{"id":3278,"date":"2019-12-13T23:54:43","date_gmt":"2019-12-13T22:54:43","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/12\/13\/greves-paralisam-franca\/"},"modified":"2019-12-13T23:54:43","modified_gmt":"2019-12-13T22:54:43","slug":"greves-paralisam-franca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/12\/13\/greves-paralisam-franca\/","title":{"rendered":"Greves paralisam Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"clear: both;\">A Fran\u00e7a vai no nono dia consecutivo de protestos e paralisa\u00e7\u00f5es. Passado pouco mais de um ano do in\u00edcio do movimento <em>\u201cgilets jaunes<\/em>\u201d (coletes amarelos &#8211; CA), que durou v\u00e1rios meses, e levou \u00e0 rua multid\u00f5es, a resist\u00eancia dos de baixo, aos planos de empobrecimento desejados pelos de cima, volta a agitar o cen\u00e1rio pol\u00edtico.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, os trabalhadores de Fran\u00e7a voltaram a erguer-se contra Macron. As greves t\u00eam como objetivo impedir a reforma do sistema de pens\u00f5es proposta pelo presidente Macron. A greve tem tido particular impacto nos transportes, dos autocarros, aos comboios, aos metros, causando um caos nas estradas que d\u00e3o acesso \u00e0 capital<sup><a href=\"#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a><\/sup>. O primeiro dia de greve, 5 de Dezembro, foi marcado por fortes manifesta\u00e7\u00f5es em mais de 250 cidades e vilas francesas. As centrais sindicais falam em mais de 800 mil pessoas nas ruas, se assim for s\u00f3 tem paralelo com os n\u00fameros de 1995, quando Chirac enfrentou poderosas mobiliza\u00e7\u00f5es e greves, precisamente por querer reformar o sistema de pens\u00f5es. Apesar de fortes constrangimentos nos transportes, segundo uma sondagem divulgada no passado domingo, metade da popula\u00e7\u00e3o simpatiza com a greve.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o do dia 10 de Dezembro voltou a levar milhares \u00e0s ruas, um pouco por toda a Fran\u00e7a, mas em menor n\u00famero que a da semana passada<a href=\"#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a>. A mudan\u00e7a proposta por Macron para a altera\u00e7\u00e3o ao c\u00e1lculo das reformas, tem como contornos gerais: o actual regime que contempla v\u00e1rios regime de pens\u00f5es (42 subsistemas), vai passar a ser \u201cuniversal\u201d e ser\u00e1 calculada atrav\u00e9s de um sistema de pontos. Na pr\u00e1tica, para a larga maioria dos trabalhadores, isto traduzir-se-\u00e1 num aumento do n\u00famero de anos de descontos para aceder \u00e0 totalidade da reforma, e \/ou \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do valor da pens\u00e3o. As greves, neste dia 13, continuam e afectam fundamentalmente os transportes p\u00fablicos<a href=\"#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Macron, que pretende avan\u00e7ar com mais uma medida anti-popular, n\u00e3o contava com tanta resist\u00eancia. Em 2010, os trabalhadores tentaram resistir nas ruas ao aumento da idade de reforma aplicado pela direita, mas acabaram por ser derrotados. Em 2016, foi a vez do Partido Socialista franc\u00eas atacar os direitos de quem trabalha, e promover altera\u00e7\u00f5es ao c\u00f3digo laborar no sentido de desvalorizar a for\u00e7a de trabalho e tornar os v\u00ednculos mais prec\u00e1rios. Tamb\u00e9m neste per\u00edodo, os trabalhadores se manifestaram mas foram derrotados. Estes \u00faltimos 9 dias demonstram que apesar dessas duas derrotas, muito por culpa das direc\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas das grandes centrais sindicais, o movimento organizado de trabalhadores ainda tem for\u00e7a para resistir e parar o pa\u00eds, complicando os planos de Macron.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>As direc\u00e7\u00f5es sindicais e os Coletes Amarelos<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da perda de fulgor dos CA nos \u00faltimos meses, o \u00faltimo m\u00eas foi marcado por lutas, especialmente no sector p\u00fablico (que em m\u00e9dia recebem menos que os trabalhadores do privado). Na Sa\u00fade, os trabalhadores t\u00eam feito greves exigindo melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e mais contrata\u00e7\u00f5es. O sector dos transportes tamb\u00e9m tem estado em luta, onde os trabalhadores exigem das dire\u00e7\u00f5es dos sindicatos mais do que aquilo que estes se prop\u00f5em a fazer. A marcha contra a viol\u00eancia sobre a Mulher, no dia 23 de Novembro, em Paris, foi a maior de que h\u00e1 registo, reunindo cerca de 50 mil mulheres.<\/p>\n<p>Estes meses de luta s\u00e3o poss\u00edveis depois do que foi o movimento Coletes Amarelos que amedrontou a burguesia e a classe m\u00e9dia privilegiada e entusiasmou os sectores populares. Este processo foi t\u00e3o forte que, h\u00e1 precisamente um ano, Macron se viu obrigado a recuar nas suas inten\u00e7\u00f5es. Esta vit\u00f3ria recente permitiu os trabalhadores ganharem confian\u00e7a em si mesmos, e voltarem agora a resistir a mais um plano neo-liberal.