{"id":3009,"date":"2018-11-13T12:17:39","date_gmt":"2018-11-13T11:17:39","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/11\/13\/eleicao-americana-vitoria-democrata-na-camara-aprofunda-divisao-politica-nos-eua\/"},"modified":"2018-11-13T12:17:39","modified_gmt":"2018-11-13T11:17:39","slug":"eleicao-americana-vitoria-democrata-na-camara-aprofunda-divisao-politica-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/11\/13\/eleicao-americana-vitoria-democrata-na-camara-aprofunda-divisao-politica-nos-eua\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00e3o americana: vit\u00f3ria democrata na C\u00e2mara aprofunda divis\u00e3o pol\u00edtica nos EUA"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p><strong>Artigo publicado originalmente no Esquerda Online de Ge Souza.<\/strong><\/p>\n<p>No dia 6, os americanos foram \u00e0s urnas para eleger 435 deputados  (as), 35 senadores (as) e novos governadores (as) em 36  estados.\u00a0Enquanto escrev\u00edamos esta mat\u00e9ria, a apura\u00e7\u00e3o ainda estava em  andamento, mas os principais resultados j\u00e1 est\u00e3o consolidados: os  democratas retomaram a maioria na C\u00e2mara, depois de oito anos como  minoria, e os republicanos mantiveram a sua maioria no Senado.<\/p>\n<p>O  Partido Democrata garantiu at\u00e9 agora, 222 vagas na C\u00e2mara (aumentou 27  cadeiras), enquanto o Partido Republicano elegeu 196 deputados (as).  Ainda h\u00e1 17 cadeiras indefinidas, em estados onde a apura\u00e7\u00e3o n\u00e3o  terminou. No Senado, os republicanos mantiveram 51 senadores (as), e os  democratas 46. Tr\u00eas vagas ainda est\u00e3o sendo apuradas. Para os governos  estaduais, os republicanos ter\u00e3o 25 governadores e os democratas 23.  Tr\u00eas estados ainda n\u00e3o divulgaram os resultados.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s conhecer os resultados, Trump twitou: \u201cFoi um tremendo sucesso esta noite. Obrigado a todos!<\/p>\n<p>Mas  qual foi o tamanho deste sucesso? Na verdade, tanto democratas como  republicanos tiveram vit\u00f3rias relativas nestas elei\u00e7\u00f5es. Os democratas,  ao conseguirem maioria na C\u00e2mara, podem trazer grandes problemas ao  governo Trump, como barrar a libera\u00e7\u00e3o de fundos para a constru\u00e7\u00e3o do  muro na fronteira com o M\u00e9xico, rejeitar os cortes fiscais e impedir a  aplica\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as nas pol\u00edticas comerciais, como desejava Trump. A  maioria democrata pode investigar as declara\u00e7\u00f5es fiscais de Trump (que  ele se recusa a apresentar), poss\u00edveis conflitos de interesse  empresariais e alega\u00e7\u00f5es envolvendo a campanha do presidente em 2016 e a  R\u00fassia. Al\u00e9m disso, o Partido Democrata venceu em sete estados onde  Trump ganhou em 2016, e que eram governados pelos republicanos: Novo  M\u00e9xico,\u00a0Illinois, Kansas, Nevada, Maine, Michigan e Wisconsin. O Partido  Republicano, por sua vez, n\u00e3o venceu em nenhum estado governado por um  democrata.<\/p>\n<p>O controle do Senado garante a Trump a possibilidade de  continuar confirmando ju\u00edzes e outros nomeados. O Senado pode garantir  ao governo Trump, o bloqueio de qualquer lei que os democratas possam  propor e aprovar na C\u00e2mara, e que n\u00e3o agrade a Presid\u00eancia, evitando que  Trump tenha que impor seu poder de veto. Mas, a principal vantagem da  maioria dos republicanos no Senado \u00e9 pol\u00edtica. Em sua campanha pela  reelei\u00e7\u00e3o em 2020, que certamente se dar\u00e1 e que j\u00e1 come\u00e7ou, Trump ter\u00e1 o  trunfo pol\u00edtico de culpar os democratas pelos problemas que venha a ter  no governo, acusando-os de que n\u00e3o pode fazer mais por conta da maioria  democrata na C\u00e2mara, que n\u00e3o lhe permitiu governar.