{"id":3037,"date":"2018-12-14T18:24:45","date_gmt":"2018-12-14T17:24:45","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/12\/14\/vitoria-dos-estivadores-contra-a-precariedade-os-patroes-e-o-governo\/"},"modified":"2018-12-14T18:24:45","modified_gmt":"2018-12-14T17:24:45","slug":"vitoria-dos-estivadores-contra-a-precariedade-os-patroes-e-o-governo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/12\/14\/vitoria-dos-estivadores-contra-a-precariedade-os-patroes-e-o-governo\/","title":{"rendered":"Vit\u00f3ria dos estivadores contra a precariedade, os patr\u00f5es e o governo"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Editorial &#8211; 14 de Dezembro 2018<\/strong><\/p>\n<p>Ao 38\u00ba dia de greve, h\u00e1 fumo branco no porto de Set\u00fabal. Acossado pela luta dos trabalhadores e por uma onda de solidariedade nacional, o grupo turco Yilport, que domina parte dos portos nacionais, teve de ceder aos cerca de 150 bravos e bravas guerreiras de Set\u00fabal.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0O acordo que os trabalhadores e o seu sindicato, o SEAL, impuseram aos patr\u00f5es garante todas as reivindica\u00e7\u00f5es que deram origem \u00e0 greve. Foi assinado hoje, ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio pelos trabalhadores, um acordo que prev\u00ea a contrata\u00e7\u00e3o imediata de 56 estivadores como efetivos, ficando garantida para breve a contrata\u00e7\u00e3o de mais 37. Foi tamb\u00e9m garantida a distribui\u00e7\u00e3o do trabalho suplementar entre estes 93 trabalhadores, assim como um sal\u00e1rio-base de 1400\u20ac\/m\u00eas. Isto permite aos trabalhadores voltarem a estar dispon\u00edveis para trabalhar, levantando a greve tamb\u00e9m ao trabalho suplementar em Set\u00fabal.<\/p>\n<p>\u00a0Esta era a proposta do SEAL desde Julho. Foi a gan\u00e2ncia e prepot\u00eancia da Yilport e do seu representante, o famigerado Diogo Marecos, que impediu que este mesmo acordo tivesse sido alcan\u00e7ado h\u00e1 15 dias. Junto com o Governo, os patr\u00f5es preferiram tentar vencer pelo cansa\u00e7o, recorrendo a fura-greves, repress\u00e3o e <em>fake news<\/em>.<\/p>\n<p>\u00a0<strong>O papel do Governo<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Na apresenta\u00e7\u00e3o do acordo, a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, quis pousar como o elemento pacificador deste conflito. Nada mais falso. Desde o in\u00edcio que o Governo se colocou contra os trabalhadores. N\u00e3o s\u00f3 a Ministra do Mar n\u00e3o reconheceu, num primeiro momento, o problema da precariedade em Set\u00fabal, como Ant\u00f3nio Costa veio a p\u00fablico falar sobre um suposto, mas inexistente \u201cconcurso\u201d para a contrata\u00e7\u00e3o dos estivadores em Set\u00fabal, assim como veio provocar os grevistas, felicitando-se por o SEAL n\u00e3o estar \u201cdisseminado\u201d por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0Mais grave foi a tentativa desesperada do Governo de furar a greve ilegalmente, em conluio com os patr\u00f5es. No dia 22 os patr\u00f5es contrataram cerca de 50 indiv\u00edduos, estranhos ao porto de Set\u00fabal, para carregar 2.000 autom\u00f3veis da Autoeuropa. O Governo, em vez de impedir esta tentativa de substitui\u00e7\u00e3o de grevistas, totalmente proibida pelo C\u00f3digo do Trabalho, enviou centenas de pol\u00edcias de choque para escoltar os fura-greves, usando da for\u00e7a contra o piquete de greve. Desde 1974 nenhum governo tinha tido tal desplante \u2013 nem nos Governos de Cavaco ou de Passos Coelho.<\/p>\n<p>\u00a0Apesar de mostrarem solid\u00e1rios com esta luta, os parceiros de Costa, PCP e BE, mantiveram o apoio ao Governo enquanto este reprimia os estivadores. No momento de maior poder negocial da esquerda, durante a vota\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento, podiam ter encostado o Governo \u00e0s cordas. Por\u00e9m, as negocia\u00e7\u00f5es entre a esquerda parlamentar e o PS continuaram como se nada fosse para aprovar um OE que d\u00e1 milh\u00f5es aos banqueiros e tost\u00f5es a quem trabalha.<\/p>\n<p>\u00a0<strong>A luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o continua<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Outras lutas se seguir\u00e3o. A greve \u00e0s horas extraordin\u00e1rias mant\u00e9m-se no resto do pa\u00eds e cabe ao Governo garantir que a persegui\u00e7\u00e3o aos s\u00f3cios do SEAL, tamb\u00e9m ela ilegal, cessa imediatamente.<\/p>\n<p>\u00a0Na verdade, enquanto os portos nacionais forem controlados por um cartel de empresas mafiosas \u2013 os grupos Sousa e ETE e a Yilport, al\u00e9m do Estado de Singapura que controla o maior terminal de contentores do pa\u00eds, em Sines \u2013 a luta continua. Os portos s\u00e3o essenciais para a economia do pa\u00eds, assim como para a sua soberania. Deviam estar nas m\u00e3os do Estado, com emprego de qualidade para todos os seus profissionais, geridos como Servi\u00e7os P\u00fablicos.