{"id":3212,"date":"2019-09-21T20:59:52","date_gmt":"2019-09-21T19:59:52","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/09\/21\/ja-se-ve-a-primeira-onda-da-mobilizacao-global-pelo-clima\/"},"modified":"2019-09-21T20:59:52","modified_gmt":"2019-09-21T19:59:52","slug":"ja-se-ve-a-primeira-onda-da-mobilizacao-global-pelo-clima","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/09\/21\/ja-se-ve-a-primeira-onda-da-mobilizacao-global-pelo-clima\/","title":{"rendered":"J\u00e1 se v\u00ea a primeira onda da Mobiliza\u00e7\u00e3o Global pelo Clima"},"content":{"rendered":"\n<p>De 20 a 27 de setembro, a semana de Mobiliza\u00e7\u00e3o Global pelo Clima varrer\u00e1 o globo como uma verdadeira onda, com a previs\u00e3o de mais de 5 mil manifesta\u00e7\u00f5es por todo o mundo, em mais de 150 pa\u00edses. A onda ir\u00e1 em crescendo at\u00e9 27 de setembro, dia da Greve Clim\u00e1tica Global, mas o movimento pela justi\u00e7a clim\u00e1tica &#8211; em que os jovens assumem com destaque a dianteira, mas n\u00e3o est\u00e3o sozinhos -, prepara j\u00e1 os pr\u00f3ximos passos.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><strong>Uma onda a crescer<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7aram ontem, por todo o mundo, as mobiliza\u00e7\u00f5es contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, inseridas na semana da Mobiliza\u00e7\u00e3o Global pelo Clima. Neste dia 20, houve j\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es, espalhadas pelos 7 continentes, com destaque para a Austr\u00e1lia, Reino Unido, Qu\u00e9nia, Uganda, Alemanha, Esc\u00f3cia e as Ilhas do Pac\u00edfico, cuja exist\u00eancia est\u00e1 amea\u00e7ada pela subida do n\u00edvel do mar. Em Portugal, foram organizadas vig\u00edlias em Lisboa, no Parque do Pr\u00edncipe Real, e no Porto, em frente \u00e0 C\u00e2mara Municipal. Todas estas a\u00e7\u00f5es foram convocadas por movimentos internacionais, como o #FridaysForFuture ou #ExtinctionRebellion, mas contaram com a ades\u00e3o de diversos coletivos de ativistas que lutam contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, bem como de associa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es ambientais e ecologistas. Em conjunto, exigem que os governos decretem o estado de emerg\u00eancia clim\u00e1tica, lutando pela neutralidade carb\u00f3nica at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Apesar de o dia 20 de setembro j\u00e1 ter sido considerado um dos dias mais emblem\u00e1ticos na luta global contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, as a\u00e7\u00f5es ir\u00e3o continuar, com o intuito de alertar a popula\u00e7\u00e3o mundial sobre a crise clim\u00e1tica e de exigir verdadeira a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u00e0s c\u00fapulas. De facto, nalguns pa\u00edses houve j\u00e1 milhares de jovens a fazerem greve no dia 20, em antecipa\u00e7\u00e3o \u00e0 Cimeira da A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica da ONU que ter\u00e1 lugar em Nova Iorque, a 23 de setembro, e espera-se que a cidade receba, nesse dia, mais de um milh\u00e3o de jovens em protesto. A Cimeira \u00e9, de resto, uma tentativa por parte das pot\u00eancias mundiais de mostrarem algum tipo de abertura para o di\u00e1logo no que toca \u00e0 crise clim\u00e1tica, mas s\u00e3o os pr\u00f3prios jovens ativistas a dizer que n\u00e3o t\u00eam ilus\u00f5es nem falsas expectativas em mais uma cimeira organizada por aqueles que defendem o sistema capitalista, cujo modo de produ\u00e7\u00e3o e de explora\u00e7\u00e3o de recursos est\u00e1 intrinsecamente ligado \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do planeta.