{"id":331,"date":"2010-10-29T23:57:41","date_gmt":"2010-10-29T22:57:41","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/10\/29\/o-maior-desafio-em-mais-de-60-anos-na-inglaterra\/"},"modified":"2010-10-29T23:57:41","modified_gmt":"2010-10-29T22:57:41","slug":"o-maior-desafio-em-mais-de-60-anos-na-inglaterra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/10\/29\/o-maior-desafio-em-mais-de-60-anos-na-inglaterra\/","title":{"rendered":"O maior desafio em mais de 60 anos na Inglaterra"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-330\" style=\"margin: 10px 10px 2px; float: left;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/inglaterra.jpg?w=300\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/inglaterra.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/inglaterra.jpg?resize=300%2C200 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>O Sindicato dos Transportes (RMT) convocou uma manifesta\u00e7\u00e3o para 23 de Outubro, em Londres, contra os cortes de &#8220;austeridade&#8221; e marchou at\u00e9 a sede do TUC (Federa\u00e7\u00e3o Sindical Nacional) exigindo uma ac\u00e7\u00e3o imediata contra os cortes. A marcha foi apoiada pelo FBU (sindicato de bombeiros), o NUT (sindicato de professores) e outros sindicatos. Cerca de 1500 pessoas participaram da manifesta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>No com\u00edcio, Matt Wrack, o l\u00edder do FBU, falou sobre a greve iminente dos bombeiros em Londres. &#8220;Os patr\u00f5es est\u00e3o dizendo \u2013 andem na linha ou vamos despedi-los. Bem, n\u00f3s estamos andando&#8230; em greve&#8221;.<\/p>\n<p>Em 20 de Outubro, dia em que o governo anunciou os cortes mais profundos desde a 2\u00aa Guerra Mundial, 2,5 mil marcharam em Londres em oposi\u00e7\u00e3o, e em todo o pa\u00eds muitas outras manifesta\u00e7\u00f5es foram realizadas. Existem outras manifesta\u00e7\u00f5es previstas, no entanto, a lideran\u00e7a do TUC recusou-se a convocar uma manifesta\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Na Esc\u00f3cia, o TUC escoc\u00eas mobilizou e 20 mil marcharam em Edimburgo.<\/p>\n<p>Durante a passeata, estudantes realizaram um protesto gritando &#8220;Somos todos franceses&#8221;. A popula\u00e7\u00e3o da Esc\u00f3cia \u00e9 de cerca de 5 milh\u00f5es, e uma mobiliza\u00e7\u00e3o equivalente na Inglaterra e no Pa\u00eds de Gales teria visto 200 mil ou mais nas ruas de Londres.<\/p>\n<p>A paralisia do TUC \u00e9 para tentar impedir qualquer manifesta\u00e7\u00e3o nacional das massas at\u00e9 Mar\u00e7o de 2011. Entretanto, a ac\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo tomada agora pelos sindicatos que est\u00e3o sob amea\u00e7a imediata, como no caso dos cortes para o servi\u00e7o de combate a inc\u00eandio em Londres e os ataques aos empregos no sector ferrovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Uma vez iniciados os cortes, n\u00e3o existir\u00e1 um \u00fanico sector onde os trabalhadores n\u00e3o ser\u00e3o amea\u00e7ados. George Osborne, o ministro da Fazenda, anunciou cortes de 490 mil empregos no sector p\u00fablico, e \u00e9 amplamente reconhecido que isto significa mais 500 mil no sector privado. Haver\u00e1 um corte total combinado de \u00a318 mil milh\u00f5es nos benef\u00edcios sociais (desemprego, habita\u00e7\u00e3o, crian\u00e7a, invalidez e benef\u00edcios relacionados com o trabalho) e, em 2020, a idade da reforma ser\u00e1 aumentada para 66 anos (hoje \u00e9 de 60 para as mulheres, mas em crescimento, e 65 para os homens). Ocorreram cortes de pelo menos 20% em muitos Minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>H\u00e1 um corte de pelo menos 40% para o financiamento das Universidades e de 20% nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. Isso vai significar o fechamento de algumas universidades e faculdades, e isso significa que os pobres ser\u00e3o impedidos de fazer cursos caros, pois as taxas escolares ir\u00e3o dobrar.