{"id":3000,"date":"2018-10-24T15:21:21","date_gmt":"2018-10-24T14:21:21","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2018\/10\/24\/perspectivas-sombrias\/"},"modified":"2018-10-24T15:21:21","modified_gmt":"2018-10-24T14:21:21","slug":"perspectivas-sombrias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2018\/10\/24\/perspectivas-sombrias\/","title":{"rendered":"Perspectivas sombrias"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p><em>Este artigo \u00e9 um excerto de um artigo mais longo sobre a crise do neoliberalismo publicado no International Socialism Journal (<a href=\"http:\/\/isj.org.uk\/darkening-prospects\/\">http:\/\/isj.org.uk\/darkening-prospects\/<\/a>).<\/em><\/p>\n<p>A pol\u00edtica brit\u00e2nica encontra-se enredada na teia do Brexit. O prolongado adeus da Gr\u00e3-Bretanha \u00e0 UE \u00e9 simultaneamente um resultado e um agravamento da crise mais geral [do neoliberalismo] , que est\u00e1 adesgastar os dois principais partidos, apesar de terem emergido das elei\u00e7\u00f5es com um papel dominante como j\u00e1 n\u00e3o tinham h\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o. Ambos os partidos enfrentam duplos desafios \u2013 externamente, uma UE determinada a usar as suas vantagens negociais para imp\u00f4r \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha o pior acordo de sa\u00edda poss\u00edvel, e internamente, poderosas minorias para quem a rela\u00e7\u00e3o com Bruxelas \u00e9 uma prioridade pol\u00edtica muito superior ao que \u00e9 reconhecido pela maioria da popula\u00e7\u00e3o, independentemente de como votou no referendo.<\/p>\n<p>Este dilema \u00e9 mais dif\u00edcil para o governo de Theresa May. May encaminha-se para um eventual acordo de Brexit que vai deixar a Gr\u00e3-Bretanha ainda muito pr\u00f3xima da UE mas arredada dos processos de tomada de decis\u00e3o, isto porque qualquer outra solu\u00e7\u00e3o seria desastrosa para os interesses capitalistas dominantes. Mas essa solu\u00e7\u00e3o \u00e9 um an\u00e1tema para a poderosa minoria que apoia o Brexit no governo e na bancada parlamentar conservadora, que acreditam sinceramente que um corte com Bruxelas trar\u00e1 \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha um futuro de poder e prosperidade. Desta forma May \u00e9 obrigada a manobrar e contemporizar, mesmo que a custo de fric\u00e7\u00f5es intra-partid\u00e1rias e do desgaste de confian\u00e7a do capital.<\/p>\n<p>Apesar da import\u00e2ncia decisiva para o capitalismo brit\u00e2nico do acesso ao Mercado europeu, \u00e9 a pol\u00edtica que dirige a economia neste processo, algo de que a principal organiza\u00e7\u00e3o patronal CBI [Confedera\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Brit\u00e2nica] se queixa de forma cada vez mais estridente. Paul Drechsler, o seu presidente cessante, acusa conservadores e trabalhistas de se deixarem \u201cconsumir\u201d por \u201cum festival de debate pol\u00edtico e ideologia\u201d e avisa que as empresas brit\u00e2nicas est\u00e3o a transferir capitais para o estrangeiro como parte de \u201cplanos de conting\u00eancia\u201d contra o Brexit. Drechsler prev\u00ea que se a Gr\u00e3-Bretanha n\u00e3o mantivel uma uni\u00e3o aduaneira com a UE \u201ch\u00e1 sectores da industria transformadora do reino Unido que podem desaparecer\u201d, em particular a ind\u00fastria autom\u00f3vel. Algumas grandes empresas \u2013 por exemplo Airbus, BMW, Siemens, Unipart \u2013 aumentaram a press\u00e3o com avisos acerca das terr\u00edveis consequ\u00eancias de um Brexit n\u00e3o negociado [o chamado hard Brexit]. Bronwen Maddox do Institute for Government exprime bem o car\u00e1cter mesquinho dos esfor\u00e7os de May: \u201cPara que o Reino Unido deixe a UE, May tem de encontrar uma vers\u00e3o do Brexit aceit\u00e1vel para os seus ministros, para os deputados conservadores e o parlamento em geral e j\u00e1 agora, tamb\u00e9m para os negociadores da UE. \u00c9 poss\u00edvel que uma tal vers\u00e3o n\u00e3o exista\u201d.