<\/p>\n<p>\u00a0<strong>Uma luta exemplar<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0As greves s\u00e3o recorrentes no nosso pa\u00eds, por\u00e9m vit\u00f3rias deste calibre n\u00e3o. Da luta dos estivadores de Set\u00fabal podemos colher algumas li\u00e7\u00f5es de como alcan\u00e7ar vit\u00f3rias. <strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a chave:<\/strong> acordos e negocia\u00e7\u00f5es fazem parte da luta sindical, mas sem usar a for\u00e7a dos trabalhadores organizados, os acordos s\u00e3o sempre contra quem trabalha. Isto aplica-se ao n\u00edvel de empresa, de sector de actividade e at\u00e9 ao n\u00edvel nacional. <strong>Radicaliza\u00e7\u00e3o:<\/strong> a luta s\u00f3 faz efeito se puser em causa o lucro dos patr\u00f5es e isso dificilmente se consegue com greves de um dia &#8211; foi a dura\u00e7\u00e3o e radicaliza\u00e7\u00e3o da greve que trouxe resultados. <strong>Organizar e sindicalizar os trabalhadores prec\u00e1rios:<\/strong> em muitos sindicatos n\u00e3o se aceitam prec\u00e1rios como s\u00f3cios e n\u00e3o se procuram meios para os trazer para a luta, a greve de Set\u00fabal mostra o oposto: que sem os prec\u00e1rios n\u00e3o se derrota a precariedade. <strong>A onda de solidariedade<\/strong> que o SEAL conseguiu gerar, que mobilizou muitos outros sindicatos e at\u00e9 a CGTP, muitas vezes relutante, al\u00e9m da popula\u00e7\u00e3o em geral ou at\u00e9 do Bispo de Set\u00fabal foi essencial, <strong>\u00e9 imposs\u00edvel vencer sozinho<\/strong>. <strong>Internacionalismo<\/strong>: a solidariedade foi para al\u00e9m-fronteiras, tendo os estivadores alem\u00e3es dificultado o descarregamento dos carros carregados por fura-greves e tendo os estivadores de todo o mundo declarado o seu apoio. E por fim,<strong> a democracia de base,<\/strong> infelizmente rara no sindicalismo portugu\u00eas, em que nenhum acordo foi assinado sem aprova\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em Plen\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00a0<strong>\u00c9 necess\u00e1rio um levantamento geral contra a precariedade e o custo de vida<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0O drama dos estivadores de Set\u00fabal \u00e9 o drama de tantos n\u00f3s, oper\u00e1rios, professoras, enfermeiros, operadores de call-center, trabalhadores do turismo e um grande etc. Baixos sal\u00e1rios, precariedade e ass\u00e9dio laboral s\u00e3o o dia-a-dia de milh\u00f5es de trabalhadores, enquanto o Governo anuncia a descida do d\u00e9fice e a subida do PIB. \u00c9 um esc\u00e2ndalo: <strong>se o pa\u00eds cresceu, queremos os nossos direitos de volta!<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<strong>\u00c9 preciso seguir o exemplo dos estivadores e dos coletes amarelos franceses e vir para a rua em for\u00e7a.<\/strong> <strong>S\u00f3 encostando o governo \u00e0s cordas \u00e9 poss\u00edvel obter vit\u00f3rias.<\/strong> A CGTP, todo o movimento sindical e movimentos sociais, n\u00e3o podem mais continuar com lutas moderadas e divididas.<strong> \u00c9 preciso unir as lutas.<\/strong> A esquerda, em vez de apoiar o Governo no Parlamento, tem de colocar milhares na rua para exigir que o PS fa\u00e7a o que prometeu e devolva todos os direitos roubados.<\/p>\n<p>\u00a0Esse \u00e9 o apelo do MAS. Estivemos desde o primeiro dia ao lado dos estivadores e continuaremos a estar \u2013 como fizemos com os trabalhadores da Autoeuropa, call-centers, professores, profissionais da sa\u00fade e tantos outros. Porque \u00e9 poss\u00edvel uma vida melhor, em que a riqueza e o trabalho sejam distribu\u00eddos por todos, em que o mundo n\u00e3o seja governado por patr\u00f5es e os seus \u201cMarecos\u201d, nem por governos que est\u00e3o sempre ao lado dos ricos e poderosos. <strong>Convidamos assim todos estes lutadores e lutadoras a conhecer o MAS, as nossas propostas e posi\u00e7\u00f5es. Porque uma batalha foi vencida, mas ainda h\u00e1 uma guerra a ganhar.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial &#8211; 14 de Dezembro 2018 Ao 38\u00ba dia de greve, h\u00e1 fumo branco no porto de Set\u00fabal. Acossado pela luta dos trabalhadores e por uma onda de solidariedade nacional, o grupo turco Yilport, que domina parte dos portos nacionais, teve de ceder aos cerca de 150 bravos e bravas guerreiras de Set\u00fabal.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3036,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[101],"tags":[1578],"class_list":["post-3037","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-editorial-editorial","tag-precariedade-estivadores-greve-luta-vitoria"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/mw_estivadores.jpg?fit=860%2C573","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3037"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3037\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3036"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}