{"id":3008,"date":"2018-11-08T11:18:41","date_gmt":"2018-11-08T10:18:41","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/11\/08\/mexeu-com-guilherme-boulos-mexeu-com-todos-nos\/"},"modified":"2018-11-08T11:18:41","modified_gmt":"2018-11-08T10:18:41","slug":"mexeu-com-guilherme-boulos-mexeu-com-todos-nos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/11\/08\/mexeu-com-guilherme-boulos-mexeu-com-todos-nos\/","title":{"rendered":"Mexeu com Guilherme Boulos, mexeu com todos n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>Editorial do Esquerda Online de 7 de novembro<\/strong><\/div>\n<p> O  pronunciamento feito por Jair Bolsonaro no domingo anterior ao segundo  turno das elei\u00e7\u00f5es assustou uma parcela da sociedade. O agora presidente  eleito disse, entre outras amea\u00e7as de car\u00e1ter fascista, que baniria a  oposi\u00e7\u00e3o. Ao exemplificar quem seria a oposi\u00e7\u00e3o a ser exterminada, citou  Guilherme Boulos, coordenador do MTST que foi candidato do PSOL \u00e0  Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. <\/p>\n<p>N\u00e3o foi a primeira nem a \u00faltima vez que  Bolsonaro amea\u00e7ou Boulos. Na primeira entrevista que deu ao Jornal  Nacional, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, atacou novamente o l\u00edder do MTST e a \u201cc\u00fapula  do PT e do PSOL\u201d. Durante a campanha, correligion\u00e1rios do capit\u00e3o  reformado chegaram a amea\u00e7ar, com armas nas m\u00e3os, uma ativista que  trabalhava no comit\u00ea eleitoral do candidato do PSOL. Com a mesma  inten\u00e7\u00e3o, circula na internet um abaixo-assinado pedindo a pris\u00e3o do  coordenador dos sem-teto.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria eleitoral de Bolsonaro e a  vota\u00e7\u00e3o que obteve seu partido, o PSL, tanto na C\u00e2mara como no Senado,  serviu de respaldo para in\u00fameras pautas e iniciativas autorit\u00e1rias e  repressivas. N\u00e3o podemos prever de antem\u00e3o a forma e as caracter\u00edsticas  exatas que esse governo vai assumir. J\u00e1 temos, todavia, duas certezas  sobre o pr\u00f3ximo per\u00edodo: de um lado, teremos ultra-liberalismo  entreguista no campo econ\u00f4mico e, de outro, a acentua\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o e  persegui\u00e7\u00e3o aos movimentos sociais e \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Antigos projetos  de uma ultradireita saudosa dos tempos da ditadura retomam f\u00f4lego. Um  exemplo \u00e9 o Projeto de Lei 5358\/16 de Eduardo Bolsonaro que visa alterar  tanto a Lei Antirracismo (7.716\/89), como a Lei Antiterrorismo  (13.260\/16). O deputado federal pretende incluir como crime \u201cfomentar o  embate de classes sociais, divulgar o s\u00edmbolo do foice e martelo ou  fazer apologia ao comunismo\u201d.<\/p>\n<p>Na semana ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o do capit\u00e3o  da reserva, aliado pr\u00f3ximo de Bolsonaro, Magno Malta (PR), voltou a  pautar mudan\u00e7as nas Lei Antiterrorismo. O senador pretendia incluir  pontos outrora vetados que abrangeriam a tipifica\u00e7\u00e3o de terrorismo. As  altera\u00e7\u00f5es propostas acabariam incluindo os pr\u00f3prios movimentos sociais  no conte\u00fado da lei, o que significaria um retrocesso sem precedentes.  Contrariando os interesses de Magno Malta, a lei de censura n\u00e3o foi,  ainda, aprovada no CCJ do Senado e dever\u00e1 ser submetida \u00e0 audi\u00eancia  p\u00fablica, com data ainda n\u00e3o definida.<\/p>\n<p>Anunciado como futuro  ministro da Justi\u00e7a, em uma retribui\u00e7\u00e3o pela pris\u00e3o do ex-presidente  Lula, o juiz S\u00e9rgio Moro deu uma entrevista coletiva, no qual reafirmou a  persegui\u00e7\u00e3o aos movimentos sociais. Apesar de ressaltar que seria  exagero a tipifica\u00e7\u00e3o de \u201cterrorismo\u201d, Moro deixou claro que os  movimentos podem ser responsabilizados criminalmente. Ou seja, o novo  governo e o Congresso tratar\u00e3o greves, bloqueios de rua e ocupa\u00e7\u00f5es como  crime.