{"id":3057,"date":"2019-01-22T20:18:46","date_gmt":"2019-01-22T19:18:46","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/01\/22\/fim-a-brutalidade-policial-racista\/"},"modified":"2019-01-22T20:18:46","modified_gmt":"2019-01-22T19:18:46","slug":"fim-a-brutalidade-policial-racista","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/01\/22\/fim-a-brutalidade-policial-racista\/","title":{"rendered":"Fim \u00e0 brutalidade policial racista"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Editorial &#8211; 22 de Janeiro de 2019<\/strong><\/p>\n<p>No passado Domingo, tornou-se p\u00fablico um v\u00eddeo que mostra um caso de brutalidade policial racista, no Bairro da Jamaica, no Seixal. Nesse v\u00eddeo, que se tornou viral, v\u00ea-se pol\u00edcias a atacar violentamente habitantes do Bairro da Jamaica, nomeadamente mulheres e idosos. O v\u00eddeo que comoveu parte da sociedade portuguesa \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o policial que sofrem constantemente os moradores negros de bairros perif\u00e9ricos de Lisboa.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>A maioria da imprensa toma partido e tenta agora defender os agentes da pol\u00edcia quando a sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 obviamente indefens\u00e1vel. Nada do que aconteceu antes daquela filmagem justifica as agress\u00f5es sobre aquelas pessoas. O que ali aconteceu foi um crime racista e um ataque aos direitos humanos.<\/p>\n<p>Ontem, depois dos acontecimentos do Bairro da Jamaica, muitas pessoas sa\u00edram \u00e0 rua contra o \u201cracismo\u201d e a \u201cviol\u00eancia policial\u201d. O protesto pac\u00edfico, dirigido fundamentalmente por jovens negras e negros, partiu do Terreiro do Pa\u00e7o, em frente ao Minist\u00e9rio da Administra\u00e7\u00e3o Interna, onde estiveram concentrados, at\u00e9 ao Marqu\u00eas de Pombal e depois desceu. No fim da manifesta\u00e7\u00e3o, na Avenida da Liberdade, a pol\u00edcia atacou os jovens com bastonadas e tiros de balas de borracha. Pelo menos um dos jovens foi atingido com um tiro na cara e quatro outros foram detidos. A pol\u00edcia s\u00f3 agiu assim porque estava perante um protesto anti-racista dirigido por jovens negros.<\/p>\n<p>A maioria da imprensa, que ignorou os protestos durante toda a tarde, rapidamente se colocou do lado da pol\u00edcia depois dos confrontos, dizendo que a pol\u00edcia foi apedrejada e que s\u00f3 depois atacou os jovens, quando tudo demonstra o contr\u00e1rio. Na verdade, a pol\u00edcia e a imprensa tentam agora desacreditar a indigna\u00e7\u00e3o contra o racismo, depois dos graves acontecimentos do Bairro da Jamaica. Os protestos de ontem e a indigna\u00e7\u00e3o pelos acontecimentos de Domingo s\u00e3o totalmente justos, pois n\u00e3o podemos continuar a ter uma pol\u00edcia profundamente racista e que age de forma brutal sobre as pessoas.<\/p>\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, s\u00e3o v\u00e1rios os casos de viol\u00eancia policial racista, incluindo assassinatos de jovens negros e nunca um pol\u00edcia foi condenado por isso. S\u00e3o diversos e demasiados os relat\u00f3rios de institui\u00e7\u00f5es internacionais a denunciar o racismo e a brutalidade policial em Portugal. H\u00e1 at\u00e9 den\u00fancias de infiltra\u00e7\u00e3o da extrema-direita nas esquadras. O Governo PS, apoiado pelo BE e PCP, nada tem feito para mudar esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Estado portugu\u00eas continua a negar o racismo no nosso pa\u00eds e a igualdade que \u00e9 frequentemente propagandeada nunca existiu. Ser portugu\u00eas negro ou cigano, \u00e9, at\u00e9 hoje, aos olhos do Estado, ser menos portugu\u00eas, ser menos humano. Neste momento, decorre o julgamento dos pol\u00edcias da esquadra de Alfragide que atacaram e torturaram jovens da Cova da Moura. \u00c9 preciso que estes agentes sejam efectivamente condenados e que se assuma um combate frontal ao racismo estrutural nas esquadras portuguesas e no resto das institui\u00e7\u00f5es do Estado.<\/p>\n<p>Hoje, estamos perante uma nova gera\u00e7\u00e3o de negras e negros que reivindicam uma verdadeira igualdade e a sua revolta \u00e9 totalmente justa. \u00c9 a revolta de quem sofre racismo diariamente. \u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o que sofre brutalidade policial, desigualdade no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a, habita\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, a quem lhes \u00e9 negada a hist\u00f3ria e que, muitas vezes, apesar de c\u00e1 ter nascido, n\u00e3o tem acesso \u00e0 nacionalidade portuguesa. Esta \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que quer mudar a nossa sociedade lutando por um pa\u00eds sem racismo.<\/p>\n<p>\u00a0<strong>Estamos solid\u00e1rios com os moradores do Bairro da Jamaica, v\u00edtimas de brutalidade policial e com os jovens negros atacados pela pol\u00edcia na manifesta\u00e7\u00e3o de ontem, contra o racismo!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Editorial &#8211; 22 de Janeiro de 2019 No passado Domingo, tornou-se p\u00fablico um v\u00eddeo que mostra um caso de brutalidade policial racista, no Bairro da Jamaica, no Seixal. Nesse v\u00eddeo, que se tornou viral, v\u00ea-se pol\u00edcias a atacar violentamente habitantes do Bairro da Jamaica, nomeadamente mulheres e idosos. 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