{"id":3081,"date":"2019-03-01T12:27:17","date_gmt":"2019-03-01T11:27:17","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/03\/01\/porque-fazemos-greve-no-dia-internacional-da-mulher\/"},"modified":"2019-03-01T12:27:17","modified_gmt":"2019-03-01T11:27:17","slug":"porque-fazemos-greve-no-dia-internacional-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/03\/01\/porque-fazemos-greve-no-dia-internacional-da-mulher\/","title":{"rendered":"Porque fazemos greve no dia internacional da mulher?"},"content":{"rendered":"<p><a jsaction=\"mousedown:irc.rl;focus:irc.rl;irc.il;\" href=\"http:\/\/www.google.pt\/url?sa=i&#038;rct=j&#038;q=&#038;esrc=s&#038;source=images&#038;cd=&#038;ved=2ahUKEwiK5eOh7ODgAhWOsBQKHSbODvsQjRx6BAgBEAU&#038;url=%2Furl%3Fsa%3Di%26rct%3Dj%26q%3D%26esrc%3Ds%26source%3Dimages%26cd%3D%26cad%3Drja%26uact%3D8%26ved%3D2ahUKEwiK5eOh7ODgAhWOsBQKHSbODvsQjRx6BAgBEAU%26url%3Dhttps%253A%252F%252Fwww.esquerda.net%252Fartigo%252Flancado-manifesto-da-greve-feminista-internacional-de-8-de-marco%252F59791%26psig%3DAOvVaw3B_ZoZnyL6hxYfyEBH_MsP%26ust%3D1551526355436505&#038;psig=AOvVaw3B_ZoZnyL6hxYfyEBH_MsP&#038;ust=1551526355436505\" style=\"border-image: none;\" id=\"irc_mil\"><\/a><a jsaction=\"mousedown:irc.rl;focus:irc.rl;irc.il;\" href=\"https:\/\/www.google.pt\/url?sa=i&#038;rct=j&#038;q=&#038;esrc=s&#038;source=images&#038;cd=&#038;cad=rja&#038;uact=8&#038;ved=2ahUKEwiK5eOh7ODgAhWOsBQKHSbODvsQjRx6BAgBEAU&#038;url=https%3A%2F%2Fwww.esquerda.net%2Fartigo%2Flancado-manifesto-da-greve-feminista-internacional-de-8-de-marco%2F59791&#038;psig=AOvVaw3B_ZoZnyL6hxYfyEBH_MsP&#038;ust=1551526355436505\" style=\"border-image: none;\" id=\"irc_mil\"><\/a><\/p>\n<p>Desde 2017 que, a n\u00edvel mundial, se tem convocado uma greve internacional de mulheres (tamb\u00e9m conhecida como greve feminista internacional). \u00c9 um exemplo impressionante de movimento internacionalista, grevista, constru\u00eddo por e para mulheres, enfrentando o machismo, a viol\u00eancia, as desigualdades, a discrimina\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, nas suas diversas esferas, unificando as lutas em cada pa\u00eds \u2013 nas escolas e universidades, nos locais de trabalho, nas casas e tamb\u00e9m nos <em>media<\/em>, na sociedade de consumo e nas mentalidades.<\/p>\n<p>A greve surge como uma resposta aos in\u00fameros ataques a que estamos sujeitas, enquanto mulheres trabalhadoras, prec\u00e1rias, m\u00e3es, negras, imigrantes, LGBTs. Fazemos greve para visibilizar o trabalho feminino que \u00e9 sistematicamente ignorado e menosprezado, mas fazemos greve ao trabalho tamb\u00e9m porque entendemos que \u00e9 uma ferramenta essencial para p\u00f4r o dedo na ferida, evidenciar as falhas sist\u00e9micas e lutar pelas nossas reivindica\u00e7\u00f5es, pondo em cheque os nossos patr\u00f5es, os pol\u00edticos, o Governo e o Estado, enquanto respons\u00e1veis pela perpetua\u00e7\u00e3o das desigualdades em prol das taxas de lucro. A greve e a mobiliza\u00e7\u00e3o retira-nos da individualidade, mostrando-nos que as mulheres que nos rodeiam enfrentam os mesmos problemas que n\u00f3s e que juntas somos mais fortes. Quando gritamos em un\u00edssono, quando fazemos greve em conjunto, fortalecemos as lutas e exigimos que nos respondam \u00e0 altura ou n\u00e3o arredamos p\u00e9. Como no Brasil, tamb\u00e9m em Portugal dizemos que ningu\u00e9m larga a m\u00e3o de ningu\u00e9m. Ningu\u00e9m fica para tr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Pelo fim da precariedade e por direitos iguais nos locais de trabalho! <\/strong><\/p>\n<p>A mulher comp\u00f5e cerca de 50% da popula\u00e7\u00e3o ativa do mundo. Integrou-se no mercado de trabalho massivamente a partir do s\u00e9c. XIX, o que significou um avan\u00e7o significativo na sua condi\u00e7\u00e3o social, no sentido em que a retirou da esfera meramente privada, possibilitou rendimentos pr\u00f3prios e alguma