{"id":3142,"date":"2019-05-03T11:20:57","date_gmt":"2019-05-03T10:20:57","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/05\/03\/notas-sobre-as-eleicoes-no-estado-espanhol\/"},"modified":"2019-05-03T11:20:57","modified_gmt":"2019-05-03T10:20:57","slug":"notas-sobre-as-eleicoes-no-estado-espanhol","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/05\/03\/notas-sobre-as-eleicoes-no-estado-espanhol\/","title":{"rendered":"Notas sobre as elei\u00e7\u00f5es no Estado Espanhol"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/>O Estado espanhol foi a votos, no passado dia 28 de Abril, numa conjuntura marcada pela quest\u00e3o independentista Catal\u00e3 e pela ascens\u00e3o de sectores de extrema-direita, pela m\u00e3o do VOX, na Andaluzia. Nesta regi\u00e3o, a esquerda perdeu um dos seus basti\u00f5es hist\u00f3ricos para a direita, em Dezembro passado, criando grande press\u00e3o para atrav\u00e9s do voto \u00fatil derrotar as for\u00e7as mais reacion\u00e1rias.<\/p>\n<p>  <!--more-->  \u00c0 direita a campanha foi marcada pela disputa da lideran\u00e7a do campo conservador, com insultos e discursos inflamados contra a esquerda, puxando o PP e Ciudadanos cada vez mais \u00e0 direita e com pautas cada vez mais reacion\u00e1rias deixando os principais temas como o desemprego para segundo plano. <\/p>\n<p>No rescaldo destas elei\u00e7\u00f5es em que a absten\u00e7\u00e3o caiu 6%, tendo participado mais 2 milh\u00f5es de eleitores que em 2016, destaca-se a vit\u00f3ria do PSOE, que volta ao poder depois de 11 anos, tendo subido de 85 deputados em 2016 para 123, embora longe dos 176 necess\u00e1rios para uma maioria absoluta. O PSOE, tendo ganho em Madrid, Comunidad Valenciana, M\u00farcia e Ceuta, onde n\u00e3o era a primeira for\u00e7a pol\u00edtica desde 1980, e conquistando mais 2 milh\u00f5es de votos, atingiu quase o dobro do PP, que sofreu uma derrota hist\u00f3rica descendo de 137 para 66 deputados e perdeu cerca de 3 milh\u00f5es e meio de votos. A direita n\u00e3o cresce mas reorganiza-se. A explica\u00e7\u00e3o para este terramoto foi a canibaliza\u00e7\u00e3o de votos \u00e0 direita, do eleitorado do PP pelo VOX e Ciudadanos, fruto da Governa\u00e7\u00e3o de Rajoy e da direitiza\u00e7\u00e3o do partido pela m\u00e3o de Pablo Casado em resposta a novos sectores de direita. Logo a seguir \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, o PP j\u00e1 mudou de estrat\u00e9gia a pensar nas elei\u00e7\u00f5es europeias e j\u00e1 classifica o VOX como partido de extrema-direita procurando relocalizar-se.<\/p>\n<p>No discurso de vit\u00f3ria, Pedro Sanchez afirmou que n\u00e3o colocar\u00e1 cord\u00f5es sanit\u00e1rios \u00e0 direita para formar governo, ficando no ar a possibilidade de uma coliga\u00e7\u00e3o com Ciudadanos. No entanto, os apoiantes que estavam presentes no discurso de vit\u00f3ria da noite eleitoral gritavam &#8220;Con Rivera No&#8221; rejeitando esta coliga\u00e7\u00e3o com a direita. Esta possibilidade havia tamb\u00e9m j\u00e1 sido descartada pelo pr\u00f3prio Rivera durante a campanha eleitoral e ap\u00f3s tomar conhecimento dos resultados, n\u00e3o sendo de todo a solu\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel, embora matematicamente desse para formar um governo de maioria. No entanto, as declara\u00e7\u00f5es das patronais do Estado Espanhol, pela voz do presidente da CEOE (Confedera\u00e7\u00e3o Espanhola de Organiza\u00e7\u00f5es Empresariais) v\u00e3o no sentido de esta ser a solu\u00e7\u00e3o que mais desejam, um Governo do PSOE com Ciudadanos, com cariz de centro esquerda que garanta estabilidade, modera\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a jur\u00eddica, ao mesmo tempo que rejeitam qualquer presen\u00e7a do Podemos ou de for\u00e7as independentistas.<\/p>\n<p>\u00c9 exactamente o Ciudadanos de Albert Rivera que surge tamb\u00e9m como um vencedor nestas elei\u00e7\u00f5es arrecadando mais 1 milh\u00e3o de votos e mais 25 deputados que em 2016, ficando a 220 mil votos e 9 deputados do PP, o maior partido da direita do estado espanhol, superando o Podemos e tornando-se a terceira for\u00e7a pol\u00edtica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Unidos Podemos passa de terceiro a quarto partido mais votado perdendo 29 deputados e 1,54 milh\u00f5es de votos (234 mil s\u00f3 na Catalunha) e apela a um governo de coliga\u00e7\u00e3o de esquerda. Isto sucede depois de ter tido uma posi\u00e7\u00e3o vergonhosa em torno da independ\u00eancia da Catalunha e da sua aproxima\u00e7\u00e3o ao Governo PSOE dos \u00faltimos meses. O apoio do Podemos a PSOE, refor\u00e7a este \u00faltimo, tal como em Portugal o apoio de BE e PCP ao Governo refor\u00e7a o PS.