{"id":306,"date":"2010-10-04T01:37:14","date_gmt":"2010-10-04T00:37:14","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/10\/04\/juntar-forcas-sim-mas-com-quem-e-com-que-programa\/"},"modified":"2010-10-04T01:37:14","modified_gmt":"2010-10-04T00:37:14","slug":"juntar-forcas-sim-mas-com-quem-e-com-que-programa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/10\/04\/juntar-forcas-sim-mas-com-quem-e-com-que-programa\/","title":{"rendered":"Juntar for\u00e7as? Sim, mas com quem e com que programa?"},"content":{"rendered":"<p>1. A actual situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o est\u00e1 marcada, infelizmente, por uma forte contesta\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o que ela n\u00e3o tenha pautado os \u00faltimos anos. As megas manifesta\u00e7\u00f5es dos professores ainda est\u00e3o na mem\u00f3ria de todos e assinalaram fortemente o primeiro mandato do primeiro-ministro Jos\u00e9 S\u00f3crates. Se n\u00e3o foram mais longe n\u00e3o foi da responsabilidade da classe docente em luta, mas sim dos sindicatos do sector, que preferiram sempre chegar a acordos (e memorandos) esp\u00farios, insuficientes e at\u00e9 mesmo traidores dos interesses dos professores. Depois vieram outras contesta\u00e7\u00f5es e protestos. De camionistas, de m\u00e9dicos, de enfermeiros, dos trabalhadores da Galp, entre outros. Vieram elei\u00e7\u00f5es (2009). Os sindicatos serenaram os \u00e2nimos e controlaram a ira popular, Manuel Alegre, na recta final, estende a m\u00e3o a S\u00f3crates (a esquerda poss\u00edvel, lembram-se?) para que este almeje um novo mandato \u00e0 frente do governo e, por fim, os partidos de esquerda n\u00e3o governamental (BE e PCP) encarregaram-se de se manterem divididos de modo a que nenhuma proposta de governo alternativo a um novo governo PS fosse poss\u00edvel sequer de imaginar.<br \/>2. Na conjuntura actual, temos o Presidente da Rep\u00fablica, Cavaco Silva, j\u00e1 em campanha a visitar tudo o que \u00e9 cidade. \u00c9 ele preocupado com os fogos, com os desempregados e com o apaziguamento do (mais aparente que real) conflito entre o PS e o PSD. \u00c0 &#8220;esquerda&#8221; temos Alegre numa campanha e posi\u00e7\u00e3o triste. Por mais que Francisco Lou\u00e7\u00e3 (FL) se esforce por nos tentar convencer que o PS n\u00e3o quer Alegre, Alegre quer S\u00f3crates e S\u00f3crates refor\u00e7ou (e renovou) o apoio a Alegre. Ali\u00e1s, ao contr\u00e1rio do que afirmam os l\u00edderes da maioria que dirige o BE, o PS e S\u00f3crates est\u00e3o mesmo interessados na actual candidatura de Manuel Alegre. Quando o n\u00e3o quiseram fizeram quest\u00e3o de procurar outro candidato. Como foi o caso de Soares h\u00e1 quatro anos. E, desta vez, como Alegre se mostrou dispon\u00edvel para se colocar ao lado de S\u00f3crates e n\u00e3o contra ele (nem contra os planos de austeridade que o governo PS tem descarregado sobre o pa\u00eds), que melhor cobertura de &#8220;esquerda&#8221; poderia ter o governo S\u00f3crates II do que um candidato presidencial conotado com a sua (suposta) ala esquerda? \u00c9 que S\u00f3crates n\u00e3o \u00e9 est\u00fapido e sabe perfeitamente que cont\u00ednuos planos de tirar aos pobres o pouco que t\u00eam (no que toca aos subs\u00eddios sociais que o Estado concede a mais de um milh\u00e3o de pessoas) para o entregar aos ricos, na figura de bancos (BPN e Banco Privado Portugu\u00eas), acabar\u00e1 por desgastar fortemente a possibilidade de o PS triunfar em novas elei\u00e7\u00f5es. Que melhor camuflagem \u00e0 sua pol\u00edtica de direita (a ponto que Passos Coelho para se diferenciar do PS escolhe um projecto de revis\u00e3o constitucional para se demarcar pela direita) do que uma candidatura presidencial de faceta de esquerda, como \u00e9 a do famoso poeta? E saiu o brinde ao PS. Alegre candidatou-se e trouxe atr\u00e1s o &#8230; Bloco de Esquerda. Melhor seria dif\u00edcil.