<\/p>\n<p>Aparentemente, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais favor\u00e1vel para o Labour de Jeremy Corbyn. A sua posi\u00e7\u00e3o de premeditada ambiguidade em rela\u00e7\u00e3o ao Brexit tem sido eleitoralmente vantajosa para o Labour, tendo lhe permitindo recolher o apoio quer de apoiantes quer de opositores do Brexit nas elei\u00e7\u00f5es do ano passado. Mas esta posi\u00e7\u00e3o tem se tornado cada vez mais dif\u00edcil de manter \u00e0 medida que a luta pol\u00edtica se concentra cada vez mais na \u00e1rdua discuss\u00e3o parlamentar da Lei (de Sa\u00edda) da Uni\u00e3o Europeia. Como os Tories perderam a sua maioria na C\u00e2mara dos Comuns em Junho de 2017 e t\u00eam importantes fac\u00e7\u00f5es pr\u00f3 e anti Brexit, o processo intrinsecamente desestabilizador, existindo uma forte possibilidade de uma derrota do governo precipitar a queda de Theresa May.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas as fac\u00e7\u00f5es pr\u00f3 e anti Brexit dos Tories que tem ganho espa\u00e7o com esta situa\u00e7\u00e3o. O Labour tem a sua pr\u00f3pria quinta coluna, na forma de um estridente grupo anti-Brexit. A sua lealdade pol\u00edtica (e logo deslealdade para Corbyn) \u00e9 para com a ala direita do Labour. De facto, as suas rebeli\u00f5es t\u00eam sido apoiadas de fora por personalidades do New Labour \u2013 a fac\u00e7\u00e3o mais descredibilizada da hist\u00f3ria do Labour, que vendeu a alma do partido \u00e0 City e a George W. Bush \u2013 lideradas pelo pr\u00f3prio Tony Blair. Em meados de Junho, 75 deputados do Labour ignoraram uma orienta\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da bancada parlamentar para se absterem e votaram favoravelmente uma proposta da C\u00e2mara dos Lordes para que o Reino Unido se mantenha no Espa\u00e7o Econ\u00f3mico Europeu ap\u00f3s o Brexit, ao lado de pa\u00edses como a Noruega ou a Isl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Em parte, para responder a estas press\u00f5es Corbyn tem-se aproximado, tal como May, de uma posi\u00e7\u00e3o favorable a um Brexit suave [soft Brexit]. Por\u00e9m, continua a resistir \u00e0 ideia de perman\u00eancia do Reino Unido no mercado \u00fanico, que poderia limitar as pol\u00edticas econ\u00f3micas a adoptar por um governo do Labour. No ano passado, Corbyn deu ao Labour o seu melhor resultado eleitoral em quase 20 anos com base num programa de reformas sociais e econ\u00f3micas consistentes, embora moderadas \u2013 que apenas parecem radicais por causa dos efeitos corrosivos do neoliberalismo e do facto de quer Corbyn quer o seu ministro-sombra das finan\u00e7as, John McDonnell parecerem determinados a implement\u00e1-las. Com isso fizeram subir as espectativas da esquerda Brit\u00e2nica ao ponto mais alto desde h\u00e1 muitos anos.<\/p>\n<p>Contudo, parece ter havido nos \u00faltimos meses uma aparente quebra de \u00edmpeto, e n\u00e3o s\u00f3 devido aos atritos parlamentares em torno do Brexit. O falhan\u00e7o do Labour em concretizar o muito esperado avan\u00e7o nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 3 de Maio, conquistando pelo menos uma das pra\u00e7as-fortes dos conservadores em Kensington and Chelsea, Wandsworth, Westminster and Barnet levou a muita especula\u00e7\u00e3o sobre se Corbyn j\u00e1 teria passado o seu pico de popularidade. O comentador politico da ITV, Robert Peston, comentou: \u201cO Labour n\u00e3o atenuou os temores entre as suas pr\u00f3prias fileiras de que o pico de popularidade de Corbyn talvez j\u00e1 tenha sido passado\u201d.<\/p>\n<p>Artigo de Alex Callinicos<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Rui Borges<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo \u00e9 um excerto de um artigo mais longo sobre a crise do neoliberalismo publicado no International Socialism Journal (http:\/\/isj.org.uk\/darkening-prospects\/). A pol\u00edtica brit\u00e2nica encontra-se enredada na teia do Brexit. 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