<\/p>\n<p><strong>A \u201conda rosa\u201d se confirmou: um voto contra a misoginia e o racismo de Trump<\/strong><\/p>\n<p>A  m\u00eddia americana vem chamando o avan\u00e7o da representa\u00e7\u00e3o feminina nestas  elei\u00e7\u00f5es de \u201conda rosa\u201d. No entanto, este aumento da participa\u00e7\u00e3o das  mulheres vem crescendo h\u00e1 pelo menos seis anos. Em 2012, havia 298  mulheres candidatas a C\u00e2mara e ao Senado. Em 2016, foram 312 candidatas.  Este ano, chegou ao recorde de 529 candidatas. Isto representa um  aumento de 77% no n\u00famero de candidatas em rela\u00e7\u00e3o a 2012. Depois das  prim\u00e1rias, as conven\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias que indicam os candidatos (as) de  cada Partido, 271 mulheres se tornaram candidatas: 24 como senadoras e  247 como deputadas, segundo dados do Centro Americano para Mulheres e  Pol\u00edtica da Universidade Rutgers.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Legislativo, 61 mulheres  se candidataram nas prim\u00e1rias ao cargo de governador. Destas, 18 foram  indicadas por seus partidos: 13 democratas e 5 republicanas.<\/p>\n<p>A  maior parte das mulheres que se candidatou \u00e9 democrata: 210 daquelas que  seguem na corrida para serem eleitas: 194 para a C\u00e2mara e 16 para o  Senado. O Partido Republicano tem apenas 61 do total de 271 candidatas  concorrendo: 53 para a C\u00e2mara e 8 para o Senado.<\/p>\n<p>Para alguns  analistas, o aumento da participa\u00e7\u00e3o feminina nestas elei\u00e7\u00f5es est\u00e1  relacionada com uma rea\u00e7\u00e3o ao presidente Donald Trump. N\u00e3o esque\u00e7amos  que foram as mulheres que protagonizaram a primeira e a maior  manifesta\u00e7\u00e3o contra Trump, no dia seguinte a sua posse. Desde ent\u00e3o a  insatisfa\u00e7\u00e3o das mulheres contra Trump s\u00f3 aumentou. No entanto, outros  fatores tamb\u00e9m influenciaram o aumento das mulheres na pol\u00edtica. O  movimento #MeToo \u00e9 um destes fatores, ao denunciar a viol\u00eancia sexual  cotidiana que as mulheres americanas sofrem no trabalho, na escola ou em  casa. Na verdade, as mulheres americanas, como em todo mundo, est\u00e3o se  organizando e lutando contra as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rios  inferiores aos dos homens, a viol\u00eancia e o ass\u00e9dio sexual, entre tantas  outras formas de opress\u00e3o que sofremos cotidianamente.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel  que mais de 100 mulheres sejam eleitas. Elas ir\u00e3o representar a  diversidade e a luta contra o racismo, o machismo e a lgbtfobia. H\u00e1 84  mulheres negras concorrendo ao Congresso este ano \u2013\u00a0um aumento de 42% em  rela\u00e7\u00e3o a dois anos atr\u00e1s. Uma pesquisa do Times revelou que 58% dos  candidatos ao Congresso eram homens brancos, a porcentagem mais baixa  das \u00faltimas quatro elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A maioria das eleitas pertence ao Partido Democrata. Em Massachusetts, <em>Ayanna Pressley<\/em> se tornou a primeira mulher negra eleita para o Congresso, de seu estado.\u00a0<em>Rashida Tlaib<\/em> em Michigan e <em>Ilhan Omar<\/em> em Minnesota ser\u00e3o as primeiras mulheres mu\u00e7ulmanas no Congresso.\u00a0<em>Sharice Davids<\/em> no Kansas e <em>Deb Haaland<\/em> no Novo M\u00e9xico s\u00e3o as primeiras mulheres ind\u00edgenas eleitas para o Congresso.\u00a0No Tennessee, <em>Marsha Blackburn<\/em>, uma republicana, tornou-se a primeira mulher do estado eleita para o Senado. A democrata e socialista <em>Alexandria Ocasio-Cortez<\/em>, de Nova York, se tornou a\u00a0mulher mais jovem\u00a0a ser eleita para a C\u00e2mara, aos 29 anos. Al\u00e9m das mulheres, <em>Jared Polis<\/em>, do Partido Democrata, se tornou o\u00a0primeiro governador abertamente gay\u00a0dos EUA a vencer a disputa no Colorado.<\/p>\n<p>Mas,  se houve avan\u00e7os importantes nestas elei\u00e7\u00f5es, muito ainda precisa ser  feito. Hoje, as mulheres representam 20% do Congresso: h\u00e1 23 mulheres no  Senado (23%) e 84 na C\u00e2mara (19,3%). De um total de 535 membros, apenas  107 s\u00e3o mulheres (78 democratas e 29 republicanas).