{"id":3343,"date":"2020-04-20T19:29:58","date_gmt":"2020-04-20T18:29:58","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2020\/04\/20\/25-de-abril-sempre\/"},"modified":"2020-04-20T19:29:58","modified_gmt":"2020-04-20T18:29:58","slug":"25-de-abril-sempre","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2020\/04\/20\/25-de-abril-sempre\/","title":{"rendered":"25 de Abril, Sempre!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Editorial &#8211; 20 de Abril de 2020<\/strong><\/p>\n<p style=\"clear: both;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">H\u00e1 quem veja na crise de sa\u00fade p\u00fablica que atravessamos, a oportunidade perfeita para nem assinalarmos \u2013 repetimos, nem assinalarmos &#8211; o 25 de Abril. <\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"clear: both; font-size: 14pt;\">Dia em que o povo portugu\u00eas, no ano de 1974, arrancou a sua liberdade pol\u00edtica a uma ditadura que se perpetuou no poder por 48 anos, os \u00faltimos 13 dos quais marcados por uma sangrenta guerra contra a emancipa\u00e7\u00e3o dos povos das ex-col\u00f3nias. Pela mesma ordem de raz\u00e3o, o 1 de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores, segundo aquelas mesmas personagens, dever\u00e1 ser igualmente silenciado.<\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O 25 de Abril de 1974 foi a data em que o povo portugu\u00eas colocou em marcha uma revolu\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da qual fundou os meios que lhe permitissem cumprir um sonho. O sonho de um povo para acabar com uma guerra colonial intermin\u00e1vel; o sonho por acesso a um servi\u00e7o de sa\u00fade que, por exemplo, combatesse a gigantesca mortalidade infantil; o sonho de ter acesso a uma educa\u00e7\u00e3o universal, erradicando o analfabetismo generalizado; o sonho de ter acesso a uma habita\u00e7\u00e3o; o sonho de se poder deslocar em transportes de qualidade, dentro do pa\u00eds e para o estrangeiro; o sonho de expressar as suas opini\u00f5es pol\u00edticas; o sonho de construir um regime e uma economia ao servi\u00e7o das necessidades do povo e n\u00e3o dos benef\u00edcios e lucros de uma elite; o sonho de ter direito a um sal\u00e1rio e condi\u00e7\u00f5es de trabalho dignas; o sonho de conseguir fazer planos para a sua vida e para a vida dos seus filhos.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 evidente que, pelo risco de cont\u00e1gio da pandemia de COVID-19 que atravessamos, n\u00e3o se poder\u00e3o juntar milhares de pessoas nas ruas. Noutras condi\u00e7\u00f5es, essa seria a comemora\u00e7\u00e3o adequada. O parlamento aprovou, por maioria, a realiza\u00e7\u00e3o das suas cerim\u00f3nias alusivas ao 25 de Abril, com as devidas regras de seguran\u00e7a, conforme, ali\u00e1s, j\u00e1 tem sido o seu funcionamento nas \u00faltimas semanas de confinamento.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">No entanto, \u00e0 direita e extrema-direita, sem espanto, h\u00e1 quem calce as botas cardadas para, a cavalo da pandemia, tentar espezinhar o significado do 25 de Abril e do 1 de Maio, exigindo o maior esvaziamento poss\u00edvel destas datas.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">O CDS-PP, partido que votou contra a cria\u00e7\u00e3o do SNS p\u00fablico, em 1979, prop\u00f4s que o 25 de Abril, este ano, fosse assinalado com uma mera mensagem do Presidente da Rep\u00fablica. O Iniciativa Liberal e o Chega, partidos que t\u00eam feito quest\u00e3o de publicamente enaltecer, n\u00e3o o 25 de Abril, mas, sim, o 25 de Novembro, que defendem a privatiza\u00e7\u00e3o completa do SNS ou da Escola p\u00fablica, v\u00e3o no mesmo sentido do CDS-PP. Limitar, reduzir, se poss\u00edvel impedir, tratando o 25 de Abril como uma ing\u00e9nua \u201cfestividade\u201d.