{"id":333,"date":"2010-10-30T00:05:53","date_gmt":"2010-10-29T23:05:53","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/10\/30\/a-franca-mostrou-o-caminho-povos-da-europa-levantem-se\/"},"modified":"2010-10-30T00:05:53","modified_gmt":"2010-10-29T23:05:53","slug":"a-franca-mostrou-o-caminho-povos-da-europa-levantem-se","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/10\/30\/a-franca-mostrou-o-caminho-povos-da-europa-levantem-se\/","title":{"rendered":"A Fran\u00e7a mostrou o caminho: \u201cPovos da Europa, levantem-se\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-332\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/maniffranca.jpg?w=300\"  \/>A Uni\u00e3o Europeia declarou guerra \u00e0 classe trabalhadora e aos povos da Europa. &#8220;Sarkozy declarou-nos guerra&#8221;, disseram os trabalhadores franceses, referindo-se \u00e0s medidas do governo e, em particular, ao aumento da idade da reforma, que provocou a actual onda de mobiliza\u00e7\u00e3o, a maior desde 1995.<\/p>\n<p \/>  <!--more-->  Em Maio, foi o &#8220;socialista&#8221; Zapatero quem comandou os ataques, anunciando um plano de ajuste que previa da redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e do congelamento das pens\u00f5es at\u00e9 uma profunda reforma laboral, a que seguiu um dr\u00e1stico corte or\u00e7amental e a prevista reforma das pens\u00f5es.\u00a0  Nos \u00faltimos dias, foi o governo brit\u00e2nico que anunciou a destrui\u00e7\u00e3o de 500 mil postos de trabalho na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, um brutal corte no &#8220;Estado do bem-estar&#8221; e a reforma das pens\u00f5es. Em Portugal, o novo plano de austeridade do &#8220;socialista&#8221; S\u00f3crates provocou a convoca\u00e7\u00e3o de uma greve geral para o dia 24 de Novembro.<\/p>\n<p>No come\u00e7o do ano, foi a classe trabalhadora grega que se p\u00f4s em marcha contra os draconianos planos de austeridade decididos em Bruxelas e aplicados pelo &#8220;socialista&#8221; Papandreu. Na Alemanha, Angela Merkel anunciou um plano de corte de 80 mil milh\u00f5es de euros. Na It\u00e1lia, o governo Berlusconi imp\u00f5e mais do mesmo. Toda a Europa enfrenta esta praga.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia, sob a batuta do capitalismo alem\u00e3o e com o aval do FMI, marca os planos dos governos, seja qual for a sua &#8220;cor&#8221;. \u00c9 uma verdadeira guerra social que colocaram em marcha. Em todos os casos, decidiram que o d\u00e9fice p\u00fablico e a d\u00edvida gerados pelos 700 mil milh\u00f5es de euros investidos no resgate dos bancos, quando o sistema financeiro esteve \u00e0 beira do colapso, ser\u00e3o pagos pelos trabalhadores e trabalhadoras. Este \u00e9 o sentido dos planos de ajuste que todos os governos est\u00e3o aplicando \u00e0s pens\u00f5es, aos sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, aos servi\u00e7os p\u00fablicos e \u00e0s presta\u00e7\u00f5es sociais. Com isto, ao lado do empobrecimento massivo, querem abrir as portas aos bancos, seguradoras e fundos de investimentos para gerirem e controlarem os sistemas de pens\u00e3o, sa\u00fade e ensino<\/p>\n<p>Trata-se, nem mais nem menos, de um plano unificado para acabar com as conquistas da classe oper\u00e1ria europeia e impor um retrocesso hist\u00f3rico ao n\u00edvel de vida e aos direitos democr\u00e1ticos conseguidos. N\u00e3o em v\u00e3o, em muitos Estados da Uni\u00e3o Europeia persistem, ainda, importantes conquistas sociais e democr\u00e1ticas, em meio a um mundo golpeado pelo neoliberalismo mais selvagem. Direitos como f\u00e9rias pagas, sal\u00e1rios decentes, seguran\u00e7a social praticamente universal, os sistemas p\u00fablicos de pens\u00f5es e mesmo o direito de greve est\u00e3o no ponto de mira da classe capitalista europeia. Acabar com eles \u00e9 uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para competir com os outros imperialismos por sua parte no bolo do mercado mundial, em meio a uma crise hist\u00f3rica, desconhecida desde a Grande Depress\u00e3o dos anos 30 do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>A partir desta unidade de todos os governos contra a classe trabalhadora, dentro da Uni\u00e3o Europeia joga-se outra batalha, entre os que pertencem ao &#8220;n\u00facleo duro&#8221; e os que ficam de fora. A crise colocou todos em seu lugar: sob a hegemonia alem\u00e3, o eixo franco-alem\u00e3o mostra-se como o senhor indiscut\u00edvel da