{"id":3202,"date":"2019-08-27T10:09:25","date_gmt":"2019-08-27T09:09:25","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/08\/27\/o-movimento-esta-num-ponto-critico-palavras-de-hong-kong\/"},"modified":"2019-08-27T10:09:25","modified_gmt":"2019-08-27T09:09:25","slug":"o-movimento-esta-num-ponto-critico-palavras-de-hong-kong","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/08\/27\/o-movimento-esta-num-ponto-critico-palavras-de-hong-kong\/","title":{"rendered":"\u201cO movimento est\u00e1 num ponto cr\u00edtico\u201d &#8211; palavras de Hong Kong"},"content":{"rendered":"\n<p>Depois de quase dois meses de protestos, o movimento de massas de  Hong Kong chegou a um momento cr\u00edtico: o movimento prepara-se para  iniciar grandes greves unificadas depois dos protestos de 2 de agosto.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Cerca  de 96 sindicatos que integram a Confedera\u00e7\u00e3o de Sindicatos de Hong Kong  anunciaram o seu apoio \u00e0 greve unificada. Trabalhadores da Hong Kong  Airlines e da Cathay Pacific; assistentes sociais; professores  universit\u00e1rios e funcion\u00e1rios da Radio Television, em Hong Kong, tamb\u00e9m  j\u00e1 decidiram aderir a greve.<\/p>\n<p>Esta tentativa de uma greve pol\u00edtica \u00e9  muito significativa \u2013 evento que se assemelha somente com as ondas de  resist\u00eancia contra o dom\u00ednio colonial brit\u00e2nico em 1967. Ocorre num  momento em que as crises da classe dominante come\u00e7am a aparecer mais.<\/p>\n<p>O  Partido Liberal, um grande partido empresarial, que apoia o regime  chin\u00eas, foi for\u00e7ado a pedir a ren\u00fancia da diretora executiva de Hong  Kong, Carrie Lam. A executiva-chefe nomeada pela China, define Hong Kong  como uma \u201cregi\u00e3o administrativa especial\u201d.<\/p>\n<p>Os liberais tamb\u00e9m  sa\u00edram a favor de uma investiga\u00e7\u00e3o independente sobre a viol\u00eancia  policial no final de junho. Isto \u00e9 ecoado pelas organiza\u00e7\u00f5es patronais,  pela C\u00e2mara Geral de Com\u00e9rcio de Hong Kong e pela C\u00e2mara de Com\u00e9rcio  Internacional. Este \u00e9 o resultado das mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um com\u00edcio, convocado por funcion\u00e1rios  p\u00fablicos de base, fez com que 40.000 pessoas fossem \u00e0s ruas em 2 de  agosto. Ainda assim, Carrie Lam continua a recusar abolir totalmente a  lei de extradi\u00e7\u00e3o, que por agora est\u00e1 suspensa. A lei draconiana, que  desencadeou os protestos desde junho, tornaria mais f\u00e1cil para o regime  chin\u00eas extraditar pessoas.<\/p>\n<p>No entanto, enquanto diferen\u00e7as claras  est\u00e3o a surgir dentro do governo, elas n\u00e3o alcan\u00e7aram ainda o seu ponto  mais alto. Os protestos espalharam-se em todos os distritos de Hong  Kong. Desde o in\u00edcio dos protestos de julho, ocorreram manifesta\u00e7\u00f5es e  barricadas em Tsim Sha Tsui, Sheung Shui, Tuen Mun, Sha Tin, Yuen Long,  Tseung Kwan O e Sheung Wan.<\/p>\n<p>O n\u00famero de participantes foi de entre dezenas  de milhares a 200.000 pessoas.<\/p>\n<p>Os manifestantes apresentaram cinco grandes reivindica\u00e7\u00f5es . A primeira diz respeito ao governo retirar completamente o  projeto de extradi\u00e7\u00e3o. A segunda refere-se a que a pol\u00edcia p\u00e1re de dizer  que os protestos de 12 de junho foram tumultos e dist\u00farbios. A  terceira \u00e9 sobre a libera\u00e7\u00e3o incondicional de todos os manifestantes  presos. A quarta uma investiga\u00e7\u00e3o independente sobre o \u201ccomportamento\u201d  dos policiais e a quinta por maiores direitos democr\u00e1ticos, com uma  demanda por sufr\u00e1gio universal e a elei\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica dos l\u00edderes do  territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>O governo de Hong Kong espera desacreditar os  manifestantes intitulando os protestos como apenas um grande movimento  de arruaceiros. Ao fazer isso, espera recuperar alguma popularidade  entre as massas, perdida nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>Mas, apesar de seus  melhores esfor\u00e7os, a opini\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o foi significativamente  revertida. Pelo contr\u00e1rio, o \u00f3bvio conluio da pol\u00edcia com o crime  organizado despertou mais raiva entre as pessoas comuns. Um desses  incidentes ocorreu em Yuen Long, uma cidade no distrito de Novos  Territ\u00f3rios (<em>regi\u00e3o de Hong Kong, n\u00e3o incluindo as ilhas de Hong Kong, Kowloon e Stonecutters Island, nota do tradutor \u2013 NdT<\/em>) na noite de 21 de junho. Cerca de 300 pessoas, pertencentes as gangues criminosas da Tr\u00edade (<em>uma das famosas organiza\u00e7\u00f5es criminosas chinesas com sede em Hong Kong, NdT<\/em>)  \u2013 entraram na esta\u00e7\u00e3o do metro e atacaram indiscriminadamente os  manifestantes e o p\u00fablico em geral. A pol\u00edcia deliberadamente n\u00e3o tomou  nenhuma atitude, permitindo que um grande n\u00famero de pessoas sofressem  ferimentos.