{"id":3043,"date":"2019-01-05T11:09:58","date_gmt":"2019-01-05T10:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2019\/01\/05\/pela-liberdade-de-imprensa-contra-a-censura-feita-por-jair-bolsonaro\/"},"modified":"2019-01-05T11:09:58","modified_gmt":"2019-01-05T10:09:58","slug":"pela-liberdade-de-imprensa-contra-a-censura-feita-por-jair-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2019\/01\/05\/pela-liberdade-de-imprensa-contra-a-censura-feita-por-jair-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Pela liberdade de imprensa: contra a censura feita por Jair Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>No dia 2 de Janeiro, no final do Jornal Nacional, no Brasil, William Bonner deu a not\u00edcia de  que Jair Bolsonaro fez o seu primeiro decreto presidencial \u201caumentando o  sal\u00e1rio m\u00ednimo\u201d. Bonner s\u00f3 esqueceu de informar que o \u201caumento\u201d era, na  verdade, uma redu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 que o sal\u00e1rio m\u00ednimo para 2019 aprovado no  or\u00e7amento da Uni\u00e3o para esse ano era de R$ 1.006.<\/p>\n<p>A arte do  esquecimento se fez presente na cobertura de praticamente todos os  telejornais. Ao serem anunciados os ministros do atual governo, se  esqueceram os envolvimentos em esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o e a grande  presen\u00e7a dos militares. Ao se falar sobre a fam\u00edlia Bolsonaro, se  esqueceram dos recentes esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo o cl\u00e3  Bolsonaro, que tudo indica, ser\u00e3o esquecidos e jogados para debaixo do  tapete. Da mesma forma, a grande m\u00eddia esqueceu as fake news, o abandono  dos debates, e resolveu tratar isso como um \u201cm\u00e9todo nada convencional  de fazer campanha eleitoral\u201d. Foi o melhor exemplo de jornalismo chapa  branca.<\/p>\n<p>Ainda antes do fim do telejornal de maior audi\u00eancia do  pa\u00eds, Bonner declarou como era bom ser jornalista, e como estava  orgulhoso da cobertura feita pelos seus colegas naquele dia t\u00e3o  importante. Bonner novamente esqueceu do tratamento humilhante que  centenas de jornalistas tiveram neste dia primeiro.<\/p>\n<p>Em nome de uma  suposta seguran\u00e7a, a equipe que preparou a posse de Bolsonaro  restringiu o trabalho da imprensa, impondo diversos limites \u00e0 atua\u00e7\u00e3o  dos profissionais. Jornalistas chegaram a ficar confinados por sete  horas, esperando o in\u00edcio dos eventos de posse.<\/p>\n<p>Ficou proibido o  deslocamento de jornalistas entre o Pal\u00e1cio do Planalto, o Congresso  Nacional e o Pal\u00e1cio do Itamaraty. Aqueles que tinham a credencial de um  desses locais, n\u00e3o conseguiu se deslocar at\u00e9 o outro. Houve casos em  que rep\u00f3rter, cinegrafista e auxiliar de cinegrafista da mesma emissora  foram colocados em salas completamente diferentes, sem poderem se  deslocar ao local que o outro colega estava.<\/p>\n<p>A Secretaria de  Comunica\u00e7\u00e3o da Presid\u00eancia, junto da equipe de transi\u00e7\u00e3o definiram de  forma unilateral e impositiva quais locais cada jornalista poderia  cobrir. Por\u00e9m, esse tratamento n\u00e3o foi dado a todos ve\u00edculos de  comunica\u00e7\u00e3o, nem a todos jornalistas. Um pequeno grupo recebeu uma  credencial VIP, que sinaliza que poderiam seguir Bolsonaro e todo evento  sem restri\u00e7\u00e3o. Estes jornalistas s\u00e3o em imensa maioria de ve\u00edculos  conservadores, ou de ve\u00edculos que apoiam o capit\u00e3o da reserva. Ou seja,  para os opositores, censura e limita\u00e7\u00f5es ao trabalho. Para os  apoiadores, toda liberdade.<\/p>\n<p>Os jornalistas tiveram que levar toda a  comida que usariam durante o dia em um saco transparente, visto que n\u00e3o  seria servido lanche. N\u00e3o foi permitido aos jornalistas levarem  garrafas d\u2019\u00e1gua e as cadeiras para eles sentarem enquanto aguardavam por  longas horas foram retiradas. Os jornalistas tiveram que sentar no ch\u00e3o  e utilizar um \u00fanico banheiro que estava dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>A jornalista  M\u00f4nica Bergamo, da Folha de S\u00e3o Paulo, relatou que a assessoria do  Planalto recomendou que os fot\u00f3grafos n\u00e3o erguessem demais suas  m\u00e1quinas, pois isto poderia ser identificado como um movimento suspeito  que \u201cpoderia levar um sniper (atirador de elite) a abater o alvo\u201d. E  esta fala dita pela assessoria do Planalto deixou em choque muitos de  seus colegas de profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Trump, Orban e Bolsonaro: inimigos da imprensa<\/strong><\/p>\n<p>Antes  mesmo de assumir a Presid\u00eancia, Bolsonaro bloqueou no twitter diversos  jornalistas cr\u00edticos a suas medidas, impedindo assim que estes  acompanhassem os primeiros passos daquele que seria o futuro governo.  