{"id":3151,"date":"2019-05-24T12:53:13","date_gmt":"2019-05-24T11:53:13","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/05\/24\/o-olival-intensivo-no-baixo-alentejo-um-crime-continuado-a-triplicar\/"},"modified":"2019-05-24T12:53:13","modified_gmt":"2019-05-24T11:53:13","slug":"o-olival-intensivo-no-baixo-alentejo-um-crime-continuado-a-triplicar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/05\/24\/o-olival-intensivo-no-baixo-alentejo-um-crime-continuado-a-triplicar\/","title":{"rendered":"O olival intensivo no Baixo Alentejo &#8211; um crime continuado a triplicar"},"content":{"rendered":"\n<p>Estalou a pol\u00e9mica sobre o mal do olival intensivo, na Regi\u00e3o do Baixo Alentejo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Come\u00e7ando com um pouco de Hist\u00f3ria das transforma\u00e7\u00f5es nos campos do Alentejo, com o fim da Reforma Agr\u00e1ria, os campos foram votados ao abandono, em total improdutividade, exceptuando os terrenos de pequena e m\u00e9dia dimens\u00e3o que foram subsidiados para refloresta\u00e7\u00e3o principalmente com sobreiros, azinheiras e pinheiros. As grandes herdades ficaram em total pousio at\u00e9 que se concretizou a Barragem do Alqueva e os v\u00e1rios transvases para as Barragens do Alvito, Odivelas e Roxo, com diversas ramifica\u00e7\u00f5es ou bocas de rega para levas de \u00e1gua at\u00e9 aos terrenos, a maior parte deles classe A, B e C, os dois primeiros de enorme produtividade agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que grandes investidores estrangeiros, espanh\u00f3is na sua grande maioria, vieram ao Alentejo comprar essas herdades, t\u00e3o somente as planas, a pre\u00e7os irris\u00f3rios. Assim escrevo porque, aqui ao lado, em Espanha, os pre\u00e7os atingiam os 20 a 30 mil euros por hectare, enquanto no Alentejo aquelas herdades atingiam um m\u00e1ximo de 5 mil euros por hectare. Esses investidores, minha designa\u00e7\u00e3o generosa pois a maior parte deles eram alheios a qualquer trabalho agr\u00edcola, obtiveram financiamentos da banca espanhola a juros rid\u00edculos, quando comparados com os juros portugueses, e procederem \u00e0 instala\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios que j\u00e1 existiam em Espanha &#8211; o olival intensivo para a produ\u00e7\u00e3o de azeite. Esta instala\u00e7\u00e3o de olival tamb\u00e9m pode ser considerada &#8220;refloresta\u00e7\u00e3o&#8221; pelo combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o e, portanto, altamente subsidiada por fundos comunit\u00e1rios da UE. A instala\u00e7\u00e3o do olival intensivo n\u00e3o poderia acontecer sem as \u00e1guas do Alqueva.<\/p>\n<p>Ora, aqui est\u00e1 o primeiro dano (ou mesmo crime) contra o pa\u00eds. Esse mar de \u00e1gua deveria ser destinado ao fomento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para alimenta\u00e7\u00e3o humana, na sua generalidade, em terrenos de boa qualidade (A e B), evitando a sua importa\u00e7\u00e3o. Mas tal n\u00e3o aconteceu na escala desejada por superiores &#8220;decis\u00f5es pol\u00edticas&#8221;, da parte de quem nos tem governado.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio do olival intensivo produz imenso lucro a quem o desenvolve. Al\u00e9m da designa\u00e7\u00e3o &#8220;intensivo&#8221;, apareceu o super-intensivo e mais recentemente o mega-intensivo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Como funciona este neg\u00f3cio?<\/strong><\/p>\n<p>1- Aquisi\u00e7\u00e3o das terras, no Alentejo, de prefer\u00eancia planas. Se tiverem bocas de rega, j\u00e1 conectadas com o Alqueva, o neg\u00f3cio \u00e9 imediato. Na fase inicial, o pagamento era feito com malas de dinheiro (uma descarada lavagem de dinheiro), contudo agora tem de ser feito por transfer\u00eancia banc\u00e1ria ou cheque internacional certificado (visado);<\/p>\n<p>2- De Espanha, v\u00eam (entram ainda hoje!) cami\u00f5es carregados de pequenas estacas de oliveira, recolhidas em viveiros, onde j\u00e1 foram detectados v\u00edrus, sendo que ser\u00e3o plantadas em Portugal, j\u00e1 infectadas;<\/p>\n<p>3- Essas min\u00fasculas oliveiras crescer\u00e3o depressa pois ser\u00e3o alimentadas junto \u00e0 raiz, com \u00e1gua do Alqueva, impregnada com um fitof\u00e1rmaco. O que origina este gotejo, junto a cada \u00e1rvore? Animais selvagens, como coelhos, lebres, perdizes e outros, ao beberem desta \u00e1gua, caiem imediatamente mortos por envenenamento.