{"id":3068,"date":"2019-02-02T12:52:43","date_gmt":"2019-02-02T11:52:43","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/02\/02\/dia-internacional-da-mulher-e-preciso-preparar-a-luta\/"},"modified":"2019-02-02T12:52:43","modified_gmt":"2019-02-02T11:52:43","slug":"dia-internacional-da-mulher-e-preciso-preparar-a-luta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/02\/02\/dia-internacional-da-mulher-e-preciso-preparar-a-luta\/","title":{"rendered":"Dia internacional da mulher: \u00e9 preciso preparar a luta!"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Editorial &#8211; 2 de Fevereiro de 2019<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2016 que as mulheres t\u00eam rugido em un\u00edssono pelo mundo. Mobiliza\u00e7\u00f5es grandiosas, que vieram tamb\u00e9m dos pa\u00edses \u201cperif\u00e9ricos\u201d, assolados por crises sociais, pol\u00edticas e econ\u00f3micas, em que os ataques aos nossos direitos se aprofundam, dia ap\u00f3s dia. A come\u00e7ar pelas polacas, as mulheres contra Trump, passando pelas nossas companheiras na Argentina, o ano de 2016 foi o pontap\u00e9 de sa\u00edda de um estrondoso movimento grevista conhecido como a greve internacional de mulheres. Ano ap\u00f3s anos, somamos lutas, fortalecendo o movimento em todos os pa\u00edses em que est\u00e1 presente, criando la\u00e7os de solidariedade internacional que h\u00e1 muito n\u00e3o v\u00edamos. Quando gritamos \u201ctocaram numa, tocaram em todas\u201d, n\u00e3o mentimos.<\/p>\n<p \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0As mulheres t\u00eam ocupado a primeira fileira de muitas lutas, desde aquelas que se lan\u00e7am contra a viol\u00eancia machista, contra as leis retrogradas que restringem o acesso ao aborto mas tamb\u00e9m na luta pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, como \u00e9 o caso das professoras nos Estados Unidos e, em Portugal, tamb\u00e9m, pelo servi\u00e7o nacional de sa\u00fade, como as enfermeiras dos nossos hospitais, contra o racismo e a brutalidade policial, nas mobiliza\u00e7\u00f5es recentes no centro de Lisboa e no Seixal. Vemos mulheres nos coletes amarelos franceses contra os impostos e o Governo Macron e, em Angola, a tomar as ruas contra a viol\u00eancia de g\u00e9nero. Na \u00cdndia, as mulheres fizeram um cord\u00e3o humano gigante pela igualdade na sociedade. Na Irlanda, ganharam um referendo que permite a realiza\u00e7\u00e3o do aborto de forma legal, digna e segura.<\/p>\n<p>\u00a0Estes anos testemunharam tamb\u00e9m um crescimento e fortalecimento dos movimentos de extrema-direita e neofascistas, come\u00e7ando com o Trump nos EUA, a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro, no Brasil, a coliga\u00e7\u00e3o do movimento Cinco Estrelas e a Liga do Norte, em It\u00e1lia, a entrada da \u201cAlternativa para Alemanha\u201d no Parlamento, Orban na Hungria, entre muitos outros. Em Portugal, a extrema-direita ensaia oportunisticamente as suas tentativas (at\u00e9 agora falhadas) de ganhar algum espa\u00e7o pol\u00edtico. O retrocesso que estes movimentos e pol\u00edticos querem implementar afetam de forma particular as mulheres, negras\/os, LGBTs e imigrantes e por isso vemos, com alento, as mulheres na Andaluzia a convocar importantes mobiliza\u00e7\u00f5es contra o Vox, partido de extrema-direita, que ocupou cargos ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es regionais adaluzas. A resist\u00eancia antifascista necessita de vir tamb\u00e9m das mulheres.<\/p>\n<p>\u00a0Aproxima-se um novo dia internacional da mulher, constru\u00eddo coletivamente, nacional e internacionalmente. Unir as reivindica\u00e7\u00f5es das feministas ativistas com as reivindica\u00e7\u00f5es das mulheres pobres, trabalhadores, imigrantes, negras \u00e9 a p\u00f3lvora necess\u00e1ria para que tenhamos sucesso na nossa miss\u00e3o de erradicar o machismo, mas tamb\u00e9m de erguer uma nova sociedade, livre de opress\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e sofrimento. A greve internacional de mulheres \u00e9 mais do que uma greve de um dia s\u00f3, \u00e9 a luta pelas nossas vidas.<\/p>\n<p>\u00a0Este movimento ultrapassa as estruturas sindicais tradicionais, embora as mulheres que o constroem sejam maioritariamente trabalhadoras. Os sindicatos h\u00e1 muito que nos ignoram e nos abandonam no sil\u00eancio, sem atender as nossas reivindica\u00e7\u00f5es, nem zelar pelos nossos direitos, enquanto parte da classe trabalhadora. Reverter este panorama \u00e9 urgente, pois combinando as reivindica\u00e7\u00f5es de quem trabalha com as de quem \u00e9 oprimida diariamente e entendendo que ambas s\u00e3o partes integrantes da luta anti-capitalista, teremos muito mais for\u00e7a para enfrentar os nossos inimigos. Nalguns pa\u00edses, como \u00e9 o caso do Estado Espanhol, a mobiliza\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o grandiosa em 2018 que as centrais sindicais se viram obrigadas, desde a sua base, a convocar greves que colocaram mais de 5 milh\u00f5es de pessoas nas ruas. \u00c9 isso que desejamos para Portugal e para os demais pa\u00edses. Que a esquerda tradicional, BE e PCP, os sindicatos e as centrais sindicais percam o medo de estar do nosso lado da barricada, que ou\u00e7am as nossas vozes, as nossas reivindica\u00e7\u00f5es e convoquem greves para o dia internacional da mulher (trabalhadora) que n\u00e3o \u00e9 um dia de flores e workshops de maquilhagem mas sim um dia constru\u00eddo sobre a luta das mulheres russas, das mulheres polacas e todas aquelas que no dia internacional da mulher fizeram sentir a sua raiva com este mundo injusto, desumano e opressor!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial &#8211; 2 de Fevereiro de 2019 Desde 2016 que as mulheres t\u00eam rugido em un\u00edssono pelo mundo. Mobiliza\u00e7\u00f5es grandiosas, que vieram tamb\u00e9m dos pa\u00edses \u201cperif\u00e9ricos\u201d, assolados por crises sociais, pol\u00edticas e econ\u00f3micas, em que os ataques aos nossos direitos se aprofundam, dia ap\u00f3s dia. A come\u00e7ar pelas polacas, as mulheres contra Trump, passando pelas nossas companheiras na Argentina, o ano de 2016 foi o pontap\u00e9 de sa\u00edda de um estrondoso movimento grevista conhecido como a greve internacional de mulheres. Ano ap\u00f3s anos, somamos lutas, fortalecendo o movimento em todos os pa\u00edses em que est\u00e1 presente, criando la\u00e7os de solidariedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[101],"tags":[1602],"class_list":["post-3068","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial-editorial","tag-8-de-marco-mulheres-greve-internacional-de-mulheres-violencia-machista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3068"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3068\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}