{"id":3157,"date":"2019-05-30T21:31:21","date_gmt":"2019-05-30T20:31:21","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/05\/30\/notas-de-balanco-as-eleicoes-europeias-2019\/"},"modified":"2019-05-30T21:31:21","modified_gmt":"2019-05-30T20:31:21","slug":"notas-de-balanco-as-eleicoes-europeias-2019","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/05\/30\/notas-de-balanco-as-eleicoes-europeias-2019\/","title":{"rendered":"Notas de balan\u00e7o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es europeias 2019"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 10pt; text-align: center;\">\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>No passado dia 26 de Maio, tiveram lugar as elei\u00e7\u00f5es europeias de 2019. Reunimos aqui algumas considera\u00e7\u00f5es sobre os resultados europeus e nacionais:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>1 \u2013 Em termos europeus, desenvolvem-se as tend\u00eancias que se t\u00eam vindo a expressar a n\u00edvel mundial: (i) nenhuma das alas do \u201ccentr\u00e3o\u201d, composto pelos Partidos Socialistas europeus e pela tradicional direita, ter\u00e1 maioria no Parlamento Europeu (PE); (ii) a direita tradicional europeia, sem que tenha deixado de ser a maior for\u00e7a do PE, expressa uma profunda reorganiza\u00e7\u00e3o, em que, uma parte importante vai refor\u00e7ar a ala da direita mais liberal, defensora de um Estado Social m\u00ednimo e de iniciativa privada m\u00e1xima, o Grupo da Alian\u00e7a dos Democratas e Liberais pela Europa + Renaissance + USR PLUS (ALDE&amp;R, que passa de 69 para 105 deputados, representando 14% do PE), e outra parte \u00e9 capitalizada pela extrema-direita, presente nos 3 grupos parlamentares ECR, ENL e EFDD, que juntos refor\u00e7am as suas posi\u00e7\u00f5es (passam de 155 deputados para 175, ou seja, passam a dominar cerca de 23% do PE). Aten\u00e7\u00e3o que aquela ala direita, mais liberal, ter\u00e1 igualmente capitalizado algum do desgaste dos Partidos Socialistas europeus que foi tamb\u00e9m bastante profunda, tendo o S&amp;D perdido 32 deputados; (iii) a esquerda agrupada no GUE\/NGL, onde se encontram BE, Podemos ou Syriza, por exemplo, fruto da sua aproxima\u00e7\u00e3o geral \u00e0s pol\u00edticas defendidas pela UE, n\u00e3o consegue capitalizar o desgaste do \u201ccentr\u00e3o\u201d, passando de 52 para 38 deputados (tem, agora, cerca de 5% do PE); e (iv) a novidade destas elei\u00e7\u00f5es europeias \u00e9 a capitaliza\u00e7\u00e3o do descontentamento pelos partidos \u201cVerdes\u201d que passam de 52 para 69 deputados, cerca de 9,2% do parlamento europeu.<\/p>\n<p>2 \u2013 A extrema-direita fica aqu\u00e9m do crescimento que se perspetivou. Apesar de sair vencedora em Fran\u00e7a e em It\u00e1lia, os 3 grupos pol\u00edticos europeus mais \u00e0 direita: Conservadores e Reformistas (ECR), Europa das Na\u00e7\u00f5es e das Liberdades (ENL) e Europa da Liberdade e da Democracia Direita (EFDD), somam no total, 175 eurodeputados, mais 20 que do PE cessante. Os euroc\u00e9ticos de extrema-direita crescem mas mesmo que se unissem num \u00fanico grupo pol\u00edtico, o que \u00e9 muito improv\u00e1vel, n\u00e3o seriam a maior fam\u00edlia pol\u00edtica no PE. Representam, agora, cerca de 23% do hemiciclo, uma percentagem bem mais baixa que os 33% que ambicionavam, o n\u00famero necess\u00e1rio para bloquear a atividade legislativa do PE.<\/p>\n<p>O ECR perde nestas elei\u00e7\u00f5es 14 deputados, em parte devido ao descalabro eleitoral do Partido Conservador brit\u00e2nico, castigado nas urnas pelo fracasso em concluir o &#8216;Brexit&#8217;. No ENL, onde al\u00e9m de Le Pen est\u00e3o a italiana Liga, de Salvini, o austr\u00edaco Partido da Liberdade da \u00c1ustria (FP\u00d6) e o holand\u00eas Partido para a Liberdade (PVV), de Geert Wilders, aumenta dos atuais 36 assentos para 58 deputados, ajudado pelos bons resultados em It\u00e1lia e Fran\u00e7a, que compensaram as perdas na \u00c1ustria e Holanda. O EFDD, criado por iniciativa do brit\u00e2nico UKIP, ent\u00e3o liderado por Nigel Farage, e que integra nomeadamente a extrema-direita alem\u00e3 da Alternativa para a Alemanha (AfD), o italiano Movimento 5 Estrelas e os Democratas da Su\u00e9cia, cresce dos atuais 42 deputados para 54.