{"id":3290,"date":"2020-01-21T00:46:36","date_gmt":"2020-01-20T23:46:36","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2020\/01\/21\/em-franca-e-no-mundo-neoliberalismo-vs-condicoes-de-vida\/"},"modified":"2020-01-21T00:46:36","modified_gmt":"2020-01-20T23:46:36","slug":"em-franca-e-no-mundo-neoliberalismo-vs-condicoes-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2020\/01\/21\/em-franca-e-no-mundo-neoliberalismo-vs-condicoes-de-vida\/","title":{"rendered":"Em Fran\u00e7a e no mundo: neoliberalismo vs condi\u00e7\u00f5es de vida!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"clear: both;\">A reforma do sistema de pens\u00f5es franc\u00eas que Macron quer impor \u00e9 parte do plano neoliberal de desmantelamento completo do Estado Social franc\u00eas em beneficio dos grandes neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"clear: both;\">Esta n\u00e3o \u00e9, ali\u00e1s, a primeira vez que o sistema de pens\u00f5es franc\u00eas est\u00e1 sob amea\u00e7a, sempre com uma dura resist\u00eancia de quem vive do seu trabalho e de quem depender\u00e1 dos descontos de uma vida para se reformar.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente esta resist\u00eancia que faz com que Fran\u00e7a seja ainda o pa\u00eds com as maiores fun\u00e7\u00f5es estatais face ao seu PIB &#8211; cerca de 55% do PIB franc\u00eas, em 2018. Para termos uma no\u00e7\u00e3o comparativa, Portugal despende cerca de 45% do seu PIB com as suas fun\u00e7\u00f5es estatais, um valor bem abaixo do franc\u00eas, e todos n\u00f3s sabemos a desgra\u00e7a em que os nossos servi\u00e7os p\u00fablicos est\u00e3o mergulhados.<\/p>\n<p>Macron, apoiado pelos grandes interesses econ\u00f3micos e financeiros franceses e europeus, foi eleito para proceder \u00e0 maior destrui\u00e7\u00e3o poss\u00edvel daquelas despesas p\u00fablicas ess\u00eancias. Sob a Presid\u00eancia Macron, o direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Universal e Gratuita tem sido assediado pela agenda neoliberal do mercado do ensino privado. Os caminhos de ferro e os transportes p\u00fablicos t\u00eam sido liberalizados e vendidos aos interesses privados. A legisla\u00e7\u00e3o laboral tem sido desmantelada no sentido da precariza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho. O direito \u00e0 Habita\u00e7\u00e3o e a habita\u00e7\u00e3o social t\u00eam sido destru\u00eddas em fun\u00e7\u00e3o do mercado especulativo. Os servi\u00e7os p\u00fablicos t\u00eam sido sujeitos a uma severa dieta, de onde se destaca os servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade. Esta destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 acompanhada de uma brutal repress\u00e3o policial e pol\u00edtica sobre os movimentos que resistem.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 a reforma do sistema de pens\u00f5es de Macron?<\/strong><\/p>\n<p>A reforma do sistema de pens\u00f5es ficou congelada, no \u00faltimo ano, devido \u00e0s fortes mobiliza\u00e7\u00f5es que se t\u00eam feito sentir em Fran\u00e7a, nomeadamente, por parte dos Coletes Amarelos. Ap\u00f3s o arrefecimento daquela contesta\u00e7\u00e3o, Macron procura agora avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>A reforma consiste em prolongar a vida de trabalho (dos 62 para os 64 anos) e, acima de tudo, substituir o modelo social de pens\u00f5es, que garante um rendimento a quem cumpriu uma vida de trabalho, por um modelo neoliberal baseado numa comparticipa\u00e7\u00e3o estatal m\u00ednima, complementado por fundos de pens\u00f5es privados e sob a perspectiva de rendimentos-extra cont\u00ednuos, provenientes de eventuais actividades laborais que o reformado possa desenvolver. \u00c9 o racioc\u00ednio basilar de qualquer neoliberal: apropriar-se dos recursos sociais, que pertencem a todos os trabalhadores, em benef\u00edcio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>O objectivo \u00e9 gerar astron\u00f3micos lucros \u00e0s grandes seguradoras e bancos privados, atrav\u00e9s da gest\u00e3o de gigantescos fundos de capital, que apenas podem ser levantados ao fim da vida de trabalho. Esta \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vai marcando presen\u00e7a, inclusivamente, em Portugal. Ou seja, s\u00e3o recursos certos e garantidos \u00e0 especula\u00e7\u00e3o financeira; \u00e9 lucro certo e garantido para os grandes fundos, seguradoras e bancos. Apenas n\u00e3o s\u00e3o garantidas as nossas reformas, uma vez que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, se o fundo falir, n\u00e3o h\u00e1 pens\u00f5es para ningu\u00e9m. Onde j\u00e1 vimos este filme?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O povo e os trabalhadores franceses dizem: N\u00c3O \u00c0 REFORMA DO SISTEMA DE PENS\u00d5ES! <\/strong><\/p>\n<p><strong>Toda a solidariedade com o povo e trabalhadores franceses!<\/strong><\/p>\n<p>No fim de Novembro de 2019, dois ter\u00e7os da opini\u00e3o p\u00fablica francesa estava contra a reforma do sistema de pens\u00f5es e apoiava as greves.