<\/p>\n<p>Na mesma noite, o pol\u00edtico Kwan-yiu  Junius Ho foi filmado apoiando os <em>gangsters<\/em>. Ele disse a uma multid\u00e3o  deles: \u201cTodos voc\u00eas s\u00e3o meus her\u00f3is\u201d e deu um sinal de positivo. As  gangues da Tr\u00edade s\u00e3o controladas diretamente pelos latifundi\u00e1rios dos  Novos Territ\u00f3rios, que s\u00e3o uma camada privilegiada do tempo do dom\u00ednio  colonial brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Regime<\/strong><\/h3>\n<p>Desde que Hong  Kong foi devolvido \u00e0 China em 1997, o regime chin\u00eas usou os gangues para os seus pr\u00f3prios fins. Alega que \u00e9 a espinha dorsal das  for\u00e7as \u201cpatri\u00f3ticas e amantes de Hong Kong\u201d.<\/p>\n<p>Esse tipo de  viol\u00eancia patrocinada pelo Estado n\u00e3o deteve os manifestantes. Seis dias  ap\u00f3s o ataque de Yuen Long, mais de 200 mil pessoas tomaram as ruas,  desafiando a proibi\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia. Os manifestantes montaram piquetes de  autodefesa para se protegerem de novos ataques.<\/p>\n<p>Alguns  manifestantes da vanguarda perceberam que precisam de se unir com as massas  no continente chin\u00eas. Eles distribuem panfletos para turistas da China  continental para explicar o prop\u00f3sito e a import\u00e2ncia do movimento de  massas. No entanto, tamb\u00e9m existem fragilidades.  Os manifestantes s\u00e3o facilmente tentados pela pol\u00edcia a atacar edif\u00edcios  sens\u00edveis, incorrendo em maior repress\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m uma amea\u00e7a da  extrema direita.<\/p>\n<p>Manifestantes individuais picharam \u201c<em>Chink<\/em>\u201d  (uma express\u00e3o pejorativa usada para os imigrantes chineses), do lado  de fora do pr\u00e9dio do Gabinete do Governo. Desde meados de julho, o  slogan \u201cLibertar Hong Kong \u2013 revolu\u00e7\u00e3o dos nossos tempos\u201d tornou-se  popular entre os manifestantes. O slogan foi derivado do grupo pol\u00edtico  de extrema direita Hong Kong <em>Indigenous<\/em>.<\/p>\n<p>O uso do slogan pelo  grupo implica fortemente uma forma de \u201cdiscrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica\u201d contra  residentes da China continental e novos imigrantes da China. Mas, no  momento, n\u00e3o est\u00e1 claro como a maioria dos jovens que adotam esse slogan  interpreta seu significado.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o regime do Partido  Comunista Chin\u00eas (PCC) est\u00e1 apoiando Carrie Lam e a for\u00e7a policial ao  m\u00e1ximo. Eles querem que o governo de Hong Kong comece a rejeitar alguns  pedidos de protestos e a refor\u00e7ar a repress\u00e3o policial dos manifestantes  mais radicais.<\/p>\n<p>A menos que a pol\u00edcia de Hong Kong n\u00e3o consiga  mais controlar a situa\u00e7\u00e3o por si s\u00f3, \u00e9 improv\u00e1vel que o regime envie o  ex\u00e9rcito. Isso levanta quest\u00f5es sobre como levar o movimento adiante.<\/p>\n<p>A  esquerda socialista em Hong Kong, que n\u00e3o est\u00e1 alinhada com o regime do  PCC, apoia totalmente as greves pol\u00edticas e exige que as demandas  sociais e econ\u00f3micas sejam inclu\u00eddas como parte das reivindica\u00e7\u00f5es dos  grevistas.<\/p>\n<p>A greve do in\u00edcio de agosto foi apenas uma tentativa  inicial. Uma greve geral e mais longa ser\u00e1 lan\u00e7ada no futuro. Ao mesmo  tempo, manifestantes, sindicatos, associa\u00e7\u00f5es estudantis e movimentos  sociais devem se unir em um comit\u00e9 de a\u00e7\u00e3o conjunta para liderar a luta.  Atrav\u00e9s do comit\u00e9 de a\u00e7\u00e3o, o poder dos trabalhadores e dos movimentos  poder\u00e3o ser convergentes. Isso estabeleceria a auto-organiza\u00e7\u00e3o das  massas que pode p\u00f4r em xeque o poder da classe dominante.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Lam Chi Leung, de Hong Kong<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"https:\/\/socialistworker.co.uk\/art\/48736\/The+movement+is+at+a+critical+point+voice+from+Hong+Kong?fbclid=IwAR06cb2oHFOsk50Rg54pqsEb7o3ve27EG6ihneM7a1QQXEaIopgXIsOpRFQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Artigo originalmente publicado em Socialist Worker<\/em><\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Rog\u00e9rio Freitas, <a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2019\/08\/20\/voz-de-hong-kong-o-movimento-esta-em-um-ponto-critico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">EsquerdaOnline.com.br<\/a><\/em><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de quase dois meses de protestos, o movimento de massas de Hong Kong chegou a um momento cr\u00edtico: o movimento prepara-se para iniciar grandes greves unificadas depois dos protestos de 2 de agosto.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3201,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[38],"tags":[116,1698,315,1371,1697,182,304,114,115,305,117],"class_list":["post-3202","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-asia","tag-alternativa","tag-asia","tag-china","tag-democracia","tag-extradicao","tag-greve","tag-hong-kong","tag-mas","tag-movimento","tag-protestos","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/portestos_hk.jpg?fit=470%2C313","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3202"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3202\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3201"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}