<\/p>\n<p>Sem contrariar o importante crescimento da extrema-direita, a verdade \u00e9 que o seu desenvolvimento se d\u00e1 de forma bem mais lenta que o esperado, com avan\u00e7os e recuos em diferentes pa\u00edses, sendo de destacar o seu importante desenvolvimento em Fran\u00e7a e It\u00e1lia, a segunda e terceira maiores economias da Zona Euro.<\/p>\n<p>3 \u2013 No contexto nacional, Portugal comporta diferen\u00e7as substanciais relativamente ao contexto europeu: (i) com o Governo PS, apoiado por BE e PCP, o \u201ccentr\u00e3o\u201d regenera-se, sobretudo atrav\u00e9s do PS. O PS, apesar de exercer fun\u00e7\u00f5es de governo, \u00e9 o claro vencedor, com uma diferen\u00e7a de 11% \u00e0 frente do PSD, seu principal opositor, conquistando mais 70.000 votos face a 2014. N\u00e3o \u00e9 usual que o partido ou partidos a governar sejam refor\u00e7ados em elei\u00e7\u00f5es europeias, o que nos d\u00e1 um importante sinal sobre a popularidade da Geringon\u00e7a, conforme temos vindo a assinalar; (ii) PSD e CDP-PP, que concorreram juntos em 2014, apesar de atualmente sa\u00edrem duramente derrotados, aumentam a sua vota\u00e7\u00e3o em cerca de 20.000 votos; (iii) o BE, contrariamente ao que se passa no resto da UE, com os partidos da mesma fam\u00edlia, recupera a sua vota\u00e7\u00e3o de 2009, duplica os votos, passando agora para os 325.000 votos e fortifica uma posi\u00e7\u00e3o de 3\u00aa for\u00e7a pol\u00edtica nacional; (iv) a \u00fanica semelhan\u00e7a nacional com a UE \u00e9 o crescimento do PAN, o terceiro vitorioso das elei\u00e7\u00f5es europeias, no contexto nacional, que consegue triplicar a sua vota\u00e7\u00e3o, alcan\u00e7ando os 170.000 votos, e eleger um deputado europeu. O PAN apesar de ter um programa e uma pol\u00edtica pouco claras, consegue beneficiar daquilo que tem sido a crescente preocupa\u00e7\u00e3o ambiental, a n\u00edvel mundial. Portanto, no contexto nacional, quanto mais pr\u00f3ximo do Governo PS maior foi a capitaliza\u00e7\u00e3o de votos. Se isso \u00e9 evidente com o BE, n\u00e3o nos esque\u00e7amos que o pr\u00f3prio PAN tem-se demonstrado extremamente alinhado com as propostas do PS no parlamento nacional.<\/p>\n<p>4 \u2013 A CDU consegue contrariar a \u201cregra\u201d de que quanto mais perto do PS mais votos capitaliza e sofre uma dura derrota, perdendo quase metade da sua base eleitoral de 2014. O mesmo acontece com o MRPP, o PTP e o MAS. O Livre, de Rui Tavares, perde cerca de 11.000 votos (quase menos 16% que em 2014) e volta a n\u00e3o eleger nenhum candidato. \u00c0 direita, Marinho e Pinto eclipsa-se, como j\u00e1 era de esperar pelo oportunismo evidenciado durante o mandato, e as novas for\u00e7as pol\u00edticas unipessoais, como o Alian\u00e7a de Santana Lopes, o Iniciativa Liberal de Ricardo Arroja, o N\u00f3s, Cidad\u00e3os de Paulo Morais, ou a coliga\u00e7\u00e3o \u201cBasta\u201d de Andr\u00e9 Ventura t\u00eam todos vota\u00e7\u00f5es residuais. Relativamente \u00e0 extrema-direita, Portugal \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds da UE em que o crescimento eleitoral da extrema-direita \u00e9 completamente residual, sem express\u00e3o.<\/p>\n<p>5 \u2013 Em termos objectivos, este resultado \u00e9 reflexo da popularidade da solu\u00e7\u00e3o governativa da Geringon\u00e7a que a generalidade da popula\u00e7\u00e3o portuguesa parece ver como proveitosa para manter a direita afastada do poder, pelo que refor\u00e7a as for\u00e7as pol\u00edticas que se t\u00eam colocado como as suas maiores dinamizadoras (PS, BE e PAN).