<\/p>\n<p>No dia 5 de Dezembro de 2019, iniciou-se uma importante e massiva resposta por parte da classe trabalhadora francesa. Neste primeiro dia de greve, \u201ca atividade econ\u00f3mica de Paris e dos seus arredores parou, com quase todas as esta\u00e7\u00f5es de metro encerradas. Em todo o pa\u00eds, mais de 90% dos servi\u00e7os de comboios foram cancelados, enquanto os funcion\u00e1rios dos mais diversos sectores p\u00fablicos, trabalhadores do sector da energia e magistrados tamb\u00e9m se uniram \u00e0 greve, em n\u00famero significativo. Ainda mais surpreendente foi o envolvimento em massa dos professores. Trabalhadores do setor privado participaram menos mas, ainda assim, em n\u00famero significativo: na quinta-feira [5 de Dezembro], a Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (CGT) registou, pelo menos, dois mil pr\u00e9-avisos de greve no setor privado, em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como esperado, os trabalhadores das refinarias de petr\u00f3leo aderiram \u00e0 greve em grande n\u00famero e tamb\u00e9m houve uma participa\u00e7\u00e3o significativa nas companhias a\u00e9reas dom\u00e9sticas francesas. A f\u00e1brica da Renault anunciou que uma m\u00e9dia de 5% da sua for\u00e7a de trabalho participou na greve &#8211; um n\u00famero modesto, segundo os padr\u00f5es hist\u00f3ricos, mas ainda o mais alto da \u00faltima d\u00e9cada, ao n\u00edvel da empresa. O tamanho das manifesta\u00e7\u00f5es de rua foi outro teste importante \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o. E, novamente, os n\u00fameros demonstraram um dinamismo real. Enquanto fontes oficiais afirmam que 70.000 pessoas participaram dos protestos em Paris e 806.000 em todo o pa\u00eds, os sindicatos estimaram 250.000 para a capital e 1,5 milh\u00f5es para a Fran\u00e7a, como um todo; v\u00e1rios n\u00fameros dos media local somam facilmente um milh\u00e3o em todo o pa\u00eds\u201d<a href=\"#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Aquele dia transformou-se, entretanto, num prolongado movimento grevista que dura, ininterruptamente, h\u00e1 mais de 40 dias, tendo feito o governo recuar na inten\u00e7\u00e3o de aumentar a idade da reforma dos 62 para os 64 anos. Um pequeno rec\u00fao do governo que visou desarmar os grevistas, o que, neste momento, parece ter surtido algum efeito.<\/p>\n<p>Desde o 5 de Dezembro, foram registados seis dias de mobiliza\u00e7\u00e3o nacional, liderados pela CGT, e foram registadas greves di\u00e1rias em setores como a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, os servi\u00e7os p\u00fablicos e no fornecedor franc\u00eas de eletricidade. No entanto, estas paralisa\u00e7\u00f5es parecem n\u00e3o conseguir fortalecer-se no \u00faltimo per\u00edodo, sobretudo no sector privado. Enquanto isso, a participa\u00e7\u00e3o nos protestos dos dias de mobiliza\u00e7\u00e3o nacional parece ter ca\u00eddo. Segundo o Minist\u00e9rio do Interior franc\u00eas, a manifesta\u00e7\u00e3o nacional da \u00faltima quinta-feira (16 de Janeiro) caiu para os 187.000 manifestantes, em todo o pa\u00eds, abaixo dos 806.000, de 5 de Dezembro. Nos \u00faltimos dias, a press\u00e3o para voltar ao trabalho intensificou-se. Os fundos de greve pagam apenas parte dos sal\u00e1rios e alguns trabalhadores come\u00e7am a voltar ao trabalho.<\/p>\n<p>Ainda assim, o apoio da opini\u00e3o p\u00fablica \u00e0s greves continua elevado, com uma sondagem recente a evidenciar que 60% dos franceses apoia o movimento. N\u00e3o nos podemos ainda esquecer que este \u00e9 um movimento de longo f\u00f4lego que surge na sequ\u00eancia dos prolongados meses de mobiliza\u00e7\u00e3o dos Coletes Amarelos. Estes s\u00e3o importantes elementos que podem evidenciar que a disposi\u00e7\u00e3o de luta da classe trabalhadora francesa n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 beira do fim. No pr\u00f3ximo dia 24 de Janeiro, haver\u00e1 nova mobiliza\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p><strong>Toda a solidariedade com o povo e trabalhadores franceses para derrotar o assalto de Macron ao sistema de pens\u00f5es. Esta \u00e9 tamb\u00e9m a nossa luta!<\/strong><\/p>\n<p><a name=\"sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup> <\/a><a href=\"https:\/\/jacobinmag.com\/2019\/12\/france-strike-welfare-state-pensions-emmanuel-macron\">https:\/\/jacobinmag.com\/2019\/12\/france-strike-welfare-state-pensions-emmanuel-macron<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma do sistema de pens\u00f5es franc\u00eas que Macron quer impor \u00e9 parte do plano neoliberal de desmantelamento completo do Estado Social franc\u00eas em beneficio dos grandes neg\u00f3cios.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3289,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[24],"tags":[116,1781,1780,352,182,176,1098,114,115,1779,614,1752,2,162,117,175],"class_list":["post-3290","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-franca","tag-alternativa","tag-estado-de-bem-estar","tag-estado-social","tag-franca","tag-greve","tag-luta","tag-macron","tag-mas","tag-movimento","tag-neoliberal","tag-pensoes","tag-reformas","tag-revolucao","tag-revolucionario","tag-socialista","tag-trabalhadores"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/revoltons_nous.jpg?fit=630%2C362","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3290"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3290\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3289"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}