{"id":3112,"date":"2019-04-04T14:44:17","date_gmt":"2019-04-04T13:44:17","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/04\/04\/para-utilizar-o-passe-unico-e-preciso-transportes\/"},"modified":"2019-04-04T14:44:17","modified_gmt":"2019-04-04T13:44:17","slug":"para-utilizar-o-passe-unico-e-preciso-transportes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/04\/04\/para-utilizar-o-passe-unico-e-preciso-transportes\/","title":{"rendered":"Para utilizar o Passe \u00fanico \u00e9 preciso transportes!"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\"><strong><br style=\"clear: both;\" \/>Editorial &#8211; 4 de Abril de 2019<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\" \/>\n<p>A Geringon\u00e7a demorou 4 anos a implementar um Passe \u00fanico que custa apenas \u20ac90 milh\u00f5es ao Or\u00e7amento do Estado. Hoje, faz um brilharete, reivindica a media como exclusivamente sua mas, desde 1997, que o PS rejeita tal medida. Parece rid\u00edculo mas o PS \u00e9 bem mais ligeiro a decidir sobre consecutivas inje\u00e7\u00f5es de milhares de milh\u00f5es na banca.<\/p>\n<p>N\u00e3o fosse esta medida um mero c\u00e1lculo eleitoral, n\u00e3o s\u00f3 j\u00e1 teria sido implementada no in\u00edcio da legislatura, como seria acompanhada do devido investimento anual nos transportes coletivos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>  <!--more-->  O Metro de Lisboa teima em n\u00e3o chegar a Loures, promessa que j\u00e1 tem anos. A esta\u00e7\u00e3o do Metro de Arroios tem as obras de remodela\u00e7\u00e3o paradas h\u00e1 meses. As composi\u00e7\u00f5es est\u00e3o envelhecidas e com falta de manuten\u00e7\u00e3o. Os caminhos-de-ferro portugueses est\u00e3o ao abandono. Os barcos, que diariamente fazem a travessia do Tejo, continuam apinhados. O funcionamento dos autocarros da Carris, sofreu recentemente algum investimento, mas continua uma desgra\u00e7a. Os tempos de espera s\u00e3o absurdos. A qualidade e seguran\u00e7a dos transportes n\u00e3o est\u00e3o asseguradas. As condi\u00e7\u00f5es de trabalho das empresas de transportes s\u00e3o, sem exagero, desumanas. Para utilizar o Passe \u00fanico continua a ser preciso, sem d\u00favida alguma, transportes coletivos, p\u00fablicos e de qualidade! <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 tudo. A especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria encarece o imobili\u00e1rio e expulsa os habitantes do centro das cidades. Os centros urbanos v\u00e3o-se tornando exclusividade de hot\u00e9is e habita\u00e7\u00f5es de luxo. A procura por habita\u00e7\u00e3o nas periferias aumenta e aquilo que era considerado como periferia vai ganhando uma nova coroa perif\u00e9rica, cada vez mais afastada dos centros urbanos, onde se continua a concentrar a atividade econ\u00f3mica e o emprego.<\/p>\n<p>Ora, quanto mais longe \u00e9 a dist\u00e2ncia percorrida, entre a habita\u00e7\u00e3o e o local de trabalho, maior ser\u00e1 o seu custo. Se o pre\u00e7o dos transportes chegava a custar 140\u20ac ou mais, como podem os patr\u00f5es &#8211; dos call-centers, hot\u00e9is, centros comerciais e restaurantes &#8211; ter trabalhadores, no centro das cidades, a trabalhar por 600\u20ac, se estes pagam 300\u20ac\/400\u20ac pela habita\u00e7\u00e3o (na periferia) e 140\u20ac pelo transporte? A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de tal forma grotesca que, ponderadas as alternativas, muitas vezes, ficar\u00e1 mais barata a situa\u00e7\u00e3o de desemprego.<\/p>\n<p>Que problema vem resolver a redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos passes? O \u201csal\u00e1rio dispon\u00edvel\u201d aumenta, diz-nos o Governo. Com um sal\u00e1rio m\u00ednimo de \u20ac600 ou at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00e9dio de \u20ac800, aquilo que sobra em &#8220;sal\u00e1rio dispon\u00edvel&#8221; vai directo para refor\u00e7ar despesas quotidianas b\u00e1sicas. Pagar a renda que vai encarecendo ou pagar o cr\u00e9dito que vai crescendo, despender em alimenta\u00e7\u00e3o de melhor qualidade, comprar melhor material escolar para as crian\u00e7as ou conseguir investir mais algum em consultas do dentista privado, j\u00e1 que o SNS n\u00e3o presta tais servi\u00e7os.