{"id":3039,"date":"2018-12-19T11:31:46","date_gmt":"2018-12-19T10:31:46","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/12\/19\/solidariedade-com-os-enfermeiros-uma-greve-justa-que-precisa-de-independencia-e-transparencia\/"},"modified":"2018-12-19T11:31:46","modified_gmt":"2018-12-19T10:31:46","slug":"solidariedade-com-os-enfermeiros-uma-greve-justa-que-precisa-de-independencia-e-transparencia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/12\/19\/solidariedade-com-os-enfermeiros-uma-greve-justa-que-precisa-de-independencia-e-transparencia\/","title":{"rendered":"Solidariedade com os enfermeiros: uma greve justa que precisa de independ\u00eancia e transpar\u00eancia"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>O MAS est\u00e1 solid\u00e1rio com a greve dos enfermeiros, uma greve progressiva, completamente justa.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Em primeiro lugar, porque denuncia o sucessivo desinvestimento feito no SNS, quer pelo Governo PSD\/CDS-PP, quer pela Geringon\u00e7a que fez quest\u00e3o de nos manter entre as despesas p\u00fablicas em Sa\u00fade mais baixas da UE. As cativa\u00e7\u00f5es s\u00e3o o meio utilizado. Faz-se um or\u00e7amento \u00e0 medida das expectativas dos portugueses e depois executa-se a despesa consoante seja, mais ou menos, favor\u00e1vel ao alcance das metas da UE. Em 2017, de acordo com o Pordata, os dados da execu\u00e7\u00e3o or\u00e7amental mostram que a despesa na Sa\u00fade voltou a diminuir, face a 2016, de \u20ac8,81 mil milh\u00f5es para \u20ac8,76 mil milh\u00f5es, quando em 2010, antes da chegada da Troika, a despesa com o SNS representava \u20ac9,8 mil milh\u00f5es. S\u00f3 as PPPs na Sa\u00fade custaram \u20ac500 milh\u00f5es ao Estado, em 2017. A Geringon\u00e7a n\u00e3o resolve: \u00e9 necess\u00e1rio retomar o investimento na Sa\u00fade anterior \u00e0 Troika!<\/p>\n<p>Em segundo lugar, esta \u00e9 uma greve como tantas outras que t\u00eam existido na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e que procura simplesmente lutar por uma vida digna, contra a precariedade e os baixos sal\u00e1rios. Descongelamento da progress\u00e3o nas carreiras, mais contrata\u00e7\u00e3o de enfermeiros para o SNS, combate \u00e0 precariedade atrav\u00e9s da limita\u00e7\u00e3o do recurso a contratos a termo, estrutura\u00e7\u00e3o da carreira de enfermagem, um vencimento base digno e uma reforma com uma idade digna s\u00e3o as principais reivindica\u00e7\u00f5es feitas pelos enfermeiros. No fundo, os enfermeiros lutam para derrubar a austeridade aplicada pela direita e pela Troika, da qual a Geringon\u00e7a prometeu livrar-nos mas n\u00e3o cumpriu. Lutam pela valoriza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, pela qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos prestados e pela qualidade das condi\u00e7\u00f5es de trabalho de quem os presta. O lema dos profissionais de sa\u00fade tem sido \u201cfazer das tripas cora\u00e7\u00e3o\u201d, o que se torna cada vez mais dif\u00edcil com uma despesa p\u00fablica t\u00e3o baixo. \u00c9 precisamente devido a todo este conjunto de dificuldades, no sector da Sa\u00fade, que os seus profissionais, sejam m\u00e9dicos, enfermeiros ou auxiliares de a\u00e7\u00e3o m\u00e9dica t\u00eam recorrido, justamente, a sucessivos meios de luta como forma de reivindicar o vital investimento no sector. N\u00e3o \u00e9 um acaso que a emigra\u00e7\u00e3o na enfermagem tenha atingido n\u00edveis hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>A responsabilidade pela destrui\u00e7\u00e3o do SNS \u00e9dos sucessivos Governos PS, PSD\/CDS-PP, n\u00e3o dos enfermeiros.<\/p>\n<p><strong>A direita tenta instrumentalizar a luta dos enfermeiros. Movimento de enfermeiros deve lutar pela sua independ\u00eancia, transpar\u00eancia e democracia<\/strong><\/p>\n<p>Um dos princ\u00edpios fundamentais da luta de qualquer trabalhador \u00e9 a sua transpar\u00eancia. Outro \u00e9 a sua independ\u00eancia face aos poderes que se op\u00f5em \u00e0 conquista de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida, onde se inclui o actual Governo PS, assim como o PSD e o CDS\/PP.