{"id":3106,"date":"2019-03-27T19:12:32","date_gmt":"2019-03-27T18:12:32","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/03\/27\/a-tragedia-em-mocambique-colonialismo-e-crise-climatica-e-o-imperialismo-estupido\/"},"modified":"2019-03-27T19:12:32","modified_gmt":"2019-03-27T18:12:32","slug":"a-tragedia-em-mocambique-colonialismo-e-crise-climatica-e-o-imperialismo-estupido","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/03\/27\/a-tragedia-em-mocambique-colonialismo-e-crise-climatica-e-o-imperialismo-estupido\/","title":{"rendered":"A trag\u00e9dia em Mo\u00e7ambique. Colonialismo e crise clim\u00e1tica. \u00c9 o imperialismo, est\u00fapido."},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/>O colonialismo, a pobreza e o racismo a que s\u00e3o jogados milh\u00f5es de seres humanos, particularmente aqueles que vivem \u00e0 margem do centro capitalista, potencia as trag\u00e9dias como a ocorrida em Mo\u00e7ambique, neste m\u00eas de Mar\u00e7o.<\/p>\n<p>  <!--more-->  Se, por um lado, \u00e9 evidente que assistimos a uma altera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do planeta, por outro, \u00e9 igualmente percet\u00edvel que muitas das suas consequ\u00eancias poderiam ser facilmente minoradas. As dificuldades que os pa\u00edses africanos t\u00eam em combater as consequ\u00eancias de trag\u00e9dias do g\u00e9nero residem hoje, n\u00e3o apenas na corrup\u00e7\u00e3o desenfreada dos seus governos nacionais, mas tamb\u00e9m na posi\u00e7\u00e3o que ocupam no sistema capitalista mundial. O caso de Mo\u00e7ambique \u00e9 paradigm\u00e1tico. Subjugado, durante s\u00e9culos, pelo colonialismo portugu\u00eas, continua, ap\u00f3s a \u201cindepend\u00eancia\u201d, a sofrer das novas regras do imperialismo, particularmente do neocolonialismo. <\/p>\n<p>Apesar da extors\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00e3o imposta por 500 anos de colonialismo &#8211; e da mis\u00e9ria e escravatura associados \u2013, Mo\u00e7ambique continua dependente e subjugado. \u00c9-lhe exigido o pagamento integral de uma d\u00edvida \u201cp\u00fablica\u201d que, no final de 2018, j\u00e1 representava mais de 100% do PIB. Alguns meses antes da trag\u00e9dia, a ag\u00eancia financeira Fitch calculava que a d\u00edvida chegaria a 119% j\u00e1 em 2022. Depois do ciclone Idai, as perspetivas s\u00e3o piores ainda.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o, depend\u00eancia e coloniza\u00e7\u00e3o do continente africano pelos pa\u00edses imperialistas, empurra os seus povos para a pobreza e mis\u00e9ria totais. Sem direito a Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Transportes ou Habita\u00e7\u00e3o de qualidade, estes povos continuam a viver na mis\u00e9ria, de uma agricultura de subsist\u00eancia. Sim, Portugal tem responsabilidade direta na trag\u00e9dia de Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>Note-se ainda que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o especialmente \u201cpatrocinadas\u201d pelos pa\u00edses ricos e industrializados. De acordo com os dados mais recentes, em m\u00e9dia, um norte-americano \u201ctem um impacto clim\u00e1tico equivalente a 55 mo\u00e7ambicanos\u201d. (<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Statement2\/Desktop\/Pessoal\/DIOGO%20TRINDADE\/A%20trag%C3%A9dia%20em%20Mo%C3%A7ambique.docx#_ftn1\">[1]<\/a>)<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa, no entanto, que a responsabilidade pela crise clim\u00e1tica recaia sobre o trabalhador comum norte-americano ou europeu. Pelo contr\u00e1rio, deve-se ter sempre em conta que o capitalismo \u00e9 um modo de produ\u00e7\u00e3o (internacional) e n\u00e3o um modo de consumo (individual). A classe dominante n\u00e3o aceita a m\u00ednima regula\u00e7\u00e3o. Ela deve ser obrigada, pela mobiliza\u00e7\u00e3o, a indemnizar as v\u00edtimas da crise clim\u00e1tica, neste caso, o povo mo\u00e7ambicano, e a pagar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. O primeiro passo dessa transi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a expropria\u00e7\u00e3o dos sectores estrat\u00e9gicos nas m\u00e3os das elites cujos lucros dependem, direta ou indiretamente, da explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma exig\u00eancia direta ao Governo portugu\u00eas mas que \u00e9 extens\u00edvel ao n\u00edvel da UE e a n\u00edvel mundial. Costa tem estado empenhado na explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera, incentivando a prospe\u00e7\u00e3o da nossa costa e territ\u00f3rio por empresas petrol\u00edferas nacionais e estrangeiras. O lugar dos f\u00f3sseis \u00e9 no subsolo. Aquilo que precisamos \u00e9 da renacionaliza\u00e7\u00e3o de todos os setores estrat\u00e9gicos, entre os quais se inclui o energ\u00e9tico, como forma de investir na imediata e total transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Ao compasso das mobiliza\u00e7\u00f5es, ganham corpo programas concretos de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, assentes na cria\u00e7\u00e3o de milhares de empregos. Para que o planeta n\u00e3o se transforme na grande trag\u00e9dia de Mo\u00e7ambique, precisamos da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica j\u00e1.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Nota<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Statement2\/Desktop\/Pessoal\/DIOGO%20TRINDADE\/A%20trag%C3%A9dia%20em%20Mo%C3%A7ambique.docx#_ftnref1\">1<\/a>) Alexandre Costa, \u00abO nome n\u00e3o \u00e9 \u201cAjuda Humanit\u00e1ria\u201d. \u00c9 D\u00edvida Clim\u00e1tica!\u00bb, <a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2019\/03\/25\/o-nome-nao-e-ajuda-humanitaria-e-divida-climatica\/\">https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2019\/03\/25\/o-nome-nao-e-ajuda-humanitaria-e-divida-climatica\/<\/a><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O colonialismo, a pobreza e o racismo a que s\u00e3o jogados milh\u00f5es de seres humanos, particularmente aqueles que vivem \u00e0 margem do centro capitalista, potencia as trag\u00e9dias como a ocorrida em Mo\u00e7ambique, neste m\u00eas de Mar\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3105,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[40],"tags":[116,1632,1631,114,1630,115,117],"class_list":["post-3106","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-africa","tag-alternativa","tag-catastofre","tag-idai","tag-mas","tag-mocambique","tag-movimento","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mocambique_idai.jpg?fit=500%2C333","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3106","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3106"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3106\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3105"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}