<\/p>\n<p>Quando George Osborne anunciou o corte de empregos no sector p\u00fablico, os parlamentares conservadores esqueceram a sua interpreta\u00e7\u00e3o p\u00fablica de &#8220;assist\u00eancia, uma na\u00e7\u00e3o&#8221; [1] e aplaudiram, revelando um desprezo indisfar\u00e7\u00e1vel \u00e0 classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Estes cortes dizem respeito \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o da previd\u00eancia social. Os servi\u00e7os p\u00fablicos ser\u00e3o contratados no sector privado, e os servi\u00e7os p\u00fablicos estatais ser\u00e3o cortados. O RMT e outros est\u00e3o chamando os dirigentes sindicais a preparar uma manifesta\u00e7\u00e3o nacional este ano, e muitos sindicatos far\u00e3o greves quando os cortes atingirem as suas bases de servidores p\u00fablicos e os seus empregos. Alguns sindicatos s\u00e3o obrigados a mostrar que est\u00e3o respondendo, tomando medidas sob seu controle, tais como a cria\u00e7\u00e3o de novos comit\u00e9s de base, mas proporcionando-lhes poucos recursos e tamb\u00e9m realizando actos de protesto com convoca\u00e7\u00e3o apenas na v\u00e9spera.<\/p>\n<p>Os ataques aos trabalhadores s\u00f3 podem ter sucesso para a burguesia e o governo se gerarem novas divis\u00f5es e ataques mais profundos sobre os pobres, mulheres, jovens e imigrantes. J\u00e1 nesta semana, o card\u00e1pio de um hospital p\u00fablico n\u00e3o continha alimenta\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana. Os pacientes que a necessitem t\u00eam de arrumar a sua pr\u00f3pria refei\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 mais um ataque a mu\u00e7ulmanos e comunidades de imigrantes.<\/p>\n<p>Alguns distritos de Londres j\u00e1 come\u00e7aram a preparar um \u00eaxodo em massa de 200 mil pobres das \u00e1reas mais ricas da cidade. Esta \u00e9 uma consequ\u00eancia do ataque contra os subs\u00eddios \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, que ajudam a reduzir o valor das rendas e hipotecas para os trabalhadores com baixos sal\u00e1rios e os desempregados. O subs\u00eddio \u00e0 habita\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser limitado a valores abaixo das taxas de mercado e dever\u00e1 chegar a 30% da taxa de mercado at\u00e9 Outubro de 2011. Isso significa que uma limpeza social e econ\u00f3mica em massa est\u00e1 sendo preparada nas cidades.<\/p>\n<p>Os trabalhadores deste pa\u00eds est\u00e3o a entrar num per\u00edodo que vai mudar as rela\u00e7\u00f5es de classe e de luta, mas as burocracias sindicais est\u00e3o tentando controlar e suprimir a reac\u00e7\u00e3o da classe. Os sindicatos que est\u00e3o se movendo para a luta precisam ajudar a coordenar uma ac\u00e7\u00e3o mais ampla, reunindo estudantes, trabalhadores, comunidades e imigrantes num movimento que exija o fim dos cortes e com uma mensagem clara de que n\u00e3o vamos pagar pela crise dos especuladores e banqueiros. Esse \u00e9 o entendimento das comiss\u00f5es contra os cortes que come\u00e7am a desenvolver-se em toda a Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>[1] Uma na\u00e7\u00e3o (one nation): termo usado para referir-se a uma ala do Partido Conservador que prega a &#8220;uni\u00e3o entre ricos e pobres&#8221; na Inglaterra, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o social existente entre as classes.<\/p>\n<p><strong>Ralph Martin<\/strong><br \/><em>Membro do Sindicato de Professores Universit\u00e1rios (UCU), do Conselho Sindical de Liverpool e do movimento contra os cortes.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sindicato dos Transportes (RMT) convocou uma manifesta\u00e7\u00e3o para 23 de Outubro, em Londres, contra os cortes de &#8220;austeridade&#8221; e marchou at\u00e9 a sede do TUC (Federa\u00e7\u00e3o Sindical Nacional) exigindo uma ac\u00e7\u00e3o imediata contra os cortes. 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