Nos Estados Unidos, Trump foi obrigado pela Justi\u00e7a a desbloquear  jornalistas no twitter e a devolver a credencial para um jornalista da  CNN que, por fazer cr\u00edticas ao governo, havia sido proibido de cobrir as  coletivas na Casa Branca.<\/p>\n<p>A extrema direita mundial tem um apre\u00e7o  especial pelos ataques a jornalistas. Trump chegou a chamar parte da  imprensa de \u201cinimiga nacional\u201d, e a gravar um v\u00eddeo no qual ele  nocauteia em uma briga de boxe um advers\u00e1rio que estava vestindo uma  roupa da CNN, um dos principais alvos do presidente norte-americano.<\/p>\n<p>Recentemente, em uma manifesta\u00e7\u00e3o nunca antes vista na hist\u00f3ria dos Estados Unidos, <a href=\"https:\/\/esquerdaonline.com.br\/2018\/08\/23\/a-imprensa-norte-americana-se-volta-contra-os-ataques-de-donald-trump\/\">mais de 300 editoriais de jornais seguiram com cr\u00edticas a forma autorit\u00e1ria que Donald Trump lida e ataca a imprensa.<\/a><\/p>\n<p>Na  Hungria, Viktor Orban mudou regras no setor da m\u00eddia para sufocar  jornais h\u00fangaros de oposi\u00e7\u00e3o. Em seguida, muitos desses jornais foram  comprados por empres\u00e1rios alinhados ao governo.<\/p>\n<p><strong>Ataques \u00e0 imprensa antes mesmo da posse<\/strong><\/p>\n<p>Bolsonaro  faz diversos ataques \u00e0 imprensa, chamando de \u201cpetista\u201d qualquer  jornalista que ouse o criticar, chamando a m\u00eddia de \u201cesquerdista\u201d e  comprada pelo Foro de S\u00e3o Paulo, caso as mat\u00e9rias de um determinado  ve\u00edculo tenha qualquer teor cr\u00edtico ou de questionamento. \u00c9 corriqueiro  tamb\u00e9m a t\u00e1tica de chamar de fake news qualquer not\u00edcia que desgoste.  Bolsonaro pinta a m\u00eddia e o jornalismo cr\u00edtico como inimigos do governo e  com as cores dos advers\u00e1rios pol\u00edticos, uma atitude perigosa para a  democracia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a Folha de S\u00e3o Paulo publicar uma mat\u00e9ria sobre  empres\u00e1rios que estavam bancado campanhas digitais anti-PT ao comprar  disparos em massa no Whatsapp, o presidente eleito twittou: \u201ca mamata da  Folha de S\u00e3o Paulo vai acabar, mas n\u00e3o \u00e9 com censura n\u00e3o. O dinheiro  p\u00fablico que recebem para fazer ativismo pol\u00edtico vai secar\u201d. E como de  costume, afirmou que a mat\u00e9ria era uma fake news petista.<\/p>\n<p>Muitos  jornalistas que criticam ou simplesmente fazem alguma mat\u00e9ria mais  detalhada sobre o cl\u00e3 Bolsonaro \u00e9 alvo de ataques nas redes sociais.<\/p>\n<p>A  jornalista Patr\u00edcia Campos Mello, autora da mat\u00e9ria da Folha, foi alvo  de processo de Bolsonaro, e teve suas redes sociais atacadas e roubadas  por seguidores de Jair. Outro que tamb\u00e9m sofreu com a f\u00faria da fam\u00edlia  Bolsonaro foi o jornalista da revista \u00c9poca Bruno Abbud.<\/p>\n<p>Abbud  fazia uma reportagem especial sobre a vida de Carlos Bolsonaro. O filho  do presidente exp\u00f4s os perfis de Abbud por meio de seu twitter, e apenas  alguns minutos depois diversas mensagens, ofensas e amea\u00e7as chegavam ao  jornalista.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso denunciar a forma que Bolsonaro e sua  equipe tratam os jornalistas. Assim como \u00e9 preciso que as for\u00e7as  progressistas levantem a bandeira da democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, visto que a  grande m\u00eddia det\u00e9m, no Brasil, o monop\u00f3lio da comunica\u00e7\u00e3o e que esta  grande m\u00eddia tem como dono muitos empres\u00e1rios, pol\u00edticos que acabam  controlando o que chega e como chega na casa dos milhares de  brasileiros.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 de extrema import\u00e2ncia o apoio \u00e0s diversas  formas de m\u00eddia alternativa independente, para que possa ser poss\u00edvel  enfrentar o monop\u00f3lio da m\u00eddia e da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Artigo de Amanda Audi publicado originalmente no Esquerda Online<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 2 de Janeiro, no final do Jornal Nacional, no Brasil, William Bonner deu a not\u00edcia de que Jair Bolsonaro fez o seu primeiro decreto presidencial \u201caumentando o sal\u00e1rio m\u00ednimo\u201d. Bonner s\u00f3 esqueceu de informar que o \u201caumento\u201d era, na verdade, uma redu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 que o sal\u00e1rio m\u00ednimo para 2019 aprovado no or\u00e7amento da Uni\u00e3o para esse ano era de R$ 1.006. A arte do esquecimento se fez presente na cobertura de praticamente todos os telejornais. Ao serem anunciados os ministros do atual governo, se esqueceram os envolvimentos em esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o e a grande presen\u00e7a dos militares. 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