<\/p>\n<p>Em Portugal, esta semana contar\u00e1 com v\u00e1rias iniciativas, como ciclos de cinema dedicados exclusivamente ao clima, oficinas de cartazes e debates, em prepara\u00e7\u00e3o para o pico da onda, no dia 27, com a Greve Clim\u00e1tica Global, havendo j\u00e1 25 cidades portuguesas com presen\u00e7a confirmada. Em Lisboa, a greve ser\u00e1 seguida de uma a\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de desobedi\u00eancia civil: uma acampada que pretende bloquear uma rua central da capital, pelo menos durante todo o fim de semana, e que ser\u00e1 coordenada com outras a\u00e7\u00f5es semelhantes em diferentes cidades da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Mas a luta pela justi\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o ficar\u00e1 por a\u00ed, j\u00e1 que as organiza\u00e7\u00f5es envolvidas na prepara\u00e7\u00e3o desta onda de mobiliza\u00e7\u00f5es pretendem que todos os movimentos culminem em Madrid, no dia 7 de outubro, numa a\u00e7\u00e3o de desobedi\u00eancia civil coordenada, que dar\u00e1 in\u00edcio \u00e0 Rebeli\u00e3o Internacional, com a\u00e7\u00f5es confirmadas em Londres, Madrid, Paris, Berlim e Nova Iorque e duas novas ondas de mobiliza\u00e7\u00f5es previstas para 2020.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\"><strong>Negociar porqu\u00ea? N\u00e3o h\u00e1 planeta B!<\/strong><\/p>\n<p>A Greve Clim\u00e1tica, que come\u00e7ou por ser Estudantil e agora \u00e9 Global, tem vindo a ser fortalecida pelo alargamento da participa\u00e7\u00e3o a novos setores da sociedade. Os estudantes chamaram movimentos sociais e sindicatos a participar e o seu pedido vem sendo atendido, n\u00e3o s\u00f3 em Portugal, mas um pouco por todo o mundo, como \u00e9 o caso dos \u201ccoletes amarelos\u201d em Fran\u00e7a. A inclus\u00e3o dos trabalhadores na luta contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas traz uma compreens\u00e3o mais profunda de que n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o poss\u00edvel dentro do capitalismo e da necessidade de mudar completamente o modo de produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o sistema de produ\u00e7\u00e3o capitalista vive da explora\u00e7\u00e3o a todo o custo dos recursos do planeta, sem contempla\u00e7\u00e3o pelas emiss\u00f5es de CO2, pela biodiversidade ou pela sustentabilidade, preocupado apenas com a obten\u00e7\u00e3o do m\u00e1ximo de lucro poss\u00edvel, independentemente das consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>O Acordo de Paris \u00e9 exemplo disso e vemos que, mesmo sendo \u00e0 partida insuficiente, os governos foram incapazes de o cumprir, havendo ainda l\u00edderes mundiais, como Donald Trump e Jair Bolsonaro, a contestarem a validade cient\u00edfica das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, das suas causas e dos seus efeitos. Veja-se ainda, no caso portugu\u00eas, o Roteiro para a Neutralidade Carb\u00f3nica 2050 apresentado pelo PS em 2017, cuja redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es propostas fica ainda 75% acima dos objetivos colocados ou a autoriza\u00e7\u00e3o do novo aeroporto do Montijo, no meio de uma Reserva Natural, e da prospe\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Algarve e no Litoral Alentejano. Neste contexto, a Cimeira da A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica da ONU, convocada por Ant\u00f3nio Guterres, n\u00e3o passa de uma manobra das pot\u00eancias mundiais que na ret\u00f3rica n\u00e3o negam a crise clim\u00e1tica, mas na pr\u00e1tica continuam a agir em defesa dos interesses de grandes empresas, sejam elas petrol\u00edferas, mineiras ou outras grandes corpora\u00e7\u00f5es que atuam na explora\u00e7\u00e3o desenfreada dos recursos naturais do planeta e que procuram mascarar as suas a\u00e7\u00f5es com uma proposta de \u201ccapitalismo verde\u201d. Em resposta a tanta gan\u00e2ncia, a Greve Clim\u00e1tica Global assume o esgotamento das vias de di\u00e1logo com as c\u00fapulas mundiais e exige que se tomem urgentemente medidas dr\u00e1sticas em defesa do planeta, que s\u00f3 poder\u00e3o ser levadas a cabo com um forte movimento de massas, pois a boa vontade dos governos j\u00e1 foi posta \u00e0 prova em diversos momentos e o resultado foi sempre negativo.