<\/p>\n<p>\u00c9 importante reafirmar que estas s\u00e3o as principais formas  de luta da classe trabalhadora e da juventude. Ao contr\u00e1rio do que fazem  os bancos, que tomam as casas dos trabalhadores que n\u00e3o podem pagar a  presta\u00e7\u00e3o, os movimentos sociais ocupam praticamente terrenos e pr\u00e9dios  abandonados ou usados para especula\u00e7\u00e3o, sem uso social.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma  ardilosa l\u00f3gica nas a\u00e7\u00f5es dos bolsonaristas em Bras\u00edlia. A aplica\u00e7\u00e3o da  agenda ultra-liberal do superministro Paulo Guedes, devido a sua \u00f3bvia  impopularidade, \u00e9 muito onerosa politicamente. O expediente da repress\u00e3o  pol\u00edtica e ideol\u00f3gica cumpre um objetivo t\u00e1tico e outro estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>O  objetivo t\u00e1tico relaciona-se com a agenda de austeridade. Por mais  popular que seja um governo, a retirada de direitos sempre \u00e9 uma  opera\u00e7\u00e3o delicada e arriscada. Se ocorrerem fortes lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es  pa\u00eds afora contra as reformas de Bolsonaro, o governo certamente se  enfraquecer\u00e1. Neste sentido, a tentativa de criminalizar Guilherme  Boulos, PSOL, MTST e MST, assim como os ataques contra universidades e  professores, tenta minar a constru\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia popular, no que h\u00e1  de mais forte e genu\u00edno, ao tenebroso projeto antipovo do novo governo.<\/p>\n<p>O  objetivo estrat\u00e9gico relaciona-se com o futuro pol\u00edtico a m\u00e9dio e longo  prazo. Nessas elei\u00e7\u00f5es que passaram, na figura de Guilherme Boulos,  forjou-se uma frente com PSOL, MTST, PCB, APIB, e distintos movimentos  sociais e pol\u00edticos. Essa alian\u00e7a fez com que o PSOL elegesse dez  deputados federais e in\u00fameros estaduais. Mas essa n\u00e3o foi a maior  vit\u00f3ria desta deste campo. Boulos, l\u00edder de um dos principais movimentos  sociais brasileiros, tornou-se uma figura pol\u00edtica nacional. A alian\u00e7a  eleitoral de 2018 conquistou para a esquerda radical um espa\u00e7o pol\u00edtico  que, embora n\u00e3o tenha se expressado em votos, h\u00e1 muito n\u00e3o conhecia. N\u00e3o  \u00e9 por acaso que o presidente eleito considere o l\u00edder dessa frente um  inimigo p\u00fablico a ser banido.<\/p>\n<p>Hoje, como nunca, est\u00e1 colocada a  defesa intransigente das liberdades democr\u00e1ticas e dos direitos sociais \u2013  conquistas hist\u00f3ricas do povo trabalhador e oprimido do nosso pa\u00eds. O  primeiro alvo de Bolsonaro \u00e9 Guilherme Boulos. Como citamos, s\u00e3o  in\u00fameras, e grav\u00edssimas, as amea\u00e7as proferidas pelo futuro presidente  contra o coordenador do MTST. A defesa de Boulos deve ser um compromisso  de todo o campo democr\u00e1tico (no Brasil e em todo o mundo) e uma pauta  permanente nas nossas bandeiras e a\u00e7\u00f5es. Que Bolsonaro fique avisado:  mexeu com Guilherme Boulos, mexeu com todos n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial do Esquerda Online de 7 de novembro O pronunciamento feito por Jair Bolsonaro no domingo anterior ao segundo turno das elei\u00e7\u00f5es assustou uma parcela da sociedade. O agora presidente eleito disse, entre outras amea\u00e7as de car\u00e1ter fascista, que baniria a oposi\u00e7\u00e3o. Ao exemplificar quem seria a oposi\u00e7\u00e3o a ser exterminada, citou Guilherme Boulos, coordenador do MTST que foi candidato do PSOL \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. N\u00e3o foi a primeira nem a \u00faltima vez que Bolsonaro amea\u00e7ou Boulos. 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