{"id":3064,"date":"2019-01-26T16:14:46","date_gmt":"2019-01-26T15:14:46","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/01\/26\/venezuela-urgente-nao-ao-golpe-de-guaido-fora-trump-da-america-latina\/"},"modified":"2019-01-26T16:14:46","modified_gmt":"2019-01-26T15:14:46","slug":"venezuela-urgente-nao-ao-golpe-de-guaido-fora-trump-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/01\/26\/venezuela-urgente-nao-ao-golpe-de-guaido-fora-trump-da-america-latina\/","title":{"rendered":"Venezuela urgente: N\u00e3o ao golpe de Guaid\u00f3! Fora Trump da Am\u00e9rica Latina!"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>Nicol\u00e1s Maduro tomou posse no dia 10 de janeiro para um segundo  mandato presidencial, conforme o calend\u00e1rio eleitoral aprovado pela  Assembleia Nacional Constituinte (ANC), que atualmente exerce poderes  plenipotenci\u00e1rios na Venezuela.<\/p>\n<p>As principais ag\u00eancias de not\u00edcias  internacionais e brasileiras ocultam propositadamente que Maduro ganhou  as elei\u00e7\u00f5es em maio de 2018, concorrendo pelo voto direto e secreto,  derrotando outros tr\u00eas candidatos oposicionistas, obtendo 6.245.862 de  votos (67,8% dos votos v\u00e1lidos), seguido de Henri Falc\u00f3n que alcan\u00e7ou  1.927.387 de votos (20,99% dos v\u00e1lidos), al\u00e9m de Javier Bertucci com  996.181 votos (10,82% dos votos v\u00e1lidos) e Reinaldo Quijada que alcan\u00e7ou  36.246 votos (3,96% dos votos v\u00e1lidos).<\/p>\n<p>Naquelas elei\u00e7\u00f5es, um  importante setor da oposi\u00e7\u00e3o de direita, organizada na frente direitista  Mesa Unidade Democr\u00e1tica (MUD) chamou o boicote, desconhecendo o  calend\u00e1rio eleitoral convocado pela ANC. Antes, em dezembro de 2015, a  oposi\u00e7\u00e3o de direita havia eleito a maioria dos deputados na Assembleia  Nacional (o Congresso Nacional da Venezuela) e, desde ent\u00e3o, passou a  tentar um golpe parlamentar apoiado pelos EUA, no estilo  hondurenho\/paraguaio, que tamb\u00e9m foi aplicado no Brasil com o  impeachment da Presidente Dilma.<\/p>\n<p>Ocorre que aquela tentativa de  golpe, que tamb\u00e9m se apoiou em violentas manifesta\u00e7\u00f5es de bloqueios de  rua \u2013 as chamadas \u201cguarimbas\u201d -, foi derrotada justamente porque Maduro  convocou a ANC para enfrentar a opera\u00e7\u00e3o da MUD\/EUA. Um dos partidos que  faz parte da MUD e tamb\u00e9m chamou ao fracassado boicote da ANC foi o  Vontade Popular do ent\u00e3o Deputado Nacional, Juan Guiad\u00f3, que foi o  Presidente da atualmente superada Assembleia Nacional, que funciona sem  legitimidade institucional como assembleia partid\u00e1ria oposicionista.<\/p>\n<p>Guaid\u00f3,  nesta quarta-feira, 23 de janeiro, de forma in\u00e9dita e se apoiando no  governo Trump, na OEA, e nos servi\u00e7ais do imperialismo, Ivan Duque da  Col\u00f4mbia e Bolsonaro do Brasil, se autoproclamou o Presidente da  Rep\u00fablica da Venezuela. Chama aten\u00e7\u00e3o que Guaid\u00f3 n\u00e3o concorreu \u00e0s  elei\u00e7\u00f5es em maio de 2018, ou seja, n\u00e3o teve um voto sequer! Na  sequ\u00eancia, o golpista teve o r\u00e1pido reconhecimento do governo  imperialista de Donaldo Trump, seguido de pa\u00edses alinhados aos Estados  Unidos, na Am\u00e9rica Latina e na Europa. As louv\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es que se  declararam contra a mais recente opera\u00e7\u00e3o golpista, entre os pa\u00edses da  Am\u00e9rica Latina, foram os governos mexicano, cubano e boliviano. Turquia,  R\u00fassia e China tamb\u00e9m se posicionaram contra a interven\u00e7\u00e3o  norteamericana na Venezuela.<\/p>\n<p>A autoproclama\u00e7\u00e3o do ex-deputado  consiste em mais uma opera\u00e7\u00e3o golpista da MUD para tentar desestabilizar  o pa\u00eds e dividir o povo e as For\u00e7as Armadas venezuelanas, tentando  abrir caminho inclusive para novas opera\u00e7\u00f5es militares estrangeiras ou  novos atentados terroristas, a exemplo da tentativa de assassinato de  Maduro, perpetrada com o uso de drones, em agosto de 2018, ou mesmo a de  junho de 2017, operada com um helic\u00f3ptero que lan\u00e7ou granadas no pr\u00e9dio  do Minist\u00e9rio do Interior da Venezuela.