<\/p>\n<p>4- Essas terras, muitos milhares de hectares aqui no Alentejo, estar\u00e3o gravemente infectadas no seu h\u00famus. Quanto tempo, quantos anos, levar\u00e1 a parte org\u00e2nica a regenerar-se?<\/p>\n<p>5- Na altura da flora\u00e7\u00e3o (ou candeio), o p\u00f3len imbu\u00eddo de veneno absorvido pela planta, espalha-se na atmosfera e, sendo levado pelo vento, atinge povoa\u00e7\u00f5es inteiras o que originar\u00e1, com certeza, problemas respirat\u00f3rios.<\/p>\n<p>6- Na altura da recolha da azeitona, h\u00e1 um tractor que lan\u00e7ar\u00e1 sobre as oliveiras um qu\u00edmico que apodrecer\u00e1 o ped\u00fanculo de cada azeitona e esta cair\u00e1. Azeitonas aos milh\u00f5es. Esta nuvem, o que mais origina? Elevada mortandade de aves que pousam no olival ou aves migrat\u00f3rias que ficam envenenadas e morrem. E elevada mortandade de abelhas!<\/p>\n<p>7- A azeitona, transformada nos lagares, chegar\u00e1 envenenada como atr\u00e1s descrito. Como ser\u00e1 o azeite? E que dizer sobre a enorm\u00edssima polui\u00e7\u00e3o jorrada permanentemente pelas chamin\u00e9s dos lagares que atinge todo o meio ambiente bem como a sa\u00fade das pessoas?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O que se pode condenar neste investimento? Quase tudo, opino eu.<\/strong><\/p>\n<p>O emprego gerado \u00e9 perto de nulo. Bastam at\u00e9 3 trabalhadores para uma herdade enorme, por exemplo, acima de 500 hectares.<\/p>\n<p>Na pr\u00e9-instala\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o de um olival, os propriet\u00e1rios, de forma sistem\u00e1tica, cortam, arrancam oliveiras tradicionais, azinheiras e at\u00e9 sobreiros que estejam numa mancha plana ideal para o trabalho, portanto uma limpeza. \u00c9 comum saber-se que essas \u00e1rvores s\u00e3o arrancadas em quase todas as instala\u00e7\u00f5es novas. \u00c9 um neg\u00f3cio paralelo: as oliveiras mais antigas s\u00e3o levadas para Espanha e, dizem, exportadas para It\u00e1lia. Crime, portanto. E com responsabiliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o aconteceu um sequer.<\/p>\n<p>Se um trabalhador com um tractor avisa o propriet\u00e1rio que descobriu vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos, o mesmo recebe ordens para charruar em frente e calar-se. E tem de o fazer, sen\u00e3o \u00e9 despedido. S\u00e3o j\u00e1 muitos os casos. Com responsabiliza\u00e7\u00e3o, um sequer. Outro crime.<\/p>\n<p>O azeite, o produto final, entra nas nossas casas, na nossa mesa, no nosso prato. \u00c9 produzido com aquele tipo de azeitona que sofreu aqueles condimentos. \u00c9 azeite puro, de qualidade, de confian\u00e7a? Vamos d\u00e1-lo \u00e0s nossas crian\u00e7as? Originar\u00e1 doen\u00e7as no nosso organismo que n\u00e3o sabemos quais &#8211; cancer\u00edgenas? &#8211; a origem ou o motivo? Cada um que pense, opine e decida.<\/p>\n<p>Quando a onda passar, para que servir\u00e3o essas terras envenenadas? Quantos s\u00e9culos levar\u00e3o a regenerar-se?<\/p>\n<p>A quem interessa esta situa\u00e7\u00e3o? Apenas aos empres\u00e1rios Investidores. O que fazem os sucessivos governos? Nada. Incentivam o aumento do olival intensivo porque origina n\u00fameros elevados da produ\u00e7\u00e3o de azeite nas estat\u00edsticas da UE, justificando-se assim mais subs\u00eddios comunit\u00e1rios&#8230;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Jos\u00e9 Jorge Cameira<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em> <\/em><\/strong><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Comiss\u00e3o de Utentes de Beja,<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em> <\/em><\/strong><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Beja, 22 de Maio de 2019<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estalou a pol\u00e9mica sobre o mal do olival intensivo, na Regi\u00e3o do Baixo Alentejo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3150,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[31],"tags":[1654,116,214,1653,355,114,115,1655,1650,198],"class_list":["post-3151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-alentejo","tag-alternativa","tag-ambiente","tag-beja","tag-ecologia","tag-mas","tag-movimento","tag-olival-intensivo","tag-planeta-b","tag-socialsita"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/olival_intensivo.jpg?fit=450%2C338","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3151\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3150"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}