{"id":3182,"date":"2019-08-01T09:20:20","date_gmt":"2019-08-01T08:20:20","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/08\/01\/eleicoes-legislativas-gregas-vitoria-da-direita-e-desnorte-a-esquerda\/"},"modified":"2019-08-01T09:20:20","modified_gmt":"2019-08-01T08:20:20","slug":"eleicoes-legislativas-gregas-vitoria-da-direita-e-desnorte-a-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/08\/01\/eleicoes-legislativas-gregas-vitoria-da-direita-e-desnorte-a-esquerda\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es Legislativas Gregas: Vit\u00f3ria da direita e desnorte \u00e0 esquerda"},"content":{"rendered":"<p><a jsaction=\"mousedown:irc.rl;focus:irc.rl;irc.il;\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.google.pt\/url?sa=i&#038;rct=j&#038;q=&#038;esrc=s&#038;source=images&#038;cd=&#038;cad=rja&#038;uact=8&#038;ved=2ahUKEwjgiNfZn-HjAhUSmRQKHTXCAhoQjRx6BAgBEAU&#038;url=%2Furl%3Fsa%3Di%26rct%3Dj%26q%3D%26esrc%3Ds%26source%3Dimages%26cd%3D%26ved%3D2ahUKEwjgiNfZn-HjAhUSmRQKHTXCAhoQjRx6BAgBEAU%26url%3Dhttps%253A%252F%252Fwww.straitstimes.com%252Fworld%252Feurope%252Falexis-tsipras-greek-bailout-pm-who-lost-final-gamble%26psig%3DAOvVaw2jubayOmKhae_U1ry3IQ9C%26ust%3D1564734288495442&#038;psig=AOvVaw2jubayOmKhae_U1ry3IQ9C&#038;ust=1564734288495442\" style=\"border-image: none;\" id=\"irc_mil\" rel=\"noopener\"><\/a><a jsaction=\"mousedown:irc.rl;focus:irc.rl;irc.il;\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.google.pt\/url?sa=i&#038;rct=j&#038;q=&#038;esrc=s&#038;source=images&#038;cd=&#038;ved=2ahUKEwjgiNfZn-HjAhUSmRQKHTXCAhoQjRx6BAgBEAU&#038;url=https%3A%2F%2Fwww.straitstimes.com%2Fworld%2Feurope%2Falexis-tsipras-greek-bailout-pm-who-lost-final-gamble&#038;psig=AOvVaw2jubayOmKhae_U1ry3IQ9C&#038;ust=1564734288495442\" style=\"border-image: none;\" id=\"irc_mil\" rel=\"noopener\"><\/a><\/p>\n<p>Tal como se perspectivava, sobretudo depois dos resultados das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es europeias, a direita ganhou as elei\u00e7\u00f5es legislativas realizadas no dia 7 de Julho na Gr\u00e9cia. Sem grandes surpresas, as tend\u00eancias verificadas no final de Maio reflectiram-se nestas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O vencedor, Kyriakos Mitsotakis, do partido da direita tradicional, obteve 39,8%<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> dos votos, elegendo 158 deputados, mais de metade dos 300 que ocupam lugar no parlamento grego. O Syriza conseguiu 31,5%.<\/p>\n<p>Importa esclarecer que a maioria absoluta foi conseguida porque h\u00e1 uma lei eleitoral criada no per\u00edodo da Troika, em que existia uma elevada instabilidade governativa, que atribui o b\u00f3nus de 50 deputados ao partido vencedor. Foi a forma que a burguesia da Gr\u00e9cia e da Uni\u00e3o Europeia arranjaram para tentar travar a instabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Contudo, esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o nega a vit\u00f3ria da direita no pa\u00eds. Kyriakos Mitsotakis<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> representa a quarta gera\u00e7\u00e3o de l\u00edderes pol\u00edticos da direita conservadora. O seu pai foi primeiro-ministro entre 1990 e 1993 e a sua irm\u00e3 mais velha, Dora Bakoyannis, foi a primeira mulher a ocupar a presid\u00eancia da c\u00e2mara municipal de Atenas, entre 2003 e 2006<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>. O seu partido, Nova Democracia (ND), tem alternado o poder com o Pasok (Partido Socialista Grego) at\u00e9 \u00e0 vit\u00f3ria do Syriza, em 2015. Desde o final da ditadura, em 1974, at\u00e9 2019, a Nova Democracia j\u00e1 teve membros seus como primeiro-ministro onze vezes, o que equivale a cerca de 20 anos no poder. H\u00e1 que destacar este \u00faltimo aspecto para se perceber que a derrota para a esquerda foi grande.