{"id":3072,"date":"2019-02-06T13:10:44","date_gmt":"2019-02-06T12:10:44","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/02\/06\/tirem-as-maos-da-venezuela-nao-em-nosso-nome\/"},"modified":"2019-02-06T13:10:44","modified_gmt":"2019-02-06T12:10:44","slug":"tirem-as-maos-da-venezuela-nao-em-nosso-nome","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/02\/06\/tirem-as-maos-da-venezuela-nao-em-nosso-nome\/","title":{"rendered":"Tirem as m\u00e3os da Venezuela! N\u00e3o em nosso nome!"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p><strong>Repudiamos profundamente o seguidismo acr\u00edtico do Governo portugu\u00eas e dos restantes governos dos pa\u00edses europeus que apoiam a pol\u00edtica de agress\u00e3o de Trump e Bolsonaro sobre a Venezuela. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Augusto Santos Silva, Ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, reconheceu Guaid\u00f3 (fantoche dos EUA) como presidente interino, referindo que &#8220;pode fazer-se a transi\u00e7\u00e3o com elei\u00e7\u00f5es presidenciais, na medida em que o presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, pode assumir fun\u00e7\u00f5es de presidente interino para convocar elei\u00e7\u00f5es presidenciais<\/strong>&#8220;. Guaid\u00f3 \u00e9 um testa de ferro de Trump e da direita reacion\u00e1ria venezuelana, que n\u00e3o tem qualquer legitimidade para governar a Venezuela.<\/p>\n<p>\u00c9 mais um cap\u00edtulo na hist\u00f3ria das sistem\u00e1ticas interven\u00e7\u00f5es norte-americanas na Am\u00e9rica Latina. A inten\u00e7\u00e3o dos EUA \u00e9, o invari\u00e1vel, dom\u00ednio directo de uma das maiores fontes de recursos naturais do mundo. Tudo em fun\u00e7\u00e3o de uma economia mundial ainda completamente dependente dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, sob o dom\u00ednio das elites reaccion\u00e1rias dos EUA, negacionistas do aquecimento global.<\/p>\n<p>A direita portuguesa (CDS e PSD) veio tamb\u00e9m a terreiro legitimar o golpe de Guaid\u00f3 e de Trump e ainda tem a hip\u00f3crita desfa\u00e7atez de falar em democracia e de colar o regime de Maduro \u00e0 esquerda. A falta de mem\u00f3ria \u00e0 direita \u00e9 grande, pois esquecem-se quando Passos Coelho ou Paulo Portas foram recebidos, com honras de Estado, em Caracas, com o intuito de estabelecer neg\u00f3cios que beneficiassem as elites dos dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Importa salientar as semelhan\u00e7as da actual situa\u00e7\u00e3o venezuelana e da Guerra do Iraque, em 2003, movida pelos EUA e UE. No Iraque, a justifica\u00e7\u00e3o para intervir foi as, nunca encontradas, \u201carmas de destrui\u00e7\u00e3o massiva\u201d. Hoje, na Venezuela, \u00e9 a \u201cnecessidade de democracia\u201d. Independentemente da Venezuela precisar de uma democratiza\u00e7\u00e3o do seu regime, esse \u00e9 um assunto que diz respeito, apenas e s\u00f3, ao povo venezuelano. A actual \u201cnecessidade de democracia\u201d, na Venezuela, corresponde \u00e0s \u201carmas de destrui\u00e7\u00e3o massiva\u201d, no Iraque, em 2003. S\u00e3o simples justifica\u00e7\u00f5es, com f\u00e1cil ades\u00e3o ao imagin\u00e1rio popular, transformadas em raz\u00e3o plaus\u00edvel para mais uma interven\u00e7\u00e3o imperialista. Caso a \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d fosse o verdadeiro m\u00f3bil dos EUA, n\u00e3o seria estranho que n\u00e3o tenham j\u00e1 intervindo na sua aliada Ar\u00e1bia Saudita? Ou, desde que sejam aliados do imperialismo, os regimes ditatoriais t\u00eam carta-branca para fazerem o que bem entenderem com o seu povo? E o que dizer de uma \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d, atrav\u00e9s de uma agress\u00e3o externa, tendo como aliado o Governo Bolsonaro? Grotesco, no m\u00ednimo.<\/p>\n<p>\u00c9 conveniente n\u00e3o nos afastarmos de um facto incontorn\u00e1vel: Guaid\u00f3, ao contr\u00e1rio de Maduro, n\u00e3o teve um \u00fanico voto. Cozinhou a sua auto-proclama\u00e7\u00e3o com os EUA e UE, auto-proclamou-se Presidente da Venezuela e a comunidade internacional, conforme previamente acordado, reconheceu-o. A ideia \u00e9 pressionar, interna e externamente, o regime de Maduro at\u00e9 que a casta militar venezuelana, na qual se apoia, comece a ceder, fazendo o regime desmoronar. Os EUA e a UE mostram-nos, mais uma vez, que a democracia e a soberania dos povos s\u00e3o secund\u00e1rias face ao interesse das suas elites em lucrar \u00e0 custa da espolia\u00e7\u00e3o dos recursos de outros pa\u00edses. A Venezuela \u00e9 o maior produtor de petr\u00f3leo do mundo, para al\u00e9m de ter um subsolo rico em ouro, cobalto e diamantes. Os EUA precisam voltar a aprofundar o seu dom\u00ednio sobre toda a Am\u00e9rica Latina, para explorarem de forma desenfreada os seus recursos e condenar os povos a patamares superiores de explora\u00e7\u00e3o. Esta ser\u00e1 uma ajuda importante para fortalecer o seu dom\u00ednio mundial.