<\/p>\n<p>Segundo a  UIP, a Uni\u00e3o Interparlamentar, os EUA, que se autoproclamam a maior  democracia do mundo, est\u00e3o em 102\u00ba lugar entre 193 pa\u00edses, no que diz  respeito \u00e0 representa\u00e7\u00e3o das mulheres na pol\u00edtica nacional. A  sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 no Legislativo. Cinco dos 50  estados americanos n\u00e3o t\u00eam qualquer representante feminina em suas  assembleias. H\u00e1 ainda muito que fazer. Mas, cada avan\u00e7o no terreno da  luta contra as opress\u00f5es \u00e9 importante e tem que se garantido nas urnas e  nas lutas para que n\u00e3o retrocedam.<\/p>\n<p><strong>O interesse pelo socialismo e o crescimento do DSA <\/strong><\/p>\n<p>Tratados como fen\u00f4meno pol\u00edtico nos EUA, desde que Trump chegou ao governo, o <em>Democrat Socialist of America<\/em> \u2013 DSA \u2013 entre 2015 e 2018 passou de 5 mil membros para 52 mil! E isto  foi conseguido se apresentando como socialistas, talvez a ideia mais  temida pelo cidad\u00e3o m\u00e9dio americano, depois do diabo.<\/p>\n<p>O DSA foi  criado na d\u00e9cada de 1980 a partir da fus\u00e3o de dois grupos de esquerda: o  Comit\u00ea Organizador do Socialismo Democr\u00e1tico (que era o herdeiro do  extinto Partido Socialista dos Estados Unidos) e o Novo Movimento  Americano (uma alian\u00e7a de intelectuais progressistas com liga\u00e7\u00f5es com os  partidos de esquerda). Em seu interior convivem aqueles que defendem um  estado liberal de bem estar social e os que querem grandes  transforma\u00e7\u00f5es na sociedade americana e o fim do capitalismo.<\/p>\n<p>Mesmo  se reivindicando como socialistas democr\u00e1ticos, a maioria do DSA n\u00e3o  defende um Estado socialista ou o fim da propriedade privada. Eles  representam a ala mais a esquerda do Partido Democrata e prop\u00f5em medidas  que regulem a economia americana de maneira democr\u00e1tica (um capitalismo  com rosto humano), onde as grandes empresas deveriam defender os  interesses da popula\u00e7\u00e3o. Lutam pelo aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo e  pela melhoria da igualdade social, onde a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o seriam  p\u00fablicas e gratuitas. Estas inclusive foram as principais bandeiras  defendidas pelos candidatos (as) do DSA nas elei\u00e7\u00f5es americanas deste  ano.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es do dia 6, o DSA concorreu usando a legenda do  Partido Democrata com 64 candidatos (as): 5 tentaram uma vaga no  Congresso Nacional, 1 disputou uma vaga de governador e 25 concorreram a  vagas nas assembleias estaduais. Ainda n\u00e3o temos um balan\u00e7o dos n\u00fameros  de votos conseguidos pelos candidatos do DSA ou quantos foram eleitos,  mas <em>Alexandria Ocasio-Cortez<\/em>, foi eleita para a C\u00e2mara, por  Nova York, depois de derrotar Joe Crowly, nas prim\u00e1rias democratas, que  era parlamentar desde 1999. Alexandria n\u00e3o aceitou contribui\u00e7\u00f5es de  empresas, e sua campanha foi feita a partir de sua milit\u00e2ncia social  junto aos imigrantes.<\/p>\n<p>O crescimento do DSA se explica pela mudan\u00e7a  que vem ocorrendo na opini\u00e3o p\u00fablica americana a respeito do  socialismo, e que teve como express\u00e3o m\u00e1xima a candidatura de Bernie  Sanders, que sempre se apresentou como um socialista democr\u00e1tico, nas  prim\u00e1rias do Partido Democrata, concorrendo com Hilary Clinton \u00e0  indica\u00e7\u00e3o dos democratas para a presid\u00eancia. Ali\u00e1s, Sanders se reelegeu  para seu terceiro mandato como senador com folga.<\/p>\n<p>Segundo uma  pesquisa do Instituto Gallup, 37% dos americanos t\u00eam uma imagem positiva  do socialismo, enquanto 56% preferem o capitalismo. Quando se avalia a  opini\u00e3o sobre o socialismo e o capitalismo nas diversas faixas et\u00e1rias,  as opini\u00f5es mudam. 