<\/p>\n<p>Os partidos do centro foram muito atingidos ao longo da crise que se iniciou em 2009. O PASOK, pura e simplesmente, passou para a irrelev\u00e2ncia pol\u00edtica, tendo que alterar o nome para \u201cMovimento pela Mudan\u00e7a\u201d juntamente com mais dois partidos, tendo alcan\u00e7ado nestas elei\u00e7\u00f5es apenas 8%. E a ND, embora no per\u00edodo anterior tamb\u00e9m tenha sido ligeiramente afectada, a verdade \u00e9 que conseguiu ter um aumento consider\u00e1vel em votos, comparativamente \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de Setembro de 2015 (mais 725 026 votos). Na verdade, o que se verifica \u00e9 que a eros\u00e3o do centro que marcou os anos da Troika com o quase desaparecimento do Pasok, se reconfigurou com a ND a ficar com n\u00fameros pr\u00f3ximos de 2009 e o Syriza a ocupar o espa\u00e7o deixado pelo Pasok. O bipartidarismo refor\u00e7ou-se nestas elei\u00e7\u00f5es tendo como consequ\u00eancia a diminui\u00e7\u00e3o de 8 para 5 dos partidos com presen\u00e7a no parlamento Grego.<\/p>\n<p>Kyriakos Mitsotakis (ND) surgiu nestas elei\u00e7\u00f5es com um discurso de descida dos impostos e de liberaliza\u00e7\u00e3o da economia, prometendo assim crescimento econ\u00f3mico, ou seja, uma velha receita que sabemos bem o que significa: mais privatiza\u00e7\u00f5es e despedimentos num pa\u00eds onde isto j\u00e1 \u00e9 panaceia. A vit\u00f3ria da ND apoiou-se tamb\u00e9m na quest\u00e3o da Maced\u00f3nia<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>, que suscitou fortes sentimentos nacionalistas e que a direita cavalgou. Outro factor que contribuiu para este resultado foi a dose cavalar de austeridade aplicada pelo governo do Syriza\/Anel, quando foi eleito em 2015 prometendo o inverso.<\/p>\n<p><strong>Syriza como rosto da austeridade<\/strong><\/p>\n<p>O Syriza, pela m\u00e3o de Alexis Tsipras, fez tudo por tudo durante estes 4 anos para cumprir com as directrizes da UE e do FMI. A sua governa\u00e7\u00e3o foi desastrosa. Sem sectarismo, mas com realismo, h\u00e1 que dizer com todas as letras que foi um Governo igual na pol\u00edtica a um governo do Pasok (Partido Socialista Grego).<\/p>\n<p>Importa lembrar que, passados 6 meses de press\u00e3o da UE e restantes credores, atrav\u00e9s da amea\u00e7a de n\u00e3o conceder mais financiamento \u00e0 Gr\u00e9cia e ao governo do Syriza, Alexis Tsipras marcou um referendo onde questionava o povo grego se era pelo \u201cSim ou N\u00e3o\u201d ao novo memorando da Troika, que continha mais austeridade. O povo grego expressou-se com um claro \u201cN\u00e3o\u201d ao memorando (61,9%), mas Tsipras desprezou o resultado e, nessa mesma noite, come\u00e7ou a negociar com a UE o memorando. Come\u00e7a a\u00ed, de forma mais clara, a capitula\u00e7\u00e3o do Syriza aos credores e o abandono \u00e0s suas ideias iniciais e ao povo grego.<\/p>\n<p>Esta mudan\u00e7a, que consistiu na aceita\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do terceiro memorando de austeridade na Gr\u00e9cia, por parte do governo Syriza\/Anel, \u00e0 semelhan\u00e7a dos memorandos aplicados pelo Pasok e, inclusive, a Nova Democracia, fez com que a pol\u00edtica seguida fosse de continuidade das privatiza\u00e7\u00f5es (portos, aeroportos, caminhos de ferro, \u00e1gua), de cortes nas pens\u00f5es, manuten\u00e7\u00e3o de cortes nos sal\u00e1rios e mantendo os refugiados em campos e sem condi\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. Ainda sobre os refugiados, n\u00e3o se poder\u00e1 esquecer o acordo entre a UE e a Turquia, que estabeleceu o fecho da fronteira da Gr\u00e9cia com os restantes pa\u00edses europeus, traduzindo-se na proibi\u00e7\u00e3o dos refugiados sa\u00edrem da Gr\u00e9cia em dire\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses da Europa. Estima-se que existam entre 55 000 a 65 000 refugiados \u201cpresos\u201d na Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica do governo de Tsipras foi particularmente chocante com os refugiados, chegando a decidir transferir os refugiados para fora de Atenas, de forma a desimpedir os terrenos do aeroporto, que era uma antiga promessa do governo Syriza aos credores (UE e FMI), que est\u00e1 acordada no memorando. O objetivo era alugar os terrenos a investidores privados.