Europa, enquanto os pa\u00edses &#8220;perif\u00e9ricos&#8221;, como Gr\u00e9cia, Portugal ou o Estado Espanhol s\u00e3o submetidos a um regime de &#8220;protectorado&#8221; econ\u00f3mico, sem falar j\u00e1 dos pa\u00edses do Leste, recentemente incorporados \u00e0 UE e carentes de toda soberania nacional. N\u00e3o \u00e9 outra coisa a nova &#8220;governa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica&#8221; europeia. Al\u00e9m disso, os brutais planos de austeridade trazem inevitavelmente a recess\u00e3o e a estagna\u00e7\u00e3o europeias, em que as pr\u00f3prias perspectivas do euro e da EU est\u00e3o em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A resposta da classe trabalhadora europeia<\/p>\n<p>A resposta aos planos de ajuste, iniciada em Dezembro do ano passado pelos trabalhadores e o povo gregos, estendeu-se ao conjunto da Europa. Seguiram-se grandes manifesta\u00e7\u00f5es e greve na It\u00e1lia, no Estado Espanhol, em Portugal, na Alemanha, nos pa\u00edses do Leste. E, \u00e0 vanguarda de todos, a classe oper\u00e1ria e a juventude francesas, que, com um impressionante impulso desde a base e superando as c\u00fapulas burocr\u00e1ticas, puseram o governo de Sarkozy nas cordas, que acabou por militarizar as refinarias e lan\u00e7ar uma repress\u00e3o em massa, com milhares de presos.<\/p>\n<p>Em todos os lados, com desigualdades, a classe trabalhadora e a juventude europeia mostram a sua disposi\u00e7\u00e3o de luta. Esta disposi\u00e7\u00e3o enfrenta em todos os lados a burocracia sindical da Confedera\u00e7\u00e3o Europeia de Sindicatos (CES) e de suas organiza\u00e7\u00f5es nacionais, que tratam de bloquear as mobiliza\u00e7\u00f5es, de impedir o choque directo dos trabalhadores com os governos e com a EU e de fechar a todo custo a passagem de uma resposta unificada da classe trabalhadora europeia.<\/p>\n<p>\u00c0 CES, a apresenta\u00e7\u00e3o da proposta de greve geral europeia produz calafrios. As c\u00fapulas sindicais em Fran\u00e7a negam-se a centralizar o movimento e lan\u00e7\u00e1-lo a uma greve geral indefinida, que reuniria todas as condi\u00e7\u00f5es para conseguir a retirada da reforma das pens\u00f5es e a queda de Sarkozy. Pelo contr\u00e1rio, esperam que o movimento perca for\u00e7a e se desmoralize. A direc\u00e7\u00e3o das Trades Union Congress (TUC), brit\u00e2nicas, nega-se a convocar uma manifesta\u00e7\u00e3o nacional contra os brutais planos de Cameron, frente \u00e0s exig\u00eancias dos sindicatos do transporte e da educa\u00e7\u00e3o. Os dirigentes das CCOO (Comiss\u00f5es Oper\u00e1rias) e UGT no Estado Espanhol negam-se a convocar uma nova greve geral, numa v\u00e3 tentativa de retomar o &#8220;di\u00e1logo social&#8221;. E assim poder\u00edamos continuar, incorporando os diferentes pa\u00edses&#8230;<\/p>\n<p>Mas, apesar da omnipresente propaganda capitalista martelando permanentemente a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda que o empobrecimento e a perda de direitos, h\u00e1 que dizer que \u00e9 poss\u00edvel derrotar os planos de ajuste com uma mobiliza\u00e7\u00e3o geral que enfrente directamente os governos e re\u00fana as for\u00e7as de toda a classe trabalhadora europeia numa resposta unificada e contundente, rompendo as barreira que isolam Estado a Estado, na\u00e7\u00e3o a na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Exigimos, portanto, \u00e0s direc\u00e7\u00f5es sindicais da classe oper\u00e1ria dos diversos pa\u00edses europeus que ponham em marcha planos de luta de combate e consequentes com o objectivo de derrotar estes planos antioper\u00e1rios, em vez de sentar-se a negociar com os governos pequenas mudan\u00e7as que n\u00e3o mudam o conte\u00fado dos ataques. Exigimos tamb\u00e9m que convoquem greves gerais em seus pa\u00edses e que chamem a uma greve geral europeia que possam deitar abaixo os planos destes governos, da UE e do FMI.<\/p>\n<p>Os trabalhadores e as trabalhadoras da Europa entraram num per\u00edodo hist\u00f3rico em que est\u00e3o a enfrentar o enorme desafio de derrotar os planos que, como dizem os companheiros gregos, &#8220;querem devolver-nos aos anos 50&#8221; e de impor uma sa\u00edda oper\u00e1ria \u00e0 crise, abrindo o horizonte da luta para a destrui\u00e7\u00e3o da UE e a constru\u00e7\u00e3o dos Estados Socialistas da Europa.