<\/p>\n<p>J\u00e1 agora, n\u00e3o nos esque\u00e7amos: quem paga a descida do passe somos n\u00f3s, com os nossos impostos. A maior parte das empresas rodovi\u00e1rias nas periferias urbanas s\u00e3o privadas e o Estado vai financiar, ainda mais que aquilo que j\u00e1 financiava, a descida do pre\u00e7o do passe. S\u00f3 para termos uma ideia, o Governo PS, com o apoio de BE e PCP, tem gasto, com as PPPs rodovi\u00e1rias, cerca de \u20ac1.200 milh\u00f5es anuais. Ou seja, ganham as empresas privadas com mais passageiros e mais lucros, ganham os empregadores do centro das cidades e os especuladores imobili\u00e1rios, tudo \u00e0 nossa conta.<\/p>\n<p>Estamos a pagar menos por transportes? Na melhor das hip\u00f3teses, estamos a pagar o mesmo. Aquilo que sabemos \u00e9 que os impostos sobre o trabalho e o consumo t\u00eam batido <em>records<\/em> todos os anos, dinheiro p\u00fablico que \u00e9 imediatamente engolido pela banca.<\/p>\n<p>Continuamos a precisar de transportes coletivos e p\u00fablicos de qualidade. Continuamos a precisar que os servi\u00e7os de transporte, pelo seu interesse social, sejam prestados por empresas p\u00fablicas, detidas e geridas pelo Estado, a \u00fanica entidade com os meios para colocar o interesse da maioria \u00e0 frente do lucro de uma minoria.<\/p>\n<p>Comecemos por revogar a Lei das rendas de Assun\u00e7\u00e3o Cristas e tabelar as rendas com refer\u00eancia ao SMN. Comecemos por limitar o n\u00edvel m\u00e1ximo de hot\u00e9is e unidades de alojamento local, assim como um n\u00famero m\u00e1ximo de estadias por habitante. Comecemos por criar condi\u00e7\u00f5es de vida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o trabalhadora no centro da cidade. Esta \u00e9 uma forma de vivermos menos dependentes dos movimentos pendulares.<\/p>\n<p>Comecemos por taxar os lucros dos grandes empregadores do centro das cidades, para com esse dinheiro investir em transportes de qualidade. Comecemos pelo cancelamento dos contratos <em>swap<\/em> que sangram a Carris e o Metro em benef\u00edcio da banca. Comecemos pela nacionaliza\u00e7\u00e3o e unifica\u00e7\u00e3o de todos os transportes colectivos, para que sejam organizados de forma racional, ecol\u00f3gica e ao servi\u00e7o dos trabalhadores e das popula\u00e7\u00f5es pobres. Comecemos por colocar as popula\u00e7\u00f5es e os trabalhadores dos transportes a participar da gest\u00e3o desta rede p\u00fablica de transportes, para que ela seja de facto p\u00fablica.<\/p>\n<p>S\u00f3 o trabalho minucioso da esquerda parlamentar, BE e PCP, a calar estas alternativas permite que o Passe \u00fanico seja apresentado como um grande regalo para quem trabalha. Como podem vangloriar-se, cada um a seu modo, da medida do Governo, quando sabem que ela est\u00e1 ao servi\u00e7o dos privados e \u00e9 claramente insuficiente?<\/p>\n<p><strong>Precisamos de transportes coletivos p\u00fablicos, ecol\u00f3gicos, gratuitos e de qualidade para todos e todas. Se o Capital circula \u00e0 vontade, porque \u00e9 que os trabalhadores n\u00e3o o podem fazer?<\/strong><\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial &#8211; 4 de Abril de 2019 A Geringon\u00e7a demorou 4 anos a implementar um Passe \u00fanico que custa apenas \u20ac90 milh\u00f5es ao Or\u00e7amento do Estado. Hoje, faz um brilharete, reivindica a media como exclusivamente sua mas, desde 1997, que o PS rejeita tal medida. Parece rid\u00edculo mas o PS \u00e9 bem mais ligeiro a decidir sobre consecutivas inje\u00e7\u00f5es de milhares de milh\u00f5es na banca. 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