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos chavistas, n\u00e3o  apoiamos politicamente o governo Maduro e n\u00e3o consideramos a Venezuela  como um modelo de socialismo ou mesmo de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo. No  entanto, estamos incondicionalmente ao lado dos povos latino-americanos  contra qualquer tentativa golpista pr\u00f3-imperialista, que se organiza sob  o manto de defesa da democracia liberal.<\/p>\n<p>Defendemos a  autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e somos contra a entrega das riquezas  petrol\u00edferas \u00e0s multinacionais do petr\u00f3leo, pois \u00e9 esse um dos  principais motivos que se deseja com a derrubada imediata do governo  Maduro pela MUD: a apropria\u00e7\u00e3o privada imperialista das maiores reservas  de petr\u00f3leo e g\u00e1s no mundo, pois a Venezuela desde 2010 superou at\u00e9  mesmo a Ar\u00e1bia Saudita em reservas globais dos pa\u00edses da Opep.<\/p>\n<p>Somos  a favor do aprofundamento das medidas anti-imperialistas e da  expropria\u00e7\u00e3o e estatiza\u00e7\u00e3o dos grandes grupos econ\u00f4micos, em particular  dos bancos, do setor de alimentos e de medicamentos e das terras.<\/p>\n<p>Somos  tamb\u00e9m a favor do congelamento dos pre\u00e7os dos bens de sobreviv\u00eancia  imediata e do confisco das propriedades dos sabotadores da economia  popular. Defendemos a autodefesa organizada da popula\u00e7\u00e3o civil, lado a  lado com as for\u00e7as armadas, diante de qualquer opera\u00e7\u00e3o militar externa.<\/p>\n<p>E,  por fim, defendemos que o governo Maduro e a ANC garantam a mais ampla  democracia e liberdade de express\u00e3o para as organiza\u00e7\u00f5es sociais e  sindicais, de setores n\u00e3o golpistas e de toda esquerda do pa\u00eds. N\u00e3o se  pode tentar sufocar as diferen\u00e7as em nome da unidade. Qualquer atitude  antidemocr\u00e1tica contra as leg\u00edtimas organiza\u00e7\u00f5es do povo e da esquerda  venezuelana, ao inv\u00e9s de fortalecer, debilita essa imensa luta.<\/p>\n<p>O  imperialismo norte-americano e seus governos aliados europeus, a servi\u00e7o  das grandes corpora\u00e7\u00f5es do capital, recorrentemente se utilizam do  discurso \u201cdemocr\u00e1tico\u201d para esconder seus reais objetivos de  recoloniza\u00e7\u00e3o dos povos do mundo. Visam, assim, possibilitar uma maior  espolia\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e a explora\u00e7\u00e3o cada vez maior dos  trabalhadores e das popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias. Assim fizeram nas ocupa\u00e7\u00f5es  do Iraque (2003\/2011) e no Afeganist\u00e3o (2001\/2013), resultando na  destrui\u00e7\u00e3o daqueles pa\u00edses e na morte de milhares de pessoas.<\/p>\n<p>O  que est\u00e1 em curso por parte da oposi\u00e7\u00e3o de direita, do imperialismo e  seus s\u00f3cios na regi\u00e3o, como \u00e9 o caso do recente governo de Bolsonaro no  Brasil, n\u00e3o \u00e9 uma nova opera\u00e7\u00e3o em defesa da democracia, mas uma nova  tentativa de interven\u00e7\u00e3o pr\u00f3-imperialista para derrubar o governo da  Venezuela e se apoderarem de vez das riquezas petrol\u00edferas daquele pa\u00eds.  E, na sequ\u00eancia, implementarem medidas ultraliberais, a exemplo da  dolariza\u00e7\u00e3o total da economia, privatiza\u00e7\u00f5es generalizadas e corte  brutais dos direitos dos trabalhadores e das pol\u00edticas sociais.<\/p>\n<p>Os  povos latino-americanos precisam se unir para evitarmos mais uma guerra  destrutiva dos povos e dos recursos naturais, desta vez no nosso  continente! Exijamos que os governos da regi\u00e3o rejeitem qualquer acordo  com Trump ou tentativa de cess\u00e3o de territ\u00f3rios, bases ou opera\u00e7\u00f5es  militares que signifique medidas de guerra contra o povo da Venezuela!  Nenhum reconhecimento da autopresid\u00eancia golpista de Guaid\u00f3! Fora Trump  da Am\u00e9rica Latina! Convocamos todas as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e dos  movimentos sociais a formarem comit\u00eas em defesa da soberania da  Venezuela!<\/p>\n<p><strong>Editorial do Esquerda online de 24 de janeiro de 2019<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nicol\u00e1s Maduro tomou posse no dia 10 de janeiro para um segundo mandato presidencial, conforme o calend\u00e1rio eleitoral aprovado pela Assembleia Nacional Constituinte (ANC), que atualmente exerce poderes plenipotenci\u00e1rios na Venezuela. 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