<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a><\/p>\n<p><strong>Reorganiza\u00e7\u00e3o da extrema-direita<\/strong><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es europeias deu-se uma reorganiza\u00e7\u00e3o na extrema direita<a href=\"#_ftn6\">[6]<\/a> grega. Al\u00e9m do grupo neonazi Aurora Dourada (AD) surgiu um novo partido, a \u201cSolu\u00e7\u00e3o Grega\u201d (SG). Este partido, \u00e0 semelhan\u00e7a da ND, apoiou-se sobretudo na quest\u00e3o da Maced\u00f3nia, que despertou a puls\u00e3o nacionalista do povo grego. A SG surgiu tamb\u00e9m como objetivo de um sector da extrema-direita grega de se afastar da m\u00e1 imagem que a AD foi criando ao longo dos crimes que foi cometendo, como os assassinatos e agress\u00f5es de militantes de esquerda e imigrantes, al\u00e9m de outros crimes praticados. \u00c9, na verdade, uma movimenta\u00e7\u00e3o semelhante aos seus cong\u00e9neres na Europa, como o \u201cRassemblement National\u201d de Marie Le Pen, a AFD da Alemanha ou os \u201cDemocratas Suecos\u201d, na tentativa de se tornarem mais aceit\u00e1veis aos olhos das massas.<\/p>\n<p>Salienta-se como positivo o facto de a AD deixar de estar presente no parlamento, pois obteve 2,7% dos votos, quando o m\u00ednimo exigido \u00e9 de 3%. Contudo, a descida da AD foi em benef\u00edcio da SG, que alcan\u00e7ou 3,7% dos votos ficando com 10 deputados no parlamento.<\/p>\n<p><strong>Esquerda n\u00e3o governamental dividida <\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 esquerda do Syriza deu-se uma enorme dispers\u00e3o dos votos e os resultados n\u00e3o s\u00e3o nada animadores. Existiram 9 candidaturas, sendo que s\u00f3 duas conseguiram eleger representa\u00e7\u00e3o. Assim, o KKE (Partido Comunista Grego) atingiu os 5,30%, elegendo 15 deputados, mantendo a mesma vota\u00e7\u00e3o de h\u00e1 4 anos; o DIEM25, de Yannis Varoufakis teve 3,44%, elegendo 9 deputados; o Partido Rumo da Liberdade, de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Zoe_Konstantopoulou&#038;action=edit&#038;redlink=1\" title=\"Zoe Konstantopoulou (p\u00e1gina n\u00e3o existe)\">Zoe Konstantopoulou<\/a>, medi\u00e1tica ex-militante do Syriza e ex-presidente do parlamento grego, obteve 1,46%; o Antarsya, uma coliga\u00e7\u00e3o de correntes revolucion\u00e1rias conseguiu 0,41% e, por fim, a Unidade Popular, teve 0,28% de votos. Este \u00faltimo partido foi criado em Agosto de 2015 por 25 deputados, at\u00e9 ent\u00e3o representantes do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Syriza\" title=\"Syriza\">Syriza<\/a><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Unidade_Popular_(Gr%C3%A9cia)#cite_note-2\">[2]<\/a> e que romperam com o seu antigo partido, opostos ao acordo do primeiro-ministro <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alexis_Tsipras\" title=\"Alexis Tsipras\">Alexis Tsipras<\/a> com a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Troika#Na_d\u00e9cada_de_2010_na_Europa\" title=\"Troika\">Troika<\/a>. \u00c9 liderado pelo antigo Ministro da Energia, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Panagiotis_Lafazanis&#038;action=edit&#038;redlink=1\" title=\"Panagiotis Lafazanis (p\u00e1gina n\u00e3o existe)\">Panagiotis Lafazanis<\/a>. Ainda sobre a Unidade Popular importa mencionar que nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2015, logo a seguir \u00e0 sua ruptura com o Syriza, obteve 2,86% ficando a 0,14 % de entrar no parlamento hel\u00e9nico. Estas s\u00e3o as 5 principais candidaturas de esquerda que n\u00e3o apoiavam o Governo do Syriza.