{"id":3021,"date":"2018-11-24T12:06:26","date_gmt":"2018-11-24T11:06:26","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/11\/24\/25-de-novembro-dia-internacional-para-a-eliminacao-da-violencia-contra-as-mulheres-2\/"},"modified":"2018-11-24T12:06:26","modified_gmt":"2018-11-24T11:06:26","slug":"25-de-novembro-dia-internacional-para-a-eliminacao-da-violencia-contra-as-mulheres-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/11\/24\/25-de-novembro-dia-internacional-para-a-eliminacao-da-violencia-contra-as-mulheres-2\/","title":{"rendered":"25 de Novembro &#8211; Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia Contra as Mulheres"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/>No dia 25 de Novembro celebra-se o Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia Contra as Mulheres. Esta data destina-se a alertar e denunciar a viol\u00eancia exercida contra as mulheres em todo o mundo e exigir e reivindicar pol\u00edticas para a sua real erradica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>  <!--more-->  A data foi escolhida em homenagem \u00e0s tr\u00eas irm\u00e3s Mirabal (Patria, Minerva e Teresa), activistas pol\u00edticas da Rep\u00fablica Dominicana, que foram brutalmente assassinadas pelo ditador Rafael Trijullo em 1960. <\/p>\n<p>Esta data \u00e9 celebrada na Am\u00e9rica Latina desde 1981, tendo sido iniciada pelo movimento feminista latino-americano de modo a relembrar e homenagear as irm\u00e3s Mirabal.<\/p>\n<p>Em 1999 a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas junta-se a esta homenagem declarando o 25 de Novembro como o dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a Mulher, convocando governos, organiza\u00e7\u00f5es internacionais e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais a realizarem anualmente actividades para a sensibiliza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica sobre esta problem\u00e1tica. Sabemos que h\u00e1 muito caminho pela frente no que toca \u00e0 erradica\u00e7\u00e3o de todas as formas de viol\u00eancia contra a mulher e que n\u00e3o basta ter um dia de sensibiliza\u00e7\u00e3o, para depois passar s\u00f3 restantes 364 dias do ano a ignorar os problemas, a aplicar pol\u00edticas que afetam diretamente as mulheres e a perpetuar o machismo.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia de g\u00e9nero \u00e9 um problema estrutural e sist\u00e9mico da sociedade em que vivemos e est\u00e1 presente em todas as vertentes: f\u00edsica, sexual, psicol\u00f3gica, econ\u00f3mica, cultural, na desigual rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres e nos diferentes pap\u00e9is atribu\u00eddos, tanto na vida p\u00fablica como na privada.<\/p>\n<p>Basta olhar para os dados:<\/p>\n<p>&#8211; Nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica mais de 80% das v\u00edtimas s\u00e3o mulheres,<\/p>\n<p>&#8211; Quase metade das mulheres assassinadas s\u00e3o mortas por um parceiro ou ex-parceiro,<\/p>\n<p>&#8211; Mutila\u00e7\u00e3o genital feminina \u00e9 realizada em cerca de 3 milh\u00f5es de meninas e mulheres por ano,<\/p>\n<p>&#8211; Por ano, em m\u00e9dia, 17 milh\u00f5es de meninas casam-se quando ainda s\u00e3o menores de idade.<\/p>\n<p>&#8211; Por ano, cerca de 5 mil mulheres s\u00e3o mortas por os chamados crimes de honra. Crimes de honra s\u00e3o homic\u00eddios de mulheres jovens ou adultas, a mando da pr\u00f3pria fam\u00edlia, por alguma suspeita ou caso de transgress\u00e3o sexual ou comportamental, como adult\u00e9rio, recusa de submiss\u00e3o de casamentos for\u00e7ados, rela\u00e7\u00f5es sexuais ou gravidez fora do casamento, mesmo que a mulher tenha sido violada, com o intuito de n\u00e3o \u201cmanchar o nome da fam\u00edlia\u201d,<\/p>\n<p>&#8211; Em m\u00e9dia, a diferen\u00e7a salarial entre homens e mulheres \u00e9 de 23%,<\/p>\n<p>&#8211; Em todo o mundo 52% das mulheres economicamente activas j\u00e1 sofreram ass\u00e9dio sexual no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>&#8211; 70% de todas as mulheres do planeta j\u00e1 sofreram ou sofrer\u00e3o algum tipo de viol\u00eancia de g\u00e9nero em pelo menos um momento das suas vidas, independentemente da nacionalidade, cultura, religi\u00e3o ou condi\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Neste 25 de Novembro vamos sair \u00e0 rua e lutar contra a viol\u00eancia machista que nos discrimina, agride, cala, mutila, tortura, viola, trafica e mata e vamos exigir dos governos e institui\u00e7\u00f5es medidas reais e efetivas que permitam combater toda e qualquer forma de viol\u00eancia. Ocupamos as ruas tamb\u00e9m para questionar este sistema em que vivemos que n\u00e3o s\u00f3 permite as v\u00e1rias formas de viol\u00eancia contra a mulher como as alimenta e se alimenta das mesmas! Sabemos que n\u00f3s, mulheres trabalhadores, prec\u00e1rias, estudantes, m\u00e3es, negras, imigrantes somos afetadas de forma muito particular pelas crises econ\u00f3micas, sociais e pol\u00edticas. Somos das primeiras a ser despedidas, as que ocupam os setores mais mal pagos, respons\u00e1veis pelo trabalho, pela casa, pelos filhos e pelos parentes dependentes. Sentimos que recai sobre os nossos ombros um peso tremendo e estamos fartas.<\/p>\n<p>Vamos sair \u00e0 rua e lutar por todas as mulheres que j\u00e1 lutaram, por todas as que n\u00e3o podem lutar, por todas as que j\u00e1 morreram, e que em Portugal s\u00f3 este ano foram 21! Sa\u00edmos \u00e0s ruas para reivindicar vidas livres de todo tipo de opress\u00e3o e as nossas vozes n\u00e3o v\u00e3o ser silenciadas.<\/p>\n<p>Este 25 de Novembro sa\u00edmos \u00e0 rua com todas as mulheres de todo o mundo, preparando-nos tamb\u00e9m para uma greve internacional de mulheres no 8 de Mar\u00e7o de 2019, porque, como diz Audre Lorde, nenhuma de n\u00f3s ser\u00e1 verdadeiramente livre enquanto todas n\u00e3o o forem!<\/p>\n<p>Queremos um combate efectivo \u00e0 viol\u00eancia, com a puni\u00e7\u00e3o efectiva dos agressores. Basta de penas suspensas!<\/p>\n<p>Queremos creches p\u00fablicas e gratuitas em todo o pa\u00eds!<\/p>\n<p>Queremos sal\u00e1rio igual por trabalho igual!<\/p>\n<p>Queremos o combate ao ass\u00e9dio moral e sexual nos locais de trabalho!<\/p>\n<p>Exigimos 0,5% do Or\u00e7amento de Estado para um plano nacional de combate ao machismo!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>Teresa Alho<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 25 de Novembro celebra-se o Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia Contra as Mulheres. 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