independ\u00eancia relativa face \u00e0 fam\u00edlia e a companheiros. Contudo, os nossos locais de trabalho n\u00e3o s\u00e3o uma excep\u00e7\u00e3o na sociedade machista e discriminat\u00f3ria, havendo todo um leque de problemas que nos afectam que, no dia a dia dos homens, nem chegam a existir. Falamos da desigualdade salarial (em alguns setores desigualdade direta, ou seja, pelo mesmo trabalho recebemos um sal\u00e1rio inferior, noutros desigualdade indireta, por ocuparmos os <em>part-times<\/em>, n\u00e3o termos direitos a pr\u00e9mios ou tamb\u00e9m pela exist\u00eancia de setores maioritariamente femininos, como as limpezas, onde s\u00e3o praticados sal\u00e1rios mais baixos). Falamos do ass\u00e9dio moral e sexual, que n\u00e3o \u00e9 activamente combatido pelas empresas, muitas vezes utilizado para pressionar e controlar as trabalhadoras, mantendo-as num estado de tens\u00e3o e stress permanentes, que leva a <em>burnouts<\/em>, baixas psicol\u00f3gicas, despedimentos etc. Falamos tamb\u00e9m da dificuldade que \u00e9 para as mulheres conciliarem a vida profissional e familiar, por termos, ainda hoje, uma dupla e tripla jornada de trabalho a nosso cargo. Nas entrevistas, querem saber se temos filhas\/os ou se desejamos engravidar, partindo do principio que teremos um impacto negativo na produtividade por n\u00e3o sermos 100% dedicadas ao nosso trabalho. Somos n\u00f3s quem mais falta para assistir as\/os filhas\/os e familiares, significando que no momento de receber incentivos, pr\u00e9mios ou promo\u00e7\u00f5es, ficamos quase sempre em \u00faltimo lugar.<\/p>\n<p>Fazemos greve ao trabalho porque passamos sete, oito, nove horas nos nossos locais de trabalho, onde se acumulam situa\u00e7\u00f5es de desigualdade e discrimina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o entendemos como problemas pessoais, mas sim da responsabilidade das empresas e entidades empregadoras. Reivindicamos locais de trabalho livres de discrimina\u00e7\u00e3o, onde possamos ter o direito a ser m\u00e3es e pais sem penaliza\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o nos sintamos oprimidas pelo nosso g\u00e9nero.<\/p>\n<p>Fazemos greve para combater a precariedade no mercado laboral, que afecta mulheres e homens mas que tem maior impacto sobre as vidas das mulheres, pela situa\u00e7\u00e3o de desvantagem em que nos encontramos.<\/p>\n<p>Fazemos greve ao trabalho porque estamos fartas de ser o ex\u00e9rcito de reserva, as mais prec\u00e1rias e mais mal pagas, as primeiras a serem despedidas ou sem renova\u00e7\u00e3o dos contratos. As empresas n\u00e3o podem gabar-se de serem locais parit\u00e1rios sem proporcionar seguran\u00e7a e condi\u00e7\u00f5es iguais entre trabalhadoras e trabalhadores.<\/p>\n<p>Exigimos forma\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria sobre ass\u00e9dio sexual e moral, para as chefias e trabalhadores\/as.<\/p>\n<p>Exigimos a diminui\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de trabalho para as 35h, para criar mais postos de trabalho e garantir mais tempo livre.<\/p>\n<p>Exigimos um combate efectivo \u00e0 precariedade, que nos condena \u00e0 incerteza, inseguran\u00e7a e a uma vida sem garantias.<\/p>\n<p><strong>Queremos o fim da dupla jornada de trabalho!<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s, mulheres, garantimos um sem n\u00famero de tarefas essenciais para o decorrer \u201cnormal\u201d da vida. \u00c9 sobre os nossos ombros que recaem a maior parte das tarefas dom\u00e9sticas, a educa\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es, o cuidado dos idosos. Em pleno s\u00e9c. XXI, estas tarefas s\u00e3o ainda vistas como naturalmente \u201cfemininas\u201d, falando-se em predisposi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, raz\u00f5es naturais e at\u00e9 orgulho das mulheres. A sociedade foi educada a aceitar a divis\u00e3o sexual do trabalho, por um motivo