<\/p>\n<p><strong>O que fazer?<\/strong><\/p>\n<p>A experi\u00eancia do Syriza e os seus resultados foram desastrosos para a classe trabalhadora grega e tamb\u00e9m para a europeia. A ascens\u00e3o e vit\u00f3ria eleitoral do Syriza gerou esperan\u00e7a em toda a esquerda e trabalhadores europeus, surgindo como uma alternativa ao plano de austeridade europeu. \u00c2\u00a0Ao desperdi\u00e7ar essa oportunidade hist\u00f3rica, o Syriza abriu espa\u00e7o para que a extrema-direita \u2013 Salvini, Le Pen, Alternativa pela Alemanha ou Nigel Farage \u2013 se posicione como a \u00fanica \u201calternativa\u201d \u00e0 decad\u00eancia da UE.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia foi a direita tradicional e corrupta (ND) que voltou ao poder. \u00c9 preocupante observar que, \u00e0 esquerda do Syriza, n\u00e3o existe qualquer projecto cred\u00edvel aos olhos dos trabalhadores e que tenha mobilizado a classe trabalhadora grega. Ali\u00e1s, apesar da governa\u00e7\u00e3o de concilia\u00e7\u00e3o de classes do Syriza, ou seja, um governo composto por partidos representantes dos trabalhadores (Syriza) e partidos Burgueses (ANEL), a verdade \u00e9 que este ainda permanece com uma vota\u00e7\u00e3o quase intacta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de Setembro de 2015, tendo perdido apenas 145.346 votos. \u00c0 sua esquerda, ningu\u00e9m foi capaz de capitalizar verdadeiramente o desgaste destes quatro anos de austeridade. Isto significa que o DIEM25, de Yanis Varoufakis, com cerca de 195.000 votos foi o \u00fanico que capitalizou grande parte desse desgaste (embora muitos dos votos que obteve tamb\u00e9m tenham vindo da ex-ala esquerda do Syriza, a Unidade Popular, que passou de 155.320 votos em Setembro de 2015 para apenas 15.930 em 2019).<\/p>\n<p>Atendendo aos n\u00fameros verifica-se que, apesar do descontentamento e da desilus\u00e3o do povo grego com o governo e Alexis Tsipras, a verdade \u00e9 que muitas trabalhadoras e trabalhadores, por falta de uma op\u00e7\u00e3o cred\u00edvel e mobilizadora \u00e0 esquerda, continuaram a votar no Syriza, mesmo depois de tudo o que fez.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o deve fazer a esquerda anticapitalista grega e tamb\u00e9m a mundial refectirem.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta dizer que perante a possibilidade da volta da direita ao poder, a esquerda n\u00e3o governamental foi prejudicada pelo voto \u00fatil no Syriza. N\u00e3o que isso n\u00e3o seja verdade, mas a quest\u00e3o \u00e9 por que raz\u00e3o os trabalhadores veem como \u00fatil voltar a votar no Syriza quando este fez uma governa\u00e7\u00e3o \u00e0 semelhan\u00e7a dos mesmos de sempre? N\u00e3o ser\u00e1 porque \u00e0 sua esquerda n\u00e3o se vislumbrou uma alternativa governativa \u00e0 direita e ao anterior Governo do Syriza\/Anel? Perante o cen\u00e1rio de uma governa\u00e7\u00e3o de concilia\u00e7\u00e3o de classes, que aplicou n\u00edveis cavalares de austeridade, o descontentamento com essa governa\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia deslocar-se para a sua esquerda? O que falhou?