<\/p>\n<p>O Vox teve um resultado abaixo do esperado e muito heterog\u00e9neo por todo o pa\u00eds. Fica em 5\u00ba lugar, elegendo 24 deputados e arrecadando 2.600.000 votos, cerca de 10,26%, mas apesar de ficar aqu\u00e9m do que almejavam, marca a entrada da extrema-direita no parlamento, desde o fim da ditadura de Francisco Franco, em 1975, depois de uma campanha centrada contra a independ\u00eancia catal\u00e3, amea\u00e7ando retirar a autonomia da Catalunha at\u00e9 esmagar o independentismo, manteve durante toda a campanha eleitoral um discurso ultranacionalista, anti-imigra\u00e7\u00e3o e anti-feminista, com presen\u00e7a de toureiros e militares nos seus com\u00edcios e apelando a uma \u201creconquista\u201d de Espanha e um retorno a valores tradicionais nacionais. Um aspecto relevante \u00e9 o de que as autonomias, onde existe um independentismo forte, parecem imunes ao avan\u00e7o do Vox como mostram os seus resultados na Catalunha, Pa\u00eds Basco, Galiza e Canarias.<\/p>\n<p>N\u00e3o menos importante \u00e9 o que sucedeu no pa\u00eds Basco e na Catalunha. Na Catalunha, marcada por todo o processo independentista, a ERC aumentou o seu n\u00famero de votos em 380 mil, conseguindo 15 deputados, mais 6 que em 2016, sendo que grande parte saiu directamente do Podemos devido a toda a sua posi\u00e7\u00e3o perante a quest\u00e3o do nacionalismo, e conseguindo o dobro da coliga\u00e7\u00e3o de Carles Puigdemon. No Pa\u00eds Basco. h\u00e1 um aumento dos independentistas \u00e0 esquerda, com o EH Bildu retirando votos ao Unidos Podemos, e \u00e0 Direita com o refor\u00e7o do PNV que retira votos ao PP.<\/p>\n<p>Parece estar fora de quest\u00e3o um governo truculento da direita, composto pelo PP, Cuidadosos e Vox e que pretende retirar a autonomia \u00e0 Catalunha, tentando esmagar o movimento independentista, num Estado onde o problema das nacionalidades, da heran\u00e7a do franquismo e da guerra civil nunca foi resolvido.<\/p>\n<p>O PSOE descarta para j\u00e1 fechar qualquer alian\u00e7a at\u00e9 \u00e0s elei\u00e7\u00f5es locais, regionais e europeias, a 26 de Maio, mas para j\u00e1 Pedro Sanchez d\u00e1 ind\u00edcios de querer governar sozinho, f\u00f3rmula que lhe tem servido nos \u00faltimos 10 meses. Pablo Iglesias do Podemos deixou bem claro que desta vez n\u00e3o dar\u00e1 o seu apoio gr\u00e1tis e que pretende entrar no Governo. Apesar disso, as rela\u00e7\u00f5es entre Sanchez e Iglesias est\u00e3o no melhor momento de sempre tendo feito v\u00e1rios pactos sem grandes problemas em todos os assuntos relevantes e inclusive tendo acordado um pacto de or\u00e7amento que apenas n\u00e3o avan\u00e7ou por causa do chumbo dos independentistas. Esta rela\u00e7\u00e3o que se tem constru\u00eddo entre PSOE e Podemos abre o caminho a um poss\u00edvel governo de \u201cesquerda\u201d ao estilo do Governo portugu\u00eas. O apoio externo do Podemos ao PSOE \u00e9 apontado por Iglesias como uma das raz\u00f5es da sua queda de vota\u00e7\u00e3o, retirando da\u00ed a errada conclus\u00e3o de que o caminho \u00e9 a sua participa\u00e7\u00e3o num governo de coliga\u00e7\u00e3o, com tra\u00e7os frente-populistas.<\/p>\n<p>O conjunto de partidos de esquerda, centro-esquerda e independentistas sai refor\u00e7ado, sendo que os cen\u00e1rios mais prov\u00e1veis s\u00e3o o PSOE, o partido mais votado, tentar governar com absten\u00e7\u00e3o do Podemos e independentistas ou criar uma forma de Geringon\u00e7a ao estilo Portugu\u00eas no Estado espanhol, um governo composto do PSOE e Podemos com a absten\u00e7\u00e3o dos independentistas. Em qualquer dos casos, este governo n\u00e3o rompe com o actual <em>status quo<\/em>. Continuar\u00e1 submetido a Bruxelas e \u00e0 ditadura do d\u00e9fice, alinhado com a monarquia dos Bourbons e com os interesses da burguesia espanholista e europeia, impondo a unidade nacional \u00e0 for\u00e7a sob a capa de uma atitude dialogante, mas negando categoricamente um referendo \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o das nacionalidades. Sem um rompimento dos velhos mecanismos capitalistas que defendem os privil\u00e9gios das elites que nos t\u00eam governado, ficar\u00e1 em aberto a possibilidade de crescimento da extrema-direita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado espanhol foi a votos, no passado dia 28 de Abril, numa conjuntura marcada pela quest\u00e3o independentista Catal\u00e3 e pela ascens\u00e3o de sectores de extrema-direita, pela m\u00e3o do VOX, na Andaluzia. 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