51% dos mais jovens tem uma vis\u00e3o favor\u00e1vel ao  socialismo, enquanto entre os que t\u00eam mais de 65 anos, apenas 28%  reivindicam o socialismo.<\/p>\n<p>A pesquisa n\u00e3o qualifica o que os  entrevistados entendem por socialismo, isto \u00e9, se fazem de fato uma  distin\u00e7\u00e3o entre reforma e revolu\u00e7\u00e3o. Mas, \u00e9 muito progressivo que uma  parcela da popula\u00e7\u00e3o americana, e particularmente sua juventude, veja no  socialismo uma sa\u00edda para a crise causada pelo capitalismo.<\/p>\n<table style=\"width: 443px;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\"><strong>Imagem positiva das ideologias nos Estados Unidos (em porcentagem de acordo com grupos et\u00e1rios)<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><strong>Vis\u00e3o positiva do capitalismo<\/strong><\/td>\n<td><strong>Vis\u00e3o positiva do socialismo<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Dos 18 aos 29 anos<\/strong><\/td>\n<td><strong>45%<\/strong><\/td>\n<td><strong>51%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Dos 30 aos 49 anos<\/strong><\/td>\n<td><strong>58%<\/strong><\/td>\n<td><strong>41%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Dos 50 aos 64 anos<\/strong><\/td>\n<td><strong>60%<\/strong><\/td>\n<td><strong>30%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Mais de 65 anos<\/strong><\/td>\n<td><strong>60%<\/strong><\/td>\n<td><strong>28%<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\">Dados de 2018 (Fonte: Gallup\/BBC)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Em entrevista a BBC, Daniel Schlozman, professor de ci\u00eancia pol\u00edtica da Universidade John Hopkins, afirmou que: \u201c<em>Esta  gera\u00e7\u00e3o [os jovens] teve que passar por uma recess\u00e3o muito severa  causada por especula\u00e7\u00e3o, empr\u00e9stimos banc\u00e1rios arriscados e falta de  regulamenta\u00e7\u00e3o, o que causou um enorme crescimento das d\u00edvidas com  educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria; e que a fez ver que seu padr\u00e3o de vida n\u00e3o ser\u00e1  automaticamente melhor do que o de seus pais; Portanto, havia uma  abertura para algo que n\u00e3o \u00e9 o capitalismo, j\u00e1 que este, em muitos  casos, n\u00e3o os ajudou. <\/em>\u201d<\/p>\n<p>Podemos dizer que h\u00e1 um desencanto  com o capitalismo e tudo que \u201cque est\u00e1 a\u00ed\u201d, em grande parte da juventude  americana. Este sentimento fez com que fen\u00f4menos como Sanders e o DSA  capitalizassem esta insatisfa\u00e7\u00e3o, levando mais jovens e mulheres a  participarem da pol\u00edtica e do processo eleitoral (houve um aumento de  36% no n\u00famero de votantes nestas elei\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>O resultado eleitoral  n\u00e3o chegou ser um \u201creferendo\u201d contra o governo Trump, como desejava a  oposi\u00e7\u00e3o democrata. Mas, a divis\u00e3o do Congresso entre democratas e  republicanos com certeza trar\u00e1 muito mais dificuldades para os projetos  de Trump e sua jornada at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado originalmente no Esquerda Online de Ge Souza. No dia 6, os americanos foram \u00e0s urnas para eleger 435 deputados (as), 35 senadores (as) e novos governadores (as) em 36 estados.\u00a0Enquanto escrev\u00edamos esta mat\u00e9ria, a apura\u00e7\u00e3o ainda estava em andamento, mas os principais resultados j\u00e1 est\u00e3o consolidados: os democratas retomaram a maioria na C\u00e2mara, depois de oito anos como minoria, e os republicanos mantiveram a sua maioria no Senado. O Partido Democrata garantiu at\u00e9 agora, 222 vagas na C\u00e2mara (aumentou 27 cadeiras), enquanto o Partido Republicano elegeu 196 deputados (as). 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