<\/p>\n<p>Algumas reflex\u00f5es ter\u00e3o de ser feitas. Por exemplo, qual a necessidade para a classe trabalhadora grega de haver nove candidaturas de esquerda? N\u00e3o que n\u00e3o existam diverg\u00eancias entre as esquerdas, que s\u00e3o bastante diversas, mas n\u00e3o existiria possibilidade de haver converg\u00eancias nas ruas e nas elei\u00e7\u00f5es entre estas for\u00e7as? Mesmo que n\u00e3o fosse poss\u00edvel entre todas, devido a poss\u00edveis incompatibilidades program\u00e1ticas, n\u00e3o seria ben\u00e9fico nos \u00faltimos 4 anos ter havido um entendimento\/frente para lutar entre a grande parte das for\u00e7as de esquerda com o intuito de fazer as massas se mobilizarem? Ser\u00e1 que dessa forma agora seria poss\u00edvel vislumbrar um terceiro p\u00f3lo que se opusesse \u00e0 direita (ND) e ao tipo de governa\u00e7\u00e3o do Syriza? Ou a classe trabalhadora e a esquerda anticapitalista est\u00e3o condenadas, desde 1917, a fracassar perante governos de concilia\u00e7\u00e3o de classes?<\/p>\n<p>A esquerda revolucion\u00e1ria e anticapitalista deve reflectir e retirar li\u00e7\u00f5es de todo o processo grego. N\u00e3o basta dizer que o Syriza traiu, \u00e9 preciso tamb\u00e9m demonstrar \u00e0 classe trabalhadora que h\u00e1 uma outra esquerda que est\u00e1 estrategicamente comprometida com os seus interesses, que para vencer n\u00e3o pode capitular aos interesses da classe dominante, ou seja, dos ricos e banqueiros mas, ao mesmo tempo, que n\u00e3o se integre \u00e0 passividade do sectarismo. Uma outra esquerda que sabe que, para alterar realmente a vida da classe trabalhadora e do planeta, \u00e9 necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o socialista, mas que para l\u00e1 chegar \u00e9 necess\u00e1ria firmeza nos princ\u00edpios, mas tamb\u00e9m flexibilidade t\u00e1ctica para que possa ser ouvida.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div><strong>Artigo de Tiago Castelhano<\/strong><br clear=\"all\" \/> <\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ekathimerini.com\/242324\/article\/ekathimerini\/news\/table-nd-wins-greek-election-official-results\">http:\/\/www.ekathimerini.com\/242324\/article\/ekathimerini\/news\/table-nd-wins-greek-election-official-results<\/a><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2019\/07\/07\/quem-e-kyriakos-mitsotakis-o-novo-primeiro-ministro-da-grecia\/\">https:\/\/observador.pt\/2019\/07\/07\/quem-e-kyriakos-mitsotakis-o-novo-primeiro-ministro-da-grecia\/<\/a><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.rtp.pt\/noticias\/mundo\/grecia-direita-de-mitsotakis-afasta-syriza-e-promete-mudancas_n1159010\">https:\/\/www.rtp.pt\/noticias\/mundo\/grecia-direita-de-mitsotakis-afasta-syriza-e-promete-mudancas_n1159010<\/a><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/07\/12\/para-onde-vai-a-grecia-conclusoes-da-aplicacao-do-3o-memorandum\/\">https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/07\/12\/para-onde-vai-a-grecia-conclusoes-da-aplicacao-do-3o-memorandum\/<\/a><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> <a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/06\/08\/grecia-governo-syriza-submisso-com-os-credores-e-duro-com-os-refugiados\/\">https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2017\/06\/08\/grecia-governo-syriza-submisso-com-os-credores-e-duro-com-os-refugiados\/<\/a><\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/internacional\/europa\/1801-2019-07-03-12-24-36.html\">http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/internacional\/europa\/1801-2019-07-03-12-24-36.html<\/a><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tal como se perspectivava, sobretudo depois dos resultados das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es europeias, a direita ganhou as elei\u00e7\u00f5es legislativas realizadas no dia 7 de Julho na Gr\u00e9cia. Sem grandes surpresas, as tend\u00eancias verificadas no final de Maio reflectiram-se nestas elei\u00e7\u00f5es. O vencedor, Kyriakos Mitsotakis, do partido da direita tradicional, obteve 39,8%[1] dos votos, elegendo 158 deputados, mais de metade dos 300 que ocupam lugar no parlamento grego. O Syriza conseguiu 31,5%. 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