar que, todos os anos, os Estados Unidos destinam a Israel. O mesmo se aplica \u00e0 cobertura pol\u00edtica e diplom\u00e1tica que \u00e9 dada a Israel pelos Estados com mais peso no cen\u00e1rio internacional, nomeadamente os europeus.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">N\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o justa e democr\u00e1tica para este \u201cconflito\u201d, sem ter em conta o direito ao regresso dos palestinianos expulsos, assim como os seus descendentes, ou o fim do <em>apartheid<\/em> legal que vigora e vai sendo refor\u00e7ado, actualmente, no Estado de Israel e territ\u00f3rios por ele ocupados. N\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o justa e democr\u00e1tica que inclua um estado racista e colonialista que serve de posto avan\u00e7ado do imperialismo no M\u00e9dio Oriente.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Entre outras ac\u00e7\u00f5es h\u00e1 que responder ao apelo da sociedade civil palestiniana, boicotando o Estado de Israel nas suas vertentes econ\u00f3mica, acad\u00e9mica, cultural e desportiva, n\u00e3o deixando que este use iniciativas deste \u00e2mbito para branquear os seus crimes e reduzir o seu crescente isolamento.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Destaca-se a este n\u00edvel, o apoio expresso do director do Teatro Nacional D. Maria II \u00e0 campanha BDS (Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es), ou os recentes cancelamentos de concertos, em Israel, por artistas como Lorde ou Shakira. \u00c9 partindo deste boicote, que os trabalhadores solid\u00e1rios de todos os pa\u00edses, devem lutar pelo fim deste apoio e por san\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am desmoronar o estado racista, para que se erga, no seu lugar, uma Palestina multi\u00e9tnica, laica, democr\u00e1tica e inclusiva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">Esta sexta-feira, 15 de Maio de 2020 centenas de artistas a n\u00edvel mundial, tais como<a href=\"https:\/\/liftthesiege.com\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">: Tiago Rodrigues, S\u00e9rgio Godinho, Vic Mensa e Viggo  Mortensen Jr. apelam ao fim do cerco de  Israel \u00e0 faixa de Gaza em plena crise do coronav\u00edrus, veja aqui<\/a>.<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>Andr\u00e9 T.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Cr\u00e9ditos do cartoon da imagem para: <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/sabaaneh\" rel=\"noopener\">Mohammad Sabaaneh<\/a><\/span><strong><br \/><\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3354,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[26],"tags":[116,1256,121,1849,621,115,1850,212,120,1848,123,117],"class_list":["post-3355","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-palestina","tag-alternativa","tag-estados","tag-israel","tag-israelitas","tag-liberdade","tag-movimento","tag-nakba","tag-ocupacao","tag-palestina","tag-palestinianos","tag-sionismo","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/nakba72anos_x625.png?fit=625%2C469","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3355"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3355\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3354"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}