<\/p>\n<p>Esta experi\u00eancia reflete-se tamb\u00e9m em Portugal, com a greve a contar com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 50 organiza\u00e7\u00f5es, entre as quais alguns sindicatos, e a apresentar um conjunto de reivindica\u00e7\u00f5es mais abrangente e detalhado. L\u00ea-se, no seu manifesto, que \u201cpara concretizar estas exig\u00eancias ser\u00e1 necess\u00e1rio um n\u00edvel de mobiliza\u00e7\u00e3o sem precedentes na sociedade mundial\u201d. Al\u00e9m das exig\u00eancias mais transversais, tais como a declara\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia clim\u00e1tica, a neutralidade carb\u00f3nica at\u00e9 2030 e a cria\u00e7\u00e3o de assembleias cidad\u00e3s, a Greve Clim\u00e1tica exige, para Portugal, medidas como o encerramento das termoel\u00e9tricas de Sines e do Pego j\u00e1 na pr\u00f3xima legislatura; o fim das concess\u00f5es petrol\u00edferas e de g\u00e1s ainda existentes e a revoga\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o que permite o lan\u00e7amento de novas concess\u00f5es; a proibi\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural obtido por fratura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica (fracking) e o cancelamento de grandes projetos que aumentem a emiss\u00e3o de gases com efeito de estufa; mas tamb\u00e9m a redu\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de trabalho para 35 horas e a introdu\u00e7\u00e3o da semana de trabalho de 4 dias. (<a href=\"https:\/\/salvaroclima.pt\/por-uma-greve-climatica-global\/\">https:\/\/salvaroclima.pt\/por-uma-greve-climatica-global\/<\/a>)<\/p>\n<p>O Movimento Alternativa Socialista defende intransigentemente a luta pela Justi\u00e7a Clim\u00e1tica e apela a todas e todos a que participem na Greve Clim\u00e1tica Global, no pr\u00f3ximo dia 27 de setembro. A economia capitalista mundial depende e \u00e9 controlada pelas grandes ind\u00fastrias autom\u00f3vel, petrol\u00edfera e financeira, cujas fortunas est\u00e3o dependentes do cont\u00ednuo consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Por isso, subscrevemos as reivindica\u00e7\u00f5es da Greve Clim\u00e1tica Global e propomos ainda a nacionaliza\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias autom\u00f3veis e energ\u00e9tica, para investir na cria\u00e7\u00e3o de milhares de empregos. EDP, REN e GALP p\u00fablicas! Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica, j\u00e1! Dizemos n\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio e \u00e0 prospe\u00e7\u00e3o de g\u00e1s f\u00f3ssil! N\u00e3o ao aeroporto do Montijo! Fim das centrais termoel\u00e9tricas! N\u00e3o ao gasoduto em Bragan\u00e7a! O planeta n\u00e3o \u00e9 vosso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De 20 a 27 de setembro, a semana de Mobiliza\u00e7\u00e3o Global pelo Clima varrer\u00e1 o globo como uma verdadeira onda, com a previs\u00e3o de mais de 5 mil manifesta\u00e7\u00f5es por todo o mundo, em mais de 150 pa\u00edses. A onda ir\u00e1 em crescendo at\u00e9 27 de setembro, dia da Greve Clim\u00e1tica Global, mas o movimento pela justi\u00e7a clim\u00e1tica &#8211; em que os jovens assumem com destaque a dianteira, mas n\u00e3o est\u00e3o sozinhos -, prepara j\u00e1 os pr\u00f3ximos passos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3211,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[31],"tags":[1696,116,1706,1705,1704,114,1650,1707,2,117],"class_list":["post-3212","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-alteracoes-climaticas","tag-alternativa","tag-combustiveis-fosseis","tag-global","tag-greve-climatica","tag-mas","tag-planeta-b","tag-renovaveis","tag-revolucao","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/manif_clima.jpg?fit=470%2C314","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3212\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3211"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}