simples: o trabalho que as mulheres desempenham, de forma gratuita, garante a reprodu\u00e7\u00e3o social da for\u00e7a de trabalho. Enquanto as mulheres garantem a sobreviv\u00eancia das novas gera\u00e7\u00f5es e o cuidado das gera\u00e7\u00f5es existentes, enquanto desempenham as tarefas dom\u00e9sticas (limpar, cozinhar, lavar, ir \u00e0s compras), o Estado n\u00e3o tem que garantir qualquer uma destas atividades, os governos n\u00e3o t\u00eam que investir em creches, lares, cantinas, lavandarias nem a maior parte dos homens se tem que preocupar em cumprir uma segunda jornada de trabalho, porque esta pertence-nos automaticamente. Naturalizou-se a ideia de que todas estas tarefas pertencem ao privado, que devem ser feitas \u201cpor amor\u201d e que cabe \u00e0s mulheres \u201ceducarem\u201d os homens a \u201cajudarem\u201d com as tarefas, para equilibrar a balan\u00e7a, culpabilizando-nos pela nossa pr\u00f3pria opress\u00e3o, no final do dia.<\/p>\n<p>Estamos fartas!<\/p>\n<p>Queremos uma rede nacional de creches p\u00fablicas e acess\u00edveis!<\/p>\n<p>Queremos que as empresas com mais de 200 trabalhadores sejam obrigadas a ter creches!<\/p>\n<p>Queremos cantinas em todos os locais de trabalho, com comida de qualidade a pre\u00e7os acess\u00edveis!<\/p>\n<p>Queremos a partilha de todas as tarefas dom\u00e9sticas e de cuidados!<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o aceitamos a sexualiza\u00e7\u00e3o dos nossos corpos!<\/strong><\/p>\n<p>Numa sociedade que consome de forma fren\u00e9tica, somos vistas, por um lado, como mercadoria e, por outro, como alvo comercial. As publicidades, os an\u00fancios, os media e o marketing, sob o mote \u201c<em>sex sells<\/em>\u201d, apresentam-nos imagens de mulheres \u201cperfeitas\u201d, estere\u00f3tipos inalcan\u00e7\u00e1veis e surrealistas. Associado a um carro, uma casa, um produto, encontramos o nosso corpo despido, sexualizado, objectificado, contribuindo para desumanizar a nossa exist\u00eancia. Se formos vistas como produto, propriedade e\/ou partes corporais dispersas mais facilmente somos objecto de viol\u00eancia, de ataques, piropos, ass\u00e9dio. Ao mesmo tempo somos alvo da campanhas publicit\u00e1rias que reproduzem a divis\u00e3o sexual do trabalho \u2013 desde o Fenistil para passar na queimadura do filho \u00e0 lixivia para limpar o ch\u00e3o da casa de banho, as campanhas refor\u00e7am constantemente que o nosso lugar \u00e9 em casa, a cuidar, a limpar e a cozinhar mas que, ao mesmo tempo, devemos ser super-mulheres, garantir uma carreira, um corpo de modelo, um sex apeal impec\u00e1vel e fazer tudo isto com um sorriso na cara, amor no cora\u00e7\u00e3o e sem nunca nos queixarmos de algo que \u00e9 apan\u00e1gio nosso por excel\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos ser super-mulheres!<\/p>\n<p><strong>Pelo fim da viol\u00eancia contra as mulheres!<\/strong><\/p>\n<p>Se somarmos desde 2004, perto de 500 mulheres foram assassinadas, por namorados, maridos, ex-companheiros e familiares homens. S\u00f3 em 2019 j\u00e1 foram assassinadas 11 mulheres por viol\u00eancia dom\u00e9stica e consecutivamente vemos os ju\u00edzes a ilibar os agressores, a suspender penas e o governo pouco ou nada faz, para al\u00e9m de reuni\u00f5es de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros n\u00e3o deixam sombra para d\u00favidas: o problema do machismo, manifesto nestes crimes violentos, n\u00e3o faz parte do passado, n\u00e3o est\u00e1 resolvido, nem est\u00e1 a ser combatido com todas as armas poss\u00edveis. Pelo mundo, milhares de mulheres s\u00e3o vitimas de feminic\u00eddio e os governos, pol\u00edticos e as institui\u00e7\u00f5es do Estado assobiam para o lado. Nas escolas e universidades a viol\u00eancia no namoro \u00e9 vista como um fen\u00f3meno natural, nas casas e nas ruas as mulheres s\u00e3o violentadas, nos locais de trabalho somos assediadas sem merc\u00ea.