<\/p>\n<p>As greves dos enfermeiros t\u00eam sido convocadas pelo ASPE e Sindepor, dois sindicatos rec\u00e9m-criados, que sugerem proximidade ao PSD, cuja fun\u00e7\u00e3o parece ser, \u00fanica e exclusivamente, a entrega dos necess\u00e1rios pr\u00e9-avisos de greve em resposta \u00e0s exig\u00eancias de um movimento inorg\u00e2nico de enfermeiros. A dire\u00e7\u00e3o do movimento \u00e9 de direita pois parece estar entregue \u00e0 Baston\u00e1ria da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, militante do PSD, violando a diferente atribui\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es que \u00e9 feita \u00e0s ordens profissionais e aos sindicatos. Como se n\u00e3o fosse suficiente, as declara\u00e7\u00f5es da direita,relativamente \u00e0s greves dos enfermeiros, s\u00e3o no m\u00ednimo denunciadoras do seu oportunista envolvimento, pois n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a sua habitual pol\u00edtica para greves semelhantes, como a dos professores ou a dos estivadores. Cristas, hipocritamente, denuncia que o Governo n\u00e3o quer ouvir os Baston\u00e1rios dos M\u00e9dicos e dos Enfermeiros, como se estes tivessem algum tipo de fun\u00e7\u00f5es relativas a assuntos laborais. Rui Rio, dissimuladamente, apela ao bom senso do Governo e dos enfermeiros, face aos impactos da greve, ao mesmo tempo de exige do Governo o recurso a privados para limitar os impactos da greve. Ou seja, a exig\u00eancia do PSD n\u00e3o \u00e9 o cumprimento das reivindica\u00e7\u00f5es dos enfermeiros. \u00c9 precisamente a canaliza\u00e7\u00e3o dos doentes para o sector privado e aqui que se d\u00e1 a instrumentaliza\u00e7\u00e3o da luta dos enfermeiros pela direita.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente que o movimento de enfermeiros lute pela sua independ\u00eancia dos interesses do PSD, CDS\/PP e do PS. Estes s\u00e3o os partidos respons\u00e1veis pela destrui\u00e7\u00e3o do nosso SNS, ao longo dos \u00faltimos 40 anos. Como poder\u00e3o defender agora o interesse dos enfermeiros? Pura instrumentaliza\u00e7\u00e3o. O BE e o PCP, por sua vez, tem o dever e a obriga\u00e7\u00e3o de lutar pelas reivindica\u00e7\u00f5es dos enfermeiros, apoiar a sua luta, aprender com os seus m\u00e9todos e conquistar vit\u00f3rias. Nada mais que isso. Esta \u00e9 a forma de evitar que a direita instrumentalize as justas lutas de quem trabalha.<\/p>\n<p><strong>Determina\u00e7\u00e3o nos m\u00e9todos e fundos de greve<\/strong><\/p>\n<p>Parados at\u00e9 31 de Dezembro, os enfermeiros preparam j\u00e1 mais uma greve para Janeiro de 2019. Esta \u00e9 uma greve minuciosamente concentrada nas cirurgias n\u00e3o urgentes, como forma de obter os efeitos mais profundos poss\u00edveis sobre quem governa o SNS.<\/p>\n<p>Os enfermeiros parecem decididos a fazer durar a greveo tempo que for preciso at\u00e9 verem as suas reivindica\u00e7\u00f5es aceites e prepararam-se para tal, atrav\u00e9s de um fundo solid\u00e1rio de apoio \u00e0 greve, financiado atrav\u00e9s de uma plataforma de <em>crowdfunding<\/em>. Apesar das contradit\u00f3rias declara\u00e7\u00f5es de Jer\u00f3nimo de Sousa contra os fundos de greve, h\u00e1 mais de um s\u00e9culo que os trabalhadores reconhecem que s\u00e3o necess\u00e1rios fundos de resist\u00eancia, a fim de manterem os trabalhadores em luta como forma de potenciar os \u00eaxitos da greve.<\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o nos m\u00e9todos utilizados pelos enfermeiros coloca em xeque o Governo PS e denuncia o apoio prestado por BE e PCP a um Governo que manteve a despesa p\u00fablica na Sa\u00fade ao n\u00edvel deixado pela direita\/Troika. Para al\u00e9m disso, denuncia os m\u00e9todos que PCP, BE e CGTP deveriam fazer mais uso mas cujo apoio ao actual Governo PS os impede, mais uma vez, de utilizar. Afinal, estamos a falar de uma coisa t\u00e3o simples como utilizar os m\u00e9todos de luta necess\u00e1riosque nos permitam potenciar as hip\u00f3teses de vit\u00f3ria. Ningu\u00e9m luta para perder. Ningu\u00e9m luta para cumprir calend\u00e1rio. Ningu\u00e9m luta para empurrar a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas para o futuro. A esquerda parlamentar e o movimento sindical tradicional parecem, n\u00e3o poucas vezes, apostadosem repetir receitas que j\u00e1 se sabem que levam a derrotas. Sigamos o exemplo do STOP, rec\u00e9m-criado sindicato dos professores. Sigamos o exemplo do SEAL e dos estivadores de Set\u00fabal, cuja luta, determinada e com fundo de greve, obteve nos \u00faltimos dias uma importante vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>A falta de tais meios, por parte da esquerda e do sindicalismo tradicional, assim como o apoio ao Governo PS, \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o para que lutas completamente justas, como a dos enfermeiros, sejam disputadas e at\u00e9 dirigidas pela direita. Apoiar o Governo PS e apagar a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda, abre espa\u00e7o a que os trabalhadores possam ser instrumentalizados pela direita. Esta \u00e9 uma tend\u00eancia que vai al\u00e9m do contexto nacional e que \u00e9 preciso ser combatida, n\u00e3o apenas denunciada.<\/p>\n<p>Por outro lado, t\u00eam surgido muitas d\u00favidas sobre o financiamento da greve dos enfermeiros, atrav\u00e9s da plataforma de <em>crowdfunding.<\/em>O m\u00e9todo de fundos de greve e de solidariedade s\u00e3o muito importantes e a sua transpar\u00eancia n\u00e3o pode levantar a menor d\u00favida. Existe a d\u00favida leg\u00edtima de que o dinheiro possa vir de setores da direita, que servem os interesses privados que ganham com a greve e com a destrui\u00e7\u00e3o do SNS. Esta d\u00favida n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 legitima como, a confirmar-se, deve ser combatida. A existirem, estes fundos por parte de setores da direita devem ser rapidamente devolvidos ao seu remetente. As suas consequ\u00eancias v\u00e3o desde a destrui\u00e7\u00e3o de uma luta completamente justa e a derrota de um dos setores mais mal tratados na fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Portanto, a instrumentaliza\u00e7\u00e3o por parte da direita \u00e9 um perigo real que deve ser combativo dentro e fora do pr\u00f3prio movimento dos enfermeiros.<\/p>\n<p>A bem da transpar\u00eancia da sua luta, os enfermeiros, organizados pela base, em assembleia, devem definir os seus m\u00e9todos de luta e de financiamento, garantindo a publica\u00e7\u00e3o da identidade de todos os donativos feitos para a plataforma de <em>crowdfunding<\/em>. Este \u00e9 um assunto que n\u00e3o deve ficar entregue nem a uma ordem profissional, nem \u00e0 sua Baston\u00e1ria, dentro das paredes do seu gabinete. Essa transpar\u00eancia \u00e9 a \u00fanica forma de defender a independ\u00eancia e a democracia da luta dos enfermeiros.<\/p>\n<p>O drama dos enfermeiros \u00e9 o drama de tantos n\u00f3s, oper\u00e1rios, professoras, estivadores, operadores de call-center, trabalhadores do turismo e um grande etc. Baixos sal\u00e1rios e precariedade s\u00e3o o dia-a-dia de milh\u00f5es de trabalhadores, enquanto o Governo anuncia a descida do d\u00e9fice e a subida do PIB. \u00c9 um esc\u00e2ndalo: se o pa\u00eds cresceu, queremos os nossos direitos de volta!<\/p>\n<p>\u00c9 preciso seguir o exemplo dos estivadores e dos \u201ccoletes amarelos\u201d franceses e vir para a rua em for\u00e7a. S\u00f3 encostando o governo \u00e0s cordas \u00e9 poss\u00edvel obter vit\u00f3rias. A CGTP, todo o movimento sindical e movimentos sociais, n\u00e3o podem mais continuar com lutas moderadas e divididas. \u00c9 preciso unir as lutas. A esquerda, em vez de apoiar o Governo no Parlamento, tem de colocar milhares na rua, em torno de uma greve geral da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, para exigir que o PS fa\u00e7a o que prometeu e devolva todos os direitos roubados, assim como o investimento p\u00fablico.\u00c9 poss\u00edvel fazer uma manifesta\u00e7\u00e3o nacional contra a precariedade e pelo aumento dos sal\u00e1rios!<\/p>\n<p>Porque \u00e9 poss\u00edvel uma vida melhor, em que a riqueza e o trabalho sejam distribu\u00eddos por todos, em que o mundo n\u00e3o seja governado nem instrumentalizado pela direita, nem por governos que est\u00e3o sempre ao lado dos ricos e poderosos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O MAS est\u00e1 solid\u00e1rio com a greve dos enfermeiros, uma greve progressiva, completamente justa.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[29],"tags":[1579],"class_list":["post-3039","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude","tag-greve-enfermeiros-fundos-de-greve-crowdfunding-governo-ps-be-pcp"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3039"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3039\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}