{"id":301,"date":"2010-09-30T09:05:04","date_gmt":"2010-09-30T08:05:04","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/09\/30\/facamos-como-na-espanha-greve-geral-contra-o-novo-orcamento-de-socrates\/"},"modified":"2010-09-30T09:05:04","modified_gmt":"2010-09-30T08:05:04","slug":"facamos-como-na-espanha-greve-geral-contra-o-novo-orcamento-de-socrates","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/09\/30\/facamos-como-na-espanha-greve-geral-contra-o-novo-orcamento-de-socrates\/","title":{"rendered":"Fa\u00e7amos como na Espanha: greve geral contra o novo or\u00e7amento de S\u00f3crates"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-300\" style=\"margin: 10px; vertical-align: bottom;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/piquetedecorriente.jpg?w=600\"  srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/piquetedecorriente.jpg?w=625 625w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/piquetedecorriente.jpg?resize=300%2C127 300w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/piquetedecorriente.jpg?resize=480%2C204 480w\" sizes=\"(max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/>No mesmo dia, 29 de Setembro, em que uma greve geral paralisou o Estado Espanhol e milhares de trabalhadores participaram de manifesta\u00e7\u00f5es contra os planos de austeridade em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, como Portugal, B\u00e9lgica, Gr\u00e9cia, Irlanda e It\u00e1lia, o primeiro-ministro Jos\u00e9 S\u00f3crates anunciou as medidas de austeridade que integrar\u00e3o o Or\u00e7amento de Estado de 2011. Cortes nos sal\u00e1rios e benef\u00edcios da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica, aumento do IVA de 21% para 23%, cortes nas despesas com educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e nas ajudas aos mais pobres, como a Bolsa Fam\u00edlia e o Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o, s\u00e3o algumas delas.<\/p>\n<p \/>  <!--more-->  Essas medidas representam um ataque dur\u00edssimo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores, principalmente os funcion\u00e1rios p\u00fablicos, mas tamb\u00e9m dos sectores mais pobres da popula\u00e7\u00e3o. Elas tamb\u00e9m ter\u00e3o um impacto importante no aumento do desemprego que j\u00e1 atinge hoje, em n\u00fameros reais, mais de 700 mil trabalhadores.<\/p>\n<p>Mais uma vez, como j\u00e1 tinha acontecido com os Planos de Estabilidade e Crescimento (PEC), os ganhos de capital ser\u00e3o poupados de san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas ou de qualquer cobran\u00e7a que promova mais justi\u00e7a fiscal. A \u00fanica medida prevista refere uma vaga contribui\u00e7\u00e3o do sistema financeiro em linha com a iniciativa em curso no seio da Uni\u00e3o Europeia. Isto \u00e9, a banca portuguesa continuar\u00e1 a especular tranquilamente, como o faz actualmente, quando empresta ao Estado a juros superiores a 6% enquanto se refinancia junto ao Banco Central Europeu a juro de 1%.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso uma resposta forte<\/strong><\/p>\n<p>Depois da encena\u00e7\u00e3o do costume, o PSD j\u00e1 deixou claro que viabilizar\u00e1 o Or\u00e7amento, com o seu voto ou absten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 para menos, pois esse plano atende aos interesses da burguesia e da Comiss\u00e3o Europeia no sentido de continuar a fazer com que sejam os trabalhadores a pagar a crise. S\u00f3 uma resposta forte da maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 que poder\u00e1 derrubar este novo pacote de austeridade. Mas, infelizmente, n\u00e3o tem sido este o percurso da CGTP.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o do dia 29 de Setembro, em Lisboa e no Porto, ficou muito aqu\u00e9m da necessidade de resposta da classe trabalhadora portuguesa para fazer frente aos ataques que vem sofrendo. J\u00e1 se fala agora na possibilidade de a CGTP convocar, enfim, uma greve geral. Esta \u00e9 a resposta correcta, mas deve ser constru\u00edda de forma diferente do habitual: pela base, com plen\u00e1rios de activistas e democracia, e com manifesta\u00e7\u00f5es de rua no mesmo dia da greve.<\/p>\n<p><strong>Espanha: 10 milh\u00f5es parados<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel organizar uma forte greve geral, e a classe trabalhadora do Estado Espanhol o demonstrou, apesar das vacila\u00e7\u00f5es e adiamentos das duas principais centrais sindicais, a CC.OO (Comiss\u00f5es Oper\u00e1rias) e UGT, que sempre apoiaram Zapatero. A press\u00e3o da base foi t\u00e3o forte, enraivecida contra o <em>pensionazo<\/em> do governo (facilidades para despedir, redu\u00e7\u00e3o das reformas na ordem de 20-25% e aumento da idade para obt\u00ea-la), que as duas centrais foram obrigadas a convocar a greve geral.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o: a ades\u00e3o \u00e0 greve foi alt\u00edssima, superior a 70% (10 milh\u00f5es de trabalhadores), principalmente no sector industrial. As principais f\u00e1bricas de autom\u00f3veis \u2013 Renault, Citro\u00ebn, Nissan, Ford, Peugeot, GM, Seat, Volkswagen, Mercedes e Iveco-Pegaso \u2013 n\u00e3o funcionaram, e quase 100% da ind\u00fastria catal\u00e3 parou. Al\u00e9m disso, houve manifesta\u00e7\u00f5es gigantescas em Madrid (cerca de 100 mil pessoas), Barcelona e Val\u00eancia. Em alguns locais, entre os quais Madrid, a pol\u00edcia atacou os grevistas. Na foto, a pol\u00edcia tenta intimidar grevistas do partido de esquerda Corriente Roja.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 era previs\u00edvel, a burocracia sindical j\u00e1 estar a ensaiar um recuo, acenando a negocia\u00e7\u00f5es com o governo, sem apresentar nenhuma proposta de continuidade da luta e deixando claro que quer manter Zapatero no poder. &#8220;Esta greve n\u00e3o foi convocada para derrubar o governo, mas para que rectifique e olhe \u00e0 sua esquerda&#8221;, disse Ignacio Fern\u00e1ndez Toxo, secret\u00e1rio-geral da CC.OO.<\/p>\n<p><strong>Greve geral europeia<\/strong><\/p>\n<p>O dia 29 de Setembro, quando os trabalhadores europeus estiveram unidos a lutar numa Jornada Europeia de Luta, pela primeira vez em muitos anos, deve ser apenas o in\u00edcio de uma ac\u00e7\u00e3o comum. Os planos de austeridade \u2013 a pol\u00edtica comum da burguesia europeia para destruir o Estado Social e retirar os direitos dos trabalhadores \u2013 s\u00f3 podem ser combatidos com efic\u00e1cia se os trabalhadores continuarem unidos e adoptarem formas de lutas ainda mais fortes.<\/p>\n<p>Organizar uma greve geral europeia contra os planos de austeridade \u00e9 o desafio que os trabalhadores europeus t\u00eam pela frente. S\u00f3 assim, com um plano de lutas exaustivo e radical, conseguiremos impedir que a burguesia nos force a pagar a sua crise capitalista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mesmo dia, 29 de Setembro, em que uma greve geral paralisou o Estado Espanhol e milhares de trabalhadores participaram de manifesta\u00e7\u00f5es contra os planos de austeridade em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, como Portugal, B\u00e9lgica, Gr\u00e9cia, Irlanda e It\u00e1lia, o primeiro-ministro Jos\u00e9 S\u00f3crates anunciou as medidas de austeridade que integrar\u00e3o o Or\u00e7amento de Estado de 2011. 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