<br \/>3. Pergunta-se, legitimamente, ainda que o n\u00e3o queiram admitir: o que faz o BE e FL neste filme? Cobertura de esquerda a um governo e ao seu candidato cada vez mais \u00e0 direita. Primeiro, o voto favor\u00e1vel \u00e0 proposta do PS e de Bruxelas para um empr\u00e9stimo a pagar aos bancos franceses e alem\u00e3es, disfar\u00e7ado de empr\u00e9stimo &#8220;\u00e0 Gr\u00e9cia&#8221;. Depois, vender &#8220;gato por lebre&#8221; aos bloquistas. E da\u00ed os argumentos: (1) que n\u00e3o h\u00e1 outra alternativa; (2) que h\u00e1 que juntar for\u00e7as; (3) que o PS n\u00e3o apoia Alegre (argumento para rir); e, por fim, (4) que Alegre poder\u00e1 ir a uma segunda volta, da\u00ed se justificar juntar for\u00e7as. N\u00e3o responderemos a (outros) argumentos seleccionados a retalho para tentar demonstrar (o indemonstr\u00e1vel) que o candidato Alegre \u00e9 de confian\u00e7a porque votou contra esta ou aquela lei mais horrorosa de algum governo do PS. FL sabe t\u00e3o bem quanto n\u00f3s que, por cada voto contra uma lei ou outra do PS em algum momento do passado, esse &#8220;voto&#8221; nunca colocaria em causa o governo PS e servia de &#8220;seguro&#8221; para o futuro de uma candidatura presidencial. Nada mais do que isso.<br \/>4. Sobre o argumento 1. S\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 alternativa porque o BE (j\u00e1 agora) e o PCP nunca se quiseram entender, nem para uma candidatura comum nem sequer (o BE) para uma nova candidatura pr\u00f3pria como a que o pr\u00f3prio FL protagonizou h\u00e1 quatro anos. Sobre o argumento 2. Sim, h\u00e1 que juntar for\u00e7as, disse FL (agora, pois, h\u00e1 quatro anos e desde a funda\u00e7\u00e3o do Bloco, os \u00fanicos que sempre defenderam que havia que juntar for\u00e7as foram os que pela esquerda se apresentaram internamente como mo\u00e7\u00e3o alternativa \u00e0s \u00faltimas conven\u00e7\u00f5es), mas podemos perguntar porque, se h\u00e1 que juntar for\u00e7as, teria que ser com o PS, com S\u00f3crates e com Alegre? Porque n\u00e3o juntar for\u00e7as com os outros sectores \u00e0 esquerda (com o PC, por exemplo)? Com Alegre h\u00e1 quatro anos, quando era um candidato que enfrentava o PS, ainda se podia compreender, mas agora? Ou mesmo posteriormente, se este tivesse rompido efectivamente com o PS e a actual governa\u00e7\u00e3o. Seria pedir demais a Manuel Alegre? Pois bem, ent\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 pedir demais que o BE lhe d\u00ea o seu apoio. Sobre o argumento 3, j\u00e1 o respondemos: n\u00e3o s\u00f3 Alegre sempre foi o candidato do actual governo como, nos \u00faltimos dias, esse apoio veio a ser renovado. Por fim, que h\u00e1 que juntar for\u00e7as para derrotar Cavaco. Se um Alegre em rota de colis\u00e3o com o PS n\u00e3o derrotou Cavaco, um Alegre de bra\u00e7o dado com o governo que retira subs\u00eddios de assist\u00eancia aos sectores mais carenciados da popula\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, esse candidato nem a um milh\u00e3o de votos chagar\u00e1. Mas, parafraseando Francisco Lou\u00e7\u00e3, em qualquer dos casos, &#8220;n\u00f3s n\u00e3o nos enganamos de advers\u00e1rio&#8221;. S\u00f3 que, nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es presidenciais (Janeiro de 2011), n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 um advers\u00e1rio, mas dois: Cavaco e o candidato do governo dos PECs. Lamentavelmente chama-se Manuel Alegre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. A actual situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o est\u00e1 marcada, infelizmente, por uma forte contesta\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o que ela n\u00e3o tenha pautado os \u00faltimos anos. As megas manifesta\u00e7\u00f5es dos professores ainda est\u00e3o na mem\u00f3ria de todos e assinalaram fortemente o primeiro mandato do primeiro-ministro Jos\u00e9 S\u00f3crates. Se n\u00e3o foram mais longe n\u00e3o foi da responsabilidade da classe docente em luta, mas sim dos sindicatos do sector, que preferiram sempre chegar a acordos (e memorandos) esp\u00farios, insuficientes e at\u00e9 mesmo traidores dos interesses dos professores. Depois vieram outras contesta\u00e7\u00f5es e protestos. 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