<\/p>\n<p>Impor uma sa\u00edda oper\u00e1ria \u00e0 crise exige o rep\u00fadio categ\u00f3rico aos planos de ajuste, a divis\u00e3o do trabalho mediante a redu\u00e7\u00e3o da jornada sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, o subs\u00eddio indefinido enquanto os trabalhadores n\u00e3o encontrem emprego, a reforma aos 60 anos, a coloca\u00e7\u00e3o em marcha de ambiciosos e duradouros planos de obras p\u00fablicas para resolver as grandes necessidades sociais, o fim da privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e sua revers\u00e3o onde hajam sido privatizados, fortes impostos aos ricos, a nacionaliza\u00e7\u00e3o sob o controlo dos trabalhadores de todas as grandes ind\u00fastrias e sectores estrat\u00e9gicos, a expropria\u00e7\u00e3o dos bancos para p\u00f4r os recursos do pa\u00eds ao servi\u00e7o da reorganiza\u00e7\u00e3o da economia em benef\u00edcios da imensa maioria e o n\u00e3o reconhecimento das d\u00edvidas nacionais.<\/p>\n<p>Impor uma sa\u00edda oper\u00e1ria \u00e0 crise exige fazer frente com a m\u00e1xima resolu\u00e7\u00e3o ao ressurgimento das alternativas racistas e xen\u00f3fobas, atr\u00e1s das quais se alimenta o renascimento da extrema direita, uma arma com a qual a burguesia europeia come\u00e7a a contar para o futuro.<\/p>\n<p>Na verdade, o que estamos vivendo hoje \u00e9 uma guerra social dos patr\u00f5es e dos governos contra os trabalhadore(a)s e os povos. Impor uma sa\u00edda oper\u00e1ria \u00e0 crise exige, portanto, n\u00e3o s\u00f3 enfrentar os planos mas tamb\u00e9m os governos de turnos que est\u00e3o fazendo com que sejam os trabalhadore(a)s os que paguem uma crise que n\u00e3o \u00e9 nossa. Sem combater directamente estes governos da burguesia, sejam da direita ou da social-democracia, n\u00e3o vamos conseguir derrotar esses planos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, esta crise n\u00e3o fez mais do que deixar claro e de forma mais crua a barb\u00e1rie do sistema capitalista, que n\u00e3o d\u00e1 outra sa\u00edda aos que vivem de seu trabalho que a sobrexplora\u00e7\u00e3o e a mis\u00e9ria. Um sistema que vai de crise em crise, que tem as suas bases mais profundas na explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, que nos tira a vida e a dignidade, obrigando-nos a trabalhar at\u00e9 morrer, que sustenta o luxo dos de cima com a destrui\u00e7\u00e3o do planeta e da humanidade.<\/p>\n<p>Por isso, para a Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-CI), esta crise \u2013 a maior desde 1929 \u2013 p\u00f5e na ordem do dia a necessidade de derrubar n\u00e3o s\u00f3 os planos dos governos, como tamb\u00e9m todo o sistema capitalista.<\/p>\n<p>Avan\u00e7ar na reorganiza\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica do movimento oper\u00e1rio<\/p>\n<p>Os trabalhadores e trabalhadoras, a juventude francesa, demonstram uma enorme for\u00e7a e, ao mesmo tempo, a necessidade urgente de juntar a for\u00e7a combativa que desde as bases sindicais e da juventude, levante uma alternativa frente \u00e0s burocracias, que s\u00e3o o principal obst\u00e1culo \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9, agora, a necessidade mais urgente \u00e0 escala de cada pa\u00eds e \u00e0 escala europeia: unir a esquerda sindical e coorden\u00e1-la a n\u00edvel europeu, onde o atraso \u00e9 ainda maior.<\/p>\n<p>Todos os passos na reorganiza\u00e7\u00e3o sindical s\u00e3o insepar\u00e1veis da reorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, da luta para construir uma direc\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria frente a uma esquerda institucional que h\u00e1 muito tempo deixou de ser esquerda para converter-se no instrumento do capitalismo europeu. Nesta tarefa est\u00e3o firmemente comprometidas as organiza\u00e7\u00f5es europeias da LIT-CI.<\/p>\n<p>28 de Outubro de 2010<br \/><strong>LIT-CI<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Uni\u00e3o Europeia declarou guerra \u00e0 classe trabalhadora e aos povos da Europa. &#8220;Sarkozy declarou-nos guerra&#8221;, disseram os trabalhadores franceses, referindo-se \u00e0s medidas do governo e, em particular, ao aumento da idade da reforma, que provocou a actual onda de mobiliza\u00e7\u00e3o, a maior desde 1995.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":332,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-333","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/maniffranca.jpg?fit=300%2C199","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/332"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}