<\/p>\n<p>Exigimos que haja um compromisso com o combate da viol\u00eancia sobre as mulheres, que, vezes demais, termina na sua morte. Que o Governo PS, apoiado pelo BE e PCP, encontre vontade pol\u00edtica para travar a batalha pelas vidas destas mulheres, pela vida de todas as mulheres, porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nos dias de festa e nas ocasi\u00f5es solenes que merecemos ser mencionadas. Exigimos que, em vez de se orgulharem de pagar juros da d\u00edvida e salvar bancos, se orgulhem de ter um programa de combate ao machismo, um que funcione e que n\u00e3o seja s\u00f3 uma promessa vazia no papel.<\/p>\n<p>Exigimos a pris\u00e3o efetiva para os agressores, com penas mais duras e o fim das penas suspensas!<\/p>\n<p>Exigimos medidas de restri\u00e7\u00e3o de proximidade assim que h\u00e1 uma denuncia de viol\u00eancia dom\u00e9stica, para prote\u00e7\u00e3o imediata da v\u00edtima!<\/p>\n<p>Exigimos a cria\u00e7\u00e3o de infra-estruturas, por freguesia, com equipas especializadas no atendimento e acompanhamento de casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica!<\/p>\n<p><strong>Nem uma menos! Basta de feminic\u00eddios!<\/strong><\/p>\n<p>As raz\u00f5es para nos mobilizarmos, manifestarmos e convocarmos greve s\u00e3o m\u00faltiplas e diversas. Sabemos que o sistema econ\u00f3mico n\u00e3o funciona a nosso favor e sabemos que os governos e as politicas s\u00e3o feitas \u00e0 medida dos ricos, dos banqueiros e dos interesses privados. Aqui em Portugal isso fica evidente &#8211; o Governo PS, com apoio parlamente do BE e PCP, enterrou somas exorbitantes de dinheiros p\u00fablicos para resgatar os bancos, investir em PPPs e pagar de forma antecipada, milhares de milh\u00f5es de euros ao FMI, mas n\u00e3o investiu de forma s\u00e9ria no combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica, \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, na cria\u00e7\u00e3o de creches p\u00fablicas ou na constru\u00e7\u00e3o de uma justi\u00e7a que proteja as mulheres.<\/p>\n<p>N\u00f3s, no Movimento Alternativa Socialista, fazemos parte da Rede 8 de Mar\u00e7o, que convoca a greve feminista internacional. Apoiamos, constru\u00edmos e apelamos a esta greve, que deve ser travada por mulheres e homens, pois a luta pelos direitos das mulheres n\u00e3o divide e n\u00e3o enfraquece a luta do conjunto dos trabalhadores. Queremos enriquecer as resist\u00eancias, somar as reivindica\u00e7\u00f5es e construir uma sociedade em que sejamos todas\/os livres.<\/p>\n<p><strong>Temos, para o dia 8 de Mar\u00e7o, 5 pr\u00e9-avisos de greve: STCC (Sindicato de Trabalhadores de Call Center), STOP (Sindicato de Tod@s @s Professor@s), SNESUP (Sindicato Nacional do Ensino Superior), SIEAP (Sindicato das Industrias, Energia e \u00c1guas de Portugal) e STSSS (Sindicato dos Trabalhadores da Sa\u00fade, Solidariedade e Seguran\u00e7a Social).<\/strong><\/p>\n<p><strong>No dia 8 de Mar\u00e7o, estamos todas\/os convocadas\/os para a greve e para as manifesta\u00e7\u00f5es que ir\u00e3o acontecer em mais de 12 cidades em Portugal e tamb\u00e9m por todo o mundo.<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Se as mulheres param, o mundo p\u00e1ra.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2017 que, a n\u00edvel mundial, se tem convocado uma greve internacional de mulheres (tamb\u00e9m conhecida como greve feminista internacional). \u00c9 um exemplo impressionante de movimento internacionalista, grevista, constru\u00eddo por e para mulheres, enfrentando o machismo, a viol\u00eancia, as desigualdades, a discrimina\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, nas suas diversas esferas, unificando as lutas em cada pa\u00eds \u2013 nas escolas e universidades, nos locais de trabalho, nas casas e tamb\u00e9m nos media, na sociedade de consumo e nas mentalidades. 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