<\/p>\n<p>A actual greve foi marcada pelos sindicatos: CGT, Force Ouvri\u00e8re e Solidaires e contou com o apoio dos CA. Esta unidade \u00e9 um passo importante, a alian\u00e7a entre o movimento sindical organizado e os CA, \u00e9 imprescind\u00edvel para os trabalhadores conseguirem derrotar os planos da burguesia representada por Macron. Ao contr\u00e1rio do que aconteceu noutras alturas, em que o sectarismo dos CA, e a tentativa de controlar o movimento e torn\u00e1-lo in\u00f3cuo, pela CGT, impossibilitou a converg\u00eancia. Agora Macron \u00e9 confrontado com ambos os movimentos em simult\u00e2neo.<\/p>\n<p>Este primeiro passo foi importante, mas \u00e9 insuficiente. A coordena\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 bastante aqu\u00e9m do necess\u00e1rio, como provam as 2 manifesta\u00e7\u00f5es que se realizaram no dia 7 de dezembro, a horas diferentes, uma marcada pela CGT e outra pelos CA. N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil derrotar mais esta medida neo-liberal, sem uma ampla e coesa unidade entre os explorados e oprimidos de todos os que vivem em Fran\u00e7a. Esta era uma das principais reformas que Macron prometeu nas elei\u00e7\u00f5es de 2017 e que mais entusiasmou a elite europeia, que viu em Macron algu\u00e9m com capacidade para aplicar os planos neo-liberais para a economia franesa que a banca e os grandes grupos econ\u00f3micos desejam.<\/p>\n<p>Macron est\u00e1 atolado em d\u00favidas. Mais uma ced\u00eancia voltar\u00e1 a causar-lhe eros\u00e3o na base social que o apoia, e irritar parte da elite que permitiu que Macron vencesse as elei\u00e7\u00f5es. Por outro lado, insistir em aplicar a reforma, sem fazer algumas ced\u00eancias, pode resultar numa intensifica\u00e7\u00e3o dos protestos, e correr o risco de perder o controlo do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos tempos ser\u00e3o decisivos, e s\u00f3 uma mobiliza\u00e7\u00e3o permanente dos trabalhadores ser\u00e1 capaz de demover Macron. \u00c9 necess\u00e1rio fortalecer a auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, criar comit\u00e9s de greves por local de trabalho, fazer fundos de greve e expandir a greve aos sectores que ainda n\u00e3o paralisaram. As grandes centrais sindicais devem lan\u00e7ar o chamado a uma greve por tempo indeterminado at\u00e9 Macron desistir da reforma das pens\u00f5es. O \u201chabitat natural\u201d da maioria das direc\u00e7\u00f5es sindicais \u00e9 os gabinetes. A direc\u00e7\u00e3o da CGT, acomodada, incrustada nos gabinetes h\u00e1 longos anos, a l\u00e9guas dos problemas da maioria dos trabalhadores, sem sofrer com a press\u00e3o e o ass\u00e9dio de v\u00e1rios tipos dos superiores hier\u00e1rquicos e o risco do despedimento, passam o seu tempo \u00e0 mesa das negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O resultado est\u00e1 \u00e0 vista: derrotas que se multiplicam e vit\u00f3rias parciais que resultam, na melhor das hip\u00f3teses, em algumas migalhas para quem vive do seu trabalho. Em 1995 foram necess\u00e1rias semanas de luta ininterrupta para obrigar Chirac a recuar. Agora o caminho ter\u00e1 de ser o mesmo.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><br \/><\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a name=\"sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/internacional\/2019-12-10-Greve-geral-em-Franca.-Terca-feira-negra-antes-do-Governo-anunciar-os-detalhes-da-revisao-das-pensoes-de-reforma\">https:\/\/expresso.pt\/internacional\/2019-12-10-Greve-geral-em-Franca.-Terca-feira-negra-antes-do-Governo-anunciar-os-detalhes-da-revisao-das-pensoes-de-reforma<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a name=\"sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a><a href=\"https:\/\/www.lemonde.fr\/politique\/article\/2019\/12\/10\/dans-toute-la-france-des-manifestants-moins-nombreux-mais-determines_6022395_823448.html\">https:\/\/www.lemonde.fr\/politique\/article\/2019\/12\/10\/dans-toute-la-france-des-manifestants-moins-nombreux-mais-determines_6022395_823448.html<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a name=\"sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a><a href=\"http:\/\/www.leparisien.fr\/info-paris-ile-de-france-oise\/transports\/direct-greve-des-transports-du-mercredi-11-decembre-deja-plus-de-450-km-de-bouchons-en-ile-de-france-11-12-2019-8214747.php\">http:\/\/www.leparisien.fr\/info-paris-ile-de-france-oise\/transports\/direct-greve-des-transports-du-mercredi-11-decembre-deja-plus-de-450-km-de-bouchons-en-ile-de-france-11-12-2019-8214747.php<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a href=\"https:\/\/www.jn.pt\/mundo\/greves-em-franca-entram-no-nono-dia-e-podem-continuar-ate-ao-natal-11614190.html\">https:\/\/www.jn.pt\/mundo\/greves-em-franca-entram-no-nono-dia-e-podem-continuar-ate-ao-natal-11614190.html<\/a><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Fran\u00e7a vai no nono dia consecutivo de protestos e paralisa\u00e7\u00f5es. 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