<\/p>\n<p>A pesada perda da CDU n\u00e3o contraria esta conclus\u00e3o. Pela press\u00e3o da sua base social, a CDU n\u00e3o assume o papel entusiasta que o BE assume na Geringon\u00e7a. Para al\u00e9m disso, estranho seria que, uma base de apoio polida, h\u00e1 d\u00e9cadas, e corretamente, contra a pol\u00edtica do PS, n\u00e3o se ressentisse da contradit\u00f3ria concilia\u00e7\u00e3o PCP\/PS, dos \u00faltimos 4 anos. O PCP, a n\u00edvel eleitoral, n\u00e3o parou de perder base de apoio, desde os acordos de governo com o PS. Mesmo a n\u00edvel sindical, existem elementos de crise. Este \u00e9 o reflexo da contradi\u00e7\u00e3o entre aquilo que diz e aquilo que realmente tem feito. Por apoiar a Geringon\u00e7a e, ao mesmo tempo, ter um papel t\u00e3o enraizado na classe trabalhadora, o PCP tem sido a cara dos principais freios nas lutas e reivindica\u00e7\u00f5es de muitos dos setores descontentes, o que o vai fragilizando.<\/p>\n<p>Neste momento, a Geringon\u00e7a fica mais pr\u00f3xima de se renovar apenas com PS e BE ou, porventura, com PS, BE e PAN. Apesar da absten\u00e7\u00e3o, o sinal eleitoral \u00e9 de que importantes setores do povo portugu\u00eas pretendem uma nova Geringon\u00e7a, que evite uma governa\u00e7\u00e3o da direita e, ao mesmo tempo, uma governa\u00e7\u00e3o maiorit\u00e1ria do PS.<\/p>\n<p>As lutas dos \u00faltimos tempos n\u00e3o t\u00eam conseguido romper a hegemonia da pol\u00edtica da Geringon\u00e7a e esta tem conseguido ir desarticulando todos os setores que t\u00eam sa\u00eddo \u00e0 rua, em luta.<\/p>\n<p>6 \u2013 Quanto ao resultado do MAS houve um relevante retrocesso eleitoral face aos resultados de 2014, nas mesmas propor\u00e7\u00f5es que a CDU ou o MRPP. Face \u00e0s elei\u00e7\u00f5es europeias de 2014, pass\u00e1mos de 12.442 votos, em 2014, para os actuais 6.653 votos. Este comportamento registou-se de uma forma relativamente homog\u00e9nea em todo o territ\u00f3rio nacional, sendo que apenas o conseguimos contrariar no Distrito de Braga, atrav\u00e9s do Munic\u00edpio de Barcelos, naturalidade do Vasco Santos, nosso cabe\u00e7a de lista, local onde quase triplic\u00e1mos a vota\u00e7\u00e3o e nos aproxim\u00e1mos da vota\u00e7\u00e3o da CDU.<\/p>\n<p>Na sua parte determinante, o resultado do MAS explica-se pelo refor\u00e7o da Geringon\u00e7a, que enfraquece quem se op\u00f5e \u00e0 sua pol\u00edtica. Inversamente, e como j\u00e1 referido, os mais entusiastas ou apoiantes da continuidade da pol\u00edtica da Geringon\u00e7a acabam por refor\u00e7ar-se eleitoralmente e sair vitoriosos.<\/p>\n<p>De qualquer forma, estamos convencidos que fizemos uma proposta pol\u00edtica justa e disposta a juntar esfor\u00e7os para construir um mundo diferente, ao lado de quem trabalha, de quem luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, em busca de um mundo composto de iguais e em defesa do nosso planeta. A nossa campanha foi marcada por aquilo que o Vasco Santos representa. Um honesto e consciente ativista sindical e social que pretende romper com os interesses das elites que nos t\u00eam governado, carregando consigo a voz de todas e todos os que vivem do seu trabalho. \u00c9 agora altura de aprendermos com os erros eventualmente cometidos e manter a tenacidade na luta por um mundo, uma Europa e um pa\u00eds melhor para quem trabalha.<\/p>\n<p>O MAS est\u00e1 orgulhoso e grato ao Vasco Santos pelo exemplo de dedica\u00e7\u00e3o e entrega, assim como faz o apelo a todos e todas, os que depositaram em n\u00f3s a sua confian\u00e7a, para nos virem conhecer e juntar a n\u00f3s as suas for\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 8pt;\">Fonte Gr\u00e1fico: Publico.pt<\/span><\/em><\/p>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":3156,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[31],"tags":[504,403,1656,1083,114,145,617,680],"class_list":["post-3157","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-balanco","tag-eleicoes","tag-europeias-2019","tag-geringonca","tag-mas","tag-movimento-alternativa-socialista","tag-parlamento-europeu","tag-resultados"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/resultados_europeias_grupos_europeus2019.jpg?fit=600%2C344","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3157\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3156"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}