<\/p>\n<p>N\u00e3o reconhecemos qualquer autoridade aos EUA, ou outro qualquer pa\u00eds imperialista, para determinar quem \u00e9 o presidente da Venezuela. A UE, controlada pelo Eurogrupo, organismo informal composto por duas d\u00fazias de burocratas, n\u00e3o eleitos, que decidem a vida de 500 milh\u00f5es de pessoas que vivem na UE, n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de dar li\u00e7\u00f5es de democracia a outros povos. O Tratado or\u00e7amental europeu esvaziou a soberania dos Estados europeus, determinando a sua pol\u00edtica: planos de austeridade, precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos laborais, delapida\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e descapitaliza\u00e7\u00e3o das seguran\u00e7as sociais. Ao mesmo tempo que continuam a transferir dinheiro p\u00fablico para os privados.<\/p>\n<p>O povo venezuelano n\u00e3o pode ter qualquer ilus\u00e3o nas pretens\u00f5es \u201ddemocr\u00e1ticas\u201d dos pa\u00edses imperialistas e deve-se mobilizar contra a inger\u00eancia de pa\u00edses estrangeiros. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que os EUA tentam colocar um governo mais favor\u00e1vel aos seus interesses. Em 2001, houve um golpe perpetrado pelos EUA, que chegou a tirar Chavez do poder, mas imediatamente o povo saiu \u00e0 rua e recolocou Chavez no poder. A c\u00fapula chavista foi totalmente condescendente com os golpistas, deixando-os em liberdade. Chavez e Maduro ao longo dos anos desmobilizaram os trabalhadores, iludiram-nos que, com ele, a revolu\u00e7\u00e3o bolivariana seria vitoriosa, e o socialismo do s\u00e9c XXI seria alcan\u00e7ado. Mas os avan\u00e7os que se alcan\u00e7aram foram t\u00edmidos e fugazes. Chavez e Maduro distribu\u00edram generosas rendas do petr\u00f3leo por in\u00fameras multinacionais imperialistas mas esqueceram-se do povo que o elegeu. Apesar das trai\u00e7\u00f5es \u00e0 classe trabalhadora, uma parte significativa continua com ele. E a maioria da popula\u00e7\u00e3o venezuelana votou nele.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos chavistas, n\u00e3o apoiamos politicamente o Governo Maduro e n\u00e3o consideramos a Venezuela como um modelo de socialismo ou mesmo a caminho do socialismo. No entanto, estamos incondicionalmente ao lado dos povos latino-americanos contra qualquer tentativa de golpe pr\u00f3-imperialista, que se organiza sob o manto de defesa de uma suposta \u201cdemocracia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Lamentamos tamb\u00e9m que, no preciso momento, em que as garras do imperialismo amea\u00e7am fazer sangrar a Venezuela, o BE, nas palavras de Catarina Martins, tenha como pol\u00edtica: \u201cNem Maduro, nem Guaid\u00f3\u201d. O que est\u00e1 em causa aqui, \u00e9 uma disputa de poderes, entre um projeto pol\u00edtico que foi sufragado nas urnas, e um projeto pol\u00edtico imposto por Trump, Bolsonaro e restantes potenciais europeias. <\/strong>Quando Estados imperialistas se intrometem nos destinos de um pa\u00eds semi-colonial, com o \u00fanico prop\u00f3sito de aumentar a explora\u00e7\u00e3o e torn\u00e1-lo ainda mais dependente, refugiarmo-nos na neutralidade \u00e9 escondermo-nos cobardemente. Numa luta entre desiguais, onde a disparidade de for\u00e7as \u00e9 inequ\u00edvoca, a neutralidade \u00e9 a complac\u00eancia com os mais fortes.<strong> Assim, a posi\u00e7\u00e3o do BE de suposta neutralidade legitima, na verdade, o golpe de Guaid\u00f3.<\/strong><\/p>\n<p>Saudamos a posi\u00e7\u00e3o do PCP de rep\u00fadio \u00e0 interven\u00e7\u00e3o imperialista de Trump e companhia, mas n\u00e3o deixa de ser contradit\u00f3rio assumir essa posi\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo que se presta apoio a um Governo PS que legitima internacionalmente aquela mesma interven\u00e7\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Tirem as m\u00e3os da Venezuela! N\u00e3o em nosso nome!<\/strong><\/p>\n<p> <strong>Trump fora da Am\u00e9rica Latina!<\/strong> <\/p>\n<p><strong>N\u00e3o ao Golpe de Guaid\u00f3!<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Repudiamos profundamente o seguidismo acr\u00edtico do Governo portugu\u00eas e dos restantes governos dos pa\u00edses europeus que apoiam a pol\u00edtica de agress\u00e3o de Trump e Bolsonaro sobre a Venezuela. Augusto Santos Silva, Ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, reconheceu Guaid\u00f3 (fantoche dos EUA) como presidente interino, referindo que &#8220;pode fazer-se a transi\u00e7\u00e3o com elei\u00e7\u00f5es presidenciais, na medida em que o presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, pode assumir fun\u00e7\u00f5es de presidente interino para convocar elei\u00e7\u00f5es presidenciais&#8220;. 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