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 simplesmente rid\u00edculo, pois esta direita bafienta \u00e9 a mesma que exige que a \u201ceconomia regresse \u00e0 normalidade\u201d, o mais breve poss\u00edvel, colocando milhares de trabalhadores em contacto f\u00edsico. Andr\u00e9 Ventura, por exemplo, no in\u00edcio do confinamento, exigia que o parlamento n\u00e3o parasse os seus trabalhos, apelidando de \u201ccobardes\u201d aqueles que aderiam \u00e0 quarentena volunt\u00e1ria. Hoje, exige que o parlamento coloque o 25 de Abril de quarentena. O mesmo Andr\u00e9 Ventura que, no in\u00edcio da pandemia, decidiu oportunisticamente distribuir produtos em lares de idosos, apelando ao rompimento da quarentena, hoje \u00e9 favor\u00e1vel a que a quarentena se aplique, o mais rigorosamente poss\u00edvel, mas apenas sobre o 25 de Abril. Os mordomos do lucro, sempre servis \u00e0s elites, aproveitam qualquer circunst\u00e2ncia para dividir os trabalhadores sobre quest\u00f5es que apenas a eles interessam. N\u00e3o podemos deixar de recordar que estes s\u00e3o parte dos filhos e netos do regime autorit\u00e1rio que o 25 de Abril derrubou.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Aquele sonho, personificado, em Portugal, pelo 25 de Abril de 1974, n\u00e3o morreu mas ficou por cumprir. E hoje, 46 anos ap\u00f3s aquele dia, voltamos a atravessar um per\u00edodo em que a democracia est\u00e1 fragilizada. N\u00e3o s\u00f3 em Portugal, com o Governo PS e a ajuda da direita, da extrema-direita e da esquerda parlamentar, mas um pouco por toda a Europa, um pouco por todo o mundo, com os mais diversos governos determinados a atropel\u00e1-la, musculando os seus regimes e aparelhos de estado, atrav\u00e9s de decretos de Estados de Emerg\u00eancia com o objectivo de emudecer a contesta\u00e7\u00e3o, calar o descontentamento e at\u00e9 prevenir poss\u00edveis revoltas.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">N\u00e3o estamos todos do mesmo lado e esta \u201cguerra\u201d n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o diferente daquela que viv\u00edamos antes da pandemia. Se estamos todos no mesmo barco, h\u00e1 quem n\u00e3o consiga livrar-se dos grilh\u00f5es que os mant\u00eam acorrentados ao por\u00e3o. J\u00e1 se come\u00e7a a perceber que os mais afectados pela COVID-19 s\u00e3o os mais pobres e oprimidas. J\u00e1 se come\u00e7a a perceber que os mais afectados pela crise econ\u00f3mica que se segue ser\u00e3o os trabalhadores e trabalhadoras, sem emprego, sem rendimentos, sem escapat\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Se existe momento em que o 25 de Abril e a democracia tem de ser defendida, vincando o seu papel, \u00e9 este, pois \u00e9 demasiado n\u00edtido que a elite parasita que nos tem governado se move para prescindir dela. Somos da opini\u00e3o que as comemora\u00e7\u00f5es, mantendo todos os cuidados de seguran\u00e7a e higiene, deveriam n\u00e3o s\u00f3 ser feitas no parlamento, mas ser igualmente alvo de eventos organizados pelo povo e suas organiza\u00e7\u00f5es, recorrendo inevitavelmente ao seu caracter simb\u00f3lico para evitar ajuntamentos em tempos de pandemia.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 14pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Para finalizar, uma \u00faltima palavra em homenagem a Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, uma das vozes da revolu\u00e7\u00e3o, pois este ser\u00e1 o primeiro 25 de Abril sem a sua presen\u00e7a. <strong>Neste 25 de Abril, mantenhamo-nos, acima de tudo, inquietos.<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial &#8211; 20 de Abril de 2020 H\u00e1 quem veja na crise de sa\u00fade p\u00fablica que atravessamos, a oportunidade perfeita para nem assinalarmos \u2013 repetimos, nem assinalarmos &#8211; o 25 de Abril.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3342,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[101],"tags":[228,116,1814,1834,1296,1835,115,1823,2,117],"class_list":["post-3343","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-editorial-editorial","tag-25-de-abril","tag-alternativa","tag-coronavirus","tag-cravos","tag-ditadura","tag-fascistas","tag-movimento","tag-pandemia","tag-revolucao","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/abril_sempre2020.png?fit=630%2C420","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3343","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3343"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3343\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3342"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}